sábado, julho 12, 2025

Trump ataca, Brasil responde as ofensas com inteligência estratégica

Publicado em 12 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Lula pretende usar reciprocidade contra tarifa de Trump

Pedro do Coutto

A ofensiva tarifária do presidente Donald Trump contra o Brasil não poderia ter gerado repercussão mais desfavorável ao líder americano. A imprensa internacional foi quase unânime em condenar a medida, classificada como arbitrária, revanchista e perigosa para o comércio global. A decisão de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros como café, suco de laranja, carne e aço foi anunciada como uma resposta ao julgamento de Jair Bolsonaro, numa mistura preocupante entre diplomacia econômica e interesses pessoais.

Trump parece confundir seus aliados ideológicos com os interesses institucionais dos Estados Unidos, atacando o Brasil como se estivesse em uma cruzada pessoal contra Lula e o sistema de justiça brasileiro. Mas, ao contrário do que talvez esperasse, o governo brasileiro reagiu com firmeza e equilíbrio, posicionando-se de maneira estratégica diante do maior parceiro comercial das Américas.

ESTRATÉGIA – O presidente Lula, que poderia ter usado o episódio para inflamar a base e criar uma narrativa eleitoral agressiva, preferiu agir com inteligência política. Em entrevista ao Jornal Nacional, evitou confrontos verbais e disse que não se move quando a temperatura está alta demais. Com isso, deu o tom de uma diplomacia madura: enquanto articula a entrada do caso na Organização Mundial do Comércio (OMC), já orienta o Ministério do Desenvolvimento e o Itamaraty a estudarem medidas de retaliação.

Está em discussão a aplicação da chamada Lei da Reciprocidade, que permite ao Brasil retaliar na mesma proporção tarifas impostas por parceiros comerciais. Patentes americanas e bens culturais podem ser os primeiros alvos. O objetivo do governo brasileiro, no entanto, é mostrar que tem instrumentos técnicos, jurídicos e diplomáticos à disposição para se defender — mas não cairá na armadilha da histeria protecionista.

APREENSÃO – A ação de Trump, ainda que tenha gerado apreensão entre exportadores brasileiros, permitiu ao governo Lula consolidar apoio interno entre os produtores, especialmente nos setores agrícola e industrial, e reposicionar o país no cenário internacional como uma nação capaz de resistir a pressões políticas externas sem comprometer sua soberania.

O Itamaraty, antes questionado por falta de protagonismo, agora se vê à frente de uma crise que pode, se bem administrada, fortalecer a imagem do Brasil como potência comercial e diplomática. A imprensa mundial destacou essa virada com ênfase.

O Financial Times afirmou que Lula está usando o embate com Trump para fortalecer sua posição política, ao passo que o The Guardian observou que o Brasil está mais preparado do que nunca para lidar com governos hostis e manobras imprevisíveis.

REAÇÃO – A verdade é que Trump atingiu, com sua tarifa, não apenas os produtos brasileiros, mas também o espírito da cooperação internacional. O Brasil, ao reagir de forma articulada e racional, consegue transformar uma provocação em oportunidade.

Resta agora saber se os efeitos econômicos — inevitáveis — serão atenuados pela ação rápida do governo e pela coesão política que Lula conseguiu construir em torno do tema. No tabuleiro do comércio global, quem perde o equilíbrio perde o jogo. Até agora, quem demonstrou estar mais firme sobre os próprios pés foi o Brasil.

sexta-feira, julho 11, 2025

Agressão de Trump seria uma chance para a direita se livrar de Bolsonaro?


Tribuna da Internet | O segredo das joias abalou fortemente a posição política de Jair Bolsonaro

Charge do Amarildo (Arquivo Google)

Fabiano Lana
Estadão

Impacto econômico de tarifa dos EUA sobre Brasil pode ser forte, mas limitado no curto prazo. Setores como siderurgia e aviação podem ser mais afetados. A tendência é de que País redirecione produtos para outros países, como a China.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, – e, em certa medida, os governadores Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Júnior (PR) – estão às voltas com um dilema político complexo.

NA CORDA BAMBA – Por um lado, precisam do chamado bolsonarismo para viabilizarem suas pretensões presidenciais, o que exige demonstrar, pelo menos publicamente, devoção ao líder. Por outro, se exageram nessa postura, podem perder valiosos votos de centro, necessários para vencer as eleições presidenciais. A entrada do americano Donald Trump na jogada, a sobretaxar produtos brasileiros, torna o cenário mais nebuloso para esse pessoal.

