sábado, fevereiro 05, 2022

Putin entra na Guerra Fria 2.0 ao lado da China contra os EUA




Os líderes da China e da Rússia formalizaram nesta sexta (4) uma aliança que vinha ganhando corpo nos últimos anos contra as políticas ocidentais personificadas na agenda dos Estados Unidos, apontada como “abordagem ideologizada da Guerra Fria”.

Assim, Xi Jinping e Vladimir Putin concordaram em um comunicado em denunciar a expansão da Otan (aliança militar ocidental) que está no cerne da grave crise em curso na Ucrânia e também os pactos militares americanos na região do Indo-Pacífico.

Esses são os exemplos mais vistosos, mas não únicos, do texto de 5.300 palavras em russo divulgado pelo Kremlin, do que ambos os líderes chamaram de “amizade sem limites” entre Pequim e Moscou. Algo “sem precedentes”, na voz de Putin.

Vistosos por exemplificar os principais problemas estratégicos afetando, respectivamente, o maior país do mundo que formava o centro da União Soviética e a segunda maior economia do mundo, uma ditadura comunista adepta da economia de mercado.

“As partes se opõem a expansão adicional da Otan e pede para que a aliança abandone a abordagem ideologizada da Guerra Fria”, diz o texto. Putin tem cerca de 130 mil homens mobilizados em torno das fronteiras ucranianas, um movimento que inicialmente parecia visar resolver o status do conflito no leste do país entre rebeldes pró-Rússia e Kiev.

A questão virou algo maior: a definição de uma paz europeia em termos aceitáveis para o Kremlin, o que não inclui a Ucrânia como parte da Otan e mesmo a presença de armas ofensivas em membros do Leste Europeu do clube. EUA e aliança rejeitaram o ultimato, e o impasse prossegue.

No entorno chinês, a Guerra Fria 2.0 movida em reação à maior assertividade de Xi já causou conflitos diversos com os EUA: guerra comercial e tarifária, disputa sobre a autonomia de Hong Kong, provocações nas rotas marinhas que Pequim considera suas e a ameaça da China de tomar Taiwan.

“As partes se opõem à formação de estruturas de blocos fechados e campos opostos na região da Ásia-Pacífico, e permanecem altamente vigilantes sobre o impacto negativo da estratégia americana no Indo-Pacífico para a estabilidade e paz na região”, diz o texto.

No ano passado, o governo de Joe Biden formalizou um pacto militar com Austrália e Reino Unido e reavivou a aliança Quad (com australianos, japoneses e indianos) contra a China.

Se alguém tinha dúvida acerca do afinamento entre Xi e Putin, os líderes resolveram desenhar suas intenções. Elas incluem esforços conjuntos contra “revoluções coloridas”, o nome genérico e de assimilação midiática fácil àquilo que Moscou chama de golpes para derrubar governos pró-Kremlin na antiga periferia soviética.

Elas ocorreram em locais como Ucrânia e Geórgia, e não acabaram bem de todo modo. A China acusa os EUA exatamente da mesma coisa ao patrocinar os movimentos pró-democracia de Hong Kong, que foram esmagados com mão de ferro após a revolta de 2019, e o governo taiwanês –na ilha que Xi chama de sua, incursões aéreas com aviões militares chineses são eventos semanais.

O encontro de Xi e Putin ocorreu antes da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Pequim, evento que foi boicotado diplomaticamente pelo Ocidente. Pouco mais de 20 líderes participarão da abertura, mas o russo é a estrela.

Com isso, o governo fortemente autocrático russo e a ditadura chinesa dão as mãos oficialmente. Não há menção no documento a aspectos práticos já em curso, como a crescente cooperação militar entre as potências e os grandes projetos de energia.

Eles são a chave e também o limite da associação. Do ponto de vista militar, Rússia e China são rivais históricos, e seria surpreendente se chegassem a uma aliança formal, integral, como por exemplo a que existe entre Moscou e a ditadura de Belarus.

Economicamente, a deferência política de Xi a Putin embute o risco percebido em Moscou de que a Rússia pode se tornar uma província energética da China, ofertando gás natural barato por meio de um projeto de US$ 400 bilhões chamado Força da Sibéria –o segundo gasoduto da rede deve ser anunciado logo.

Para o russo, contudo, é uma saída única. Se a pressão americana sobre países como a Alemanha, que está adiando a abertura de um novo gasoduto a ligando diretamente à Rússia, ou uma ruptura devido a uma guerra na Ucrânia ocorrerem, o mercado europeu pode se fechar ao gás de Putin.

A China, cujo consumo anual do produto deve ultrapassar o de toda a Europa até o fim da década, pode oferecer uma linha vital para a sobrevivência desse pedaço central da economia russa, que de resto tem enfrentado bem as sanções ocidentais que se abatem sobre ela desde que Putin anexou a Crimeia, em 2014.

Naquele ano, um arremedo de “revolução colorida”, mais violento e menos romântico que as versões dos anos 2000, derrubou o governo pró-Kremlin de Kiev. A anexação e o fomento à guerra civil no leste ucraniano foram as respostas imediatas de Moscou, que depois participou de um cessar-fogo frágil que agora Putin quer ver implementado como plano de paz.

O encontro de ambos foi altamente coreografado e, apesar de ambos os líderes serem conhecidos pelos cuidados extremos para não contrair Covid-19, não houve máscaras ou distanciamento. É a primeira reunião deles desde a pandemia, e a 38ª desde que Xi assumiu, em 2012 –Putin está no poder desde 9 de agosto de 1999, quando virou premiê pela primeira vez.

