segunda-feira, setembro 13, 2021

Política não é competição esportiva e o resultado atinge sempre a população do país

Publicado em 13 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

 Pedro do Coutto

No primeiro pronunciamento depois do 7 de setembro,, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, no sábado, numa visita à Feira Agropecuária de Esteio, no Rio Grande do Sul, – excelente reportagem de Adriana Mendes, O Globo de domingo – que no episódio do Dia da Independência quando ameaçou descumprir as decisões do ministro Alexandre de Moraes, não houve nenhum poder vitorioso, reproduzindo assim a visão esportiva que faz do jogo político num embate em que sempre se julga vitorioso. Desta vez, entretanto, admitiu um empate.

A visão do presidente da República está completamente distorcida, da mesma forma que distorcida se encontram as correntes que se chocam umas ao lado do Planalto, outras voltadas maciçamente contra o chefe do Executivo. De qualquer forma, as paixões que ocorrem na vida humana, sejam de qual tipo forem, vão sempre produzir equívocos e conduzir às análises desastrosas da realidade.

TERCEIRO REFLEXO – Foi assim em 1955, quando Carlos Lacerda liderou um movimento subversivo contra a posse de JK, vitorioso nas urnas democráticas. A opinião pública precisa entender que o embate sintetizado nas legendas partidárias não envolve uma dualidade própria das decisões no futebol. Há sempre um terceiro reflexo, que no fundo, se encontra na verdadeira disputa, colocando em confronto as visões progressistas e conservadoras. Isso para reduzir ao máximo as opções do eleitorado porque temos que considerar ainda as posições de extrema direita, intolerante sob qualquer resultado das urnas que não favoreçam a paixão que alimenta em si.

Conforme digo sempre, o amor é um sentimento fundamental, mas Deus nos livre das paixões que se aproximam de situações febris e exaltadas ao máximo. As paixões são um perigo,  seja na política, seja no amor pela mulher, seja na obsessão de tentar impor uma realidade interior sobre a realidade concreta dos fatos.

Falei há pouco sobre extremismo e vejo tal posição relembrada em artigo de Patrícia Campos Mello, Folha de S. Paulo de ontem. O golpe preventivo foi o argumento falso usado pelo Lacerdismo em 1955 contra a posse de Juscelino Kubitschek. O então líder da UDN dizia: “Temos que dar o contragolpe porque o golpe foi dado nas eleições fraudadas”. O absurdo pelo que vejo através mais de seis décadas de jornalismo político se repete. É a intolerância para com a vontade popular.  

AS REDES SOCIAIS E OS EDITORES –  Em artigo publicado ontem, na Folha de S. Paulo, Hélio Schwartsman focaliza com o brilho de sempre a questão que se coloca entre o limite da liberdade de expressão nas redes sociais da internet e os limites impostos pela lei, pela ética e pelo bom senso. Entre esses limites situa-se o fato de , na grande maioria dos casos, os textos divulgados pela internet não estarem sujeitos a uma verificação de sua procedência ou improcedência a editores responsáveis. Como, por exemplo,  ocorre invariavelmente nos jornais, nas emissoras de televisão e de rádio.  

Na internet, cada um se julga editor de si mesmo e daí as investidas antidemocráticas e até criminais que ocupam espaços eletrônicos. Não é possível, não faz sentido, que cada um desempenhe concretamente o papel de editor de si próprio. Aceitar isso significa aceitar como normal a anormalidade que impulsiona as injúrias, difamações, calúnias  e até os incentivos ao sequestro de ministros e a invasão violenta do Supremo Tribunal Federal. Afinal de contas, o direito é uma questão de bom senso, de respeito aos limites entre o normal e o anormal, entre o que é aceitável e o que é inaceitável.  Ninguém pode achar que é algo normal e aceitável propor-se sequestrar um ministro da Corte Suprema.

A diferença entre a existência de editores e a sua ausência nas mensagens veiculadas é algo a ser obrigatoriamente analisado pelas redes mobilizadas para a comunicação moderna e imediata e, por ser imediata, em muitos casos, irreparável. Porque uma coisa é o direito de opinião, outra coisa, completamente diferente é o incitamento ao crime, incluindo sequestros e assassinatos.

SEMANA DA ARTE MODERNA –  Na edição de ontem, também da Folha de S. Paulo, Ruy Castro refere-se ao centenário da Semana de Arte Moderna a ocorrer em 2022. Cita aspectos reescritos e outros da necessidade de serem revistos. São questões relativas à datas, à idade dos personagens e à sua localização no tempo de um século atrás. Aliás, por falar em revisões e reescritos, uma série enorme de episódios, como os da Segunda Guerra Mundial, necessitam de uma revisão e uma reanálise para assegurar a plenitude histórica dos acontecimentos. Por exemplo, aspectos econômicos-financeiros  sobre compra de armamentos, de combustíveis e até de consciências que se desenrolaram em águas nem sempre aparentes.

Historiadores, se desejarem, poderão mergulhar em correntes pouco visíveis na aparência, mas muito sensíveis na essência. Como eram feitos os pagamentos de compras de armas e petróleo nas redes bancárias? Qual a origem do dinheiro que sustentava os pagamentos? Qual a procedência do dinheiro que sustentava fortificações e templos voltadas à destruição humana ?

Hoje, interessante é saber qual a origem de recursos financeiros que erguem templos de ódio e voltados à perseguições, tanto religiosas, quanto àquelas que se destinam a obscurecer os fatos concretos, colocando-os em dúvida do tempo. Registros existem porque como os fatos, o rastro do dinheiro sempre aparece para os que desejarem iluminá-los.

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