quinta-feira, junho 04, 2026

Confira o que abre e fecha no feriado de Corpus Christi

 Estabelecimentos comerciais e órgãos públicos terão funcionamento alterado

Confira o que abre e fecha no feriado de Corpus Christi. (Foto: Portal Infonet)

Em virtude do feriado nacional de Corpus Christi, celebrado nesta quinta-feira, 04, o funcionamento de órgãos públicos e estabelecimentos comerciais em Aracaju sofrerá alterações. Confira!

Shoppings Jardins e Riomar 

Nesta quinta-feira, 4 de junho, as operações de lazer e alimentação dos shoppings Jardins e RioMar Aracaju funcionarão do meio-dia às 21 horas. As Lojas Americanas abrirão do meio-dia às 20 horas. Demais lojas e quiosques estarão fechados. Hipermercados, academia e clínica respeitarão os horários estabelecidos por suas respectivas redes.

Shopping Prêmio

O Shopping Prêmio terá horário de funcionamento especial nesta quinta-feira (4), em virtude do feriado de Corpus Christi.

As operações de alimentação funcionarão das 12h às 22h. O cinema estará aberto das 13h30 às 21h30, enquanto o GBarbosa atenderá das 12h às 20h.

As lojas e os quiosques permanecerão fechados, com exceção de algumas operações que funcionarão em horários específicos. A C&A e a Americanas abrirão das 12h às 20h. Já Casas Bahia, Magazine Luiza, Marisa e Riachuelo funcionarão das 14h às 20h. A academia Selfit manterá seu horário habitual, das 5h30 às 23h.

Shopping Praia Sul

O Shopping Praia Sul terá horário de funcionamento especial nesta quinta-feira (4), em virtude do feriado de Corpus Christi.

As operações de alimentação funcionarão das 12h às 21h. O cinema estará aberto das 13h30 às 21h.

As lojas e os quiosques permanecerão fechados. A Americanas funcionará das 14h às 20h, enquanto a Smart Fit atenderá das 8h às 18h.

O Centro Empresarial funcionará conforme a agenda de atendimento de cada sala ou unidade. Já o CEAC estará fechado.

Mercados e feiras

Os mercados centrais (Antônio Franco, Thales Ferraz e Maria Virgínia Franco), bem como os setoriais (bairros) funcionam sem alteração durante o feriado e também no final de semana.

As feiras livres acontecerão normalmente nos dias e horários habituais.

Supermercados

A Associação Sergipana de Supermercados (Ases) e o Sindicato do Comércio Varejista do Estado de Sergipe (Sincovese) informam que no próximo dia 4, feriado de Corpus Christi, os supermercados irão funcionar conforme horários estabelecidos pelas próprias redes e lojas.

Ceasa

A Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse) informa que, nesta quinta-feira, dia 4, a Central de Abastecimento de Sergipe (Ceasa) funcionará em horário normal, das 3h às 16h. Já na sexta-feira, 5, o local funcionará em horário normal, das 3h às 17h.

Saúde Aracaju

Funcionam normalmente as urgências dos hospitais municipais Fernando Franco e Nestor Piva, 24 horas, além da Maternidade Municipal Lourdes Nogueira (MMLN).

O atendimento dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) vai funcionar apenas com o acolhimento noturno.

A urgência odontológica funcionará normalmente, 24 horas, no Hospital Municipal Desemb. Fernando Franco.

As Unidades de Saúde da Família (USFs), a sede administrativa da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), o CEMAR Siqueira Campos, o Centro Especializado em Reabilitação II (CER II) estarão fechados. A Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ), do Centro de Especialidades Odontológicas e do Projeto Novo Olhar (Estacionamento do Aracaju Parque Shopping) também não funcionaram.

Operacional – Aracaju

A coleta do lixo domiciliar ocorre sem alteração no cronograma.

Os demais serviços de limpeza pública serão realizados com a redução de equipes apenas no feriado e na sexta o cronograma segue sem alterações.

Os ecopontos da cidade fecham no feriado, retornando o funcionamento em horário habitual na sexta e no sábado. O programa Cata-Treco, Cata-pneu e a coleta seletiva pela mesma maneira.

