domingo, março 10, 2024

Moraes acumula relatorias no STF 5 anos após o início do inquérito das fake news

Sábado, 09/03/2024 - 17h40

Por Renata Galf | Folhapress

Moraes acumula relatorias no STF 5 anos após o início do inquérito das fake news
Foto: Antonio Augusto/SCO/STF

Desde que foi designado relator do inquérito das fake news, há cinco anos, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes acumula uma série de relatorias de casos de relevo na corte envolvendo desinformação e ameaças à democracia, servindo como justificativa inquéritos que já estão sob sua responsabilidade.
 

As investigações mais citadas para declarar a distribuição por prevenção --quando não há sorteio entre os ministros-- são o inquérito das fake news, o das milícias digitais e o inquérito dos atos antidemocráticos de 2021, segundo levantamento da Folha.
 

Dentre esses três inquéritos, nenhum chegou à relatoria do ministro por sorteio. Os próprios inquéritos das milícias digitais e dos atos de 7 de Setembro de 2021, que miram o bolsonarismo, foram distribuídos por prevenção. Já o inquérito das fake news foi aberto de ofício, em 14 de março de 2019, e teve o relator escolhido pelo então presidente do STF, ministro Dias Toffoli.
 

O levantamento (veja lista completa abaixo) levou em consideração, quando disponíveis, os dados nas certidões de distribuição ou no andamento do processo no tribunal. Nos demais casos, especialmente nos sigilosos, foram consideradas informações em decisões.
 

Em regra, procedimentos são distribuídos de modo aleatório. O Código de Processo Penal, no entanto, traz algumas exceções. Uma delas é a conexão probatória, quando a prova de uma infração tem influência na prova de um outro delito. Outro caso é quando as infrações são cometidas ao mesmo tempo por vários acusados reunidos ou quando as pessoas contribuíram para determinado crime.
 

A prevenção, por sua vez, se dá quando um juiz já tiver antecedido aos outros na prática de algum ato do processo ou medida relacionada a ele.
 

Especialistas em direito penal consultados pela Folha avaliam que uma das principais dificuldades em avaliar se há de fato prevenção nos casos em questão, por causa de conexão entre as provas, por exemplo, é o aspecto sigiloso de vários dos procedimentos.
 

Com base no inquérito das fake news, Moraes se tornou relator de outras petições e inquéritos, entre eles está o aberto após pedido do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fosse investigado por suposto vazamento de dados sigilosos de uma investigação sobre um ataque hacker contra a corte em 2018.
 

Também justificou a relatoria do ministro em investigação instaurada após pedido da CPI da Covid contra o então mandatário e nas apurações sobre condutas indevidas na Abin (Agência Brasileira de Inteligência).
 

Conexão com o inquérito das fake news foi ainda utilizada na distribuição de investigação contra Google e Telegram instaurada em 2023 após medidas destas empresas contra o PL das Fake News em tramitação no Congresso.
 

Já no inquérito dos atos antidemocráticos aberto em abril de 2020, a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República), a definição foi por sorteio. Foi com base nessa apuração que Moraes se tornou também relator do inquérito das milícias digitais.
 

Em um drible à PGR, ele arquivou a investigação como solicitado pelo órgão, mas abriu em sequência uma nova e usando o caso arquivado para justificar a relatoria.
 

É a este inquérito que estão vinculadas diferentes frentes de investigação envolvendo o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, como a de adulteração de cartões de vacina e das joias presenteadas pela Arábia Saudita. Também foi por prevenção a ele que Moraes relata petição sobre trama golpista, em que autorizou a Operação Tempus Veritatis.
 

Moraes é também relator dos diferentes inquéritos instaurados para apurar os ataques golpistas do 8 de janeiro, em que a prevenção foi justificada devido ao inquérito dos atos antidemocráticos do 7 de Setembro de 2021. Foi nele, inclusive, que Moraes expediu as primeiras ordens, horas após o episódio, como a de desocupação dos acampamentos em frente a quartéis e de afastamento de Ibaneis Rocha (MDB) do Governo do Distrito Federal.
 

