domingo, julho 09, 2023

Como rápida ascensão do Brasil pode desbancar EUA como maior exportador de milho do mundo




Nas planícies dos Estados Unidos conhecidas como Cinturão do Milho, os agricultores passam seus dias e noites nutrindo, cuidando e rezando pelo bem-estar desse alimento comum, mas globalmente significativo.

Scott Haerr, que colhe mais de 1,6 mil hectares todos os anos (uma área que corresponde mais de 1,5 mil campos de futebol), é um deles.

Dentro de um enorme silo em sua fazenda no oeste de Ohio, o agricultor de terceira geração examina os grãos de milho da colheita do ano passado.

"É um milho muito bom", diz ele, peneirando um punhado.

Mas, embora a qualidade da colheita do ano passado possa ter sido boa, a quantidade produzida pelos agricultores americanos não foi.

O aumento dos preços de fertilizantes e combustíveis fez com que o número de hectares plantados caísse significativamente em relação a 2021.

Além disso, uma seca nas planícies ocidentais alimentou um aumento no preço do milho americano no mercado internacional.

"Tivemos uma safra reduzida por causa do clima e o rio Mississippi secando no outono passado e no início do inverno, o que retardou muito nossas exportações", diz Haerr.

"Por causa disso, o preço do milho subiu, o que nos tornou menos competitivos."

'Os custos crescentes de máquinas, sementes e terras agrícolas tiveram um grande impacto em agricultores como Scott Haerr'

O trabalho árduo e a experiência tecnológica dos agricultores americanos cimentaram seu lugar no topo das exportações de milho.

Todos os anos, dezenas de milhões de toneladas são enviadas dos EUA para mais de 60 países em todo o mundo.

Mas seu status de superpotência do milho pode estar chegando ao fim.

Os compradores na China - país que é o maior importador mundial de milho - estão cancelando pedidos dos Estados Unidos, em grande parte porque existem alternativas mais baratas em outros lugares.

Em janeiro, as vendas de milho dos Estados Unidos para a China ficaram 70% abaixo dos níveis dos anos anteriores.

E em maio, a China começou a comprar milho sul-africano pela primeira vez. É uma tendência preocupante para os agricultores dos EUA.

De fato, depois de décadas no topo, está prestes a ser ultrapassado como o maior exportador mundial da safra - e o Brasil está na briga para tomar sua posição.

A ascensão do Brasil

Em análise divulgada no site da Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), o professor Lucílio Alves aponta que o Brasil deve embarcar volume de milho equivalente ao dos Estados Unidos na safra de 2022/23.

Serão 51 milhões de toneladas entre outubro de 2022 e setembro de 2023, segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos divulgadas em fevereiro.

"Esse cenário pode ser verificado pela primeira vez para os exportadores brasileiros", apontou Alves.

Nos Estados Unidos, não é apenas a China que está se distanciando do milho produzido no país.

As exportações para todos os países, exceto a China, estavam em seu segundo menor nível em duas décadas, conforme noticiou a agência Reuters.

O México, que compra cerca de US$ 5 bilhões (R$ 24,6 bilhões) em milho dos Estados Unidos todos os anos, está se preparando para limitar as importações da variedade geneticamente modificada, uma grande quantidade da qual vem de seu vizinho do norte.

Enquanto isso, no Brasil, agricultores têm convertido faixas de terra agrícola de pastagens para campos de milho nos últimos anos, dizem especialistas.

A vantagem adicional do Brasil é que seus agricultores podem colher não só uma, mas duas safras de milho por ano.

"No ano passado, em particular, eles tinham muito mais estoques exportáveis ​​do que nós aqui nos Estados Unidos", diz Frayne Olson, economista agrícola da North Dakota State University.

"A tendência de longo prazo é que o Brasil está aumentando sua produção de milho, está se tornando um ator muito mais dominante."

A análise de Lucílio Alves, do Cepea/USP, aponta que o Brasil pode superar os Estados Unidos como maior exportador de milho do mundo, no Brasil, o aumento das exportações resultam de um superávit interno da produção estimado em cerca de 55 milhões de toneladas tanto para as safras 2021/22 quanto para 2022/23, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A China vem aumentando significativamente suas encomendas de milho brasileiro.

Os dois países também firmaram uma série de acordos que permitirão que mais milho seja embarcado do Brasil para a China.