No texto divulgado, um trecho atribuído a Xi resume diversos discursos feitos pelo chinês nos últimos anos, no qual ele discorre sobre sua visão particular de democracia. “Estamos trabalhando juntos para trazer à vida o verdadeiro multilateralismo. Defendendo o real espírito da democracia serve como uma fundação confiável para unir o mundo nas próximas crises, e defendendo a igualdade”.

A visão, contraditória a olhos ocidentais por ser feita pelo líder de uma ditadura, é compartilhada por Putin. Ambos denunciam a defesa de valores democráticos feita pelos EUA como hipócrita, já que há exemplos de sobra (Iraque, Afeganistão etc.) de que ela pode ser forçada por meios militares, gerando desastres.

A principal diferença entre ambos até aqui é a abordagem externa. Xi se vale de instrumentos econômicos, enquanto Putin não hesita em flexionar musculatura militar: nos últimos anos, suas tropas estiveram em guerras ou intervenções em locais como Geórgia, Ucrânia, Síria, Líbia, Azerbaijão e Cazaquistão. Moscou ainda tem um arsenal nuclear rival ao americano, enquanto a China prepara uma expansão no campo.

Do lado ocidental, o exemplo cotidiano da repressão nos dois rivais é suficiente para fazer a acusação de hipocrisia no sentido contrário. A Guerra Fria 2.0, o embate China-EUA que define geopoliticamente o século 21, parece ter acabado de ganhar um terceiro participante oficialmente, vindo da primeira encarnação do conflito.

POR IGOR GIELOW

FolhaPress / Daynews

A aliança entre Xi Jinping e Putin cria um mundo novo e perigoso




A dança dos impérios não para e o acordo entre China e Rússia é uma guinada geoestratégica que pode levar a abusos e instabilidade.

Por Vilma Gryzinski

Enquanto o mundo se encanta com a abertura da Olimpíada de Inverno orquestrada pelo cineasta Zhang Yimou e se espanta com o restritivo universo paralelo criado para isolar os participantes da competição, a história dá uma acelerada.

O retrato desse avanço é o encontro entre Xi Jinping e Vladimir Putin, politicamente a única coisa que importa nessa Olimpíada. “Sem precedentes”, nas palavras do próprio presidente russo ao desembarcar em Beijing.

A aproximação entre os dois maiores autocratas do mundo, já acorada num acordo para comércio bilateral nas respectivas moedas, tem consequências tremendas. A curto prazo, a maior delas é na Ucrânia.

A coisa que Putin mais teme se resolver usar a força contra a Ucrânia é a eliminação da Rússia do SWIFT, o sistema de mensagens entre instituições financeiras que permite todas as compensações bancárias internacionais. Sair dele é virar um pária, como aconteceu com o Irã – e não existe petróleo que dê jeito.

O acordo de comércio direto entre Xi e Putin já permite abrir uma “porta dos fundos”, um caminho para pelo menos atenuar o impacto de futuras sanções econômicas.

A aproximação cuidadosamente encenada na abertura da Olimpíada significa que China endossa um eventual uso da força contra a Ucrânia? Absolutamente. O regime chinês tem interesse em não precipitar instabilidades que podem se voltar contra ele próprio, considerando-se o sistema de dominó que amarra todas as economias e suas próprias fragilidades internas.

Mas também não acha nada ruim ver os Estados Unidos numa situação altamente incômoda: o presidente é impopular, as divisões internas são profundas, a covid não dá folga, a dívida bateu nos 30 trilhões, a inflação está subindo e tudo o que Joe Biden não precisa é um conflito na Ucrânia, onde os americanos não querem ver um único compatriota arriscando a vida, mesmo que seja para defender a manutenção da ordem mundial pós-Guerra Fria – um conceito de difícil entendimento para o público comum.

Enfraquecer os Estados Unidos é o objetivo conjunto do que vem sendo chamado de “pacto das autocracias”.

“O senhor Putin já mandou a cautela pelos ares e vendeu para a China caças SU-35 e sistemas de mísseis defensivos S-400, sabendo muito bem que os chineses vão copiar a tecnologia”, escreveu no Telegraph o colunista Ambrose Evans-Pritchard.

Foi ele quem lembrou do livro de Vladimir Sorokin, O Dia do Oprichnik, de 2006. O escritor cria um futuro distópico em que a Rússia voltou a ser um império com um czar absolutista onde as fontes de ingressos são os recursos naturais e as taxas cobradas dos caminhões que trafegam por uma supervia transportando produtos da China para a Europa – impressionantemente parecida com a Nova Rota da Seda, o mais importante projeto geoestratégico da China.

Ser o parceiro mais fraco de uma aliança em que entra com gás e petróleo, as commodities que seguram a Rússia, não parece incomodar Vladimir Putin. O importante é não levar um ippon dos Estados Unidos – um campo que ele domina como praticante de judô, tanto da luta marcial quanto das jogadas estratégicas no tatame mundial.

Irá Putin “estragar” a Olímpiada de Inverno, na qual a China investiu tanto, e invadir a Ucrânia? Terá coragem de começar uma guerra de agressão aberta e declarada? Vai recorrer a alguma outra alternativa, como a propagada pelos Estados Unidos, de armar um falso ataque a ucranianos de origem russa para justificar uma intervenção?

Putin escreveu um artigo para a Xinhua, a agência oficial de notícias da China, sobre “a nova era” da parceria estratégica entre os dois países e está sendo glorificado pela máquina estatal de propaganda.

