quinta-feira, junho 30, 2022
Nova doutrina da Otan classifica Rússia como "ameaça direta"
Para garantir fôlego da CPI do MEC, oposição dará prioridade a quebras de sigilo
Quinta, 30 de Junho de 2022 - 07:20
por Juliana Braga | Folhapress

Caso a CPI do MEC seja instalada, a oposição já sabe qual será o primeiro foco: pedir quebra de sigilos de envolvidos no escândalo que ainda não foram alvo da operação da PF (Polícia Federal).
A corporação pediu apenas de cinco: o ex-ministro Milton Ribeiro, os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, além do assessor Luciano Musse. Os prefeitos, por exemplo, que relataram pedidos de propina, não tiveram seus sigilos quebrados. Desses pedidos, podem sair fatos novos capazes de manter o interesse no assunto em alta.
Trata-se, antes de tudo, de uma estratégia de sobrevivência. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), tem sinalizado que pode autorizar a abertura das CPIs também solicitadas pela base do governo, entre elas, a das obras inacabadas. Ao turbinar a do MEC, esperam esvaziar a adversária.
Além disso, senadores sabem que, ao contrário da CPI da Covid, essa tem pouco "combustível para gastar", ou seja, pode se esgotar muito rápido com as informações que já vieram à tona. A anterior se deu em um contexto de Congresso praticamente parado, com o coronavírus ainda fazendo vítimas em ritmo acelerado e, com isso, os holofotes se centraram nos trabalhos do colegiado.
Agora, com outras pautas em andamento e com o calendário eleitoral, há receio de que perca-se o interesse muito rápido.
Outro motivo é o fato de se poder ter resultados de maneira rápida. Como há receio de haver dificuldade de quórum com CPIs concorrentes e parlamentares em agenda eleitoral, os integrantes poderiam pedir uma série de quebra de sigilos em uma única votação e ter material para ir sendo trabalhado ao longo do segundo semestre.
A CPI também deve se debruçar logo no início no que está sendo chamado de "caixa preta" do FNDE (Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação), para o qual é destinada a maior parte das emendas parlamentares ligadas à pasta, inclusive as do orçamento paralelo.
Nessa frente, o objetivo é tentar se aproximar de aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL), já que o órgão é comandado por indicados do centrão. Foi no FNDE, por exemplo, em que houve a compra de kits de robótica para municípios de Alagoas, estado do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
Bahia Notícias
Sergipe é pobre de marré deci
Adiberto de Souza
em 30 jun, 2022 8:24
Vejam que lástima: Sergipe é o quinto estado brasileiro com o maior número de pobres. O Mapa da Nova Pobreza, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas, revela que 48,17% da população sergipana, portanto quase a metade, têm renda domiciliar per capita até R$ 497,00 mensais. Neste triste campeonato do prato vazio, Sergipe só ganha para o Maranhão (57,90%), Amazonas (51,42%), Alagoas (50,36%) e Pernambuco (50,32%). E mais: segundo estudo do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social, Sergipe foi o estado que apresentou a maior alta no número de famílias pobres. A pobreza avançou 12,5% entre os sergipanos, quase o triplo da média nacional, que foi de 5%. Diante desse triste quadro, é revoltante ouvir pré-candidatos prometendo mundos e fundos, anunciando que vão transformar Sergipe num pedaço do paraíso aqui na terra. Estes mequetrefes só não dizem como conseguirão acabar com a fome, que corrói o intestino e atormenta a alma de quem vive o permanente drama da insegurança alimentar. Só Jesus na causa!
Bico calado
As emissoras de rádio e televisão estão proibidas, desde a zero hora de hoje, de transmitir programas apresentados ou comentados por pré-candidatos às eleições deste ano. A regra faz parte do Calendário Eleitoral. Quem desobedecer será multado em até R$ 100 mil e poderá ter o registro da candidatura cancelada. A partir do próximo sábado, novas restrições entram em vigor. Fica proibido, por exemplo, ao agente público da esfera administrativa, cujo cargo esteja em disputa eleitoral, autorizar a publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas. Misericórdia!
Quem fica com o MDB?
