domingo, abril 13, 2025

Moraes não intima testemunhas de defesa e deixa lacuna para acusados por golpe

 Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE

Ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal)13 de abril de 2025 | 07:30

Moraes não intima testemunhas de defesa e deixa lacuna para acusados por golpe

brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), adotou como procedimento para os casos do 8 de janeiro a intimação só das testemunhas de acusação, obrigando as defesas a levar os depoentes para as audiências no tribunal.

A prática tem causado receio entre os advogados dos acusados pela PGR (Procuradoria-Geral da República) de articular um golpe de Estado após a eleição de Lula (PT) em 2022.

Na sexta-feira (11), a ação penal do núcleo central da trama golpista foi aberta pelo tribunal, após a publicação do resultado (acórdão) da sessão da Primeira Turma que aceitou a denúncia da PGR. São réus nessa ação o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete pessoas. O ato dá início ao andamento do processo penal, fase que inclui a oitiva de testemunhas de defesa e acusação.

Cinco advogados disseram à Folha que a falta de intimação de testemunhas pode inviabilizar depoimentos considerados cruciais para os acusados.

A estratégia de Moraes ainda pode frustrar os planos de alguns denunciados de tumultuar o processo, com a inclusão de testemunhas sem relação com a trama golpista.

Três ministros do STF ouvidos sob reserva afirmaram que o procedimento adotado por Moraes, mesmo não sendo o mais convencional, é um antídoto válido contra as defesas que tentam arrastar o processo por longos períodos.

A DPU (Defensoria Pública da União) questionou a falta de intimação das testemunhas em processo de uma ré pelos ataques de 8 de janeiro e pediu a mudança de procedimento.

“Tem-se, de fato, um tratamento desigual entre acusação e defesa, uma vez que a exigência de apresentação de testemunhas vem pesando sobre as defesas em geral, mesmo quando indicam servidores públicos para serem inquiridos”, disse o defensor Gustavo Zortéa da Silva ao Supremo.

O ministro negou o pedido: “As testemunhas arroladas deverão ser apresentadas pela defesa em audiência, independentemente de intimação”.
O procedimento é descrito por Moraes nas decisões de abertura das ações penais do 8 de janeiro. Ele define que as testemunhas devem ser levadas pela defesa no dia do depoimento do réu, mesmo sem intimação, e devem falar antes do acusado.

“Fica indeferida, desde já, a inquirição de testemunhas meramente abonatórias, cujos depoimentos deverão ser substituídos por declarações escritas, até a data da audiência de instrução”, acrescenta o ministro.

O caso chegou a ser debatido no plenário do STF no último ano. Os ministros negaram um pedido de nulidade do processo por falta de intimação das testemunhas de defesa com base em precedentes do próprio Supremo.

“Não se pode cogitar de nulidade em razão da determinação no sentido de que a parte apresentasse as testemunhas que arrolasse e de disponibilização por escrito dos depoimentos de testemunhas abonatórias”, concordaram os ministros, de acordo com o acórdão.

Em nota, o STF afirmou que “há previsão legal para que a parte intime a testemunha sem necessidade de intimação judicial (artigo 455 do Código do Processo Civil que se aplica subsidiariamente ao Código do Processo Penal)”.

A Primeira Turma do STF, disse ainda a corte, “já declarou por unanimidade que é válida essa possibilidade no processo penal (agravo regimental na ação penal 2437)”.

Responsável por quase 1.600 ações penais no Supremo, Alexandre de Moraes autorizou a intimação de testemunhas em um processo sem relação com os ataques de 8 de janeiro.

Moraes é o relator da ação penal contra o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA), réu sob acusação de crime de peculato. O ministro disse no processo que a defesa do parlamentar deveria justificar pedido de intimação de testemunhas para ter o direito garantido.

A defesa de Bacelar apresentou uma lista de sete testemunhas para intimação. Moraes autorizou: “Determino [que] sejam intimadas, em caráter de urgência, as testemunhas abaixo nominadas, para que compareçam à audiência por videoconferência no dia e horário anteriormente designados”.

A defesa da maioria dos denunciados apresentou na defesa prévia ao Supremo um rol de testemunhas para o processo. A lista revela a estratégia dos advogados de alguns dos acusados de tumultuar a ação penal.

