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Procurador-geral ficou estarrecido com a postura de Bolsonaro na reunião
Carlos Newton
Ao atender à determinação do presidente Jair Bolsonado e pedir a instauração de inquérito contra o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, no dia 24 de abril, O procurador-geral da República, Augusto Aras, não tinha noção de que estava se metendo numa tremenda enrascada. Acreditou quando o presidente disse que Moro era mentiroso e partiu dessa premissa para pedir o enquadramento do ministro em denunciação caluniosa e mais seis crimes conexos.
Três semanas depois, já está claro que Sérgio Moro em nenhum momento deixou de falar a verdade, enquanto o presidente e seus áulicos contavam uma mentira atrás da outra. E hoje o procurador está vivendo o inferno astral de sua carreira.
DEVER DA PROCURADORIA – No dia 1º de maio, quando Bolsonaro ainda se divertia dando entrevistas para ironizar Moro, dizendo que na reunião ministerial do dia 22 nem pronunciara as expressões Polícia Federal e Superintendência, o procurador respondeu a uma crítica de Moro sobre o “caráter intimidatório” da petição ao Supremo.
Em nota oficial, Aras disse que “a procuradoria-geral da República tem o dever de averiguar todos os fatos – e as versões que lhes dão os envolvidos – em busca da verdade real”. Negou o “caráter intimidatório” da petição e assim finalizou a nota:
“O procurador-geral da República, Augusto Aras, reitera que não aceita ser pautado ou manipulado ou intimidado por pessoas ou organizações de nenhuma espécie. Ninguém está acima da Constituição!”
O JOGO VIROU – Duas semanas depois, tudo mudou, já se sabe que Moro disse a verdade e as provas contra Bolsonaro se acumulam, porque ele costuma dizer uma coisa de manhã e outra à noite. E agora é Augusto Aras que sofre pressão na própria Procuradoria para ter uma atuação mais firme e frear os excessos de Bolsonaro.
Segundo o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, os procuradores acusam Aras de fazer vista grossa para o comportamento de Bolsonaro e tentar se cacifar para uma vaga no Supremo.
Disse Jardim que havia uma quase certeza no ar (inclusive entre os integrantes da equipe de Aras) de que ele não denunciaria Bolsonaro no inquérito que corre no Supremo sob relatoria de Celso de Mello. Mas as coisas mudam.
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P.S. – O procurador-geral enfim assistiu à íntegra do vídeo da reunião ministerial citada por Moro e ficou estarrecido com o desempenho do presidente Bolsonaro, que parecia estar numa conversa de botequim. Portanto, se o relator Celso de Mello quebrar o sigilo do conteúdo do vídeo, Aras se verá obrigado a apresentar denúncia contra Bolsonaro. E isso significará o fim, digamos assim. (C.N.)
P.S. – O procurador-geral enfim assistiu à íntegra do vídeo da reunião ministerial citada por Moro e ficou estarrecido com o desempenho do presidente Bolsonaro, que parecia estar numa conversa de botequim. Portanto, se o relator Celso de Mello quebrar o sigilo do conteúdo do vídeo, Aras se verá obrigado a apresentar denúncia contra Bolsonaro. E isso significará o fim, digamos assim. (C.N.)