
Caiado terá que atacar Flávio, com resultados incertos
Malu Gaspar
O Globo
A provável escolha de Ronaldo Caiado como candidato do PSD à Presidência da República no lugar de Ratinho Junior deve ser justificada pelo presidente do partido, Gilberto Kassab, com base nos resultados de pesquisas qualitativas realizadas há mais ou menos um mês.
A conclusão a que Kassab chegou a partir dessas pesquisas, embora esteja à direita de Ratinho, Caiado teria a vantagem de poder atrair o eleitor de centro e ainda tiraria votos de Flávio Bolsonaro. Segundo o argumento que o entorno de Kassab já começou a difundir nesta segunda-feira, o melhor perfil de candidato para tentar conquistar o centro seria mesmo o de Ratinho, mas entre os dois pré-candidatos que sobraram, Caiado e Eduardo Leite, o governador de Goiás teria mais chances. Isso porque o eleitor de centro que não quer a reeleição de Lula teria disposição para votar em Caiado, mas não em Flávio Bolsonaro.
PROBLEMAS NA ESCOLHA – Os levantamentos, feitos pela GPP, do Rio de Janeiro, teriam mostrado que Caiado é visto com honesto e experiente e com liderança no agronegócio, enquanto Flávio Bolsonaro seria desonesto e inexperiente. Há, porém, alguns problemas nessa escolha.
O primeiro é que, para tentar vingar como candidato competitivo, Caiado terá que atacar Flávio, com resultados incertos, uma vez que poderia parecer incoerente, uma vez que o governador de Goiás vem se alinhando com o bolsonarismo há anos. Além disso, há o risco de uma parte do eleitorado de centro que não quer votar em Flávio acabar escolhendo Lula ao invés de Caiado.
Na última pesquisa da Genial/Quaest, Caiado apareceu com 4% das intenções de votos num primeiro turno com Lula (39%) e Flávio Bolsonaro (32%). Pelos dados mais recentes, num eventual segundo turno com o petista, ele teria 32% dos votos e o presidente, 44%
UNIFICAÇÃO – Outra dificuldade será a de unificar o partido, já que muitas lideranças do PSD têm mais proximidade com a centro-esquerda – como Eduardo Paes, que já apoiou Lula e Dilma Rousseff em 2010, 2014 e 2022 e abrirá seu palanque na disputa pelo governo do Rio para o presidente. Leite, aliás, nem conhece as qualitativas que Kassab vem mencionando a aliados nos bastidores, e nem foi comunicado com antecedência da decisão de Ratinho Junior, que aparentemente tomou mesmo a decisão de última hora.
No sábado, o governador do Paraná postou em suas redes um card com sua foto e a mensagem “Vamos virar a página do Brasil”. Até agora as razões para a decisão do paranaense não estão claras. Uma possibilidade é que ele tenha feito esse movimento para se dedicar à eleição de um sucessor para o governo do estado e impedir o avanço do senador e ex-juiz da Lava-Jato, Sergio Moro, que deve se filiar ao PL nesta terça-feira para disputar o governo.
DIVISÃO – Uma avaliação de observadores da política local é que, como os possíveis pré-candidatos à sua sucessão estão em guerra nos bastidores, se Ratinho não ficasse no governo, o time se dividiria. À frente do governo, ele poderia comandar a própria sucessão.
Outro possível motivo seria a rejeição do pai à uma eventual candidatura. O apresentador Ratinho já disse algumas vezes ser contra o projeto presidencial. Em público, porém, ele vinha declarando apoio ao filho. No final de semana, chegou a dizer em uma entrevista que achava que havia espaço para uma candidatura de centro.
“O que a dona Maria quer? É que a comida seja mais barata. O que o meu filho é? Hoje é considerado o melhor governador do país. Eu acho que ele tem espaço. É difícil, claro que é difícil. Mas não é impossível”, afirmou.