O movimento da China para diversificar as importações de alimentos provavelmente é estimulado por uma combinação de fatores, de acordo com Harry Murphy Cruise, economista da Moody's Analytics focado no país asiático.

China x EUA

Além da questão do preço, o aumento das tensões entre os Estados Unidos e a China está levando Pequim a diversificar rapidamente caso a situação se deteriore ainda mais.

"O comércio é uma ferramenta fundamental no arsenal de todos os formuladores de políticas", disse ele.

"Existe a possibilidade de que a China esteja usando o comércio como uma forma de coerção econômica."

Cruise disse que batalhas sobre produtos como semicondutores, eletrônicos e baterias não são os únicos exemplos de como a China mudou sua relação comercial com os Estados Unidos.

“É mais amplo do que isso”, diz Cruise, observando que a China está procurando mitigar riscos e fortalecer as cadeias de suprimentos de bens essenciais.

"Alimentos e rações para o gado são críticos."

Nos Estados Unidos, os preços do milho estão altos por muitos dos mesmos motivos pelos quais a maioria dos outros produtos e serviços são caros hoje: inflação.

Para os agricultores, os custos crescentes de maquinário, sementes e terras agrícolas prejudicaram seus resultados.

"Quando você olha para o maior diferencial no custo de produção de milho nos EUA em relação ao Brasil, África do Sul ou Argentina, provavelmente é a terra", diz Frayne Olson.

O preço por acre de terra em Iowa, o maior estado produtor de milho dos EUA, aumentou 29% em 2021 e mais 17% em 2022, o maior já registrado. Em Illinois, o segundo maior produtor de milho, o aluguel da terra atingiu preços recordes no ano passado.

Economistas dizem, porém, que a ascensão do Brasil não deve ter grande impacto no dia a dia dos americanos - a agricultura não tem o mesmo peso econômico de décadas atrás.

"A agricultura é importante - o abastecimento de alimentos é crítico - mas não é uma grande parte de toda a economia", diz Olson.

O agricultor Scott Haerr, por sua vez, diz que não planeja reduzir o número de hectares de milho que planta, já que o custo de fertilizantes e combustível diminuiu em relação às altas do ano passado.

"Mas estamos prontos para pivotar, se precisarmos", diz ele. Ele acredita que há pouco a ser feito para impedir a rápida ascensão do Brasil, mas isso não significa que os agricultores americanos estejam fora do jogo de exportação.

"A Indonésia não está importando milho no momento, mas seu potencial de crescimento para o etanol (produzido a partir do milho) é enorme", diz ele. No início deste ano, ele e outros produtores de milho de Ohio visitaram os países do Sudeste Asiático para ouvir em primeira mão o que os compradores querem.

"Precisamos ter certeza de que estamos tentando desenvolver novos mercados", diz ele.

Com reportagem de Stephen Starr em Clark County, Ohio, e Derek Cai, em Cingapura.

BBC Brasil

Tony Garcia divulga áudios de sua delação premiada para tentar comprometer Moro


Gazeta do Povo - TONY GARCIA CONTA TUDO Tony Garcia fala... | Facebook

Na época, Garcia denunciou o governado Beto Richa

Talita de Souza
Correio Braziliense

O empresário e ex-deputado estadual paranaense Antônio Celso Garcia, conhecido como Tony Garcia, divulgou áudios de conversas que teve com o senador Sergio Moro (União-PR) quando o parlamentar era juiz. Nos áudios, Tony e Moro falam sobre o que será divulgado na imprensa no julgamento de um caso de fraude no Consórcio Garibaldi, no qual o empresário era réu e o senador era o juiz.

“Nova conversa confirmando que eu, seu “réu”, tínhamos LIGAÇÕES PERIGOSAS nos bastidores de uma FALSA JUSTIÇA”, escreveu Tony na legenda do tuíte em que divulgou os áudios. O empresário ainda afirma que Moro “foi justiceiro criminoso, jamais juiz”. “Enquanto na magistratura, foi um JUIZ LADRÃO!”, acrescentou.

CRUZADA DO RÉU – Nas últimas semanas, Tony tem feito uma cruzada contra Moro e afirmou que era um “agente infiltrado” do ex-juiz contra acusados do caso Banestado e em processos da Lava-Jato. Na quarta-feira (5/7), o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli autorizou a Procuradoria Geral da República (PGR) a fazer uma apuração sobre as declarações do empresário.

