sábado, agosto 01, 2026

Reflexões sobre a existência de Deus, que parece punir o Brasil nesta eleição


A crença em Deus subsiste devido ao... Sigmund Freud - PensadorCarlos Newton

Há um velho ditado afirmando que Deus escreve certo por linhas tortas, uma circunstância que abre possibilidade de servir como desculpa para uma quantidade enorme de asneiras e patifarias. Na verdade, a existência de Deus tornou-se um enigma que possivelmente jamais será desvendada. Pode dividir a humanidade até o final dos tempos, que pode ocorrer se um novo asteroide se chocar contra a Terra, como os cientistas preveem, mas só Deus sabe quando…

São poderosas e convincentes as justificativas dos ateus, que não acreditam em Deus, dos agnósticos, que acham não ser possível saber se Deus existe, e dos não-religiosos, que não creem em nada.

NÃO HÁ PROVAS – Esses três ramos contestadores exibem argumentos aparentemente irrefutáveis. O principal é afirmar que não há provas da existência de Deus. Realmente, não existem. Mesmo assim, o número de pessoas que acreditam nele é imenso.

Respeito muito estas contestações a Deus, que incluem razões científicas, porque não existem registros técnicos, medições ou fenômenos testáveis que comprovem ações divinas diretas na nossa vida.

Portanto, a polêmica sobre a existência de Deus pode se prolongar indefinidamente. Da mesma forma, também não há como saber se o homem tem instinto bom ou ruim.

LOBO DO HOMEM – Na Roma Antiga, dizia-se que “o homem é o lobo do homem” (homo homini lupus), significando que o ser humano é inimigo de sua própria espécie, devido ao egoísmo natural, à falta de solidariedade e à necessidade de existirem leis que contenham o lobo dentro de cada um de nós.

O ditado romano foi usado por Plauto (254-184 a.C.) em sua comédia “Asinaria” com essa afirmação: “Lupus est homo hominī, non homo, quom qualis sit non novit” (O homem não é homem, mas um lobo, para um estranho”, ou mais precisamente: “Um homem é um lobo, não um homem, para outro homem que ele ainda não conheceu”).   

Vinte séculos depois, a expressão foi retomada em 1642 pelo portentoso Thomas Hobbes na obra “Do Cidadão”. O cientista e filósofo inglês foi um dos precursores da democracia e no livro “Leviatã” defendia um contrato social, tese que Jean-Jacques Rousseau consagraria no século seguinte.

VISÕES DISTINTAS – A diferença é que Hobbes presenciara guerras e carnificinas, tinha uma visão negativa do homem e entendia que as perversões de cada um somente poderiam ser contidas por governos fortes e implacáveis na aplicação da lei.

Rousseau, ao contrário, achava que o homem seria bom por natureza, mas a carência na sua formação poderia torná-lo maléfico na idade adulta. E assim baseou sua versão da teoria do contrato social.

Mas a opinião de Rousseau pouco significa. O avanço da Psiquiatria, da Psicanálise e da Medicina Legal mostra que o homem pode ser impulsionado pelo bem e pelo mal, indistintamente, dependendo das circunstâncias, como dizia o filósofo espanhol Ortega y Gasset.

FREUD EXPLICA – O gigantesco Sigmund Freud, em “O Mal-Estar na Civilização”, acrescentou que o ser humana não é puramente bom ou maligno em termos morais, mas sim como um ser influenciado por forças conflitantes inerentes à sua biologia. Para ele, o ser humano é movido por um conflito profundo entre as impulsões de vida (Eros) e as impulsões de morte (Tânatos).

Essa dúvida sobre a natureza humana dificilmente será elucidada pela inteligência natural ou artificial. Pode ser que mais lá na frente, o homem tenha evoluído de tal maneira que possa elucidar essa questão e até desviar da rota aquele asteroide, para garantir a perenidade da vida na Terra.

Quanto à existência de Deus, a dúvida científica é muito mais profunda. Freud considerava Deus é uma ilusão psíquica, como projeção da figura paterna para reduzir o desamparo humano e sua necessidade de proteção.

DEUS DE SPINOZA – Por fim, não se pode esquecer a visão panteísta do Deus, imaginada no século XVII pelo filósofo holandês Baruch Spinoza, de família judaico-portuguesa, contemporâneo de Thomas Hobbes.

Segundo Spinoza, Deus e o universo são inseparáveis; a divindade é a própria totalidade da natureza, operando através de leis lógicas, universais e imutáveis.

A tese de Spinoza era a preferida do cientista alemão Albert Einstein, que dizia: “Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”. 

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P.S. –
Pessoalmente,  também adoto a visão holística de Spinoza. É uma desculpa genial para dizer que Deus existe, quer você queira ou não. A tese faz sentido e se pode acreditar nela.

P.S. 2 – Se Deus não existe, a gente fica sem proteção, exatamente como está ocorrendo agora, nessa eleição a ser decidida entre Lula e Flávio, dois políticos de passado nebuloso, ambos com famílias enriquecidas ilicitamente e, portanto, adoradoras do Deus Dinheiro, que hoje predomina no Brasil, onde até no Supremo há ministros com 129 milhões de motivos para venerar essa falsa Santidade. (C.N.)


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