O advogado Sebastião Coelho, defensor do ex-assessor da Presidência Filipe Martins, arrolou 29 testemunhas e incluiu o próprio Alexandre de Moraes e seu ex-assistente no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Eduardo Tagliaferro.

Jeffrey Chiquini, advogado do tenente-coronel Rodrigo de Azevedo, incluiu o presidente Lula (PT) e o ministro do STF Flávio Dino na lista de testemunhas. A defesa de Marcelo Camara elencou os delegados da Polícia Federal responsáveis pela investigação.

A PGR elencou seis testemunhas para todos os acusados. São elas: Marco Antônio Freire Gomes (ex-chefe do Exército), Carlos Baptista Junior (ex-chefe da Aeronáutica), Éder Balbino (dono de empresa que auxiliou relatório do PL contra urnas), Ibaneis Rocha (governador do Distrito Federal), Clebson Vieira (ex-integrante do Ministério da Justiça) e Adiel Pereira Alcântara (ex-integrante da inteligência da PRF).

O Código de Processo Penal estabelece em seu artigo 401 que, na instrução do processo, poderão ser inquiridas até oito testemunhas da acusação e oito da defesa. Esse número, porém, pode ser ampliado por decisão do juiz, considerando a complexidade do caso e a quantidade de réus e de crimes imputados.

Cézar Feitoza / Folhapress

Cômodo e útil, o celular pode se tornar também uma máquina mortífera

Publicado em 12 de abril de 2025 por Tribuna da Internet

Série Adolescência

A série Adolescência ensina muita coisa sobre o celular

Muniz Sodré
Folha

Muitos anos atrás, uma pesquisa sobre televisão indagava a adolescentes cariocas o que mais gostariam de ver na telinha. “Eu”, respondeu um deles. Na mesma época, parecia divertida a anedota da mãe zelosa que, passeando no parque com o bebê, escuta de uma outra o elogio: “que lindo, o seu filho”. E ela responde: “Você ainda não viu a foto”.

As duas pequenas histórias mantêm atualidade explicativa na época do celular e redes sociais. Após a crescente proibição do uso de celulares nas escolas, aparecem notícias de adolescentes que os substituem por velhas câmeras digitais, naturalmente permitidas. Com elas, podem copiar trechos de textos e, mais do que tudo, fazer selfies. É o círculo vicioso do espelho, a compulsão de se reproduzir infinitamente em imagem.

AUTOIMAGEM – A raiz atrativa dos celulares está na paixão pela autoimagem, daí a produção do espectro individual, um modo de existir na realidade virtual.

Os episódios são variantes de um fenômeno que se pode chamar de espectralização. Não se trata apenas de fazer pose conveniente para uma foto, gesto instintivo quando se é alvo de uma câmera, e sim de criar um espectro de si mesmo, isto é, a ficção de uma personalidade paralela capaz de circular em situações de comunicação diversas. Nesse duplo espectral, que é de algum modo o negativo da visibilidade comunitária, o pretenso ser real e único dá lugar à sutil simulação de um personagem.

O celular banaliza a imagem por instantaneidade e ausência de custos, de maneira irresistível para a maioria, jovens em especial. Não se trata, porém, de efeito exclusivo do artefato.

A raiz atrativa está na paixão pela autoimagem, daí a produção do espectro individual, um modo de existir na realidade virtual criada pela rede eletrônica e pelas máquinas de visão, que não param de surgir. É uma forma de vida paralela, ainda mal compreendida, mas já nomeada pelo antigo grego como “bios”.

CONSEQUÊNCIAS – São fortes as consequências na formação da personalidade. E costumam enganar cientistas atentos a mudanças sociais apenas por aspectos fisicamente observáveis. Mal se dão conta do universo imaterial sobreposto ao real-histórico com outra linguagem, feita de códigos digitais e figurativos.

 Notável é o impacto sobre o psiquismo plástico, senão enigmático, do adolescente. É esse o fio dramático de “Adolescência”, série televisiva sobre a assustadora captura de uma consciência ainda púbere pela realidade dúbia e sombria do celular.

Já no filme “Emília Perez”, a protagonista transgênero reflete que “há sempre dois: meu eu verdadeiro e o animal que me segue como uma sombra”. “Animal” é metáfora para a contraparte obscura da alma.