Uma reportagem no Guardian lembra que este mês se completam os cinquenta anos do encontro entre Richard Nixon e Mao Tsé Tung, a abertura para a China que “mudou a geometria da Guerra Fria”.

Esse negócio de “mudar geometria” está voltando e, ao contrário do que aconteceu com a visita de Nixon, tornando o mundo um lugar mais perigoso. A nova era de Pax Sinica, ou paz chinesa, seria baseada num cinismo monumental se endossasse a perda de soberania da Ucrânia, em qualquer grau, e desatasse um estado de emergência generalizado em outros antigos satélites soviéticos na Europa Oriental.

Concretamente, como seria essa mudança? O Financial Times fez um resumo: “Beijing e Moscou alegam que a ordem mundial atual é caracterizada pela tentativa americana de impor ideias ocidentais sobre democracia e direitos humanos a outros países, se necessário através de intervenção militar”.

“A nova ordem mundial que Rússia e China reivindicam seria baseada em distintas esferas de influência. Os Estados Unidos aceitariam o domínio russo e chinês de suas regiões e abandonariam o apoio à democracia ou as revoluções coloridas que possam ameaçar Putin ou Xi”.

Em outras palavras, os Estados Unidos encolheriam; Rússia e China se expandiriam.

Boa Olimpíada para todos.

Revista Veja

Rússia x Ucrânia: EUA acusam russos de planejar falso ataque para justificar invasão




Washington alegou que um vídeo falso pode mostrar forças ucranianas no leste da Ucrânia atacando russos

Os Estados Unidos alegam que a Rússia está planejando encenar um falso ataque da Ucrânia para justificar uma invasão russa ao país.

Autoridades americanas afirmam que Moscou provavelmente divulgaria um vídeo mostrando um suposto ataque em território russo ou contra pessoas de língua russa no leste da Ucrânia.

A Rússia negou que estivesse planejando "falsificar" um ataque, e os EUA não forneceram provas.

O acúmulo de dezenas de milhares de soldados russos nas fronteiras da Ucrânia vem aumentando temores de que haja uma invasão.

Moscou diz que está apenas realizando exercícios militares, mas a Ucrânia e seus aliados ocidentais continuam preocupados com a possibilidade de um ataque russo.

"Temos informações de que os russos provavelmente vão querer fabricar um pretexto para uma invasão", disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby, a repórteres na quinta-feira (3/2).

"Como parte desse ataque falso, acreditamos que a Rússia produziria um vídeo de propaganda com conteúdo muito gráfico, que incluiria cadáveres e atores fingindo luto e imagens de locais destruídos", disse ele.

Autoridades dos EUA dizem que o vídeo é apenas uma das várias ideias que a Rússia tem para fabricar um pretexto para invadir seu vizinho.

Eles disseram que estavam denunciando publicamente o plano russo como forma de dissuadir a Rússia de qualquer plano de invasão da Ucrânia.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reagiu na quinta-feira às acusações americanas.

"Esta não é a primeira promessa desse tipo [de divulgar detalhes sobre uma provocação russa]", disse ele. "Algo semelhante também foi dito antes, mas nada aconteceu."

A Rússia negou repetidamente que esteja planejando um ataque.

O suposto complô foi denunciado pelos americanos um dia depois que os EUA disseram que estavam enviando mais tropas para a Europa Oriental para apoiar aliados da Otan.

A Rússia disse que a medida é "destrutiva" e que ela comprova que o país está certo em se preocupar com a expansão da Otan no leste.

Também na quinta-feira, a Otan manifestou preocupação de que a Rússia provavelmente enviará até 30 mil soldados — incluindo forças especiais, caças e mísseis balísticos de curto alcance — a Belarus, país vizinho do norte da Ucrânia.

"Esta é a maior mobilização russa desde a Guerra Fria", disse o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg.

A rivalidade entre a Rússia e os EUA, que ainda possuem os maiores arsenais nucleares do mundo, remonta à Guerra Fria. A Ucrânia era então uma parte importante da União Soviética comunista.

BBC Brasil

O campo minado de Moro




Pré-candidato ao Planalto, o ex-juiz enfrenta problemas que vão do amadorismo nas articulações políticas do Podemos à dificuldade de deslanchar nas pesquisas por falta de uma estratégia de campanha.

Por Sergio Pardellas 

Ao lançar sua candidatura ao Palácio do Planalto em novembro do ano passado, Sergio Moro sabia que estava diante de um campo minado. Logo na largada, por ser quem mais atuou nos últimos tempos para subverter uma engrenagem que sempre girou no sentido de favorecer os mesmos de sempre, Moro virou alvo do establishment. Para driblar as adversidades, a campanha do ex-juiz precisava de jogo de cintura para costurar alianças com políticos nem sempre confiáveis, capacidade de extrapolar a pauta conhecida do combate à corrupção e, sobretudo, conseguir criar “expectativa de poder”. Ou seja, demonstrar que a candidatura era competitiva o suficiente para vencer a eleição e, como consequência, funcionar como polo de atração de aliados no campo da terceira via.