Tem gente jurando de pés juntos que o MDB sergipano não fica nas mãos de Jackson Barreto. Segundo estas pessoas, já era para o partido ter sido entregue ao senador e pré-candidato a governador Rogério Carvalho (PT), porém os festejos juninos atrapalharam os últimos entendimentos. A legenda está sob o comando de JB desde o dia 20 de maio passado, após a executiva nacional ter feito uma intervenção estadual. Aliados de Jackson garantem que ele permanecerá dirigindo o MDB velho de guerra. Aguardemos, portanto!
Polícia letal
A Polícia de Sergipe e a segunda mais letal do Brasil, com taxa de mortalidade de 9 por 100 mil habitantes. É o que revela estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O estudo acrescenta que a campeã em violência é a Polícia do Amapá. Segundo o documento, “as elevadas taxas de mortalidade por ações policiais indicando que abusos e execuções continuam como prática de algumas instituições, misturando-se a casos de uso legítimo da força”. Enquanto a taxa de mortalidade entre vítimas brancas retraiu 30,9% em 2021, a taxa de vítimas negras cresceu em 5,8%. Crendeuspai!
Índios ameaçados
Presidida pelo deputado federal João Daniel (PT), a Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia foi visitada por 24 lideranças dos povos indígenas. Segundo o petista, durante a reunião, foram feitas graves denúncias contra garimpeiros, madeireiros e traficantes, que vivem infernizando os índios. Também se tratou sobre os assassinatos do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira. João Daniel garante que há uma grande negligência do governo federal para com o povo indígena. Cruz, credo!
INFONET
Por 4 votos a 1, TJ-SP mantém condenação a Bolsonaro por ofensas a repórter da Folha
Publicado em 29 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Jair Bolsonaro fez piada de mau gosto e acabou processado
Géssica Brandino
Folha
A 8ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) decidiu manter a condenação do presidente Jair Bolsonaro (PL) e elevar a indenização a ser paga por ele por ofender a honra da jornalista Patrícia Campos Mello, repórter da Folha. O placar final ficou em 4 votos a 1 a favor da jornalista, com aumento do valor a ser pago para R$ 35 mil.
Votaram nesse sentido a relatora Clara Maria Araújo Xavier e os desembargadores Pedro de Alcântara, Silvério da Silva e Theodureto Camargo. O desembargador Salles Rossi foi o único a acolher a tese da defesa do presidente.
FURO DA REPÓRTER – Bolsonaro havia sido condenado em primeira instância por fazer uma insinuação sexual contra Patrícia, em fevereiro de 2020, usando para isso o termo “furo” para se referir ao orifício do corpo da repórter. A palavra “furo” é um jargão jornalístico para se referir a uma informação exclusiva.
“Não consigo me convencer que houve apenas exercício da liberdade de expressão. Do mesmo modo, no meu entendimento, é perfeitamente aceitável a versão constante no pedido de ofensa à dignidade e menoscabo ao apreço moral e social. Por isso, eu acompanho o voto da relatora”, declarou o desembargador Silvério da Silva.
Último a votar, o desembargador Theodureto Camargo disse que entendeu que a conotação usada por Bolsonaro foi debochada e irônica quando ele declarou que Patrícia queria “dar o furo”.
FALA OFENSIVA – “Destaco trecho do voto da senhora relatora, um voto brilhante, e observo que, a rigor, não se tratou de uma fala inofensiva. Houve manifesto propósito de menosprezar ou desacreditar a autora”, disse o magistrado.
A advogada da Folha, Taís Gasparian, que defende a jornalista, comemorou a decisão a favor de Patrícia e destacou que o placar final traduz o entendimento do colegiado. “O Tribunal de Justiça deu um passo na restituição da dignidade da Patrícia, das jornalistas e das mulheres deste país. A decisão foi técnica e justa, capitaneada pela relatora Clara Maria Araújo Xavier.”
Em suas redes sociais, Patrícia disse que a decisão do TJ é também uma vitória das mulheres. “Por 4×1, o TJ de SP decidiu que não é aceitável um presidente da República ofender, usando insinuação sexual, uma jornalista. Uma vitória de todas nós mulheres.”
