sexta-feira, setembro 10, 2021

Bolsonaro faz economia desabar e Barroso diz que falta de compostura envergonha o país

Publicado em 10 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Nas cordas, Bolsonaro agora tenta se agarrar ao fiapo de defesa que lhe resta

Pedro do Coutto

Os ataques que o presidente Jair Bolsonaro desfechou contra o ministro Alexandre de Moraes, contra o Supremo Tribunal Federal e a favor do não cumprimento de sentenças judiciais fizeram a economia desabar imediatamente no dia seguinte à data da Independência. A Bolsa de Valores recuou, o dólar subiu, a inflação acelerou e os preços dos alimentos, até nas feiras livres do Rio de Janeiro, aumentaram acentuadamente, inclusive como demonstrou a reportagem da TV Globo no início da tarde de ontem.

Também ontem, reportagem de Vitor da Costa, Stephani Tondo e João Sorima Neto, O Globo, assinala a falta de rumo no mercado em consequência do agravamento da crise política que atingiu o seu ponto máximo, aliás como escrevi ontem. Na Folha de S. Paulo, Daniele Madureira destaca a reação negativa do pronunciamento de Bolsonaro nas classes empresariais que sustentaram que o presidente da República deve se empenhar, isso sim, para a retomada econômica do Brasil e não perder o rumo político da situação nacional.

RUMOS DA DEMOCRACIA – Na minha opinião, o desabamento causado por Bolsonaro só não atingiu a extrema-direita, mas alcançou duramente os próprios setores conservadores que estão preocupados com os rumos da democracia e com as eleições de outubro de 2022. Na Folha de S. Paulo, o economista Sérgio Lazzarini, em entrevista ao repórter Douglas Gavras, assinala que as ameaças de Bolsonaro jogam fora as perspectivas de recuperação da economia brasileira em um quadro tumultuado em que investimentos importantes, com reflexo no mercado de empregos, terminam não se realizando.

Enquanto escrevo esse artigo, há a notícia de que Bolsonaro recuou e diz que tudo foi dito no calor do debate. No fim da tarde de ontem, o presidente da República divulgou texto recuando praticamente de forma total em relação às ofensas dirigidas ao ministro Alexandre de Moares, buscando retratar-se em relação a sua participação nas manifestações do dia 7 de setembro.

Bolsonaro atribuiu tudo ao calor do debate e o seu recuo foi assim total, um rendimento político às forças que se uniram contra ele que tenta, com isso, ganhar tempo para sobreviver. Se ele recuou é porque espera um período que julga suficiente para respirar e sair das cordas. Mas os ataques feitos ao Supremo continuam e o teste definitivo será, sem dúvida, quando Bolsonaro cumprir as decisões do ministro Alexandre de Moraes e do STF.  O presidente, na minha opinião, ficou sem espaço e como última tentativa deixa o ataque e passa para a defesa. Quanto tempo durará essa defesa é a pergunta que se pode fazer.

DURO DISCURSO – O pronunciamento de Luís Roberto Barroso, antes da declaração de Bolsonaro no fim da tarde de ontem, foi sem dúvida o mais duro e frontal feito por um magistrado contra a falta de rumo e de legitimidade de propósitos demonstrada pelo presidente da República, e que deveria ser o primeiro a defender as leis e as instituições.

Barroso atacou duramente o presidente Bolsonaro, acusando-o de falsificar fatos e manter um comportamento marcado pela falta de compostura, situação que está envergonhando o Brasil perante o mundo, acusando sem provas, repetindo seguidamente inverdades e não enfrentando os verdadeiros problemas nacionais, como o desemprego, a pandemia, a queda do poder de compra e a falta de perspectiva para a sociedade brasileira.

O desfecho da crise instaurada está gerando uma paralisia econômica e social, cujos reflexos são negativos. Na minha impressão, o país só retomará as suas atividades normais a partir do momento em que Jair Bolsonaro deixar a Presidência da República.

FLAMENGO NÃO JOGA SOZINHO – Atendendo pedido do Flamengo, a Prefeitura do Rio decidiu permitir que os jogos do time possam ter acesso de público pagando os seus ingressos. Dezenove clubes e a CBF estão recorrendo contra a decisão. Surpreendentemente, o prefeito Eduardo Paes não se pronunciou até o momento. É preciso considerar um fato que se sobrepõe a qualquer outra interpretação: o Flamengo não joga sozinho, por isso os seus adversários participam da receita decorrente dos ingressos.  

Mas como dividir essa receita se a Prefeitura se refere apenas ao Flamengo? No futebol não existe exibição sem adversário e sem competição. Não é possível assim atribuir-se um tratamento a um clube por mais popular que ele seja sem que tal decisão interfira no interesse dos demais. O futebol é um espetáculo para as multidões, seja pela TV ou pelo público presente. Mas em nenhuma situação pode se levar em conta o privilégio deste ou de outro time em relação às equipes que dão vida aos campeonatos.


Em destaque

Com volta do recesso, oito bancadas da Câmara ainda não definiram seus líderes

Publicado em 1 de fevereiro de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Lideranças serão definidas no próximo mês Victor...

Mais visitadas