Parques e Centro de Artesanato Chica Chaves

O Parque Governador Augusto Franco (Sementeira), no bairro Jardins, abrirá das 5h às 21h30.

O Parque Ecológico Poxim, no Inácio Barbosa, funcionará normalmente, das 5h às 18h.

Já o Centro de Artesanato Chica Chaves, no Bairro Industrial, estará aberto ao público das 10h às 18h.

Orla Pôr do Sol

Os serviços de embarque e desembarque na Orla Pôr do Sol (Mosqueiro) ocorrerão sem qualquer alteração, das 8h às 17h.

Semfas

A Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (Semfas) informa que, durante o feriado e o ponto facultativo, os serviços de acolhimento institucional funcionarão normalmente, com atendimento ininterrupto 24 horas. O serviço de Abordagem Social também será mantido, com funcionamento no sábado, das 8h às 17h. Já os demais equipamentos da rede socioassistencial encerrarão as atividades nesta quarta-feira, 3, às 17h, e retomarão o atendimento na segunda-feira, 8, a partir das 7h.

Guarda Municipal 

A Guarda Municipal de Aracaju (GMA), durante o feriado de Corpus Christi, funcionará em regime de plantão (24h) para atendimento de ocorrências de urgência e emergência, através do telefone 153 e WhatsApp (79) 98166-7790.

SMTT

Os serviços do Centro de Controle Operacional (CCO) funcionarão normalmente, 24 horas por dia, para demandas emergenciais no trânsito. Qualquer cidadão pode acionar o número 118 para denunciar irregularidades ou solicitar apoio emergencial.

Já os serviços ofertados pelo Programa Atende e pelo Núcleo de Perícia Médica não funcionarão no feriado e ponto facultativo, sendo retomados na segunda-feira, 8, de 7h às 17h.

Saúde Estadual

Os equipamentos da Secretaria de Estado da Saúde (SES), como o Centro de Acolhimento e Diagnóstico por Imagem (Cadi), Centro de Atenção à Saúde de Sergipe (Case), Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism), e Tratamento Fora de Domicílio (TFD) e o Laboratório de Saúde Pública de Sergipe (Lacen), não funcionarão na quinta-feira, 4, feriado de Corpus Christi, e na sexta-feira, dia 5. Os hospitais e Samu 192 Sergipe funcionam normalmente.

O Centro de Hemoterapia de Sergipe (Hemose), por sua vez, estará fechado na quinta-feira, 4, porém, na quinta-feira, 5, funcionará em meio expediente, das 7h às 11h.

Ipes

Durante os dias 4 e 5, apenas os serviços de urgência e emergência do Ipes permanecerão em funcionamento, garantindo assistência aos beneficiários que necessitarem de atendimento imediato. Os beneficiários do Instituto devem se programar antecipadamente para os atendimentos eletivos e, em situações de urgência, procurar diretamente as unidades de que funcionarão normalmente nesta datas, conforme horários e endereços abaixo:

Serviços de urgência do Ipesaúde

Serviço de Pronto Atendimento Dr. Willen Alves Correia – SPA
Atendimento: 24 horas
Endereço: Av. Desembargador Maynard, s/n, Bairro Cirurgia

Urgência Odontológica

Atendimento: das 7h às 19h
Endereço: Praça da Bandeira, nº 373, Bairro Cirurgia

Urgência Pediátrica

Atendimento: 24 horas
Endereço: Hospital Renascença – Av. Gonçalo Rollemberg Leite, nº 1490, Bairro Salgado Filho, Aracaju/SE

Urgência Ortopédica

Atendimento: 24 horas
Endereço: Hospital Renascença – Av. Gonçalo Rollemberg Leite, nº 1490, Bairro Salgado Filho, Aracaju/SE

Ceac

Em virtude do feriado nacional e decretação do ponto facultativo, na quinta-feira, 4, e sexta-feira, 5, respectivamente, as unidades do Ceac não estarão abertas ao público nestas datas.

NAT

Devido ao feriado de Corpus Christi e ponto facultativo, o Núcleo de Apoio ao Trabalho (NAT), vinculado à Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem), informa que não haverá atendimento presencial nos dias 4 e 5 de junho. As atividades presenciais serão retomadas normalmente na segunda-feira, 8 de junho.