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RELEMBRE COMO O CASO ACONTECEU
Na ocasião da ofensa, em entrevista diante de apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro citou o depoimento do ex-funcionário de uma agência de disparo de mensagens em massa por WhatsApp, Hans River do Nascimento, que mentiu à CPMI das Fake News dizendo que a jornalista queria “um determinado tipo de matéria a troco de sexo”.
“Olha a jornalista da Folha de S.Paulo. Tem mais um vídeo dela aí. Não vou falar aqui porque tem senhoras aqui do lado. Ela falando: ‘Eu sou (…) do PT’, certo? O depoimento do Hans River foi final de 2018 para o Ministério Público, ele diz do assédio da jornalista em cima dele”, disse o presidente, para em seguida, aos risos, fazer o insulto com insinuação sexual.
“Ela [repórter] queria um furo.” Na sequência, Bolsonaro muda de tom e arregala os olhos e diz: “Ela queria dar o furo [risos dele e dos demais]”. Após uma pausa durante os risos, Bolsonaro concluiu: “A qualquer preço contra mim”.
DISPAROS EM MASSA – Patrícia é autora de uma série de reportagens que revelou um esquema de contratação de empresas para realizar disparos em massa para favorecer Bolsonaro durante as eleições de 2018, que fizeram dela alvo preferencial dos bolsonaristas nas redes sociais.
Após a declaração do presidente, esses ataques se intensificaram novamente, com postagens, memes e vídeos associando a repórter à prática de sexo anal e prostituição, ofensas que se repetem a cada reportagem assinada por ela.
Na decisão de primeira instância, em março de 2021, a juíza Inah de Lemos e Silva Machado, da 19ª Vara Civil de São Paulo, havia condenado o presidente a indenizar a repórter em R$ 20 mil por danos morais, afirmando que Bolsonaro usou a palavra “furo” de forma dúbia, expondo a jornalista e lhe causando danos.
DEFESA E ATAQUE – A defesa do presidente, feita pela advogada Karina Kufa, recorreu pedindo a absolvição do chefe do Executivo, enquanto a defesa de Patrícia, representada pela advogada da Folha, Taís Gasparian, apresentou recurso pedindo que o valor da indenização fosse elevado.
A tese da defesa foi acolhida na última semana pelo desembargador Salles Rossi, o que levou à ampliação do número de julgadores. Para ele, o presidente não usou a expressão “furo” no sentido sexual.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O juiz é meio distraído, não percebe bem as coisas, parece precisar sempre de tradução simultânea. É óbvio que Bolsonaro estava tentando fazer piada de mau gosto com assunto sério. O julgamento foi justo, mas a indenização deveria ser maior, porque o réu tem condição de pagar. (C.N,)
Bolsonaristas já se sentem estigmatizados, numa eleição marcada pelo extremismo político
Publicado em 29 de junho de 2022 por Tribuna da Internet
Charge do Duke (O Tempo)
Flavio Gordon
Gazeta do Povo
Os gregos criaram o termo estigma para se referirem a sinais corporais indicativos de algo mau ou extraordinário no estatuto moral de uma pessoa. Impressos na pele mediante cortes ou queimaduras, os sinais apontavam o estigmatizado como uma pessoa de má reputação – escravo, criminoso ou traidor. O portador do estigma, ritualmente poluído, era assim fisicamente marcado para que os demais membros da comunidade fossem capazes de evitar a sua presença contagiosa.
Originalmente relativa a esses sinais corporais exteriores, infligidos ou inatos (a exemplo de deformações físicas e defeitos congênitos), a noção de estigma foi progressivamente ampliada para denotar falhas individuais relativas a hábitos, vícios, gostos e comportamentos particulares. Mais tarde, passou a abranger também culpas coletivas, associadas ao pertencimento a determinada nação, religião, “raça”, família, tribo ou corporação de ofício.
IDENTIDADE DETERIORADA – Num livro clássico, o sociólogo canadense Erving Goffman definiu estigma como um símbolo da “identidade deteriorada” de indivíduos ou grupos objeto de um processo de desumanização.