EPIDEMIA MORAL – Nas redes, entretanto, animalidade ou bestialidade (racismo, misoginia, sociopatia) torna-se vetor de um regime de epidemia moral suscetível de abalar a estabilidade do laço social. Infecciosa é a irrupção de formações perversas, inequívocas reações a dificuldades afetivas no mundo real.

A “machosfera” é um exemplo: agregado de ideias e emoções confusas sobre o feminino, com efeitos de ressentimento e ódio. Danosa à consciência adulta, é uma usina de monstros juvenis.

O cômodo e útil celular é também máquina de morte. Olho vivo, pais e educadores.


Antes de passar mal, Bolsonaro pediu ajustes para a anistia entrar logo em pauta

Publicado em 12 de abril de 2025 por Tribuna da Internet

Bolsonaro: 1ª Turma do STF tem maioria para manter multa de R$ 40 mil | Metrópoles

Bolsonaro está empenhado em resolver logo a anistia

Marianna Holanda e Raphael Di Cunto
Folha

Antes de passar mal e ser internado em Natal, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) mandou o PL estudar alternativas para tornar o texto do projeto de lei da anistia a presos no 8 de janeiro mais enxuto, segundo a Folha apurou. Essa seria uma forma de diminuir resistências ao projeto na Casa.

Uma avaliação geral dos deputados é de que as penas impostas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) teriam sido muito duras, mas que é preciso punir quem tenha depredado as sedes dos três Poderes.

FORA DA AGENDA – O pedido ocorreu após conversa com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na tarde de quarta-feira (9). O encontro aconteceu fora da agenda, apenas entre os dois, e foi cercado de sigilo.

Não está claro como o projeto seria alterado, nem se Bolsonaro e réus acusados de liderar a trama golpista estariam inclusos. Mas aliados do ex-presidente avaliam que, caso ele não seja contemplado desta vez, a aprovação da proposta de alguma forma ajudará seu caso no STF.

Enquanto previa ajustes no texto do Congresso, Bolsonaro falou a uma plateia de apoiadores nesta quinta (10) que quer “anistia ampla, geral e irrestrita”, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.

NOVO RELATOR? –

O relator do projeto na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) era o deputado Rodrigo Valadares (União Brasil-SE). Ele é cotado para dar o parecer com as alterações também no plenário, mas Motta pode substituí-lo. Um novo nome já chegou à sua mesa: Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), que foi procurador do Ministério Público. Gaspar e Valadares são alinhados a Bolsonaro.

A aliados, o presidente da Casa tem dito que ainda busca uma solução negociada com os Poderes. Ele tem conversado com ministros do STF para tratar sobre essa possibilidade, ainda mantida a sete chaves. Já conversou, por exemplo, com Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

257 ASSINATURAS – Motta afirma ainda que levará a proposta para deliberação dos líderes, quando o requerimento de urgência para o projeto chegar a 257 assinaturas.

Uma avaliação entre uma ala de bolsonaristas é de que aqueles que depredaram patrimônio e contra os quais há registros, imagens, poderiam ser condenados, mas apenas a esse crime, cuja pena é de até três anos.

Bolsonaro não comenta o encontro com Motta, mas demonstra otimismo. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, ele reafirmou que o presidente da Casa pautará a proposta. “Desde a campanha, ele fala que a maioria dos líderes querem priorizar uma pauta, então nós vamos atender à maioria. Ele não participa da votação, tanto é que o voto foi pela abstenção. Não precisa lembrá-lo disso aí, ele sabe bem o que está acontecendo. Se a gente conseguir assinatura, ele vai botar em votação, tenho certeza”, disse.

CRISE INSTITUCIONAL – Motta está numa saia-justa entre o compromisso que firmou com o partido do ex-presidente e aliados no governo e no Supremo, contrários à análise da proposta. A leitura destes é de que abriria uma crise institucional, sobretudo com o Judiciário.

Já com o PL, o compromisso, segundo dizem os parlamentares, seria de pautar em plenário quando houvesse as assinaturas necessárias. O entorno de Motta chegou a defender a possibilidade de uma comissão especial para analisar o projeto de lei, o que teria uma tramitação mais lenta, mas o partido de Bolsonaro rechaça essa possibilidade.

