Ao mesmo tempo em que trabalha para abafar as denúncias do casal Zoghbi sobre um esquema de corrupção nos contratos do Senado, que envolveria senadores, o presidente José Sarney (PMDB-AP) acionou o corregedor-geral da Casa, Romeu Tuma (DEM-SP), para que o Ministério Público participe das investigações de supostas irregularidades nas operações de concessão de empréstimos consignados no Senado. Alvo de sindicância interna no Senado, João Carlos Zoghbi teria recebido propina do Banco Cruzeiro do Sul em troca da renovação de um contrato para oferecer crédito consignado a funcionários do Senado. Ao todo 38 bancos exploram o serviço de crédito consignado para os servidores do Senado.
Segundo Tuma, o presidente Sarney decidiu incluir o Ministério Público nas investigações por recomendação do presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO). "Primeiro, vou pedir ao Banco Central que faça um levantamento dos empréstimos que foram concedidos a funcionários ultrapassando o limite de 30% do salário, que é o endividamento permitido", disse Tuma. Ele avisou que vai levantar todos os empréstimos consignados feitos aos servidores e irá fazer "um dossiê" e enviá-lo para o Ministério Público.
Caberá ao Ministério Público dar o andamento às denúncias e decidir sobre a abertura de inquérito para apurar os envolvidos na elaboração de contratos irregulares com os bancos que concedem empréstimos consignados a funcionários do Senado. "Temos muito trabalho nesse processo. Estamos levantando a relação dos bancos com o Senado", explicou o diretor da Polícia Legislativa, Pedro Ricardo Araújo. Segundo ele, nesta primeira fase João Carlos Zoghbi não será convocado para depor.
Além de pedir um levantamento pormenorizado do Banco Central sobre os empréstimos consignados feitos aos funcionários do Senado, o corregedor quer saber se houve autorização de João Carlos Zoghbi para que as margens consignáveis ficassem acima do limite de 30% do salário do servidor, que é o permitido por lei, para permitir prazos maiores para o pagamento das prestações.
Ex-diretor de Recursos Humanos do Senado, Zoghbi montou uma empresa de fachada, tendo sua ex-babá, Maria Izabel Gomes, como acionista majoritária para assessorar os bancos que concedem empréstimos aos servidores do Senado. Só do Banco Cruzeiro do Sul, ele teria recebido R$ 2,5 milhões de propina. Zoghbi, que pediu aposentadoria, está lotado atualmente no Instituto Legislativo Brasileiro (ILB). Ele foi exonerado dos Recursos Humanos por conduta irregular na função.
Fonte: O Liberal (PA)
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