Viabilizar-se eleitoralmente num ambiente acostumado a repudiá-lo ainda é o maior desafio para o ex-juiz. Apesar da empolgação inicial, de lá para cá os avanços foram tímidos. Nas recentes pesquisas de intenções de voto, importante termômetro para medir a musculatura eleitoral dos candidatos, Moro não só contrariou as previsões iniciais de que a essa altura já estaria com dois dígitos – na média, ele figura atualmente com 8% – como viu adversários encostarem em sua cola, caso de Ciro Gomes, do PDT, com quem hoje está empatado tecnicamente. Na avaliação dos entusiastas do nome de Moro à presidência, os problemas decorrem do amadorismo reinante na campanha desde o nascedouro, da inexperiência, para não dizer debilidade, de seu entorno político, e da flagrante incapacidade da candidatura de furar sua própria bolha. Prova disso é que a melhor notícia para o pré-candidato do Podemos dos últimos dias foi a adesão do Movimento Brasil Livre, o MBL, à campanha. De fato, a parceria é um trunfo para melhorar a mobilização em torno de Sergio Moro, até agora avaliada como aquém do esperado. No entanto, por mais que o “exército” do MBL fortaleça o engajamento, trata-se de um movimento associado às manifestações de combate à corrupção, restrito à mesma bolha que sempre orbitou em torno de Moro.

No fim do ano passado, houve um esforço para mudar o eixo do debate, com o anúncio do ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore como coordenador econômico. Mas as discussões sobre o tema duraram menos de uma semana. A campanha se ressentiu de profissionais capazes de segurar o assunto por mais tempo no noticiário. Durante a semana, empresários cobraram da presidente do Podemos, Renata Abreu, mais clareza sobre os planos para a economia. “Temos que deslocar o debate de novo para o campo da economia, dos problemas sociais, do desenvolvimento. Sabemos que não dá para escapar desse embate pró e contra a Lava Jato e isso pode ganhar corpo entre políticos”, disse o senador Alvaro Dias, do Podemos do Paraná, que cada vez mais parece pregar sozinho no deserto.

Do ponto de vista político, a frustração nas negociações de Moro com a União Brasil, que tinha o potencial de fazer a candidatura deslanchar, representou uma ducha de água fria na campanha, principalmente porque a filiação do ex-juiz à legenda que será fruto da união entre o DEM e o PSL esteve próxima de acontecer. Embora ainda seja possível, hoje ela é bastante improvável. Internamente, o fracasso nas tratativas é debitado na conta de Renata Abreu. Principal braço político da candidatura de Sergio Moro e pessoa de sua total confiança, é a primeira vez que Renata encara uma campanha à presidência pela frente. No entorno de Moro, há quem diga que ela cometeu um “erro tático” ao costurar com Luciano Bivar, do PSL e futuro presidente da União Brasil, uma chapa em que ela mesma ficaria com a vaga de vice do ex-juiz, sem combinar com ACM Neto, o todo-poderoso do DEM. A articulação repercutiu muito mal no Democratas. “Ficou a sensação de que o Podemos topava a aliança desde que tomasse conta da chapa. Afinal, Moro/Renata significaria na prática a chapa do Podemos no União Brasil”, diz um parlamentar do DEM ligado a ACM Neto, que se transformou num dos opositores da ida de Sergio Moro para o futuro partido. As parcas chances de aliança da União Brasil com o pré-candidato do Podemos ao Planalto dependem dos resultados das pesquisas em meados de abril. Embora siga resistindo à filiação do ex-juiz, ACM Neto diz que aceitaria integrar a coalizão desde que o palanque na Bahia fique em aberto.

Outra questão nevrálgica, desta vez relacionada ao financiamento da campanha, provocou um mal-estar entre Renata e integrantes do núcleo de Moro. Recentemente, ela comunicou que, dos 250 milhões de reais do fundo eleitoral, só disponibilizará 17 milhões para a campanha presidencial, a pretexto de já ter assumido compromissos com as bancadas. Diante disso, houve quem defendesse nos últimos dias que o pré-candidato do Podemos iniciasse conversas com o Patriotas, caso o presidente da legenda, Ovasco Resende, se dispusesse a aplicar ao menos 50 milhões de reais na campanha.

Aliados do ex-ministro da Justiça também reclamam da letargia do Podemos em estruturar a campanha nos estados. Essa foi uma das razões pelas quais o candidato estimulou as costuras para a migração para a União Brasil. Apenas na semana passada, e a duras penas, o seu partido conseguiu montar um tour por cidades-chave do país. Nos últimos dias, o pré-candidato esteve em São José do Rio Preto, Catanduva e Bebedouro, municípios onde Jair Bolsonaro teve cerca de 80% de votos em 2018. Foi uma oportunidade para Moro tentar se distinguir dos adversários Lula e Bolsonaro, que têm apostado no vale-tudo das alianças com velhos conhecidos da política nacional, para ganhar a eleição. “Nenhuma aliança será construída em um gabinete a portas fechadas em Brasília”, disse o pré-candidato em evento no interior paulista, na quarta-feira, 2. A partir deste domingo, o itinerário de Sergio Moro prevê um périplo por cidades do Nordeste, redutos de Ciro Gomes e de Lula. Para pessoas próximas ao ex-juiz, no entanto, esse giro já poderia ter sido organizado.

Dois episódios são considerados internamente como exemplos bem-acabados do amadorismo da campanha: a malfadada reunião com o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa em seu apartamento no Rio de Janeiro, em 10 de janeiro, e o caso Alvarez & Marsal. Em ambas as situações, Moro poderia ter ficado menos exposto, no entendimento de seus conselheiros. Depois do encontro que não trouxe um benefício sequer para a campanha, Barbosa espalhou ter ficado incomodado com a publicidade dada à reunião. Ainda fez questão de disseminar que via com desconfiança a candidatura de Moro à sucessão de Bolsonaro e suas ligações com militares. Já no caso Alvarez & Marsal, embora Moro tenha conseguido virar o jogo com a divulgação de seus rendimentos como consultor privado da empresa, houve insatisfações com a gestão da crise.

