quarta-feira, novembro 11, 2020

Sem defesa da Amazônia, a Europa não faz acordo com o Mercosul, diz o embaixador alemão


Acordo UE-Mercosul e Fundo Amazônia dependem do Brasil' | Brasil | Valor Econômico

Holms diz que o governo brasileiro precisa passar credibilidade

Fábio Amato
G1 — Brasília

O embaixador da Alemanha no Brasil, Heiko Thoms, diz que o governo brasileiro mostra “boas intenções” em encontrar uma solução para frear o desmatamento ilegal na Amazônia, mas, segundo ele, o que se espera do país agora é um “plano concreto” para enfrentar o problema. Até o mês passado, a quantidade de queimadas na Amazônia já tinha superado a de todo o ano passado. Thoms foi um dos 12 embaixadores que, na semana passada, participaram de uma viagem de três dias à Amazônia organizada pelo vice-presidente Hamilton Mourão.

Além do vice-presidente, também integraram a comitiva os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente), Tereza Cristina (Agricultura) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional).

BOAS INTENÇÕES – “É bom que a gente tenha boas intenções, mas o que precisamos agora é de um plano concreto de ações e que ele seja implementado”, disse o embaixador alemão em entrevista ao G1.

De acordo com Thoms, a mensagem foi transmitida pelos embaixadores à comitiva brasileira durante a viagem. Ele também afirmou que a apresentação de um plano — e a credibilidade desse plano — serão fundamentais para o andamento do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

“O que precisamos agora — e nós dissemos aos ministros e ao vice-presidente — é de um plano de longo prazo para combater o desmatamento ilegal, com medidas e prazos concretos e com objetivos claros. Precisamos ter os números exatos de onde o Brasil quer ir e para que patamar o governo brasileiro quer reduzir o desmatamento”, declarou o embaixador.

CRÍTICAS INTERNACIONAIS – A viagem foi organizada depois que oito países europeus enviaram uma carta a Mourão, afirmando que a alta do desmatamento poderia dificultar a importação de produtos brasileiros.

No documento, divulgado em setembro, os países disseram estar comprometidos em limitar o desmatamento das cadeias de produtos agrícolas vendidos para a Europa. Em resposta, Mourão já tinha informado que pretendia levar os embaixadores para visitar o bioma.

A carta foi encaminhada em meio ao aumento das críticas internacionais à política ambiental adotada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro, e ao crescimento do desmatamento e das queimadas no país nos últimos meses.

FALSAS ALEGAÇÕES – Enquanto as queimadas na Amazônia em 2020 passam número registrado em todo o ano de 2019, Bolsonaro e ministros do governo têm apontado que as críticas internacionais são motivadas por interesses comerciais e têm o objetivo de prejudicar produtores brasileiros.

Em setembro, em discurso na ONU, Bolsonaro afirmou que o Brasil tem sido “vítima” de uma campanha “brutal” de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal, e voltou a culpar ONGs por crimes ambientais, sem apresentar provas.

Agora, o embaixador alemão diz que a credibilidade de um futuro plano contra o desmatamento será essencial para que o acordo saia definitivamente do papel. “Precisamos ver agora provas de ações sérias. Sustentabilidade é parte do acordo União Europeia-Mercosul mas, se a gente sente que isso não está sendo levado a sério, então também teremos dúvidas sobre o acordo. Queremos nos livrar dessas dúvidas”, afirmou.

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