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Flávio perde força antes da campanha começar
Malu Gaspar
O Globo
Faltando poucos dias para a definição das chapas e das coligações a disputarem a eleição geral de outubro, um problema atormenta cúpula da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ): a possibilidade de nem a federação formada entre União Brasil e o PP e nem o Republicanos entrarem numa coligação com o PL e ele seguir isolado para a disputa eleitoral deste ano.
É uma chance bastante real. A cúpula da campanha do candidato do PL vem tentando há semanas convencer os presidentes desses três partidos a formar uma aliança, realizando uma reunião atrás da outra, mas tem encontrado muita resistência.
TEMPO DE TV – Para além do péssimo sinal que passaria o isolamento do Flávio de correntes que em outras eleições marcharam com os Bolsonaro, à exceção do União, o fracasso na formação de coligações com outras legendas também tem um efeito prático bastante concreto e perigoso para a campanha do filho de Jair Bolsonaro: o tempo de TV dele será consideravelmente menor do que o tempo de Lula, candidato à reeleição e no comando da máquina.
Apesar do papel preponderante das redes sociais nas campanhas, a TV continua sendo considerada estratégica e sensível, principalmente por causa das inserções curtas espalhadas ao longo do dia tanto na televisão como no rádio.
De acordo com cálculos das campanhas, na configuração de hoje, sem o apoio do União Brasil, PP e Republicanos, Flávio terá um espaço de 4 minutos e 20 segundos, enquanto Lula teria o maior tempo – 5 minutos e 32 segundos. Se formasse uma coligação com os partidos do Centrão, Flávio ganharia quase um minuto e meio a mais, e poderia ter até 70% das inserções.
APOIO FORMAL – Para efeito de comparação, Lula terá o apoio formal das federações PT-PCdoB-PV e PSOL-Rede ao lado do PSB e do PDT, totalizando sete legendas. O espaço nas emissoras de televisão e rádio é aferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base no tamanho das bancadas eleitas por cada sigla nas eleições anteriores – neste caso, as de 2022.
Além de Lula e Flávio, de acordo com os critérios da legislação, só terão direito a espaço na TV e no rádio os candidatos Ronaldo Caiado (PSD), com 2 minutos e 20 segundos, e Augusto Cury (Avante), com 30 segundos.
Isso porque Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU) e Samara Martins (UP), os demais presidenciáveis que devem se apresentar nas urnas, são filiados a partidos que não atingiram a cláusula de barreira há quatro anos ou foram criados recentemente, como é o caso do Missão.
AVALIAÇÃO – Entre os assessores de Flávio, há quem avalie que o tempo do qual Flávio disporia em uma chapa puro sangue do PL é suficiente para transmitir a mensagem de sua candidatura de forma eficiente. Mas, em um cenário de disputa apertada contra Lula, como sugerem as pesquisas, uma vantagem dessa natureza pode ser decisiva.
Diferentemente do horário eleitoral gratuito e obrigatório, que tem espaço fixo na grade e pode ser ignorado com o auxílio do controle remoto, as inserções ficam dispersas ao longo da programação das emissoras, pegando o eleitor “de surpresa”.
NUNES E MARÇAL – Um dos exemplos citados por esses interlocutores é o da eleição para prefeito em São Paulo em 2024. Ameaçado pelo outsider Pablo Marçal (PRTB), com forte presença nas redes sociais mas sem tempo de televisão, Ricardo Nunes (MDB) chegou perto de ficar de fora do segundo turno ao dividir com o ex-coach o voto bolsonarista.
A avaliação entre estes aliados é que, entre outros fatores da campanha, as inserções na TV e no rádio foram determinantes para que Nunes acabasse na dianteira do primeiro turno em um empate triplo com Guilherme Boulos (PSOL) e Marçal, que acabou não avançando para a segunda rodada. O emedebista acabaria reeleito. No caso de Flávio, porém, o páreo contra o presidente incumbente será mais duro.