A maneira como foi feita a divulgação de seu salário de consultor nos Estados Unidos – durante uma live ao lado do deputado Kim Kataguiri – também dividiu o staff mais próximo do pré-candidato. Para a maioria, a polêmica teria sido evitada se um marqueteiro mais tarimbado já estivesse à frente da campanha. Moro vinha sendo assessorado por Fernando Vieira, que trabalha para o Podemos e já atendeu diversos partidos e campanhas regionais, mas nunca havia feito uma campanha presidencial. A falta dessa experiência no currículo de Vieira foi a principal justificativa dos aliados de Moro para a contratação do publicitário argentino Pablo Nobel para comandar a equipe de marketing. “Vou deixar a campanha do Moro para me dedicar mais ao Podemos agora”, disse Vieira a Crusoé. Nascido em Buenos Aires, Nobel começou a trabalhar com o ex-juiz da Lava Jato na segunda-feira, 31, indicado por Paulo Vasconcelos. Responsável por coordenar a campanha de Aécio Neves, do PSDB, em 2014, Vasconcelos desistiu de comandar o marketing da campanha, mas, nos bastidores, comenta-se que manterá influência.

O principal desafio de Nobel, que atuou na campanha de Daniel Scioli a presidente da Argentina em 2015, será o de tentar suavizar a imagem formal do ex-juiz e ampliar seu repertório político e suas bandeiras partidárias, adotando um discurso mais enfático sobre temas para além do combate à corrupção. No Brasil, o marqueteiro trabalhou com João Santana e Duda Mendonça, ironicamente artífices das campanhas vitoriosas do PT e ambos envolvidos em escândalos rumorosos do partido — Santana chegou a ser preso no âmbito da Lava Jato. “Ele (Moro) é muito disciplinado, é juiz, estudou para passar em concurso, então não tem preguiça. É trabalhador, vai nas agendas, e, à medida que se comunicar e se popularizar, o resultado vai começar a aparecer”, aposta o deputado Júnior Bozzella, um dos vice-presidentes do PSL e entusiasta da candidatura do ex-juiz da Lava Jato ao Planalto.

Para além da sacudida no marketing, há outras iniciativas já em curso na tentativa de, enfim, profissionalizar a campanha. Nos últimos dias, foi incorporado ao time de Moro o consultor Guto Ferreira, ex-presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, ligado ao partido Republicanos. O movimento contou com o aval do presidente da legenda, Marcos Pereira, de quem Moro se aproximou recentemente com o objetivo de alcançar o público mais conservador, evangélico, e de classes mais baixas. Com Ferreira à frente da estratégia, o Republicanos coloca um pé na campanha do ex-juiz e ensaia o rompimento com Bolsonaro, de quem era aliado até então. Nos próximos dias, também com vistas a fisgar o eleitorado das igrejas, o pré-candidato vai lançar uma “carta de princípios aos cristãos” – um movimento arriscado, que pode colar no ex-juiz o rótulo de retrógrado e afastar os eleitores jovens, cada vez mais liberais quando o assunto é a pauta de costumes.

Uma ideia em execução para conferir mais punch à campanha é dar um papel relevante ao advogado Luís Felipe Cunha, hoje coordenador jurídico. A ideia é que ele assuma uma função semelhante à que Gustavo Bebianno, ex-ministro da Secretaria de Governo falecido em março de 2020, exerceu na eleição de Jair Bolsonaro. Um dos principais interlocutores de Moro hoje, Cunha atuaria como uma espécie de anteparo ao ex-juiz, falando por ele quando necessário.

Para aliados do pré-candidato do Podemos ao Planalto, ainda há tempo para um “freio de arrumação” capaz de corrigir os rumos. Apesar de não haver consenso sobre todos os caminhos a trilhar, o que é natural num robusto projeto presidencial, todos concordam que na ofensiva para fazer a candidatura decolar não há mais margem para erro.

Revista Crusoé

China e Rússia se unem contra expansão da Otan




Após reunião em Pequim, Putin e Xi pedem que aliança militar ocidental abandone "abordagens da Guerra Fria" e respeite a soberania, segurança e interesses de outros países.

Após encontro nesta sexta-feira (04/02), em Pequim, o presidente russo, Vladimir Putin, e seu homólogo chinês, Xi Jinping, demonstraram união frente ao Ocidente e contra uma expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), desafiando a influência global dos Estados Unidos.

Numa declaração conjunta, os dois países afirmaram que sua nova relação é superior a qualquer aliança militar da era da Guerra Fria e pediram o fim da expansão da Otan para o Leste Europeu.

"Ambas as partes se opõem a uma expansão da Otan e pedem que a aliança do Atlântico Norte abandone suas abordagens ideológicas da Guerra Fria", diz a declaração conjunta. O documento também pede que a Otan respeite a "soberania, segurança e interesses de outros países".

Os EUA e a Otan estimam que mais de 100 mil soldados russos estejam estacionados perto da fronteira com a Ucrânia, o que gerou temores de uma invasão. A Rússia nega ter a intenção de investir contra o país vizinho, mas exige "garantias de segurança" da Otan.

Mais especificamente, Moscou pede que a Ucrânia não seja incluída entre os países que formam a aliança e que esta reduza sua presença militar no Leste Europeu - demandas que EUA e Otan rejeitaram.

