BRASÍLIA - Uns entendem que uma Kombi bastaria. Outros sustentam a necessidade de um ônibus. Tanto faz, mas deveria o presidente Lula, no mais breve espaço de tempo possível, colocar num desses veículos todos os ministros hoje em litígio, uns contra outros, determinando ao motorista, que poderia ser a ministra Dilma Rousseff, não desembarcar ninguém antes que chegassem a um entendimento. Quantas voltas dariam em todo o território nacional o ônibus ou a Kombi mesmo obrigado a trafegar em rodovias esburacadas?
Mangabeira Unger, do Futuro, Carlos Minc, do Meio Ambiente, Reinhold Stephanes, da Agricultura, Márcio Fortes, das Cidades, Nelson Jobim, da Defesa, Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário, Guido Mantega, da Fazenda, Henrique Meirelles, do Banco Central, Tarso Genro, da Justiça, Edison Lobão, das Minas e Energia, Paulo Bernardo, do Planejamento, José Temporão, da Saúde, Miguel Jorge, do Desenvolvimento Industrial, e Alfredo Nascimento, dos Transportes, são todos fortes candidatos a passageiros. Como falam línguas diversas, poderia ser providenciada uma tradução simultânea, mas como em conflitos assim sempre prevalece a linguagem universal dos gestos e dos palavrões, não haveria perigo.
Falta espaço, aqui, para cotejarmos os temas que, apenas de quinze dias para cá, colocam o ministério em conflito, ou melhor, em conflitos diversos, entrelaçados.
O importante a registrar é que o presidente Lula dá de ombros diante desses entreveros, ainda que não os resolva, ou seja, jamais deu ganho de causa a qualquer um de seus auxiliares. Estimula todos, quando nas conversas em separado, ignora os embates, quando em reuniões conjuntas.
Não vamos cometer o exagero de supor o chefe do governo praticando a arte de dividir para reinar, até porque, todos os ministros são demissíveis por uma simples canetada. Mas é quase isso, na medida em que a essa administração falta um mínimo de unidade. O próprio presidente funciona como um singular amálgama, daqueles que cola em público e separam em particular.
O clima só tende a piorar, daqui para frente, e não se trata apenas de divergências em torno do meio ambiente e da agricultura. Cada projeto, cada proposta de um determinado auxiliar começa feito aquele lusitano foguete interestelar que, ao ser lançado, engastalhou no coqueiro.
Imaginou-se que o Programa de Aceleração do Crescimento servisse para superar a confusão, tendo o presidente Lula reunido planos e propostas de todos os ministérios num único pacote, que chamou à própria colação. Não deu certo, porque os personagens continuam os mesmos, ou quase.
Agora, oportunidade melhor não há para uma reformulação completa no ministério, com a escolha dos melhores em cada setor, independentemente de origens partidárias, amizades sindicais, pressões políticas e tudo o mais. Seria a forma de se completar o segundo mandato com a seleção ideal, quaisquer que sejam seus craques. O diabo é que o tempo se escoa. Será sempre bom lembrar que um de seus antecessores, Fernando Collor de Mello, optou por essa saída, mas atrasado.
Formou o maior ministério de toda a História da República quando a crise já se alastrava. De Célio Borja a Hélio Jaguaribe, do dr. Jatene a José Goldemberg, de Jarbas Passarinho a Marcílio Marques Moreira, com o pedido de perdão aos demais, igualmente brilhantes, jamais se viu conjunto tão preparado para tirar o Brasil da crise. Desafortunadamente, não houve mais tempo. Por enquanto, ainda há.
A necessidade de virar o jogo
Encontram-se, no passado, os melhores exemplos para balizar o futuro. O presidente Lula inscreve-se no rol dos governantes com maior popularidade em toda a crônica da República. Perde apenas para Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, mesmo assim, no olho mecânico. Deveria, no entanto, prestar atenção no que aconteceu aos dois antecessores.
Vargas reuniu tantos adversários em torno dele, certamente por suas qualidades e não por seus defeitos, enquanto JK descuidou-se do que acontecia ao seu redor, tão certo estava do retorno. Não retornou, um, e acabou deposto, o outro. Torna-se sempre necessário saber o que fazer com a popularidade. Deixá-la guardada no armário nunca deu certo.
Cabeça dura
No ninho nacional dos tucanos, aqui em Brasília começa a crescer a impressão de que está na hora de o governador José Serra ceder. Porque poderá, com muito esforço, levar o PSDB paulistano a apoiar Gilberto Kassab para a prefeitura, afastando Geraldo Alckmin. O problema é que se ganha na costura, perde na venda do produto. Alckmin tem condições de bater Marta Suplicy. Kassab, dificilmente. Valeria a pena rachar o partido e perder a eleição ou engolir um sapo monumental, mas preservar sua unidade e, ainda por cima, eleger o novo prefeito?
Fonte: Tribuna da Imprensa
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