Diante do impasse, Motta quer ganhar tempo, e a próxima semana deixará a Câmara esvaziada. Nesta quinta-feira, cancelou a tradicional reunião de líderes da Casa e, na próxima semana, determinou que os trabalhos ocorrerão de forma remota e com sessões no início da semana, para compensar o feriado da Páscoa.

EM TRÊS SEMANAS – Apesar da antecipação das sessões, que começarão na noite de segunda-feira, ele não estará em Brasília, nem muitos dos principais líderes. Quem presidirá será o primeiro vice-presidente, Altineu Côrtes (PL-RJ).

O PL, conseguindo as assinaturas nesta semana, não deve pautar à força a proposta, mesmo com a presidência da Casa. Assim, pelos cálculos de deputados, a anistia seria votada em três semanas.

Nesta semana, Motta voltou a defender a revisão do que chamou de eventuais exageros nas penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. “Eu defendo dois pontos para que a gente possa vencer essa agenda. O primeiro é a sensibilidade para corrigir algum exagero que vem acontecendo em relação a quem não merece receber punição. E o segundo é a responsabilidade de não aumentarmos a crise institucional que o país já vive”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Motta está se equilibrando bem, mas terá de cumprir o Regimento. O PL anuncia que já chegou às 257 assinaturas (maioria absoluta). Portanto, Motta tem de pautar a anistia, e seja o que Deus quiser. É assim que funciona(C.N.)

Foro privilegiado muda mais uma vez, e isso pega mal para o Supremo

Publicado em 12 de abril de 2025 por Tribuna da Internet

Foro privilegiado. O retorno. A fragilidade e insegurança do sistema

Charge do Cazo (Blog dp AFTM)

Marcus André Melo
Folha

Analisar o foro revela porque ele é crucial para o exercício da competência penal do Supremo Tribunal Federal

As mudanças nas regras do foro privilegiado, ao longo do tempo, refletem um jogo cujo equilíbrio se altera devido a choques produzidos por eventos como escândalos e/ou alterações radicais no ambiente institucional. O conflito gira em termos de quem tem foro; quem detém poder de iniciativa e veto; e, quem se beneficia com a restrição/ampliação do foro ao mandato e à função, tornando-o temporário ou perpétuo (perdeu o cargo, o foro permanece).

Embora entre 1964 e 1999, o foro tenha passado a ser perpétuo, aumentando o poder do STF, só em 1969 foi estendido a parlamentares (e não só titulares de alguns cargos executivos e magistrados). Entretanto, o impacto foi muito limitado porque a abertura de processo exigia licença prévia da casa legislativa de origem —que nunca a concedia.

PODER DE VETO – O Legislativo detinha poderes de gatekeeper —o poder de vetar a iniciativa—, o que só veio a mudar com a EC 35/2001, que dispensou a licença. O STF passou a ter controle pleno sobre sua jurisdição criminal.

A mudança deveu-se ao caso da motosserra assassina de Hildebrando Paschoal e, na sequência, Mensalão e Lava Jato. No Mensalão, ficou claro que o foro privilegiado no Supremo não era garantia de impunidade.

Como no caso de Hildebrando, evidências de manipulação do foro por parlamentares, tal qual o do ex-governador paraibano Ronaldo Cunha Lima, tiveram forte impacto. Cunha Lima tentou assassinar seu antecessor, mas não pôde ser processado devido à necessidade de licença prévia da Assembleia Legislativa.

JAMAIS FOI JULGADO – Eleito senador em 1994, seu caso foi enviado ao STF, onde permaneceu parado até 2001. Com a EC 35, a autorização do Senado deixou de ser necessária, mas Cunha Lima elegeu-se deputado federal. Na véspera de seu julgamento, em novembro de 2007, renunciou ao mandato, deslocando o processo para a primeira instância, onde prescreveu.

“O gesto dele mostra como é perverso o foro privilegiado” afirmou Joaquim Barbosa, o relator, irritado porque ele esperou o Supremo incluir a ação na pauta de julgamento de segunda-feira, 14 anos após a tentativa de assassinato e 5 depois de começar o processo, para renunciar. “O que tem de fazer é acabar com o foro. Só isso”.