A dubiedade pode ser colocada da seguinte maneira: é preciso, ao mesmo tempo, ser amigo de Jair Bolsonaro e se livrar dele para conseguir ser presidente da República. Mas aí que está.

O lado ser “amigo” de Bolsonaro significa apoiar anistia para “malucos”, estar do lado de vândalos políticos e filhos como Carlos e Eduardo Bolsonaro, e agora, apoiar ações de agressões contra o Brasil vindas dos Estados Unidos.

CULPAM LULA – Tarcísio, Zema e Caiado, aliás, já soltaram notas em que culpam a gestão Lula pela decisão do presidente americano. Ou seja, pretensos liberais apoiando taxas, o que torna o labirinto desses governadores ainda mais sem saída à vista.

No caso de Tarcísio, a dificuldade ainda é maior. Porque ele, como político, é uma criação de Jair Bolsonaro. Precisa andar no fio da espada para não magoar o antigo (e atual?) chefe e virar um traidor.

Zema, quase um desconhecido para o resto do Brasil, tem investido em bizarrices para chegar ao público bolsonarista – entre elas até comer uma banana com casca. Caiado mais acena do que critica Bolsonaro. Ratinho JR corre por fora, mas vem de um estado do sul, o que significa que suas sinalizações estão mais pró do que contra Bolsonaro.

SENTENÇA ARITMÉTICA – O problema pode ser colocado em termos de uma sentença aritmética. Sem os votos de quem apoia Bolsonaro, é impossível a chamada centro-direita vencer a eleição de Lula em 2026. E todos parecem ter receio (ou medo) de buscar votos nesse campo sem o aval do ex-presidente e, provavelmente, futuro condenado por tentativa de golpe de Estado.

Uma saída arriscada seria declarar independência de Bolsonaro. Isolá-lo. Alegar que a família Bolsonaro é nefasta ao País, como comprovaria o caso o Trump – toda a sociedade a pagar por uma tentativa de um líder político se manter poderoso.

ANTIPETISMO – Com certeza, os postulantes do Planalto à direita, mesmo assim, receberiam os votos do antipetismo (bolsonarismo radical incluído).

Com a esquerda votando em Lula, a disputa ficaria circunscrita aos eleitores de centro. O risco, como se sabe, é Bolsonaro, que só pensa em si, lançar um dos seus – filhos ou esposa – como candidato, embolando o jogo. Seria o melhor cenário para a esquerda.

Deixar o bolsonarismo pessoa física fora da eleição seria uma engenharia complexa que garantiria mais chances de vitória – mas um empreendimento que a atual centro-direita ainda não sabe exatamente executar. Enquanto isso, segue nas juras de amor a Jair Messias Bolsonaro.


Eufórico, o PT lança campanha antiamericanista com provocações a “falsos patriotas”


A ideia do PT é fortalecer o nacionalismo para eleger Lula

Teo Cury
da CNN

O Partido dos Trabalhadores lança nesta sexta-feira (11) uma campanha, nas redes sociais, com o mote “Defenda o Brasil” em resposta ao anúncio do presidente Donald Trump de cobrar 50% sobre os produtos brasileiros.

A mensagem que o partido pretende passar com a campanha é a de que cabe a todo brasileiro defender o país e descobrir quem é o “falso patriota”. O símbolo da campanha, de acordo com integrantes do partido, é a defesa da bandeira brasileira.

PÓS-TRUMP –  A decisão pela nova iniciativa foi tomada depois de o partido avaliar como tendo sido bem-sucedida a campanha de combate a privilégios e que foi batizada de “BBB”, que propõe a taxação de bilionários, bancos e bets. As duas serão veiculadas ao mesmo tempo nas redes sociais.

A campanha foi idealizada pelo marqueteiro Otávio Antunes após ter sido encomendada pelo partido na noite desta quarta-feira (9), horas após Trump anunciar o aumento da tarifa aos produtos brasileiros.

Em um dos vídeos da campanha, o narrador afirma que “roubaram a bandeira” brasileira, “mentiram” vestindo-a e “traíram com elas nas costas”. As peças dizem ainda que “patriotas batem continência para outra bandeira”, “bajulam Trump” e que há “silêncio covarde de falsos patriotas”.