Fundada em 1949 em Bruxelas, a Otan é uma aliança intergovernamental comandada pelos Estados Unidos e composta por 30 países, a maioria europeus. A principal prerrogativa do grupo é defender os territórios parceiros em caso de agressões militares causadas por terceiros.

Aproximação "sem precedentes"

Os dois líderes se encontraram pela primeira vez em dois anos, e sua reunião foi pautada pelas rixas crescentes dos dois países com os Estados Unidos.

Em meio à crise envolvendo Rússia e Ucrânia e as tensões relativas a Taiwan – cuja soberania é reclamada pela China –, Xi sublinhou que China e Rússia vão aprofundar sua coordenação estratégica "sem descanso", e que também enfrentarão juntos o que chamou de "ingerências externas" e "ameaças à segurança regional".

Putin, que chegou nesta sexta-feira a Pequim para comparecer à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, destacou que as relações bilaterais vivem uma aproximação "sem precedentes", dizendo também que o país asiático é o parceiro estratégico "mais importante" da Rússia.

Um inimigo em comum

Ainda que a declaração conjunta não cite explicitamente os Estados Unidos ou a crise na fronteira russa com a Ucrânia, o texto denuncia que "um pequeno número de forças na comunidade internacional continua obstinada em promover o unilateralismo e em interferir nos assuntos de outros países".

"O que eles estão fazendo é minar os direitos e interesses legítimos de outros países, bem como criar atritos e confrontos, o que impede o desenvolvimento. A comunidade internacional não aceitará mais isso", diz a declaração.

Além da oposição à expansão da Otan, o texto mostra a preocupação do líder chinês com o acordo de defesa tripartidario Aukus, firmado por EUA, Austrália e Reino Unido e cujo foco é a região indo-pacífica. 

Putin afirmou que o aprofundamento das relações entre China e Rússia tem como objetivo "defender seus interesses comuns", mas que também é importante pela segurança "em todo o mundo".

"Nenhum país deveria garantir sua segurança isolado da segurança global e à custa da segurança de outros países", diz a declaração divulgada pelo Kremlin.

Cooperação econômica

Os dois mandatários também concordaram em traçar planos para conseguir "alta qualidade" no comércio bilateral, que atingiu o nível recorde de 150 milhões de dólares, assim como aumentar a cooperação em áreas como agricultura, economia digital e saúde.

"A cooperação energética aumentará com um maior fornecimento de gás natural da Rússia para a China", disse Putin.

Os planos de Pequim de aumentar as importações de gás da Rússia acontecem em meio a preocupações de uma dependência excessiva da Europa do gás de Moscou.

O governo russo espera atualmente que a entrada em operação do gasoduto Nord Stream 2 seja aprovada para fornecer gás à Alemanha. O governo alemão, por seu lado, alertou que o gasoduto poderá nunca entrar em operação se a Rússia decidir invadir a Ucrânia.

Boicote diplomático aos Jogos de Inverno

A viagem de Putin à cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno de Pequim é simbólica. Ele é considerado o convidado político mais importante da noite, com direito a uma homenagem como "amigo da China".

Devido a tensões com Pequim por causa de violações de direitos humanos no país, países incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália impuseram um boicote diplomático do evento. As equipes esportivas dos países participam dos Jogos, mas não haverá representantes políticos presentes.

Deutsche Welle

Fura fila: MP denuncia Safadão e esposa por corrupção passiva e peculato

 por Antônia Fernanda

Fura fila: MP denuncia Safadão e esposa por corrupção passiva e peculato
Foto: Reprodução/Instagram

O Ministério Público do Ceará protocolou na manhã desta sexta-feira (4) uma denúncia contra o cantor Wesley Safadão, a esposa dele, Thyane Dantas, a produtora Sabrina Tavares e uma servidora da Secretaria de Saúde de Fortaleza pelos crimes de peculato e corrupção passiva privilegiada durante a vacinação contra a Covid-19. 

O documento foi protocolado no Poder Judiciário dois dias após o Tribunal de Justiça do Ceará decidir pela liberação das investigações em curso pelo Ministério Público, paralisadas por força de um habeas corpus impetrado pelo cantor em novembro de 2021 (veja aqui).  

De acordo com o MP-CE, o esquema contou com a participação de servidores efetivos e terceirizados da Secretaria de Saúde de Fortaleza, além de assessores e amigos do cantor.  

RELEMBRE O CASO
Em julho de 2021 Thayne Dantas recebeu a primeira dose da vacina contra o novo coronavírus (confira aqui). Na ocasião, o público alvo para receber o imunizante eram pessoas com 32 anos ou mais, e a esposa do artista tinha 30 anos e não estava com o nome na lista da secretaria de saúde. 

À época, assessoria do casal afirmou que a dose de Thyane teria sido da "xepa" - imunzantes que sobram no final do dia e que não podem ser usados no dia posterior - o que foi desmentido pela prefeitura. 

Bahia Notícias


Nota da redação deste Blog = Enquanto isso, em Jeremoabo o Presidente da Câmara Municipal de Vereadores, entrou com representação no Ministério Público e na Polícia Federa contra mais de vinte fura- filas, até a presente data se está sendo apurado ninguém sabe, ninguém viu.

