segunda-feira, maio 24, 2021

Com Pazuello ao lado, Bolsonaro lança desafio e joga a sua cartada decisiva


Bolsonaro e Pazuello ignoram mortes e promovem aglomerações

Pedro do Coutto

Ao convocar o general Eduardo Pazuello para participar ao seu lado da manifestação deste domingo, quando acompanhou a caravana de motociclistas no Rio de Janeiro, sem dúvida Jair Bolsonaro lançou um desafio e jogou uma cartada decisiva para permanecer no poder mesmo antes da sucessão presidencial de 2022.

Sua atitude, que só pode ser compreendida assim, causou reações nas áreas militares e entre os integrantes da CPI que apura erros e omissões do governo no combate ao coronavírus. No O Globo, reportagem de Jussara Soares e Tânia Monteiro. Na Folha, de Vinicius Sassine e Ana Luiza Albuquerque.

SEM MÁSCARA – Tanto Bolsonaro quanto Pazuello participaram sem máscara, envolvendo-se em aglomerações ao lado de seus apoiadores. O presidente da República no fim de semana voltou a defender o tratamento precoce.

Pazuello é um oficial da ativa e como tal não poderia se envolver em atos políticos. Mas foi o que fez, ao lado de Bolsonaro, provocando reações entre os militares que já levaram o caso à apreciação do general Paulo Sérgio Nogueira, comandante do Exército. Está conflagrada uma situação marcada pela expansão da crise. O quadro democrativo brasileiro está sob risco uma vez que se o episódio de domingo passar em branco será uma prova do fortalecimento do chefe do Executivo e o abalo dos princípios constitucionais e legais, sobretudo porque está em jogo o próprio regime democratico.

Portanto, as próximas horas do dia de hoje deverão projetar um panorama bastante profundo envolvendo o impasse criado entre o regulamento militar e a própria população do país na medida em que esta aguarda o final de mais esse capítulo que vem colocando em choque há vários meses o regime democratico e a liberdade do país.

DEFESA – O presidente Jair Bolsonaro demitiu Pazuello do Ministério da Saúde e ele permaneceu em Brasília ainda sem cargo definido, tendo sido defendido no caso do comparecimento à CPI pela Advocacia Geral da União que recorreu ao Supremo Tribunal Federal para garantir o seu silêncio.

A AGU, a rigor, não poderia ter recorrido ao STF em favor de Pazuello, simplesmente porque ele já não era mais ministro de Estado. Mas essa é outra questão. No momento menos importante. É preciso aguardar uma definição, estando esta bem próxima de uma ruptura tanto política quanto institucional.

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