O Correio entrou em contato com a assessoria do senador Sérgio Moro, mas foi informado de que o ex-juiz “não irá se manifestar” sobre os áudios.

Tony Garcia foi preso por 81 dias e condenado, em 2006, mas conseguiu redução da pena para seis anos de serviços comunitários por colaborar com as investigações e prometer a indenização de clientes.

TRÊS CAPÍTULOS – As conversas gravadas na delação foram divididas em três partes. Tony falava com Moro que estava preocupado com o que seria divulgado sobre ele na imprensa. Na época, ele era acusado de envolvimento em uma fraude no Consórcio Nacional Garibald, no qual era um dos sócios.

Nos áudios, Tony parece estar preocupado com a citação da empresa em que ele estava envolvido e perguntou sobre o que seria divulgado. Moro diz que “não vou tocar no nome da Baltimore”.

“Não vai ser tocado em nome de empresa, nada disso? Vai ser tocado no nome da minha pessoa?”, questiona Tony. “Sim, do que foi decidido. […] Eu vou divulgar, esse conteúdo eu vou divulgar porque na verdade é um processo que é uma grande publicidade aí por conta da sua exposição pública, né? E assim, acho que tá sendo divulgado porque…”, responde Moro.

INTERRUPÇÃO – “Não e matar de uma vez, né?”, interrompe Tony. “Isso”, concorda o ex-juiz. Em seguida, Tony reforça o pedido para que não seja divulgado nada que “me macule de tal maneira que eu não possa mais trabalhar”.

“Para conseguir, inclusive cumprir e deixar esse ônus para Baltimore, que eu não queria”, pede Tony.

“Eu vou… Eu provavelmente vou divulgar uma informação sucinta (inaúdivel) que foi condenado”, diz Moro.

“Tá bom”, responde Tony.

DIVULGAÇÃO – Moro continua a compartilhar o que iria fazer para o réu. “Também devo divulgar no caso das condenações termos e provavelmente ter que deixar meio público aí e falar alguma coisa, falar alguma coisa que a pena foi x”, acrescenta Moro.

“Dano, né?… É, alguma coisa que não acabe comigo comercialmente né para eu poder continuar a trabalhar, é só isso que eu tô pedindo para o senhor”, diz Tony.

Em resposta, Moro diz que o réu “pode ficar sossegado”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Muita espuma e pouco chope, como dizem os boêmios cariocas. Tony Garcia, que vive há quase 20 anos escondido nos Estados Unidos, com medo de voltar ao Brasil e ser “cobrado” pelos cúmplices que delatou, agora está ganhando um troco para acusar Moro com essas fitas que não provam nada.

É apenas uma conversa entre o juiz e um delator que tenta escapar da condenação com o menor dano possível, sem que fosse sequem mencionada sua atuação na quadrilha, mas Moro não concorda em ocultar o nome e a participação do delator. Bem, com provas desse tipo, Sérgio Moro pode dormir sossegado. Aliás, ainda falta o doleiro Tacla Duran. Cadê ele? Apertem os cintos, o doleiro sumiu!!!… (C.N.)  

Reforma foi bagunçada na Câmara, com apoio de Lula, e o Senado pode piorá-la

Publicado em 9 de julho de 2023 por Tribuna da Internet

Charge 26/10/2020 | Um Brasil

Charge do Jean Galvão (Um Brasil)

Vinicius Torres Freire
Folha

O Senado quer deixar sua “marca” na Reforma Tributária. Tudo bem, desde que não seja para ferrar o gado, aliás, uma crueldade, e arrebanhar favores para certos tipos de empresas e para governadores e prefeitos. Isto é, toda essa gente que diz querer a reforma, desde que ela não exista: desde que continuem todos os regimes especiais para empresas e a liberdade dos governos de fazer besteira, confusão e favor com impostos.

Uns senadores querem meter a mão na mudança dos impostos aproveitando ideias ruins já que circulam na casa. Outro tanto deles é bolsonarista e quer derrubar a reforma por espírito de porco. A reforma corre risco no Senado.