Para CNM reajuste de 33% a professores não tem base legal

Para CNM reajuste de 33% a professores não tem base legal
Foto: Divulgação

Após o presidente Jair Bolsonaro (PL) assinar uma portaria estabelecendo um reajuste de 33% no piso da educação básica, a  Confederação Nacional de Municípios (CNM) se manifestou, nesta sexta-feira (4) contra a medida. Para a instituição, a iniciativa do governo federal não tem “base legal”, além de que teria “faltado planejamento e comunicação para definir o reajuste, já que os valores serão repassados pelos municípios”.

 

“Ao entender que a portaria não tem base legal, a CNM reafirma que vai continuar acompanhando a discussão no âmbito jurídico, a fim de garantir que haja clareza diante da indefinição criada, bem como mantendo orientação aos gestores de que seja feito o reajuste dado às demais categorias da administração municipal e fiquem atentos à discussão em âmbito nacional”, ressalta a nota.

 

Conforme divulgou o Portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, a CNM também enfatizou que, com a assinatura da portaria, a União evidencia que “não respeita a gestão pública no país”. 

 

Em uma cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ministro da Educação, Milton Ribeiro, assinaram o documento. Segundo o chefe da Educação, nenhum profissional receberá menos do que R$ 3,8 mil. “Em 2022, portanto, nenhum profissional do magistério e escola pública poderá receber menos de R$ 3,845,63. Cerca de 1,7 milhão de docentes serão beneficiados. É importante destacar que a valorização dos professores vai muito além do reconhecimento por meio de melhores salários”, disse Milton Ribeiro durante a cerimônia.

 

O aumento é maior do que o recomendado pelo Ministério da Economia, de 7,5%. O tema também gera divergências entre governo federal e estados e municípios. Gestores locais temem que o reajuste provoque grande pressão nas contas e aumente, de forma considerável, os gastos.

 

Pela Lei do Magistério, o reajuste de professores é atrelado ao chamado valor por aluno do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), definido pelo Ministério da Educação.

 

Com a aprovação do novo Fundeb, a remuneração de professores deve seguir a variação do ICMS recolhido pelos estados e também a variação da inflação nos últimos dois anos — o reajuste do valor por aluno deve ser de 33% em 2022.

Bahia Notícias

Salvador terá cirurgia reconstrutora para ganho de até 7 cm de pênis

por Erem Carla

Salvador terá cirurgia reconstrutora para ganho de até 7 cm de pênis 
Foto: Deon Black / Unsplash

Vítimas de câncer de pênis que tiveram o órgão amputado de forma parcial e ficaram com o coto razoável, mas estão insatisfeitos ou não conseguem ter relação sexual poderão realizar uma cirurgia reconstrutora.

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, o presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Augusto Modesto, informou que existe um trabalho em andamento em parceria com o Hospital Aristides Maltez e o Hospital Universitário Edgar Santos, que é o Hospital das Clínicas de Salvador.

 

“Esses pacientes serão analisados, em termos inclusive psicológicos, e serão submetidos a uma nova cirurgia, que é a cirurgia reconstrutora para um ganho do comprimento peniano entre 5cm a 7cm”, explica. 

 

Augusto conta que o trabalho é desenvolvido visando que as pessoas que passaram pelo processo de e estão insatisfeitas ou que não têm relação sexual possam reaver essa “tão importante atividade.” 

 

A cirurgia é para fins de saúde sexual e mental, diferente da faloplastia, cirurgia estética de aumento peniano, que se popularizou após o cantor sertanejo Tiago, da dupla com Hugo divulgar que passou pelo procedimento (lembre aqui). 

 

O médico ressalta que não é todo paciente que tem essa indicação e nem todo paciente amputado que possui esses critérios que vão ser definidos e selecionados pelos grupos de especialistas envolvidos no trabalho. Existem critérios de inclusão e critérios de exclusão.

Bahia Notícias

No troca-troca, ala da extrema-direita do bolsonarismo prepara filiação em peso ao PL

Publicado em 4 de fevereiro de 2022 por Tribuna da Internet

Indicado de Valdemar Costa Neto é nomeado presidente interino do Banco do Nordeste - Jornal O Globo

Costa Neto, dono do PL, diz que pode eleger a maior bancada

Jussara Soares e Bruno Góes
O Globo

Dois meses após a filiação de Jair Bolsonaro ao PL, o partido comandado por Valdemar Costa Neto começa a ser remodelado para receber os apoiadores mais radicais do presidente da República. Na quarta, o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles assinou a sua ficha de filiação. No mesmo dia, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) acertou seu ingresso na legenda.

O próximo que pode entrar na sigla é o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), que ficou preso por sete meses no ano passado após ameaçar a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e já conta com o apoio declarado de Flávio Bolsonaro.

SENADO NO RJ – Jair Bolsonaro (PL) tem dito a aliados que Silveira, deputado federal no último ano de mandato, é hoje o melhor nome para a disputa ao Senado no Rio de Janeiro. A outra opção seria o senador Romário (PL-RJ), correligionário do presidente.

Bolsonaro enxerga em Silveira, porém, uma alternativa com maior apelo entre seu eleitorado, mesmo sabendo que o parlamentar vai entrar na campanha com o ônus de ter sido enquadrado pelo STF. Há ainda a possibilidade de o vice presidente, Hamilton Mourão, disputar o mesmo cargo com apoio do titular do Palácio do Planalto.

Na quarta-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Silveira se reuniram no Rio para discutir a corrida ao Senado. O deputado quer ingressar no PL, mas para isso seria preciso buscar uma solução interna com Romário, que já está no partido.