BANDEIRA/SÍMBOLO – Em outro momento, o narrador do vídeo diz que “bandeira não é adereço, não é figurino de traidor”, mas sim “símbolo de país que trabalha” e que, portanto, “é para ser defendida”. As imagens do vídeo mostram manifestantes utilizando a bandeira do Brasil.

O conteúdo replica vídeos de Jair Bolsonaro (PL) afirmando que bate continência à bandeira dos Estados Unidos enquanto brada “USA, USA” e do governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), de São Paulo, usando o boné com a frase “Make America Great Again” e dizendo “grande dia”.

Cards que serão veiculados a partir desta sexta-feira nas redes sociais trazem imagens do ex-presidente com os dizeres: “A culpa do tarifaço de Trump ao Brasil é dos Bolsonaros”. A campanha prevê ainda bonés de diferentes cores com a frase “O Brasil é soberano” estampada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Lula, Janja e o petismo estão em euforia. Acreditam (?) que foram salvos por Trump, cujos atos estariam fazendo ressuscitar um forte sentimento nacionalista, de sabor antiamericano e capaz de reverter sua falta de aprovação popular. Sugere-se que usem também lemas como “Ianques, go home”, “In Fidel We Trust”, “Fuck You, Musk” e “Cadê os Viralatas?” 
(C.N.)   


Tarifaço não ajuda Bolsonaro nem a busca de superávit comercial dos EUA

Publicado em 11 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

A imagem mostra o rosto de um homem com cabelo loiro e pele clara, olhando para o lado. O fundo é composto por uma parede azul e cortinas brancas. A expressão facial do homem é séria e contemplativa.

Medidas tomadas por Trump realmente não têm lógica

Hélio Schwartsman
Folha

Não é de assessoria política, econômica e nem mesmo da ajuda de um profissional de saúde mental que Donald Trump precisa agora. O que ele deveria fazer é convocar com urgência um professor de lógica para auxiliá-lo na Casa Branca, pois suas ações estão mais erráticas do que o habitual.

Se o objetivo do presidente americano é ajudar Jair Bolsonaro, então a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros é uma péssima escolha. É zero a chance de a ameaça tributária aliviar a situação jurídica do capitão reformado no STF.

TUDO ERRADO – No plano político, o tarifaço, caso se concretize, mais prejudicará do que ajudará o candidato da direita no pleito de 2026. E ele bateria forte no coração do bolsonarismo. As barreiras extras seriam ruins para a economia brasileira como um todo, mas péssimas para setores específicos como o agronegócio, onde se concentram apoiadores do golpista impenitente.

Nada disso deveria ser surpresa para Trump, que, desde que assumiu, perdeu mais eleições no exterior do que venceu. Ele foi decisivo para a virada dos trabalhistas no Canadá e na Austrália e foi um cofator para o triunfo de centristas na Groenlândia e na Romênia. Só na Polônia o candidato por ele apoiado se deu bem.

Se a meta real de Trump não é Bolsonaro, mas a agenda econômica da Casa Branca, a sobretarifa também é um tiro no pé. O Brasil é um dos poucos países com os quais os EUA têm superávit comercial. Diminuir o volume de trocas não faz sentido.

COMO REAGIR – Vamos ver como Lula reagirá. O brasileiro foi imprudente quando declarou apoio a Kamala Harris, mas vinha atuando com sabedoria ao manter um low profile desde a posse do americano. Estava dando certo, até agora.

Lula terá de optar entre falar grosso e colher os aplausos da torcida ou entregar as negociações a profissionais do Itamaraty, a fim de tentar reduzir os danos econômicos, obviamente sem ceder na política.

Trump, como se sabe, só é consistente em sua inconsistência. Não tem nenhum problema em se contradizer e voltar atrás em ações e ameaças.

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Tarifas, ameaças e interferência: o Brasil na linha de fogo de Trump

Publicado em 11 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Charge de William Medeiros (Arquivo do Google)

Charge de William Medeiros

Pedro do Coutto

O presidente Donald Trump protagonizou um dos episódios mais tensos das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Brasil. Em um gesto unilateral, o governo americano anunciou a imposição de tarifas de 50% sobre uma série de produtos brasileiros — como aço, alumínio, café, açúcar e carne — o que deve provocar impacto direto na economia brasileira e nas cadeias globais de comércio.

