Caracas. Foi uma vitória, mas uma vitória magra - um resultado que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, jamais enfrentou. Embora a apuração não tenha acabado, o panorama ontem à noite era de que o líder bolivariano havia conseguido respaldo popular para a polêmica reforma consitucional que lhe dá o direito de se reeleger indefinidamente.
Na Venezuela, é proibida a divulgação de boca-de-urna, mas agências internacionais fizeram três pesquisas que indicavam uma margem de vitória de seis a oito pontos percentuais do "sim" sobre o "não". No fim da noite, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) divulgou a parcial que confirmava as bocas-de-urna.
A reforma constitucional foi feita não por uma Assembléia Constituinte, mas por um Congresso dominado por chavistas, eleitos em 2005, quando a oposição se retirou as eleições legislativas por não concordar com a utilização das máquinas que captam a impressão digital dos eleitores. De última hora, o CNE concordou em não usar as máquinas, mas os opositores já haviam desistido do processo democrático.
Ontem, a derrota dos rivais de Chávez deu-se novamente pela falta de interesse no voto. A abstenção nas urnas ficou em 50% e poderia ter sido ainda maior se nos últimos dias a oposição não tivesse feito apelos para que as pessoas fossem votar e não dessem a vitória do "sim" como certa. A iniciativa teve sucesso e a intenção de voto no "não" passou a encostar no "sim", acirrando a polarização no país. E embora pareça que Chávez conseguiu o que queria, o crescimento da oposição a ele é um fator de preocupação para um presidente que antes havia saído de uma eleição com vantagem menor de 10 pontos percentuais sobre o adversário.
A nova Constituição dá a Chávez o direito de se candidatar indefinidamente à reeleição, de controlar as reservas em moeda estrangeira - diminuindo a autonomia do Banco Central - apontar aliados para cargos públicos oficiais que antes eram escolhidos nas urnas - como ser prefeito de Caracas - e censurar a mídia em caso de declaração de estado de exceção. Também cria mecanismos para classificar a propriedade em três classes, o que abre caminho para a nacionalização de terras e bens. O líder deixa claro que sua intenção é criar um Estado socialista inspirado em Cuba. Para a oposição, é um retrocesso a um sistema político e econômico falido.
- Tornamo-nos um país comunista - lamentou Elias Martinez, um ator de 55 anos.
Alimentada pelo preço recorde do petróleo, a economia venezuelana está inundada de dinheiro. Mas o Estado controla os preços e o câmbio, o que distorceu o mercado livre, causando escassez até dos produtos mais básicos, como leite e ovos.
Chávez acusa a oposição de planejar, com os EUA, denunciar fraude no referendo e convocar manifestantes às ruas, o que levaria a um golpe de Estado. Os opositores negam e lembram que o presidente fomenta essa sensação de insegurança na população toda vez que está diante de eleições cruciais.
Os outros sucessos eleitorais
Dezembro de 1998
Com 56% dos votos, Hugo Chávez vence a eleição presidencial contra Salas Romer, que obteve 40% de apoio. O presidente promete reformas que vão desafiar as "elites corruptas" e ajudar as classes mais baixas, abandonadas por muito tempo pelo poder público.
Julho de 2000
Em outra eleição presidencial, Chávez, com 60% dos votos, derrota Francisco Arias Cardenas. O adversário recebeu apenas 38% dos votos. A reeleição deu-se depois de um referendo para reforma constitucional que aprovou uma nova Carta para o país, com mandato presidencial de seis anos. A vitória arrasadora dá a Chávez poder para iniciar a reforma esquerdista na Venezuela, ainda que a economia sofra.
Agosto de 2004
No referendo de confirmação do mandato, 59% votaram pela permanência de Chávez no poder, contra 41% que queriam que ele saísse. A oposição chamou o referendo de fraudulento, mas observadores internacionais negaram a denúncia. A votação consolidou o governo Chávez, depois de ter sobrevivido a um golpe de Estado e uma greve geral no setor petrolífero, em 2002. Com o resultado, Chávez prometeu acelerar a "reforma revolucionária", como distribuição de terra, e solidificou os laços com os países vizinhos, numa tentativa de conter a influência dos EUA na América Latina.
Dezembro de 2006
Chávez venceu Manuel Rosales na eleição presidencial com 61,8% dos votos, contra 36,9% do adversário. Vista por muitos oponentes como a última chance de derrotar Chávez nas urnas, a eleição confirmou a popularidade do presidente e a divisão da oposição. A vitória desencadeou a "revolução vermelha" na Venezuela e deu o líder legitimidade para nacionalizar importantes bens do setor de petróleo e telecomunicações.
Fonte: JB Online
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