Vale lembrar que as oportunidades de emprego e qualificação profissional continuam disponíveis de forma online e podem ser consultadas a qualquer momento no portal Go Sergipe – gosergipe.se.gov.br . Por meio da plataforma, os trabalhadores podem acessar as vagas e se candidatar de onde estiverem, com praticidade e segurança.

Detran/SE

Devido ao feriado e ao ponto facultativo, não haverá atendimento na sede do órgão e nem nos postos de atendimento do Detran/SE em todo o estado. As atividades serão retomadas normalmente na segunda-feira, 8, das 7h às 17h, em Aracaju, e das 7h às 13h, nas unidades do interior do estado.

Banese

Na quinta-feira, 4, as agências estarão fechadas na capital e no interior. Neste dia, os clientes deverão realizar as transações financeiras através do App Banese, Internet Banking e caixas eletrônicos. Contas de consumo e boletos com vencimento no dia 4 de junho poderão ser pagas no dia seguinte, sem a incidência de juros e multas.

Ferreira Costa

A Ferreira Costa informa que a unidade de Aracaju estará fechada durante o feriado de Corpus Christi, celebrado nesta quinta-feira, 4 de junho. O funcionamento da loja será retomado normalmente na sexta-feira, dia 5, em seu horário habitual de atendimento, das 8h às 21h. Durante o feriado, os clientes podem realizar suas compras pelo site da Ferreira Costa e pelo aplicativo da rede, com praticidade e comodidade, de qualquer lugar.

Portal Infonet no WhatsApp
Receba no celular notícias de Sergipe

Coalizão Direitos na Rede alerta para riscos à proteção de dados e enfraquecimento da participação social do SUS

 Coalizão Direitos na Rede alerta para riscos à proteção de dados e enfraquecimento da participação social do SUS

A Coalizão Direitos na Rede (CDR) manifesta preocupação com graves problemas presentes no PL 5875/2013, que trata da saúde digital e da interoperabilidade de dados no Sistema Único de Saúde (SUS).
 

Tendo levado tais questões para o 2o Encontro pela Soberania Digital, as entidades da rede reconhecem a importância da interoperabilidade no SUS, que pode garantir maior eficiência ao sistema, desde a redução de exames repetidos até a agilidade nos atendimentos. No entanto, avaliam que essa transformação digital não pode abrir espaço para que o setor privados tenha acesso e influência cada vez maiores
 

Em manifesto assinado por pesquisadores e militantes, divulgado pela Coalizão e ainda em fase de recebimento de assinaturas, três pontos centrais são destacados. O primeiro é o enfraquecimento da participação social. O SUS possui uma tradição histórica de controle social, por meio de espaços como o Conselho Nacional de Saúde, onde usuários, profissionais e gestores participam das decisões sobre políticas públicas. A ausência de menção a essa instância no texto do PL abre espaço para a substituição de mecanismos já consolidados por uma ideia genérica de "governança participativa", além de permitir o avanço da proposta sem debate público suficiente.
 

O segundo ponto refere-se à lacuna na proteção de dados sensíveis. A monetização de dados tratados pela administração pública, anonimizados ou não, deixa de ser expressamente vedada pelo novo texto. Embora o PL proíba a mercantilização e a comercialização de dados, as entidades defendem que é necessária uma menção explícita à proibição de sua monetização - dados os projetos em curso sobre a matéria. Esses dados podem ser utilizados por atores privados para o desenvolvimento de produtos, pesquisas comerciais, treinamento de sistemas de inteligência artificial, análises de mercado e criação de novos negócios.
 

Por fim, as organizações alertam para a intensificação da participação do setor privado no SUS. Ao tratar a saúde como um "ecossistema" em que governo e empresas atuam conjuntamente, o projeto pode ampliar a dependência de empresas privadas, transferir funções estratégicas para fornecedores de tecnologia e aumentar a influência de interesses econômicos sobre decisões do sistema público de saúde. Além do conteúdo do projeto, a Coalizão também chama atenção para a necessidade de ampliar o debate público sobre a proposta antes de sua votação, garantindo a participação efetiva da sociedade civil e das instâncias de controle social já estabelecidas no SUS. Há requerimentos aprovados nesse sentido que ainda não foram atendidos.
 

