Com Lula no palanque, PT exibe força e tenta transformar convenção em impulso para Jerônimo
Por Carine Andrade, Política Livre
01/08/2026 às 18:30
Foto: Reprodução/Flickr
O presidente Lula e o governador Jerônimo Rodrigues
Em sua sexta visita à Bahia somente em 2026, a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na convenção estadual do PT, realizada neste sábado (1º), no Parque de Exposições de Salvador, deu um "gás a mais", como dizem os baianos, à campanha do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que, assim como Lula, também disputa a reeleição.
A vinda de Lula ocorre em um momento estratégico para o PT baiano e acontece na mesma semana em que o chefe do Palácio de Ondina apareceu em empate técnico com o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) na pesquisa Genial/Quaest. O cenário considerado ideal pelos aliados, entretanto, seria que o governador estivesse "nadando de braçada" contra seu principal adversário, já que tem a máquina administrativa a seu favor e percorre o Estado com o Programa de Governo Participativo (PGP), iniciativa que amplia ainda mais sua visibilidade.
Outro fator que pesa no cenário político é a investigação envolvendo o senador Jaques Wagner, principal liderança do PT na Bahia e ex-líder do governo Lula no Senado, por sua suposta relação com o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Na última sexta-feira (31), novos desdobramentos ganharam repercussão local e nacional após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, tornar públicos detalhes da investigação conduzida pela Polícia Federal na nona fase da Operação Compliance Zero, que atingiu diretamente o senador petista.
Apesar de, nos bastidores, o sinal de alerta estar aceso, a convenção deste sábado transmitiu a imagem de um grupo unido e pouco disposto a demonstrar preocupação com possíveis desgastes. Principal estrela do evento, o presidente Lula foi ovacionado em diversos momentos de seu discurso por uma plateia que, a olho nu, parecia reunir cerca de 30 mil pessoas. O público permaneceu até o encerramento da plenária, apesar do som excessivamente alto e do calor intenso.
Mas não foi apenas Lula quem brilhou. Os principais nomes da chapa majoritária — Jerônimo Rodrigues, Rui Costa, Jaques Wagner e até Geraldo Jr., que normalmente não costuma receber tanto protagonismo — tiveram seus momentos de destaque. Todos seguiram a cartilha de qualquer político experiente em eventos desse porte: exaltaram as realizações dos governos petistas na Bahia e no Brasil e reforçaram discursos voltados às demandas do eleitorado.
Um dos momentos mais marcantes da fala de Lula foi o direcionamento aos mais de 300 prefeitos presentes, segundo a organização, acomodados em uma área reservada no palco. Durante boa parte do discurso, o presidente permaneceu de costas para a plateia, concentrando-se em conversar e cumprimentar os gestores municipais, que aproveitaram a oportunidade para apertar sua mão e registrar selfies no celular. Em seguida, foi a vez dos deputados presentes em outra área reservada receberem a atenção do presidente.
"Peçam votos para vocês, mas, se sobrar um pouquinho para mim, eu também quero", brincou Lula, arrancando risos dos presentes.
Jerônimo, "o professor que virou governador", como ele próprio se definiu, fez referências à fé e à família. "Eu encontrei ali uma caravana dos evangélicos, como a gente chama de forma carinhosa, 'os crentes'. Eles fizeram uma oração por mim e por Lula e pediram: 'Governador, nunca afaste seu pensamento de Deus'. E eu e Lula somos muito parecidos nisso", afirmou. Em seguida, chamou ao palco a primeira-dama Tatiana Veloso e os filhos, Neno e Gabriel.
Geraldo Jr. direcionou críticas ao grupo de oposição e afirmou que, se em 2022 a população disse "não ao pai e não ao neto", em 2026 "o Nordeste e a Bahia vão dizer não a todos eles".
Jaques Wagner defendeu a eleição de uma bancada forte da Bahia para garantir sustentação ao presidente Lula no Congresso Nacional. Segundo ele, a eleição de Rui Costa e sua própria reeleição contribuirão para formar uma bancada alinhada ao governo federal ao lado do senador Otto Alencar (PSD).
Já Rui Costa afirmou que ele, Jaques Wagner e Jerônimo Rodrigues são como "três irmãos" e que, em outubro, o voto será "casadinho", em referência à chapa ao Senado. O ex-ministro também aproveitou para alfinetar os adversários ACM Neto e o senador Angelo Coronel (Republicanos) ao comentar as autodeclarações raciais apresentadas por ambos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE): "Quem era branco ficou negro, quem era negro ficou branco", disparou.
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