DEIXAR A “MARCA” – Por exemplo, deixar a “marca”, as digitais, pode significar uma facada no coração da reforma. Na reforma da Câmara, o que era para ser um IVA único passou a ser um IVA dual (um federal, outro de estados e municípios). Haverá três tipos de alíquota, a geral, a reduzida (em 60%) e a zero. E há gente no Senado que quer criar três IVAs avacalhados, com várias faixas de alíquotas.

Para piorar, vários setores com lobby forte já conseguiram embarcar na alíquota reduzida. Além de não fazer sentido econômico, o favorecimento de grupos de empresas vai aumentar a alíquota mais geral.

É fácil perceber que, mantida a carga tributária, se uns pagam menos, outros vão pagar mais.

ALÍQUOTA REDUZIDA – Há uma fila de empresas à espera de uma alíquota reduzida. Quem teve a paciência de acompanhar as audiências públicas sobre a reforma na Câmara terá notado a graça: todo mundo quer a Reforma Tributária, desde que ela não exista, repita-se. Isto é, reclamavam para si um regime especial.

O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva não parece entender a reforma ou quer desfigurá-la por outro motivo: quer regimes especiais para montadoras ou sabe-se lá mais o quê.

O coração da emenda constitucional da reforma é a uniformização dos impostos, o fim da alucinada variação regional e de valor das alíquotas; o fim da cumulatividade (imposto cobrado sobre imposto). É uma reforma de fundo e que afeta um pedação da carga tributária nacional (mais de 38% do total de impostos arrecadados no país inteiro).

CONSPIRAÇÃO DO ATRASO – Há indícios de que o Senado pode abrir as portas para a conspiração do atraso. Ou seja, empresas que reclamam do “custo Brasil”, mas que, em geral, querem manter seu regime especial, sua isenção tributária, seu subsídio, sua proteção contra o comércio exterior, seu oligopólio. Em suma, querem que alguém financie a sustentação do seu negócio via impostos ou rendas. A elite do atraso. Majoritária.

No fim das contas, inventa-se assim o sistema tributário mais lunático e caquético do planeta, confuso, cheio de litígio, caro e que, em vez de incentivar empresas a decidirem investimentos pelo retorno econômico, animam todo mundo a cavar seu favorzinho fiscal com o rei ou rainha do momento.

O resultado é investimento ineficiente e baixa produtividade da empresa: deficiente crescimento econômico, mas com crescimento do dinheiro no bolso de quem consegue cavar o favor. Alguém paga a conta, direta e indiretamente.

É PRECISO CORRIGIR – Há o que corrigir na reforma da Câmara: como limitar e tornar operacionais os fundos de compensação regional e de favorecidos pela guerra fiscal; o tempo de transição do IBS; o funcionamento do Conselho Federativo. O principal, porém, é dar cabo de exceções, o quanto possível.

O que se ouve no Senado e até no Planalto, porém, é dar um jeito de favorecer setores, aumentar a oportunidade de governadores e prefeitos criarem impostos ruins e até a novidade constitucional de criarem impostos.

Estava muito bom para ser verdade. A Reforma Tributária enfim tinha andado. Agora pode dar um passo além, à beira do precipício.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Importantíssimo o artigo de Vinicius Torres Freire, um craque no assunto. Em tradução simultânea, a reforma tributária começou a ser esculhambada na Câmara, com apoio de Lula, e pode piorar ainda mais no Senado. É desanimador. Não se consegue fazer uma reforma justa. Esta é a nossa realidade. (C.N.)

André Janones, “lulista” de última hora, é exemplo da decadência política do país

Escanteado por Lula, Janones volta aos holofotes por brigas políticas | Metrópoles

André Janones é um exemplo de político oportunista

Carlos Newton

Com forte presença nas redes sociais, o advogado mineiro André Janones, nascido em Ituiutaba, tornou-se um dos fenômenos eleitorais do novo normal da política brasileira. Membro da Igreja Batista, depois de perder a eleição para prefeito de sua cidade em 2016, dois anos depois (ninguém sabe como…) conseguiu se tornar um dos porta-vozes do movimento nacional dos caminhoneiros e foi eleito deputado federal pelo partido evangélico PSC, na onda do bolsonarismo, o terceiro mais votado de Minas Gerais.