Aberto mirando personagens como o cantor Sergio Reis e o caminhoneiro Marco Antônio Pereira Gomes, conhecido como Zé Trovão, hoje deputado federal pelo PL-SC, a relatoria desta apuração foi para Moraes com base em uma petição sigilosa.
 

Em voto do ministro André Mendonça sobre a competência do Supremo para julgar o 8 de janeiro, o magistrado diz que tal petição teve a prevenção gerada pelo inquérito das milícias digitais -a Folha questionou o STF a respeito da distribuição da petição, mas não teve resposta.
 

Em votação sobre o 8 de janeiro, os ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques foram os únicos a avaliar que o Supremo não era competente para julgar os casos, mas sim a Justiça Federal.
 

Renato Vieira, que é advogado e presidente do IBCCrim (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais), vê como problemática a própria sistemática da figura da prevenção. "Isso faz com que o primeiro juiz se torne tendencialmente o único juiz dos fatos correlatos aquele primeiro."
 

Segundo ele, de modo geral, os tribunais não detalham muito as provas que embasam a conexão probatória, especialmente em investigações complexas.
 

Quanto a essas investigações tramitando no STF sob a relatoria de Moraes, ele vê o que parece ser uma excessiva ramificação dos inquéritos em petições, o que possibilita, a seu ver, tornar ainda mais difícil haver uma compreensão do todo da apuração pelos investigados. Além disso, vê com dificuldade enxergar conexão em alguns casos, como entre a falsificação de cartão de vacina e o inquérito das milícias digitais.
 

Marina Coelho Araújo, advogada criminalista e conselheira do IASP (Instituto dos Advogados de São Paulo), explica que as exceções à distribuição livre dos processos buscam a eficiência e a economia processual.
 

Nos casos em questão, ela considera que precisaria de uma maior transparência, porque nem todas as investigações parecem ser conexas, sendo preciso, nessa hipótese, separá-las e distribuí-las livremente. "Se não tem conexão, não tem prevenção."
 

Um exemplo que ela cita como estranho é o da CPI da Covid e a investigação sobre fake news. "São questões que, em algum momento, elas se interligam porque tiveram fake news relacionadas a Covid, mas os fatos são muito diferentes", diz.
 

Já Helena Regina Lobo, que é advogada e professora de direito penal da USP, afirma que a falta de transparência de parte dos processos dificulta a análise sobre se há ou não prevenção. Mas pondera que, apesar de o escrutínio público ter este entrave, a validação dos demais ministros para que Moraes continue na relatoria é elemento relevante.
 

"É possível que essa conexão exista mesmo, mas a gente não tem isso demonstrado de forma pública por conta ainda do sigilo, porque essa investigação ainda está em curso."

 

Veja alguns dos inquéritos e petições sob relatoria de Moraes:
 

Inquérito 4781: Fake news
 

Status atual: Sigiloso

 

Moraes foi designado relator sem sorteio
 

Inquérito 4878: Vazamento de dados sigilosos da PF
 

Status atual: Público
 

 

Distribuído por prevenção
 

Justificativa: inquérito das fake news
 

Inquérito 4888: CPI da Covid
 

Status atual: Público
 

 

Distribuído por prevenção
 

Justificativa: petição 10007, que tinha sido distribuída para Moraes devido ao inquérito das fake news
 

Petição 10391: Suspensão perfis do PCO
 

Status atual: Público

 

Distribuída por prevenção
 

Justificativa: em decisão Moraes determinou prevenção pelo inquérito das fake news
 

Petições 11108, 12155 e 12027: Uso indevido da Abin e FirstMile
 

Status atual: Sigiloso
 

 

Distribuídas por prevenção
 

Justificativa: em decisões Moraes aponta prevenção pelo inquérito das fake news
 

Inquérito 4933: Sobre ações contra PL 2630 de Google e Telegram
 

Status atual: Público
 

 

Distribuído por prevenção
 

Justificativa: inquérito das fake news consta como processo que justifica e o das milícias digitais como relacionado
 

Inquérito 4828: Atos antidemocráticos de abril de 2020
 

Status atual: Público

 

Distribuído por sorteio
 

Ação penal 1044: Daniel Silveira
 

Status atual: Público
 

 