A incapacidade do STF de cumprir sua competência penal —realizar oitivas etc— ficou evidente. O ônus político do elevadíssimo estoque de processos —que em 2018 chegou a mais de 500 ações— passou a ser suportado não mais pelo Legislativo mas pelo STF.

GASTOS ELEVADOS – O custo do hiperprotagonismo da corte aumentou significativamente. Daí a reconfirmação em 2018 do foro, mas agora com restrições ao mandato e à função.

A reinstituição do foro perpétuo, na atual conjuntura, restaura o status quo anterior. Esta mudança, também endógena, se deve, mais uma vez, a choques no ambiente institucional mais amplo. O choque agora é o julgamento de Bolsonaro e envolvidos em um golpe. Enquanto em 1999 o STF era árbitro de processos criminais, agora é parte do processo. Ambos —a Corte e seus ministros— são vítimas.

Seus objetivos agora são mais amplos, em certo sentido existenciais: resistir a ameaças institucionais inéditas e de larga envergadura. Estrategicamente o foro perpétuo alarga o controle do Supremo sobre suas ações, pois estende o marco intertemporal de sua jurisdição.

PT pensa (?) que Hugo Motta será imune à pressão para pautar a anistia

Publicado em 13 de abril de 2025 por Tribuna da Internet

Pressionado por anistia, Motta quer priorizar PL da Reciprocidade |  Metrópoles

Com 257 assinaturas, Motta é obrigado a pautar a anistia

Gustavo Zucchi
Metrópoles

Apesar de bolsonaristas terem conseguido as 257 assinaturas necessárias para o pedido de urgência, aliados de Hugo Motta (Republicanos-PB) dizem que o presidente da Câmara seguirá imune à pressão para pautar o PL da Anistia. Segundo interlocutores, Motta não teria motivo para temer as ameaças de bolsonaristas de “queimar a imagem” dele com seu eleitorado, porque o presidente da Câmara é eleito por um estado mais esquerdista.

No último dia 6 de abril, por exemplo, o pastor Silas Malafaia afirmou que Motta seria “a vergonha do povo da Paraíba”, por não ter abraçado a pauta da anistia aos condenados pelos atos golpistas do 8 de Janeiro.

MOTTA E O PT – Lula e o PT tiveram, nas eleições de 2022, ampla vantagem na Paraíba, estado de Motta. No segundo turno, por exemplo, Lula venceu Jair Bolsonaro em todos os municípios do estado, com 66,62% dos votos válidos.

A proximidade de petistas com o atual presidente da Câmara nas disputas estaduais também se reflete em Patos (PB), cidade do atual presidente da Câmara, administrada pelo pai de Hugo Motta. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, por exemplo, esteve no município em eleições passadas, participando da campanha de familiares de Motta para a prefeitura local, como o próprio Padilha lembrou em entrevista à coluna.

Aliados de Motta explicam que, por esse motivo, ele não teme perder votos por segurar a anistia. E reforçam que a expectativa do deputado é de que uma revisão das penas possa aliviar a pressão de bolsonaristas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A matéria é interessante, mas os informantes do repórter o levaram a uma visão petista do assunto, que não tem nada a ver, está absolutamente equivocada. Ao contrário do que diz o texto, o presidente da Câmara não pode ficar segurando o projeto, sem colocá-lo em pauta. Se receber o pedido com assinatura de 257 deputados, Hugo Motta tem obrigação de colocar a anistia logo em pauta, sem possibilidade de permanecer embromando indefinidamente. O assunto é regulado de forma clara no Regimento da Câmara. (Artigo 155). (C.N.)

Silas Malafaia surpreendeu bolsonaristas ao se opor à cassação de Glauber Braga


Malafaia defende Glauber Braga e irrita bolsonaristas | Revista Fórum

Malafaia defende Braga e desagrada os bolsonaristas

Ivan Longo
Fórum

O pastor Silas Malafaia expôs um posicionamento que vem deixando bolsonaristas revoltados. Malafaia se colocou contra a cassação do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), alvo de um processo na Câmara. Apesar de se referir ao parlamentar de esquerda como “asqueroso, nojento e linguarudo”, o pastor disse que ele não merece ser cassado.