As preocupações levantadas pela Coalizão também foram reforçadas pelo Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), que publicou, em maio de 2026, recomendação sobre o PL 5875/2013. No documento, o órgão solicita ao Congresso Nacional a apuração, por meio da Corregedoria Parlamentar, da existência de potencial conflito de interesses envolvendo a atuação da relatora do projeto, incluindo visitas realizadas a empresas estadunidenses de tecnologia. O CNDH também recomenda que a proposta não seja votada antes da conclusão dessa apuração e destaca preocupações relacionadas ao compartilhamento de dados de saúde, à proteção de dados pessoais e à garantia da participação social na governança da saúde digital.
 

Sobre a Coalizão Direitos na Rede

A Coalizão Direitos na Rede (CDR) é uma articulação de mais de 40 organizações da sociedade civil brasileira que, desde 2018, atua na defesa dos direitos digitais como parte essencial dos direitos humanos. Com forte incidência em políticas públicas, a CDR promove ações de advocacy, mobilização e produção de conhecimento sobre temas como liberdade de expressão, privacidade, proteção de dados, inclusão digital e regulação democrática das plataformas digitais. Seu trabalho visa fortalecer a democracia e combater desigualdades no ambiente digital, especialmente entre grupos mais vulnerabilizados. Saiba mais em: Link

 

Assessoria de Imprensa

Geice Oliveira - geice@alterconteudo.com.br - (11) 95353-9428

Ariane Cruz – ariane@alterconteudo.com.br – (81) 99576-4509


Processos do século XIX mostram exploração do trabalho infantil em Minas

  Processos do século XIX mostram exploração do trabalho infantil em Minas

Pesquisa da Coarpe do TJMG aborda evolução histórica da proteção à infância

 

 

Processos históricos disponíveis no Arquivo Permanente do TJMG (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)

 



Aos oito anos, José, filho de ex-escravizada, foi colocado para trabalhar para um homem sem receber salário. O tutor de Epifânio, morador de Dores do Indaiá (MG), solicitou à Justiça, em 1874, o cancelamento do contrato de soldada, alegando que o menino o servia de “má vontade”. Uma ação de abandono foi aberta em Baependi (MG), em 1880, alegando que o senhor de Francisco o deixava sem comida desde que nasceu. No mesmo ano, Clemente era espancado pelo tutor em Ubá (MG) e mantido “em serviços superiores às suas forças”. Evaristo e Fidelis, filhos de duas escravizadas em Formiga (MG), tiveram tutelas disputadas em 1888, ano da Abolição da Escravatura, sob a justificativa de que as mães não eram “qualificadas” para exercer a guarda.

 

Registros como esses, em processos judiciais do século XIX, revelam a exploração do trabalho infantil no Brasil Império (1822-1889). Entre abusos e omissões, é possível compreender como, aos poucos, se transformou o entendimento da sociedade e do Judiciário sobre o conceito de infância e sobre a necessidade de sua proteção.

 

A documentação relativa a tais ações faz parte do acervo do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e integram os cerca de 600 mil processos sob guarda da Coordenação de Arquivo Permanente (Coarpe), vinculada à Diretoria Executiva de Gestão da Informação Documental (Dirged) da Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef).

 

O diretor da Dirged, Thiago Doro, destaca o tratamento estratégico dos arquivos para ações de reparação histórica:

 

“O acervo deve ser tratado de forma estratégica. Trabalhamos com os princípios da organização, da preservação e do acesso público. São inúmeras as pesquisas possíveis que podemos trazer à tona para a sociedade, muitas vezes, rever alguma injustiça ou trazer outros lados da história. A gente também consegue, por meio desses estudos, promover reparações históricas com base em políticas públicas.”

 

Da esq. para a dir.: a historiadora da Gedoc / Coarpe Julia Pazzini; o diretor da Dirged, Thiago Doro; a gerente da Gedoc, Simone Meireles; e a arquivista da Gedoc Bruna Michels (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)

 

Infância protegida
 

O diretor lembra que medidas de proteção à infância são conquistas recentes: “A proteção à infância só passa a ser garantida com a Constituição de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Antes, não havia garantia efetiva de direitos dessa população. Foi preciso uma construção histórica para se chegar a essas leis. No arquivo, uma pesquisa vai puxando outra, como uma árvore se ramificando. É um campo vasto de estudos.”