O estigma torna-se particularmente devastador ao se transformar naquilo que Goffman chamou de “status dominante”, quando passa a englobar toda a identidade social de um indivíduo ou grupo, independentemente de quaisquer outros de seus traços distintivos. Nos casos extremos, o processo de estigmatização pode culminar no assassinato em massa, como ocorreu nas situações emblemáticas do Holocausto e do genocídio ruandês.
Como se sabe, o extermínio nazista dos judeus foi precedido por uma vasta campanha de desumanização antissemita veiculada pelo Ministério da Propaganda de Goebbels, que controlava a imprensa e as editoras, representando as futuras vítimas do massacre em termos tais como “vermes”, “ratos” e “porcos”.
ALEMANHA E RUANDA – No livro A Linguagem do Terceiro Reich, de 1947, o filólogo judeu Victor Klemperer, na condição simultânea de estudioso e vítima, registrou a corrupção da língua alemã promovida pelo regime nazista: as palavras podiam ser “como minúsculas doses de arsênico” que, engolidas de maneira despercebida, aparentavam ser inofensivas até que, tempos depois, o efeito do veneno se fizesse sentir. Na Alemanha, a dessensibilização moral provocada pela linguagem nazista foi a antessala do genocídio.
No caso de Ruanda, é bem conhecido o papel desempenhado por veículos de imprensa como a Radio Télévision Libre des Mille Collines no fomento à carnificina, mediante a estigmatização reiterada dos tutsis, sistematicamente desumanizados e apelidados de “baratas”.
Em Ruanda, a selvageria da matança começou na selvageria da linguagem radiofônica. Naquele pequeno país africano, entre abril e julho de 1994, aproximadamente 800 mil tutsis foram retalhados até a morte por seus vizinhos hutus.
ESTIGMAÇÃO NO BRASIL – Por aqui, não existe obviamente algo similar a esses casos extremos de violência política. No entanto, na esfera da linguagem, já se observa há algum tempo um mecanismo cada vez mais virulento de estigmatização, processo que tem como alvos o presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores.
São recorrentes os exemplos de linguagem estigmatizadora e desumanizadora, utilizada com cada vez menos cerimônia. Um ex-jogador de futebol chama o governo de “covarde, mentiroso, perverso e muito cruel”. Um comediante define o presidente como “um cara abjeto, que não tem humanidade… Isso não é gente, é rato, é verme”. Uma atriz manifesta livremente seu desejo de esfregar a cara de Bolsonaro no asfalto.
Um ministro do Supremo chama os bolsonaristas de “imbecis”. Um outro os acusa de integrar “guetos pré-iluministas”. Um terceiro reproduz a linguagem militante que caracteriza Bolsonaro como genocida.
TUDO É PERMITIDO – Fulano é bolsonarista, logo, contra ele tudo é permitido – eis o silogismo consagrado nas redações, nos estúdios, nos palcos e nos tribunais do Brasil de nossos dias
Na grande imprensa, o estigma bolsonarista – estampado em pessoas como o cantor Sérgio Reis, a médica Nise Yamaguchi, o empresário Luciano Hang, o jornalista Allan dos Santos e de tantos outros – serve para definir os alvos da perseguição estatal e, em seguida, para legitimar essa perseguição.
Vitimados por uma lógica tipicamente stalinista – “deem-me um nome que eu arrumo um caso” –, os estigmatizados são previamente culpados do crime de… bolsonarismo. Sim, um jornalista chegou a descrever uma participante do BBB como “suspeita de bolsonarismo”.
JÁ PRODUZ EFEITO – Se a selvagem retórica antibolsonarista da imprensa, de personalidades do show business, de parlamentares e de ministros da suprema corte ainda não desaguou em violência física em larga escala, o fato é que ela já produz efeitos em termos de uma identidade deteriorada e perda de status social, uma vez que, no âmbito de inquéritos inconstitucionais que lembram os famigerados Processos de Moscou, os assim chamados “bolsonaristas” viraram alvo de uma série de perseguições político-jurídicas e sofrem toda sorte de violação a direitos individuais elementares.