No dia 19 de dezembro de 2018, o então advogado André Janones foi às redes sociais comemorar sua maior conquista política até então: a diplomação como deputado federal. Na postagem, mandou um recado: “Agora é oficial: Fui diplomado Deputado Federal!”. E foi logo avisando: “Não contem comigo pra defender Lula! Não contem comigo pra defender Bolsonaro!

VIROU LULISTA – Na eleição seguinte o deputado Janones já tinha se passado para o partido Avante e lançado a própria candidatura a presidente da República, para ganhar visibilidade e conseguir a reeleição na Câmara.

Como sua palavra não vale uma nota de três dólares, na reta final Janones decidiu apoiar Lula e passar a participar das redes sociais do PT. A manobra deu certo. Como o PT não tinha candidatos fortes em Minas, Janones reelegeu-se facilmente, com 239 mil votos. Com essa votação, conseguiu se infiltrar no grupo de Transição do governo, de olho num ministério, mas Lula deixou-o no freezer.

Desde então, Janones tenta prestar serviços ao governo do PT, agarrando-se a qualquer oportunidade e contando com apoio da imprensa petista, que o transforma numa celebridade.

CONTRA MORO – Em 2018, quando proclamou que não apoiaria Lula nem Bolsonaro, Janones era admirador da Lava Jato e do ex-juiz Sérgio Moro. Mas mudou totalmente de ideia ao se aliar ao PT para se reeleger.  

Agora, ataca a Lava Jato a todo momento. Neste sábado, chegou a ponto de proclamar que “a prisão de Sergio Moro é questão de tempo”, ao comentar nas redes sociais o vazamento de um áudio que mostra uma conversa entre o empresário corrupto Tony Garcia e Sergio Moro, na época em que o parlamentar ainda era juiz.

Quem escuta o áudio, que é de 2005, dez anos antes da Lava Jato, percebe é uma conversa entre um juiz e um criminoso que faz delação premiada dos cúmplices, tentando se livrar com condenação mínima. Apenas isso. No entanto, a imprensa está fazendo um escarcéu em cima desse tipo de declaração de Janones, totalmente sem base e altamente difamatória.


sábado, julho 08, 2023

Facções “verde e amarelo” e ‘boina vermelha’ seriam as articuladoras dos atos golpistas

 

Publicado em 8 de julho de 2023 por Tribuna da Internet

— Foto: Reprodução

Marcelo Soares Correa seria um dos líderes

Camila Turtelli e Eduardo Gonçalves
O Globo

Relatórios sigilosos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontam os supostos “articuladores dos atos intervencionistas” que contestaram, sem provas, o resultado das eleições e culminaram na invasão às sedes dos três Poderes no dia 8 de janeiro. Os documentos, obtidos pelo Globo, indicam que por trás da escalada golpista está um grupo formado por produtores rurais e um núcleo de pessoas identificadas como “incitadoras” da depredação de prédios públicos no início deste ano.

Em um relatório intitulado “participação de lideranças do agronegócio em atos antidemocráticos e em ações de contestação do resultado eleitoral”, a Abin detalha a atuação do Movimento Brasil Verde e Amarelo (MBVA), que reúne produtores rurais, na suposta articulação de atos antidemocráticos.

BLOQUEIO EM RODOVIAS – Segundo o documento 0005/2023 produzido pela agência de inteligência em 10 de janeiro, integrantes do MBVA “lideraram” bloqueios de caminhoneiros em novembro de 2022, em Goiás, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Roraima, com o objetivo de “contestar”, sem provas, a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições daquele ano.

O grupo, segundo a Abin, tem à disposição “recursos econômicos para financiar transporte de manifestantes e ações extremistas, como as ocorridas no 8 de janeiro”.

O Movimento Brasil Verde e Amarelo surgiu em 2017, formado majoritariamente por grupos de produtores de soja do Centro-Oeste, e cresceu entre divergências com os demais segmentos do agronegócio pelo país, especialmente os mais voltados à exportação.

APOIO DA APROSOJA – Segundo a própria Abin, o MBVA não representa a maioria do setor, tendo papel secundário, mas conta com o apoio da Associação Brasileira dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja) para articular atos.

De acordo com a agência, o movimento tem como líder o ruralista Antonio Galvan, presidente da Aprosoja, alvo de inquérito no Supremo por supostamente apoiar atos golpistas, já tendo sido alvo de mandado de busca e apreensão, em 2021.