 

A partir de iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que lançou em maio o “Mês da Infância Protegida”, a equipe da Coarpe se propôs a buscar, nos arquivos, processos relacionados à infância. A gerente da Gerência de Gestão de Documentos da 2ª Instância, Eletrônicos e Permanentes (Gedoc), Simone Meireles Chaves, explica:

 

“A iniciativa do CNJ destaca como as crianças são vistas pelo Judiciário ao longo da história. Então, a gente buscou verificar nos documentos de guarda permanente o contexto em que crianças aparecem como parte em processos. Fizemos esse recorte pela exploração da mão de obra, que nem era considerada uma violência.”

 

A historiadora da Gedoc / Coarpe Julia Pazzini foi a responsável por localizar os processos e descreveu os casos no artigo “A história da infância e judiciário mineiro: o uso da mão de obra infantil no século XIX”:

 

“Buscamos dois tipos documentais, a tutela e a soldada, em que era legitimado o uso de mão de obra infantil. O principal ponto de análise é como essa exploração de mão de obra ocorria especificamente com filhos de escravizados.”

 

Com o fim do tráfico de escravos, os filhos dessa população ex-escravizada, mesmo pequenos, passaram a ser “vistos como mão de obra substituta. Nesse momento, do Brasil Império, percebemos a diferenciação de duas infâncias: filhos dos libertos e os filhos das elites brancas”, afirma a historiadora.

 

“Não havia a ideia de infância, estabelecida hoje, de um sujeito de direitos”, destaca a arquivista da Gedoc Bruna Michels.

 

Técnica de paleografia permite a leitura de processos manuscritos (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)



Arquivos abertos
 

Os 600 mil processos sob guarda da Coarpe estão disponíveis para consulta. Quando alguém solicita acesso a um processo, o original é manuseado pela equipe, digitalizado e postado no Acervo Minas Justiça, portal que hoje já reúne cerca de 20 mil itens.

 

A arquivista Bruna Michels explica que qualquer cidadão pode solicitar o acesso:

 

“A gente trabalha em prol do acesso amplo aos documentos. No Acervo Minas Justiça, já são 26 mil itens em que qualquer cidadão pode pesquisar. Há uma infinidade de temas com potencial de pesquisa que ainda não conseguimos quantificar. Quando fazemos o cadastro, descrevemos aquele tipo processual, mas a pesquisa no conjunto de documentos do acervo reúne possibilidades riquíssimas.”

 

Além da disponibilização ao público em geral, o Acervo Minas Justiça contribui para a preservação dos originais.

 

“Outro ponto é pensar o acervo como uma ferramenta de preservação, uma vez que o processo digitalizado permite consultas sem que seja necessário manusear originais dos séculos XVIII e XIX”, ressalta o diretor Thiago Doro.

 

Diretoria Executiva de Comunicação — Dircom
Tribunal de Justiça de Minas Gerais — TJMG
(31) 3306-3920
imprensa@tjmg.jus.br
 

MAPA admite não haver cadeia produtiva de jumentos no Brasil

 MAPA admite não haver cadeia produtiva de jumentos no Brasil 

Documento oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária reconhece que animais destinados ao abate não são oriundos de fazendas de criação, diferentemente do que afirmam abatedouros de jumentos

image.png

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) reconheceu, em documento oficial, que não existe no Brasil uma cadeia produtiva estruturada de jumentos destinados ao abate para exportação de peles à China. A informação consta em resposta enviada ao deputado federal Bruno Ganem (PODEMOS-SP) após questionamentos apresentados, em outubro de 2025, ao Ministério sobre o abate de jumentos no país e o comércio internacional de peles.

Segundo o próprio MAPA, diferentemente do que ocorre em setores organizados, como os de bovinos, aves e suínos, não há no país um sistema estruturado de criação, recria, engorda e abate desses animais. “O que ocorre é o recolhimento de animais criados de forma esparsa”, afirma o texto elaborado pela Secretaria de Defesa Agropecuária.

