
Ramos esquece que vai se comprometer a somente dizer a verdade…
Deu no Poder360
O ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, 63 anos, declara que o presidente Jair Bolsonaro não fez nenhuma sinalização que indicasse interferência na Polícia Federal. Pelo que se recorda, diz Ramos, não houve nem menção a superintendências da corporação durante uma reunião interministerial da qual participou.
Mas o ex-ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) afirma que Bolsonaro queria alguém de seu “contato pessoal” no comando da PF. De acordo com ele, o presidente expressou seu desejo durante 1 encontro do Conselho de Governo.
VÍDEO LIBERADO – A partir da acusação de Moro, o ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a liberação do vídeo da reunião. O ministro do STF também determinou o testemunho de três ministros militares. Para garantir o depoimento, decidiu que haverá condução coercitiva no caso de os auxiliares de Bolsonaro não comparecerem.
Ramos é um desses ministros que precisarão depor. Os outros dois são Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Braga Netto (Casa Civil).
Em entrevista a Fernando Rodrigues, do programa Poder em Foco, o chefe da Secretaria de Governo declara que “em nenhum momento” da reunião ministerial o presidente quis se referir a processos judiciais ou investigações conduzidas pela Polícia Federal. De acordo com ele, Bolsonaro falava do Sisbin (Sistema Brasileiro de Inteligência) e cobrava relatórios de melhor qualidade.
RELATÓRIOS DE INTELIGÊNCIA – “O que é a inteligência? Parece que ficou demonizado, mas não é: em qualquer país do mundo você precisa de informações e de dados sobre as fronteiras, os crimes transnacionais, queimadas, de criminalidade, de grupos radicais se reunindo, isso faz parte do Sisbin. E quem faz parte do Sisbin? O sistema de inteligência das Forças Armadas, da Polícia Federal, das Polícias Militares, todos vão e alimentam esse sistema. Então era disso que o presidente estava falando”, disse o general.
“Mas esse relatório que o Sisbin produz ou os órgãos…”, começa a perguntar Fernando Rodrigues, um dos melhores jornalistas do país.
“O presidente tem que ter acesso”, interrompe Ramos.
“Mas ele já tem acesso”, assinala o apresentador.
“Sim, mas ele os considera não tão no nível que ele queria”, declara Ramos, que completa:
“Eu como general, onde passei, é obrigação, é dever da pessoa que está investida de autoridade exigir que seus subordinados deem o melhor de si. Ele é o chefe supremo do país. Ele não pode ser surpreendido –e às vezes acontece– com informações que ele recebe de WhatsApp.”
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Se fizer essa declaração em juízo, o ilustre ministro-general estará se comportando como “advogado” de Bolsonaro e não como “testemunha”. O fato que ele diz não ter acontecido na reunião (pelo que se recorda…) mereceu uma intervenção do general Augusto Heleno, de apoio a Moro, na qual explicou ao presidente que ele não tem direito de pedir à Polícia Federal relatórios sobre inquéritos ou investigações. Se essa fala de Heleno estiver gravada, como diz o ex-ministro Moro, o general Eduardo Ramos estará mentindo após jurar dizer a verdade, somente a verdade e nada mais do que a verdade. É muito feio um general se rebaixar a fazer esse papel. O depoimento dele será nesta terça-feira, às 15 horas. (C.N.)
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Se fizer essa declaração em juízo, o ilustre ministro-general estará se comportando como “advogado” de Bolsonaro e não como “testemunha”. O fato que ele diz não ter acontecido na reunião (pelo que se recorda…) mereceu uma intervenção do general Augusto Heleno, de apoio a Moro, na qual explicou ao presidente que ele não tem direito de pedir à Polícia Federal relatórios sobre inquéritos ou investigações. Se essa fala de Heleno estiver gravada, como diz o ex-ministro Moro, o general Eduardo Ramos estará mentindo após jurar dizer a verdade, somente a verdade e nada mais do que a verdade. É muito feio um general se rebaixar a fazer esse papel. O depoimento dele será nesta terça-feira, às 15 horas. (C.N.)