Vivemos na era da globalização, da internet de alta velocidade, da inteligência artificial, dos aplicativos que prometem resolver tudo em segundos — mas basta precisar de um serviço essencial como o atendimento da Caixa Econômica Federal para perceber que o Brasil ainda engatinha no respeito ao cidadão. A esculhambação está generalizada. E quem sempre leva a pior? O contribuinte, o beneficiário, o trabalhador.
Tente, por exemplo, resolver qualquer problema bancário pelo atendimento telefônico da Caixa. Você será recebido com aquela frase padrão: “No momento, todos os atendentes estão ocupados. Por favor, aguarde.” Aguarde... por uma, duas horas, talvez mais. Aguarde por uma solução que não vem. Aguarde até ser vencido pela frustração. Isso não é apenas um problema técnico — é um sintoma de um sistema que falhou com a população.
Estamos falando de um banco público que deveria dar exemplo de eficiência, de atenção ao povo, especialmente porque lida com benefícios sociais, com o dinheiro suado do trabalhador, com aposentadorias, auxílios e financiamentos da casa própria. Em vez disso, o que se encontra é descaso. É como se o cidadão não passasse de um número em uma fila infinita, esquecida, digitalmente ignorada.
O mais grave é que isso acontece num contexto em que a tecnologia poderia facilitar e humanizar os serviços. Mas ao contrário, ela tem sido usada como barreira: filas virtuais, gravações automáticas, plataformas mal projetadas e aplicativos que mais confundem do que ajudam. Tudo isso sem qualquer canal efetivo de resolução rápida e transparente.
Essa negligência não é exclusividade da Caixa. Ela se repete em outros serviços públicos e privados, refletindo um país onde a burocracia serve mais para travar do que para organizar. Onde o consumidor é maltratado, o contribuinte é desvalorizado e o tempo do cidadão parece não ter valor algum.
É preciso cobrar. É preciso denunciar. É preciso exigir que as instituições respeitem as pessoas, porque ninguém aguenta mais esse desleixo institucionalizado. Um país que se quer moderno e justo não pode permitir que o cidadão seja tratado como um incômodo.
Porque, no fim das contas, quem sustenta toda essa estrutura somos nós. E o mínimo que merecemos é respeito.
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