Distribuída por prevenção
 

Justificativa: petição 9456, que tinha sido distribuída para Moraes devido ao inquérito dos atos antidemocráticos de abril de 2020
 

Inquérito 4874: Milícias digitais
 

Status atual: Público

 

Distribuído por prevenção
 

Justificativa: inquérito dos atos antidemocráticos de abril de 2020
 

Petição 10543: Golpismo em grupo de WhatsApp de empresários
 

Status atual: Sigiloso

 

Distribuída por prevenção
 

Justificativa: em decisão Moraes aponta inquérito das milícias digitais
 

Petição 12100: Trama golpista sob gestão Bolsonaro
 

Status atual: Sigiloso
 

 

Distribuída por prevenção
 

Justificativa: em decisão Moraes aponta inquérito das milícias digitais
 

Petições 10405, 11645: Cartões de vacina e joias da Arábia Saudita
 

Status atual: Sigiloso
 

 

Distribuídas por prevenção
 

Justificativa: não há menção explícita sobre a prevenção em decisões analisadas, os casos estão conectados ao inquérito das milícias digitais
 

Inquérito 4879: inquérito dos atos antidemocráticos de 7.set.2021
 

Status atual: Sigiloso
 

 

Distribuído por prevenção
 

Justificativa: petição 9855 (sigilosa), que, segundo voto de André Mendonça, tinha sido distribuída por prevenção para Moraes devido ao inquérito da milícias digitais
 

Inquérito 4920: Financiadores do 8/1
 

Status atual: Segredo de Justiça

 

Distribuído por prevenção
 

Justificativa: inquérito dos atos antidemocráticos de 7.set.2021
 

Inquéritos 4921, 4922 e 4923: Ataques do 8/1
 

Apuram respectivamente partícipes por instigação; executores e autores intelectuais; e autoridades omissas
 

Status atual: Públicos
 

Distribuídos por prevenção
 

Justificativa: inquérito dos atos antidemocráticos de 7.set.2021

Caixa não encerra contas da Poupança Social Digital automaticamente

 em 10 mar, 2024 8:36

(Foto: Caixa)

É falsa a informação de que a CAIXA fará o encerramento automático de Poupança Social Digital que não tenham movimentação financeira nos últimos 180 dias. O banco esclarece que as regras da conta são regidas pela Lei 14.075/2020.

A Poupança Social Digital CAIXA é uma poupança simplificada, aberta para beneficiários de programas sociais do governo, com limite mensal de créditos de R$ 5.000,00. A movimentação da Poupança Social Digital CAIXA é feita pelo aplicativo CAIXA Tem.

Caso a conta receba mais que R$ 5.000,00 em um mesmo mês, ela será bloqueada. Nesta situação você poderá mudar sua Poupança Social Digital CAIXA para uma Poupança Digital CAIXA pelo aplicativo CAIXA Tem ou ir a uma agência CAIXA para efetuar o saque do saldo disponível e pedir encerramento da conta.

A mudança para Poupança Digital CAIXA é muito simples: basta acessar a conversa “Atualize seu cadastro” no aplicativo CAIXA Tem, complementar os dados cadastrais e enviar fotos dos documentos solicitados.

Todas as pessoas que possuem a conta Poupança Social Digital podem fazer a Atualização Cadastral no CAIXA Tem. A atualização pode ser feita a qualquer momento pelo aplicativo e leva só sete minutos. A Atualização Cadastral converte a conta Poupança Social Digital em conta Poupança CAIXA Tem, que traz muito mais vantagens e praticidades. Não é preciso ir até uma agência, você faz tudo pelo celular.

A Atualização Cadastral no aplicativo CAIXA Tem é opcional. Caso receba algum benefício social, você não deixará de receber esse recurso se não fizer a atualização. Mesmo assim, a CAIXA recomenda que ela seja feita para aumentar a segurança da conta e liberar novas funcionalidades, tais como linhas de crédito e outros produtos e serviços do banco. A Atualização Cadastral feita pelo aplicativo CAIXA Tem é extremamente segura e você não precisa ir até uma agência.