Na realidade social criada por essa espécie de adelismo linguístico, tudo se passa como se o estigma bolsonarista indicasse a presença de uma impureza ou pecado irredimível, bastando para que o seu portador seja ostracizado, tratado como pária, e privado das garantias formalmente previstas num estado de direito.
Fulano é bolsonarista, logo, contra ele tudo é permitido – eis, enfim, o silogismo consagrado nas redações, nos estúdios, nos palcos e nos tribunais do Brasil de nossos dias.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Merece muita reflexão este artigo, enviado por Mário Assis Causanilhas. Resumimos um pouco, porque o texto estava muito extenso. Concordamos que a estigmatização e o radicalismo político não interessam a ninguém. Mas gostaríamos de lembrar que o próprio Bolsonaro e seus apoiadores incentivam essa radicalização, ao considerar como “comunistas” todos os adversários políticos e também ao investir contra o estado laico. Assim, é preciso que todos evitem o extremismo e que todos façam o “mea culpa”, pedido de perdão na missa da Igreja Católica, com a prece “Confiteor” (“Eu confesso”). Porque, no caso, todos estamos errados. (C.N.)
Em ano eleitoral, o céu é o limite, a dívida pública sobe 2,46% e vai a R$ 5,7 trilhões

Charge do Paixão (Gazeta do Povo)
Jamile Racanicci
TV Globo — Brasília
O Tesouro Nacional informou nesta terça-feira (28) que a dívida pública subiu 2,46% em dois meses e atingiu R$ 5,702 trilhões em maio. Os dados da dívida pública são divulgados mês a mês, mas, como houve greve de servidores no início deste mês, o Tesouro divulgou nesta terça os dados de abril e maio.
Conforme o órgão, o aumento da dívida, em termos nominais (sem considerar a inflação), foi de 0,45% em abril e de 2,01% em maio.
GASTOS EXTRAS – A dívida pública federal é a contraída pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit orçamentário do governo federal, ou seja, pagar os gastos extras – as despesas do governo acima da arrecadação com impostos e contribuições.
De acordo com os últimos divulgados pelo Tesouro até então, a dívida pública em março estava em R$ 5,65 trilhões. O governo espera que a dívida continue crescendo nos próximos meses, chegando a um valor entre R$ 6 trilhões e R$ 6,4 trilhões no fim de 2022.
Em 2021, a dívida pública federal subiu 12% em relação ao ano anterior e atingiu R$ 5,613 trilhões.
GASTO COM JUROS – O aumento da dívida pública eleva os gastos do governo com os juros. Nos dois últimos meses, o valor desembolsado pelos cofres públicos apenas para pagar juros chegou a R$ 109,4 bilhões. De janeiro a maio deste ano, esse tipo de gasto atingiu R$ 217,57 bilhões.
O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Luís Felipe Vital, explicou que, com a piora na inflação e na atividade econômica ao redor do mundo, os investidores passaram a avaliar que há um risco ainda maior em investir em países emergentes, como o Brasil.
Outro fator que leva a dívida a custar mais caro para o governo são os saltos sucessivos da taxa Selic pelo Banco Central. Com o décimo primeiro aumento seguido em junho, a taxa Selic chegou a 13,25% ao ano.
CUSTOS MAIS ALTOS – “As emissões [de títulos] estão sendo realizadas com custo médio mais alto em função das condições de mercado e do nível mais alto de taxas de juros”, afirmou.
O custo médio das emissões internas do Tesouro também vem subindo e, em maio, chegou a 11,7% ao ano (maior valor desde maio de 2017).
Para tentar amenizar as consequências dessa piora, o Tesouro tem reduzido as emissões de títulos em momentos de maior incerteza e volatilidade nos mercados. Essa estratégia é possível devido ao colchão de liquidez — uma reserva de dinheiro que em maio era suficiente para cobrir mais de 9 meses de vencimentos da dívida à frente;
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Esse tipo de matéria, da maior importância, necessita de tradução simultânea. O governo está gastando o que tem e o que não tem para vencer a eleição. A prioridade agora é evitar a CPI do MEC, e a torneira está aberta para o orçamento secreto, que está liquidando com o chamado colchão de liquidez do Tesouro. Mas quem se interessa? Bolsonaro usou a pandemia para liquidar o teto de gastos, e Lula dá a maior força, anunciando que vai acabar com todas as salvaguardas financeiras. Ou seja, a irresponsabilidade abunda. (C.N.)