Ao ser intimado para prestar depoimento à Polícia Federal, ele compareceu à sede da corporação em cima de um trator e cercado de manifestantes. No ano passado, Galvan foi candidato ao Senado em Mato Grosso pelo PTB, mas não se elegeu.

 — Foto: Reprodução

Antonio Galvan, presidente da Aprosoja

OUTRO LÍDER – O relatório da Abin ainda cita outro “líder ideológico” do movimento, o advogado e produtor rural Jeferson da Rocha. Nas redes sociais, Rocha publicou um manifesto defendendo a anulação do segundo turno das eleições de 2022 e divulgou uma carta pregando colocar “freios” em membros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nas eleições passadas, ele concorreu a deputado federal pelo PROS, mas não conseguiu votos suficientes para se eleger. Procurado, Rocha negou ter participado de atos golpistas.

— O STF é uma instituição pública de importância fundamental para a manutenção da democracia. Nós sempre repreendemos com veemência qualquer tipo de discurso a favor de ditadura e intervenção militar.

INCITADORES – Em outro relatório, produzido em 17 de janeiro, a Abin identificou um grupo suspeito de ter estimulado as invasões e a depredação aos prédios do Congresso, do Planalto e do Supremo.

O documento, intitulado “Segurança Institucional – intervenção federal /detenção não identificada até 26 janeiro”, destaca a participação do reservista do Exército Marcelo Soares Correa, conhecido como cabo Correa, no ato golpista em 8 de janeiro.

Segundo anotações dos agentes infiltrados, durante a caminhada em direção ao Congresso, cabo Correa disse que “o limite do pacífico acabou”. Na interpretação da agência, essa afirmação ecoou a percepção que havia entre os extremistas de que apenas a existência do acampamento em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília, “não teria resultado” para provocar uma ruptura institucional defendida pelos golpistas.

BOINAS VERMELHAS – O militar da reserva chegou a ser preso pela Polícia Federal após invadir, em 2016, o plenário da Câmara dos Deputados para pedir a “intervenção militar”. Segundo a Abin, ele é um dos líderes dos “Boinas Vermelhas”, uma agremiação formada “por reservistas autônomos que compartilham informação política ideológica semelhante, discurso radical de deslegitimação às instituições e propensão à ação violenta”.

— Ele sumiu do mapa. Nunca mais ouvimos falar — disse o presidente do partido no Rio, Sidclei Bernardo.

A agência também cita Symon Albino, conhecido como Symon Patriota, e Ana Priscila Azevedo como os outros principais “incitadores” dos atos. Apontado como articulador de uma viagem que levou a Brasília extremistas de Campinas (SP), Symon gravou vídeos fazendo convocações antes de 8 de janeiro e pedindo para o povo se “preparar”. Em um deles, depois excluído, ele afirmou que a população não podia “aceitar que comunismo lixo tomasse posse”.

PRISCILA ESTÁ PRESA – Já Ana Priscila foi alvo de uma operação da Polícia Federal e está presa preventivamente por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ela gravou vídeos dizendo que queria “colapsar o sistema” e “tomar o poder de assalto”.

Líder de um grupo no Telegram com milhares de membros, Ana Priscila compartilhou registros nos ataques em Brasília no dia dos atos. Em uma das gravações ela aparece dentro do STF e no Congresso, diante de um cenário de destruição.

O advogado Cláudio Avelar, que defende Ana Priscila, afirmou que ela está presa há mais de cinco meses “sem nenhuma denúncia”: — Independentemente do que vem sendo dito, não houve golpe e, portanto, não houve golpistas. Ela está sendo investigada porque seria uma incitadora. Ela tem um carisma próprio e, por isso, falava coisas, e as pessoas foram ouvindo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Ao que tudo indica, mas investigações estão andando muito devagar. Há um excesso de réus e o Supremo não tem condições de conduzir mais de mil processos simultaneamente. Assim, as pessoas nem foram denunciadas, não há processo contra elas, mas continuam presas preventivamente ou em prisão domiciliar. Ou seja, cumprem pena antecipadamente, sem terem sido condenadas, desmoralizando a suposta política “garantista” que o Supremo diz estar adotando para soltar presos tipo Sérgio Cabral, condenado a 425 anos de prisão e 20 dias. Depois voltaremos ao assunto(C.N.)


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