O documento também reconhece que os animais destinados ao abate são, em sua maioria, “predominantemente de descarte”. Na prática, os jumentos abatidos no país são descritos como “animais de trabalho descartados ou abandonados ao fim de sua vida produtiva e sem valor comercial”. Nesse contexto, os abatedouros localizados na Bahia recolhem os animais para o abate sem informações adequadas de rastreabilidade e sem garantias mínimas de biossegurança, entre outros problemas apontados por especialistas.

Outro ponto destacado pelo MAPA diz respeito às fragilidades no controle da origem dos animais. Conforme o documento, a Guia de Trânsito Animal (GTA) apresentada durante os transportes “na maioria das vezes não é a origem de todos os animais transportados”, podendo indicar apenas locais temporários de reunião de animais recolhidos em diferentes regiões. 

Segundo José Roberto Lima, médico veterinário e Doutor em Saúde Pública pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com estágio em Saúde Global e Ambiental pela University of Florida, a prática consiste em reunir os animais em pontos provisórios antes de destiná-los ao abate, para formar lotes de transporte. “Muitas vezes, esses jumentos permanecem nesses locais em condições precárias, sem acesso adequado à água, alimentação ou cuidados veterinários”, afirma.

A manifestação do Ministério reforça alertas feitos por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Alagoas (UFAL), UFBA e Universidade Federal do Paraná (UFPR), além de organizações de proteção animal como a The Donkey Sanctuary, o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e a Frente Nacional em Defesa dos Jumentos, sobre o caráter extrativista da atividade ligada ao comércio de peles, principalmente, para a China. O país usa o colágeno extraído da pele do jumento na produção de ejiao — produto vendido como um “revigorante físico” para os consumidores, sem, contudo, uma comprovação científica da sua eficiência.

De acordo com o cruzamento de dados do MAPA, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e do sistema Agrostat, o extrativismo levou o Brasil a perder 94% de sua população de jumentos entre 1996 e 2025. Em termos práticos, de cada 100 animais existentes na década de 1990, apenas seis permanecem atualmente.

Para especialistas que acompanham o tema, o reconhecimento oficial da inexistência de uma cadeia produtiva estruturada reforça os argumentos pela proibição definitiva do abate de jumentos no Brasil, sob o risco de extinção da espécie nos próximos anos. “O próprio MAPA admite que não existe criação organizada de jumentos no país. Isso desmonta o argumento de que há uma atividade pecuária sustentável relacionada aos jumentos”, afirma Patricia Tatemoto, PhD em Ciências pela USP.

O documento do MAPA também menciona a “inevitável correlação de baixa qualidade dos animais adquiridos”, justamente por se tratarem de animais descartados. Isso amplia o risco reputacional ao país, especialmente em um momento sensível das negociações do acordo Mercosul–União Europeia, no qual o Brasil já enfrenta embargo setorial e desqualificações sanitárias que poderão comprometer exportações para a União Europeia a partir de setembro. O texto ainda detalha normas relacionadas ao transporte, manejo, pré-abate, abate humanitário e procedimentos de fiscalização realizados pelos Serviços de Inspeção Federal (SIFs), mas não diz se os envolvidos nessa atividade cumprem essas obrigações.

Segundo Gislane Brandão, advogada e coordenadora da Frente Nacional de Defesa dos Jumentos, a atividade se sustenta sobre a exploração de animais historicamente utilizados no trabalho rural e que hoje enfrentam riscos crescentes de abandono e maus-tratos. “Isso expõe não apenas a vulnerabilidade dos jumentos, mas também a ausência de sustentabilidade, a falta de políticas públicas voltadas aos cuidados com esses animais, o desrespeito à Constituição Federal, e o extrativismo do abate”, diz.

CONTATO PARA IMPRENSA

 Adriana Souza Silva – +55 (11) 98264-2364 | adriana@agenciapautasocial.com.br

 Rafaela Eid – +55 (65) 99802-1610 | rafaela@agenciapautasocial.com.br


Jéssica Balbino - + 55 (35) 99160-3755 | jessica.balbino@agenciapautasocial.com.br

Farinha do crime: investigação revela esquema de milícia e TCP para controlar padarias

 

Em destaque

STJ volta a discutir indenização por demora em aposentadoria de servidores

STJ volta a discutir indenização por demora em aposentadoria de servidores Fachada do STJ / Crédito: Gustavo Lima/STJ No Rio Grande do Norte...

Mais visitadas