Mais do que uma decisão econômica, a medida tem um evidente componente político: Trump, que já declarou abertamente apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, usou o anúncio para desferir críticas duras ao Supremo Tribunal Federal e ao governo Lula, acusando-os de promover uma “caça às bruxas” contra seu aliado ideológico.

CARTA – A retórica usada por Trump foi agressiva e impositiva. Em uma carta enviada diretamente ao Palácio do Planalto, o presidente norte-americano exigiu que o governo brasileiro cessasse imediatamente o “comportamento persecutório” contra Bolsonaro, fazendo referência ao julgamento que tramita no STF sobre a tentativa de golpe em janeiro de 2023.

Para analistas internacionais, a linguagem usada por Trump extrapola os limites da diplomacia tradicional, resvalando numa interferência inaceitável nos assuntos internos de outro país. O tom determinante da carta e o gesto de impor tarifas comerciais como forma de pressão revelam uma tentativa clara de condicionar decisões judiciais soberanas a interesses políticos externos.

A resposta do governo brasileiro veio com rapidez. O presidente Lula convocou uma reunião de emergência com ministros da área econômica e da diplomacia e já anunciou que o Brasil deve aplicar medidas de retaliação comercial, com base na Lei de Reciprocidade e nas regras da Organização Mundial do Comércio.

NOTA –  O Itamaraty também divulgou uma nota firme, classificando as declarações de Trump como “ofensivas à soberania brasileira” e alertando para os riscos que essa escalada pode trazer para a estabilidade das relações bilaterais. O mercado reagiu com nervosismo: o dólar subiu, a Bolsa recuou e setores exportadores ligados aos produtos afetados já começaram a reavaliar contratos e projeções de lucro.

Mais do que um conflito comercial, o que se desenha é um embate geopolítico e ideológico. Trump parece decidido a transformar Bolsonaro em símbolo de perseguição política — narrativa semelhante à que ele próprio alimenta nos Estados Unidos ao se apresentar como vítima de um “sistema corrompido”. Ao atacar o STF e criticar abertamente o processo legal em curso no Brasil, o presidente americano tenta deslegitimar instituições democráticas em nome de alianças pessoais e eleitorais.

É uma estratégia já conhecida: criar tensão, alimentar a polarização e mobilizar sua base conservadora com discursos inflamados contra inimigos externos e internos. O problema é que essa tática não se limita ao campo retórico — ela tem efeitos reais e imediatos. O aumento nas tarifas pode causar prejuízos bilionários ao agronegócio e à indústria brasileira, além de pressionar a inflação nos Estados Unidos e desorganizar cadeias de fornecimento internacionais.

RETRAÇÃO –  Setores como o do café e da carne, que têm forte presença no mercado americano, já estimam retração nas exportações. Ao mesmo tempo, consumidores norte-americanos também devem sentir os efeitos com preços mais altos nas prateleiras. Ou seja, trata-se de uma guerra onde todos perdem, mas que interessa a Trump como combustível eleitoral.

A crise que se abre tende a se prolongar. De um lado, o governo brasileiro tem o desafio de defender sua soberania jurídica e econômica sem comprometer relações comerciais fundamentais. De outro, Trump parece determinado a usar o Brasil como palco secundário de sua cruzada ideológica. O embate, ao que tudo indica, está apenas começando — e poderá se tornar um dos capítulos mais delicados da diplomacia latino-americana contemporânea.


Empresários pedem “diálogo” com Trump para reverter esse tarifaço

Publicado em 11 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Momento político impõe a neoindustrialização, avalia Ricardo Alban -  Agência de Notícias da Indústria

Governo tem de dialogar com Trump, diz Alban, da CNI

Letícia Lopes e Cássia Almeida

Associações e entidades empresariais estão manifestando preocupação e já apontam impactos negativos em diferentes segmentos do setor produtivo com o anúncio do americano Donald Trump, nesta quarta-feira, de uma sobretaxa de 50% aos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.

O economista-chefe do Goldman Sachs, Alberto Ramos, em relatório divulgado na própria quinta-feira, diz que o PIB brasileiro pode ser reduzido entre 0,3 e 0,4 ponto percentual com as tarifas aplicadas por Trump. Ele calcula que a tarifa efetiva de importação para os produtos brasileiros aumente em 35,5 pontos percentuais, se não houver “grandes retaliações”:

REDUZIR A TENSÃO – “Não está claro se, como e quando o Brasil retaliaria. A inclinação política pode ser nesse sentido, mas prevemos que os exportadores locais irão pressionar o governo para reduzir a tensão”, diz Ramos.