No entanto, se você recebe algum benefício ao trabalhador, como Seguro Desemprego ou Seguro Defeso, você precisa fazer a Atualização Cadastral para liberar a movimentação da conta. A atualização é feita no próprio aplicativo CAIXA Tem, com RG ou CNH. Prepare-se também para fazer uma foto do tipo selfie. É simples e é para sua segurança.

Fonte: Secretaria de Comunicação Social/Governo Federal

Esquerda pede cassação de Rosângela Moro por mudar o domicílio eleitoral

Publicado em 9 de março de 2024 por Tribuna da Internet

Empresária aciona o Ministério Público Eleitoral contra Rosângela Moro por  mudança de domicílio eleitoral - Brasil 247

Rosângela diz que está exercendo um direito de cidadã

Igor Gadelha
Metrópoles

Advogados ligados à esquerda decidiram questionar na Justiça a transferência de domicílio eleitoral da deputada Rosângela Moro (União) de São Paulo, por onde ela foi eleita em 2022, para o Paraná. O questionamento já vem sendo preparado por integrantes da direção do Prerrogativas, grupo de advogados antilavajatistas que apoia o governo Lula.

Para o coordenador do Prerrogativas, o advogado paulista Marco Aurélio de Carvalho, Rosângela tem que perder o mandato de deputada federal por São Paulo após a mudança de domicílio.

JUSTIFICATIVA – “Existe o problema da sub-representação. Pelo sistema atual, você elege um número determinado de deputados por estado. Ela mudando o domicílio para o Paraná, passa a representar o estado do Paraná e deixa de representar São Paulo. A lógica do domicílio é essa. São Paulo perde um deputado. Tinha 70 passa a ter 69. Ela tem que entregar o mandato, e o suplente assumir”, defende o advogado.

Na sexta-feira (8/3), a advogada paulista Maíra Calidone Recchia ingressou com ação na Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo questionando o mandato de Rosângela.

A advogada representa a empresária paulista Roberta Moreira Luchsinger, que é filiada ao PT e já tinha representado contra Moro por mudar o domicílio eleitoral para São Paulo em 2022. Na ação, a advogada pede a instauração de um procedimento de perda de mandato eletivo por infidelidade domiciliar e eventual investigação criminal contra a esposa de Moro.

MAIS CRÍTICAS – A transferência de título de Rosângela também foi criticada por políticos bolsonaristas do Paraná. Nos bastidores, a avaliação é de que a mudança foi “oportunista” e abre margem para a deputada perder o mandato.

Parlamentares lembram que Rosângela já tinha sido alvo de questionamentos por transferir seu domicílio eleitoral do Paraná, estado onde nasceu e mora, para São Paulo nas eleições de 2022.

Agora, a avaliação é de que ela retornou para o Paraná apenas para ser candidata na eventual eleição suplementar para a vaga do marido no Senado, caso o ex-juiz tenha o mandato cassado.

DIREITO DO CIDADÃO – Em nota à imprensa, Rosângela afirmou que a transferência do domicílio eleitoral “é um direito de todo cidadão brasileiro” e que, apesar da mudança, continuará representando São Paulo.

“A deputada federal Rosângela Moro, apesar de ter efetivado a transferência do seu domicílio para o PR, onde se encontra o seu marido e sua família, continuará a representar o Estado de São Paulo e sua população, mantendo, inclusive, seu escritório de representação aberto na capital paulista e sua agenda nas demais cidades do Estado”, diz a assessoria da parlamentar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Esses advogados petistas, que representam as empresas corruptas, querem inventar uma lei inexistente, para proibir uma parlamentar de mudar seu domicílio eleitoral. Como dizia o escritor Fernando Sabino, não vale cagar regra(C.N.)

Ao impor medo e insegurança, o STF passa a ser um órgão sem valor algum

Publicado em 9 de março de 2024 por Tribuna da Internet

Tribuna da Internet | Datafolha reforça a ação do Congresso para tirar  “superpoderes” do Supremo

Charge do Tacho (Jornal NH)

André Marsiglia
Poder360

No domingo (dia 25), o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Roberto Barroso, publicou artigo na Folha de S.Paulo intitulado “Quanto vale o Judiciário?”. Já propus neste Poder360 pergunta melhor: “Quanto vale a censura do Judiciário?”. Mas, ok. Fiquemos com a pergunta do ministro, também é boa.

