segunda-feira, maio 24, 2021

Lavareda afirma que o maior erro de Bolsonaro foi ter antecipado a campanha eleitoral


Antonio Lavareda

Bolsonaro desgasta a própria imagem, diz Lavareda

Jorge Vasconcelos
Correio Braziliense

A antecipação do debate eleitoral começou logo depois de Jair Bolsonaro receber a faixa presidencial. Ainda no início de 2019, ele deixou claro que concorreria a um novo mandato e trouxe para o governo a polarização com as forças de esquerda que marcara a campanha vitoriosa do ano anterior.

Essa movimentação levou outros personagens a também anteciparem seus projetos eleitorais, o que provocou o rompimento do presidente com antigos aliados, como Doria e o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro. A disputa política ficou ainda mais acirrada após o início da pandemia da covid-19, com a escalada de ataques de Bolsonaro contra governadores e prefeitos que seguem as recomendações científicas para conter o avanço do novo coronavírus.

DIZ LAVAREDA – Pioneiro do marketing político brasileiro, cientista político e especialista em comportamento eleitoral, Antônio Lavareda disse que a antecipação de campanha eleitoral é sempre negativa para os governantes, pois gera desconfianças nos eleitores. Por outro lado, na sua visão, o fenômeno é positivo para a sociedade, que têm mais tempo para avaliar os perfis dos concorrentes.

“A estratégica básica dos governantes é tentar restringir ao máximo a campanha para o ano da eleição e, mais ainda, para o segundo semestre do ano eleitoral. Quando procurados pela imprensa, se você for pesquisar as declarações de governantes, sejam governadores, prefeitos ou presidente, no ano anterior à eleição, você vai ver geralmente eles dizendo que ‘Esse é o momento de trabalhar, esse é o momento de governar; eleição nós discutiremos adiante’, ou seja, no segundo semestre do ano eleitoral”, disse Lavareda.

O cientista político observa que Bolsonaro adotou justamente a “estratégia equivocada”, pois desde a posse como presidente vem misturando o exercício do mandato com o projeto de reeleição.

CAMPANHA LONGA – “Bolsonaro fez isso, provavelmente, porque ele conseguiu se eleger em 2018 por conta de uma campanha longa, que ele iniciou em 2015”, afirma Lavareda, acrescentando:

“Então ele quis se mirar também um pouco no evento do (ex-presidente dos Estados Unidos Donald) Trump e transformar o governo dele, a presidência dele, na cadeira presidencial, como uma campanha permanente. Ao que parece, isso tem sido uma estratégia equivocada, com consequências negativas”, disse o cientista político.

Lavareda assinala que, “do ponto de vista psicológico, é como se o presidente encurtasse o mandato dele, porque, quando coloca a questão da reeleição, ele eleitoraliza todas ações do seu mandato, trazendo desconfiança aos eleitores, além de acabar legitimando os seus adversários”.

CANDIDATOS DE CENTRO – Por fim, quanto aos pré-candidatos de centro, o cientista político considera que eles deveriam se expor mais na mídia, principalmente pelo fato de terem assinado um manifesto.

Ele se refere a um documento em defesa da democracia, divulgado em abril por João Doria (PSDB), Eduardo Leite (PSDB), Ciro Gomes (PDT), o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM), o apresentador Luciano Huck e o empresário João Amoêdo (Novo). O texto traz críticas às repetidas ameaças de Bolsonaro à estabilidade democrática.

“A minha posição, já a expressei publicamente, é que, por exemplo, esses pré-candidatos do chamado centro deviam se expor à mídia. A mídia deveria convidá-los para debates entre eles. Eles já assinaram um manifesto. Por que a mídia não os chama para um debate, pela internet? Mas um debate mesmo. Não há nenhum impedimento legal para isso”, sugeriu Antônio Lavareda.


Em destaque

INTIMAÇÃO PESSOAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL

  TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL SECRETARIA JUDICIÁRIA COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO   RECURSO ESPECIAL ELEITORAL (11549) - 0600425-35.2024.6....

Mais visitadas