quarta-feira, maio 07, 2008

Júri absolve fazendeiro acusado de mandar matar missionária

BELÉM - Acusado de ser o mandante da morte da missionária Dorothy Stang, em fevereiro de 2005, o fazendeiro Vitalmiro Bastos Moura, o Bida, foi absolvido pelo conselho de sentença durante o segundo julgamento a que foi submetido. A decisão revoltou a família da vítima e entidades de direitos humanos presentes no salão do júri.
O promotor Edson Souza disse que pretende recorrer da decisão. Os jurados entenderam que não havia provas suficientes para condenar o fazendeiro. No mesmo julgamento, que durou dois dias, Rayfran das Neves Sales foi condenado a 28 anos de prisão em regime fechado pela morte de irmã Dorothy.
O que pesou na absolvição de Moura, condenado a 27 anos no primeiro julgamento, realizado no ano passado, foi o depoimento de Sales, que assumiu sozinho a autoria do crime, favorecendo o fazendeiro. Ele descartou um possível mandante, dizendo ter planejado e executado sozinho o crime. A defesa de Moura festejou a absolvição juntamente com os familiares do fazendeiro.
O promotor sustentou contra Moura e Sales a acusação de homicídio qualificado, com uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Também afirmou que o crime foi praticado mediante promessa de pagamento. Ele denunciou da tribuna as ameaças que vem sofrendo, dirigida a seus familiares. "Essas ameaças, feitas por telefonemas anônimos, vem ocorrendo há cerca de um ano", disse Souza.
O advogado Eduardo Imbiriba, defensor de Moura, viu coroada sua tese de negativa de autoria. Ele foi categórico ao dizer que não existe nenhuma prova concreta no processo que incrimine o fazendeiro. Segundo Imbiriba, houve contradições no inquérito policial que favoreceram Moura.
Fonte: Tribuna da Imprensa

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