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), não há fato econômico que justifique a tarifa de 50%. A entidade diz que a prioridade do governo brasileiro após o tarifaço deve ser “intensificar a negociação com o governo de Donald Trump para preservar a relação comercial histórica e complementar entre os países”.

“Os impactos dessas tarifas podem ser graves para a nossa indústria, que é muito interligada ao sistema produtivo americano. Uma quebra nessa relação traria muitos prejuízos à nossa economia. Por isso, para o setor produtivo, o mais importante agora é intensificar as negociações e o diálogo para reverter essa decisão”, diz Ricardo Alban, presidente da CNI, em nota.

IMPACTOS SEVEROS – A Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil) disse em nota que tem “profunda preocupação” com o anúncio, que pode “causar impactos severos sobre empregos, produção, investimentos e cadeias produtivas integradas entre os dois países”.

pediu em nota que os governos brasileiro e americano retomem “com urgência um diálogo construtivo” na busca por uma solução negociada “fundamentada na racionalidade, previsibilidade e estabilidade, que preserve os vínculos econômicos e promova uma prosperidade compartilhada”.

“A relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos sempre se pautou pelo respeito, pela confiança mútua e pelo compromisso com o crescimento conjunto. O comércio de bens e serviços entre as duas nações é fortemente complementar e tem gerado benefícios concretos para ambos os lados, sendo superavitário para os Estados Unidos ao longo dos últimos 15 anos — com saldo de US$ 29,2 bilhões em 2024, segundo dados oficiais norte-americanos”, diz o texto.

AÇÃO DIPLOMÁTICA – A Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan) também manifestou preocupação, e defendeu a intensificação da atuação diplomática para uma “solução negociada”.

“Em contraste com as medidas aplicadas, Brasil e Estados Unidos mantêm um longo histórico de relações mutualmente benéficas, parcerias econômicas e industriais salutares e voltadas para a promoção dos negócios. O país é o principal investidor externo direto no mercado brasileiro, sendo o segundo maior parceiro no comércio de bens nacional”, destacou a Firjan, em nota.

A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) destacou que a política tarifária atinge diretamente as empresas brasileiras. Presidente do conselho da entidade, José Ricardo Roriz traçou que uma tarifa de 50% torna “praticamente inviável” a operação, afetando faturamento e empregos.

IMPACTOS PROFUNDOS – Ele ainda observa que os impactos não se restringem apenas aos produtos finais exportados, mas a toda a cadeia produtiva, com pressão em outros setores que dependem de embalagens, como alimentos, componentes automotivos e fertilizantes.

“Estamos passando de um dos países com menores tarifas de importação para uma situação de isolamento comercial. Isso desestimula o investimento produtivo e compromete a credibilidade do Brasil como parceiro confiável. Empresas internacionais que atuam no país para exportar a partir daqui serão diretamente penalizadas. Estamos vendo crescer um clima de incerteza justamente quando deveríamos estar atraindo investimento estrangeiro”, afirmou Roriz, em nota.

Ele também defendeu que é preciso cautela na negociação:

SEM GEOPOLÍTICA – “O Brasil não pode se colocar em disputas geopolíticas que não nos dizem respeito. Precisamos focar em abrir mercados, fortalecer nossas cadeias industriais e garantir segurança jurídica e diplomática. Neutralidade e pragmatismo devem orientar nossa atuação internacional”, ponderou.

Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), lembrou que, em junho, o setor registrou um crescimento de 24,5% nas exportações, e que foram justamente os EUA que puxaram o crescimento: para o país, as exportações subiram 40% no período. O anúncio, diz ele, causa “surpresa e preocupação”:

“No primeiro semestre, estávamos, aos poucos, recuperando mercado nos Estados Unidos, apesar de todas as instabilidades. O anúncio do presidente Trump, com novas tarifas a partir do dia 1º de agosto, é um grande balde de água fria para o setor calçadista brasileiro”, lamenta Ferreira, em nota.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Os empresários vão exigir que Lula negocie com Trump a redução das tarifas, porque não há outro caminho. Lula vai se recusar, animado pelo ímpeto nacionalista que despertará nesse início. Os empresários apoiarão o primeiro bolsonarista que passar diante deles e Lula estará acabado, pois há tempos já está de validade vencida. (C.N.)


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