ROMÁRIO É DÚVIDA – Uma das opções é convencer o senador a sair do páreo, com argumento de que as pesquisas indicam que ele teria poucas chances de reeleição. Nesse cenário, Romário precisaria aceitar uma candidatura a um cargo de deputado federal ou estadual. Caso esse acordo não ocorra, Silveira pode ingressar no PTB ou outro partido ligado à base do governo, de preferência.

Questionado pelo GLOBO sobre quem deverá estar no palanque fluminense do presidente, Flávio, que é coordenador da campanha à reeleição de seu pai, disse que até este momento não há uma definição.

— Seriam três candidaturas fortes que o presidente teria no palanque. Divide voto, mas não tem muito consenso sobre isso. Se os três quiserem vir candidato, eles virão — disse o senador.

SALLES E OUTROS – Já o ex-ministro Ricardo Salles, a mais recente aquisição do PL, deve ser candidato a deputado federal em 2022. “Como sempre disse: vou sempre estar com o presidente. Ele foi para o PL, eu fui também”.

Nas próximas semanas, parlamentares bolsonaristas devem seguir o exemplo de Eduardo Bolsonaro e Salles e selar acordos para filiação. É o caso de deputados como Bia Kicis (PSL-DF), Filipe Barros (PSL-PR), Bibo Nunes (PSL-RS), entre outros integrantes da tropa de choque do presidente no Congresso. Durante a janela partidária de março, que autoriza políticos a mudarem de legenda sem serem penalizados, aliados estimam que cerca de 20 deputados federais poderão chegar ao PL.

O diretor da Agência Brasileira de Inteligência, delegado Alexandre Ramagem, também é cotado para entrar no PL. Ele cogita disputar uma vaga de deputado federal pelo Rio.

PERFIL DA LEGENDA – A migração coletiva altera o perfil da sigla que, confessadamente, é um dos pilares do centrão, o grupo de partidos que privilegia o pragmatismo eleitoral a posicionamento ideológicos. Boa parte dos nomes que agora engrossa as fileiras do PL costuma pautar a própria atuação em bandeiras claras, de centro e direita, quanto quadros históricos da legenda já apoiaram governos petistas, por exemplo.

Em 2023, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, planeja ter uma bancada de 60 deputados e 15 senadores.

“Tenho mantido conversas com o PL, estão bem avançadas. Mas também tenho uma conversa com PP. Neste momento, há sim esse movimento de filiação ao PL dos apoiadores do presidente Bolsonaro. Tudo indica que isso deve mesmo ocorrer” — diz Filipe Barros.

NA BASE ALIADA – Embora vários bolsonaristas de raiz já estejam com um pé dentro do PL, outros negociam com as demais siglas do centrão. A estratégia visa a atender o maior número possível de partidos aliados do presidente, distribuindo entre essas legendas nomes do grupo com forte potencial de eleitoral, que podem puxar votos e contribuir para a formação de uma bancada numerosa no Congresso.

Bolsonaro, inclusive, já foi cobrado por presidentes de partidos aliados, como Marcos Pereira, do Republicanos, para impedir que todos seguissem para o mesmo destino. A ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), por exemplo, está inclinada a seguir com o Republicanos.

Há ainda um movimento orquestrado por bolsonaristas para filiar Carla Zambelli (PSL-SP) ao PP de São Paulo. A ideia seria aproveitar a chegada da parlamentar para fazer com que o partido apoie Tarcísio de Freitas ao governo do estado e reforce o palanque de Bolsonaro no maior colégio eleitoral do país.

OBSTÁCULOS POLÍTICOS – À frente do plano, contudo, existem obstáculos políticos. O presidente do diretório do PP paulista, o deputado federal Guilherme Mussi, foi reconduzido ao cargo em convenção realizada na segunda-feira. Ele conta com maioria para apoiar Rodrigo Garcia (PSDB), candidato de João Doria. Por isso, dificilmente haverá uma reviravolta.

“Para ser bem sincero e objetivo: vai ser tudo decidido na janela partidária, se vamos apoiar Tarcísio ou Rodrigo Garcia. Vai ser deixado mais para frente. Vamos avaliar quais serão as perdas e ganhos. Eu tenho um posicionamento pessoal de estar com o Rodrigo (Garcia) aqui em São Paulo, mas vamos avaliar e ver a posição dos integrantes do diretório” — disse Guilherme Mussi ao Globo.

No estado, deputados estaduais também devem migrar para o PL, como Major Mecca, Gil Diniz, Castello Branco, Letícia Aguiar, Coronel Telhada, Carlos Cezar e Conte Lopes.

‘CAPITÃ CLOROQUINA’ – Fora das casas legislativas, outra aliada de Bolsonaro, a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como “Capitã Cloroquina”, também se filiou ao PL.

Ela foi indiciada pela CPI da Pandemia pelos crimes de prevaricação; epidemia com resultado de morte; e crime contra a humanidade. Durante a crise de oxigênio ocorrida em Manaus, uma comitiva de médicos percorreu as unidades de saúde da cidade para divulgar o chamado “tratamento precoce”, cuja ineficácia contra Covid-19 é comprovada.

As negociações de aliados do presidente com o PL, porém, criaram nós em alguns estados. Reservadamente, bolsonaristas reclamam que, no Espírito Santo, o ex-senador Magno Malta tem ignorado o pedido de filiação de alguns personagens. Chefe local do partido, ele se nega, por exemplo, a aceitar a entrada da deputada Soraya Manato (PSL-ES) na sigla, o que gera constrangimento. Procurado, Malta não retornou.

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