Decerto, Barroso escreveu seu artigo incomodado com o relatório do Tesouro Nacional, que classificou o Judiciário brasileiro como o líder mundial de gastos, representando 1,61% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto a média dos demais países é de só 0,37%.

MUITAS DÚVIDAS – O ministro afirma em seu texto que justiça não se mede em dinheiro, que não é importante o quanto custa, mas seu benefício. Pode até ser, mas o problema, ministro, é saber se o brasileiro acredita que seu Judiciário, em especial sua Suprema Corte, promove justiça de modo a legitimar o argumento.

Será que 47,3% dos brasileiros afirmarem à pesquisa recente da AtlasIntel que o Brasil vive uma ditadura do Judiciário, e outros 16,7% dizerem que juízes cometem abusos e ultrapassam suas atribuições, não é uma boa dica de que uma parte imensa da população não entende ser justiça o que se tem feito no país nos últimos tempos?

Ou seremos todos tão ignorantes que não só devemos ser conduzidos por uma Suprema Corte iluminista, como também achar normal que os custos de nosso Judiciário sejam os maiores do mundo?

VALOR INESTIMÁVEL – As pessoas compreendem que a promoção da justiça, assim como da saúde e da educação, tem valor inestimável, mas não compreendem que isso sirva como uma carta branca para que o STF aponte um canhão de guerra a todos que forem considerados desviantes do que seus próprios ministros consideram democrático.

Fazer justiça não é fazer política. Fazer justiça não é fazer guerra. Justiça é essencial, guerra não. E tanto a guerra quanto a política são conceitos estranhos à função dos juízes em uma democracia. Uma guerra judicial, que impõe medo e insegurança a todos aqueles que não pensam como os magistrados combatentes, não tem, definitivamente, valor inestimável nenhum.

Diferentemente disso. Nesse caso, além de termos a guerra mais cara do mundo, conforme o relatório do Tesouro Nacional, também temos uma das guerras mais impopulares da história, segundo a citada pesquisa AtlasIntel/Poder360.


Com apoio a Maduro, Lula continua a relativizar a palavra democracia

Publicado em 9 de março de 2024 por Tribuna da Internet

Nicolás Maduro e Lula

Lula não se envergonha de apoiar um ditador como Maduro

Matheus Leitão
Veja

O presidente Lula perdeu mais uma oportunidade de condenar o regime chavista de Nicolás Maduro na Venezuela – o mesmo que persegue opositores de forma cruel, sem realizar eleições livres.

Em tom de brincadeira – como se estivesse certo em não criticar há décadas o arbítrio no país vizinho – o petista questionou primeiramente os jornalistas: “Vocês sabem que eu fiquei feliz que foi marcada a eleição na Venezuela”.

UMA AFRONTA – Sim, marcaram para o dia 28 de Julho, data do aniversário de Hugo Chávez – mais uma afronta a todos os que não relativizam a palavra democracia -, e com a principal candidata de oposição fora da disputa por decisão da Justiça.

E a Justiça na Venezuela é controlada por quem? Maduro. Ora, tenha a santa paciência.

Lula, ainda assim, não se fez de rogado e continuou a errar sobre a Venezuela ao ser questionado se as eleições seriam justas: “o que eles me disseram, da reunião que tive na Celac [Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos], é que vão convidar olheiros do mundo inteiro. Mas se o candidato da oposição tiver o mesmo comportamento que o nosso aqui, nada vale”.

COMPARAÇÃO ERRADA – Ou seja, o petista comparou opositores de Maduro a Bolsonaro, quando deveria comparar o próprio líder do regime chavista ao líder da extrema-direita brasileira. Os dois têm visões autocratas do mundo, ainda que um à esquerda e outro à direita do espectro político.

Lula já havia desrespeitado a comunidade internacional ao se manter em silêncio antes e depois de encontrar Maduro – quando deveria ter cobrado eleições livres na Venezuela – no final da semana passada.

Isso só prova que Lula é seletivo em sua ação, e até na indignação com questões humanitárias internacionais.