Milton Ribeiro ignorou os alertas sobre ‘comportamento estranho’ de pastores
Publicado em 29 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

No MEC, Ribeiro se comportou como um completo idiota
Julia Affonso, Pepita Ortega, Rayssa Motta e Fausto Macedo
Estadão
Servidores do Ministério da Educação relataram à Controladoria-Geral da União (CGU) “desconforto” com a atuação dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura na pasta e um “comportamento estranho” dos religiosos. Disseram ter alertado o então ministro Milton Ribeiro, diversas vezes, no ano passado, sobre o “perigo” que a dupla poderia representar para o MEC. Mesmo assim, Ribeiro manteve encontros com os pastores.
A chefe da assessoria de agenda do gabinete do ministro da Educação, Mychelle Braga, contou que “nenhuma pessoa ou outra autoridade esteve naquelas dependências com a frequência do pastor Arilton”.
DENTRO DE CASA – Segundo o ex-assessor do MEC Albério Júnior Rodrigues de Lima, a partir de maio de 2021, Milton Ribeiro “concedeu espaço ainda mais privilegiado à dupla, quando passou a recebê-los em sua própria residência”.
“Sua presença (Arilton) no gabinete era tão frequente que chegava ao ponto de atrapalhar os assessores em despachar assuntos técnicos com o ministro (Milton Ribeiro)”, registra o relatório.
A CGU ouviu sete servidores e ex-funcionários da Educação na apuração que o órgão abriu após o Estadão revelar a instalação de um “gabinete paralelo” no MEC. Um dos relatos narra que, em maio do ano passado, um homem identificado como “Evilásio” ligou para o gabinete de Ribeiro e pediu para falar com o “assessor do ministro da Educação Arilton Moura”.
EM NOME DO MEC – O ex-assessor Albério Júnior Rodrigues de Lima contou que, na ocasião, decidiu ligar para “Evilásio” e descobriu que Arilton Moura havia entrado em contato com ele, propondo a construção de uma escola em um assentamento na periferia do Distrito Federal.
“A questão foi então levada ao ministro Milton Ribeiro, que foi alertado pelos assessores que os pastores poderiam estar utilizando seu nome e falando em nome do MEC.
“A partir dessa conversa, o sr. Arilton deixou de comparecer ao gabinete do ministro, trazendo alívio a ele e aos demais assessores, que compartilhavam das mesmas impressões e angústias quanto à atuação duvidosa dos pastores.”
NADA MUDOU – De acordo com o ex-assessor, “logo em seguida”, os servidores do MEC souberam que Milton Ribeiro passou a recebê-los em sua própria casa, em Brasília. Depois de dois meses, disse, os religiosos voltaram a frequentar o gabinete do então ministro, o que o levou a pedir sua exoneração.
O ex-ministro foi preso preventivamente na última quarta-feira, A defesa do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro sustenta que nem o aliado do presidente Jair Bolsonaro, ‘nem ninguém tinha e ou tem poder para favorecer pessoas, cidades ou Estados’ dentro do MEC.
A alegação se choca com a Operação Acesso Fácil, da Polícia Federal, que indica que Ribeiro deu “prestígio” à atuação dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura. Segundo prefeitos, os religiosos pediam propina em dinheiro, bíblia e até em barra de ouro para liberar verbas da pasta – como revelou o Estadão.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOB – Em qualquer país minimamente civilizado, o presidente Bolsonaro estaria decididamente liquidado, poderia dar adeus à política. Mas aqui no Brasil é diferente e está garantida a impunidade desse pessoal. E temos de nos acostumar a isso. O escritor russo Fiodor Dostoieviski, em “Irmãos Karamazov”, cunhou uma frase que ficou na História: “Se Deus não existe, tudo é permitido”. E como no Brasil um criminoso condenado como Lula existe é endeusado por grande parte da população e pode até ser eleito presidente de novo, com certeza tudo é permitido. (C.N.)
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