terça-feira, março 24, 2026

Justiça trava venda de bens de luxo ligados a Vorcaro, como hotel e casa de R$ 36 milhões

 

Justiça trava venda de bens de luxo ligados a Vorcaro, como hotel e casa de R$ 36 milhões

Por Ana Paula Branco e Diego Felix, Folhapress

24/03/2026 às 16:28

Foto: Reprodução/Esfera Brasil no YouTube

Imagem de Justiça trava venda de bens de luxo ligados a Vorcaro, como hotel e casa de R$ 36 milhões

O banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, durante evento em Paris, em 2023

A Justiça de São Paulo tomou ao menos quatro decisões nos últimos dias para dificultar a venda de bens de luxo ligados ao ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro e a empresas relacionadas ao Banco Master.

Segundo as decisões, todas do juiz Adler Batista Oliveira Nobre, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, há indícios de esvaziamento proposital de patrimônio e de que recursos de correntistas e investidores tenham sido desviados por meio de uma rede de empresas, fundos e pessoas ligadas a Vorcaro. Em um dos processos, estima-se que o prejuízo possa superar os R$ 2 bilhões.

Procurada pela Folha, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não vai comentar. A Justiça deu o prazo de dez dias para a defesa se manifestar.

Nesta terça-feira (24), o juiz mandou registrar protesto sobre imóveis da Viking Participações Ltda., incluindo uma cobertura na avenida Horácio Lafer e um apartamento no condomínio Üpper Itaim, na zona sul da capital. A decisão também alcança três aeronaves: modelos Dassault Falcon 7X, Falcon 2000 e Gulfstream GV-SP.

O magistrado citou a tentativa de venda de uma cobertura de luxo no mesmo dia da prisão de Vorcaro como indício de risco de "dilapidação irreversível" do patrimônio.

Em decisões assinadas na segunda-feira (23), o mesmo juiz aplicou as medidas a outros ativos, como uma aeronave modelo Gulfstream G700 avaliada em cerca de R$ 500 milhões e a casa de R$ 36 milhões que ficou famosa por ter sido usada por Vorcaro para receber políticos em Brasília, além de participações societárias registradas em nome de empresas e fundos.

As ordens de protesto foram enviadas à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a cartórios de registro de imóveis e Juntas Comerciais em São Paulo e Minas Gerais.

As investigações citadas nos processos indicam que recursos do Banco Master teriam sido direcionados a estruturas como o Dublin Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não-Padronizados, que recebeu ao menos R$ 493,9 milhões entre 2023 e 2025 sem justificativa econômica clara.

Segundo as ações, parte desses valores teria financiado uma "vida de alto luxo" a familiares de Vorcaro. O processeo aponta indícios de que Natalia Bueno Vorcaro Zettel (irmã do ex-banqueiro) e Henrique Moura Vorcaro (pai de Daniel) tenham sido usados para movimentação de recursos e aquisição de bens, incluindo uma propriedade na Flórida (EUA) avaliada em US$ 35 milhões.

A estrutura incluiria uma cadeia societária no exterior, com conexões nas Ilhas Cayman, que teria sido usada para transferir recursos e adquirir ativos de baixa qualidade, segundo os autores da ação.

O alcance das decisões atinge ainda o Botanique Hotel & Spa e um iate chamado Monde Bleu, que estariam vinculados a empresas como a PS-MGG Administração de Bem Próprio S.A. e a fundos como o Rio Vermelho FIDC e o FIP Lunar. Segundo a decisão, há indícios de que esses ativos tenham sido adquiridos com recursos do grupo e destinados ao uso pessoal de Daniel Vorcaro.

Em todas as decisões, o magistrado disse que o protesto não bloqueia diretamente os bens nem impede o uso das propriedades, mas serve como um alerta ao mercado.

Os protestos devem reduzir o interesse de compradores e dificultar a transferência, já que eventuais aquisições passam a carregar risco jurídico. Ou seja, quem decidir comprar nesse intervalo assume o risco de ter de devolver o bem posteriormente, caso a Justiça reconheça que ele foi adquirido com recursos desviados.

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