“AO DEPUTADO GLAUBER BRAGA, DO PSOL! Você é um camarada asqueroso, nojento e linguarudo, que já me caluniou e difamou. Minha consciência e caráter não dependem do que as pessoas são, fazem e falam. É um absurdo querer cassar seu mandato pelas asneiras que você falou. Você merece uma punição. CASSAR SEU MANDATO, NÃO”, escreveu Malafaia, usando letras maiúsculas.

A publicação do comentário deixou bolsonaristas revoltados. Muitos acusam o pastor Silas Malafaia de estar fazendo “jogo duplo”, conforme é possível observar nos comentários da postagem.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
O mais desagradável na política atual é a obrigatoriedade de ser contra ou a favor, de acordo com a polarização. É preciso que todos nós, esquerdistas ou direitistas, incluindo a ala do centro, com seus diferentes matizes, passemos a apoiar o que é certo e a rejeitar o que é errado, sem levar em conta essas bobagens ideológicas. Afinal, ainda não se paga imposto para ser racional e inteligente. Malafaia tem toda razão, cassar Glauber Braga é uma estupidez sesquipedal, como dizia o general João Figueiredo, aquele que assumiu o poder com a obrigação de devolver o país à democracia e levou sua missão até o final. (C.N.)

O desejo da morte de um parlamentar e o silêncio q fere a democracia

 em 11 abr, 2025 3:20

 Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça
         “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um excelente artigo do advogado Edmilson Júnior para servir como reflexão de todos:

O desejo da morte de um parlamentar e o silêncio que fere a democracia   Por Edmilson Júnior*

Como cidadão brasileiro e cristão católico, não posso me calar diante de uma declaração que rompe os limites da civilidade e agride, frontalmente, os fundamentos éticos e democráticos que devem nortear a vida pública em nosso país. Refiro-me à infeliz e chocante fala do deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES), que, em sessão oficial da Câmara dos Deputados, declarou desejar a morte do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

 Independentemente de posições políticas ou partidárias, o que se espera de um parlamentar — eleito para representar o povo e zelar pela Constituição — é equilíbrio, responsabilidade e respeito à dignidade da pessoa humana. Quando um detentor de mandato eletivo vocaliza ódio a ponto de desejar a morte de quem quer que seja, ele não apenas trai o juramento que fez à República, mas também rompe com os valores mínimos da convivência humana.

 Como católico, acredito no valor sagrado da vida, desde a concepção até o seu fim natural. Desejar a morte de alguém é, além de pecado grave, um atentado contra o Evangelho de Cristo. Nosso Senhor nos ensinou a amar até os inimigos e a abençoar aqueles que nos perseguem. A política, embora naturalmente marcada por embates, não pode ser palco de incitação à violência ou à morte.

 Não se trata aqui de censura, mas de responsabilidade. A liberdade de expressão não pode ser escudo para justificar o discurso de ódio. Quando uma autoridade pública vocifera tamanha agressividade, o Estado Democrático de Direito se vê ameaçado. Mais do que isso, a população — já tão carente de bons exemplos — recebe a mensagem de que o ódio é um meio legítimo de ação política. E não é.

 É preciso que os órgãos competentes investiguem e, se for o caso, responsabilizem o parlamentar, inclusive com medidas disciplinares no âmbito da própria Câmara dos Deputados. O silêncio institucional, nesse caso, seria uma conivência perigosa.

Por fim, conclamo todos os homens e mulheres de boa vontade, de todas as crenças e ideologias, a rejeitarem essa lógica do ódio. O Brasil precisa de pontes, não de abismos. De diálogo, não de morte. De líderes que inspirem, não de incendiários.

 *Advogado – OAB/SE 5.060 / Especialista em Direito Público, Direito Administrativo e Direito Eleitoral.

                     

Organização criminosa desarticulada pela PF e CGU A 3ª Fase da Operação Overclean – PF e CGU – realizada na semana passada com mandados na BA, SP, MG e Sergipe ainda repercute nos bastidores. “Gostinho de quero mais”, dizem nos bastidores. A Operação começou com o “rei do Lixo” na Bahia e envolvendo órgãos de lá e políticos. Agora a especulação com os nomes são grandes. O blog pediu detalhes a uma autoridade envolvida está esperando. Se receber os documentos publicará.

https://infonet.com.br/blogs/claudio-nunes/o-desejo-da-morte-de-um-parlamentar-e-o-silencio-q-fere-a-democracia/

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