CONTINUAM IGUAIS… – Maduro continua sendo Maduro ao forçar a retirada de María Corina Machado, hoje principal opositora na Venezuela, da corrida eleitoral. E Lula continua sendo Lula ao não criticá-lo, minimizando o horror do regime chavista.

“Aqui, neste país, eu fui impedido de concorrer nas eleições de 2018. Ao invés de ficar chorando, eu indiquei um outro candidato, que disputou as eleições”, disse Lula também nesta quarta, 6.

Não faz sentido algum em manter o constrangimento em relação ao que preciso ser dito sobre Maduro. Aliás, o constrangimento é de quem não está disposto a apontar os problemas na Venezuela apenas porque o líder daquele país se diz de esquerda.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– É revigorante ver um jornalista de esquerda, como Matheus Leitão, a criticar posições equivocadas de Lula. No bom jornalismo, o que é errado tem de ser denunciado, não importam as preferências pessoais ou partidárias. (C.N.)


Moraes acerta ao inocentar réu e ao evitar acesso a cerimônias militares

Publicado em 10 de março de 2024 por Tribuna da Internet

 Ilustração: Kleber Sales/Estadão

Ilustração: Kleber Sales/Estadão

Carlos Newton

Como dizia o ator e apresentador Carlos Imperial, “sem liberdade para elogiar, nenhuma crítica é válida”. Aqui na Tribuna da Internet, sob o signo da liberdade, seguimos essa premissa. Assim, após críticas acerbas e permanentes ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, temos o direito de abrir uma exceção para elogiar dois acertos do relator do “inquérito do fim do mundo”, aquele que não acaba nunca.

O primeiro acerto foi inocentar um dos réus do 8 de Janeiro, que afirmou estar em condição de morador de rua e ter seguido a multidão apenas por curiosidade.

INDULGÊNCIA – Se Moraes tivesse demonstrado essa indulgência desde o início, a enorme maioria dos réus da invasão da Praça dos Três Poderes estaria sendo julgada com a clemência e a misericórdia a que tinham direito, por serem cidadãos de ficha limpa, de fazer inveja às autoridades nacionais, e também por não terem sido apanhados em flagrante.

Dos 1.395 presos inicialmente, apenas 243 foram detidos dentro dos palácios em 8 de janeiro e muitos deles nem estavam quebrando nada, apenas olhando. Quer dizer – houve poucas prisões durante ou logo após o vandalismo, pois 1.152 suspeitos só foram detidos no dia seguinte, 9 de janeiro, sem flagrante e sem que se saiba se participaram do ato.

No início, Moraes pedia 17 anos de prisão a qualquer dos acusados, independentemente de existirem provas ou não, e acrescentava 4 anos se tivessem feito selfie e enviado a foto ou filmagem para algum parente ou amigo. Agora, passou a pedir 11 anos ou 17 anos, com base em seus estranhos critérios.

PROIBIÇÃO ACERTADA – O ministro Moraes acertou também ao proibir o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros investigados de irem a eventos ligados às Forças Armadas e às polícias militares.

Além de Bolsonaro, a ordem tem como alvos: general Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional); delegado federal Anderson Torres, ex-ministro da Justiça; general Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e candidato a vice-presidente na chapa com Bolsonaro em 2022; e general Paulo Sergio Nogueira, ex-ministro da Defesa.

Realmente, não fica bem ver os envolvidos confraternizando com militares da ativa. Essa promiscuidade seria altamente deléteria, especialmente depois de Braga Netto ter chamado de cagão e traidor seu superior, o então comandante do Exército Freire Gomes. Não importa se Braga Netto está na reserva, porque ele continua sendo obrigado a respeitar os superiores (Decreto-lei 2.243, artigo 175).

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P.S. –
 É triste ver simples cidadãos sendo falsamente considerados “terroristas” e condenados a penas rigorosíssimas, como se fossem criminosos tão maléficos e nocivos como Sérgio Cabral, aquele que se diz “viciado” em roubar dinheiro público, não fez tratamento, mas já está solto, para curtir o resto da fortuna roubada que as autoridades não conseguiram recuperar. Ah, Brasil! És um país de cabeça para baixo, ou ponta-cabeça, como dizem os paulistas. (C.N.)


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