Rodrigo Camarão São Paulo
Na mesma fábrica da Ford onde o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC comandava greves quase três décadas atrás, o hoje presidente da República forçou-se a comentar dois assuntos dos quais preferiria esquecer: o Corinthians e a derrota na votação da CPMF. No futebol, resignou-se a "sofrer as amarguras do rebaixamento". Na política, no entanto, deixou claro que a estratégia do governo será responsabilizar a oposição pela perda de arrecadação da saúde, uma das áreas mais sensíveis da população. Procurou jogar o impacto da perda de arrecadação no colo do sucessor e tentou rechaçar alguma atitude vingativa do governo, mas foi traído pelas próprias palavras.
- Não pense que o presidente da República, porque os senadores votaram contra a CPMF, vai tomar alguma medida do governo de irresponsabilidade - começou Lula. - Vamos manter o superávit primário, vamos continuar com a política fiscal séria, vamos arrumar um jeito de fazer as coisas acontecerem nesse país. O PAC vai continuar. Se alguém votou contra achando que aquilo poderia prejudicar o presidente, pode ficar sabendo de duas coisas: primeiro o presidente não é mais candidato. Segundo, prejudicaram o próximo presidente da República. E alguém vai ter que responder porque a saúde deixou de receber R$ 24 bilhões a mais e porque a saúde deixou de receber a partir de 2010 mais R$ 80 bilhões. Com certeza, as pessoas que votaram contra não usam o SUS. Se usassem, não votariam contra.
O presidente deixou para o fim do discurso de 21 minutos as falas sobre a CPMF. Não especificou o que considera uma "política fiscal séria". Não falou sobre o plano B do governo, de aumentar as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), ou da CSLL. Mas implicitamente centrou fogo no PSDB - um dos maiores responsáveis pela derrota - e nos industriais da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) - a voz empresarial que mais ecoou contra a contribuição provisória. Ninguém na Fiesp precisa do SUS, mas aqueles trabalhadores de macacão azul escuro da Ford de São Bernardo do Campo sabiam do que o ex-sindicalista estava falando.
Gratidão a Serra
O ex-ministro da Saúde e hoje governador de São Paulo José Serra ouvia atento. Prestou atenção quando Lula lembrou que, caso Serra ou qualquer outro candidato do PSDB vença o candidato apoiado pelo presidente, também sentirá na pele e na ponta do lápis a escassez de recursos na saúde.
- Quero fazer de público um agradecimento pelo empenho que teve de tentar convencer os senadores de que não era possível tirar R$ 40 bilhões do Orçamento de uma hora para a outra - disse.
Lula associava, de certa forma, ao adversário à derrota na CPMF. Ao garantir que manteria o superávit primário, o presidente tentava tranquilizar os mercados. Ao garantir o PAC, o presidente assegurava à população de baixa renda - maior beneficiária das obras - que ela não sairia mais prejudicada.
Fonte: JB Online
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