terça-feira, setembro 07, 2021

Exército nas ruas e caminhoneiros travando o país: mensagens falsas inflamam bolsonaristas no Telegram

  



Vídeos compartilhados em redes bolsonaristas sugerem movimentações militares para o 7 de Setembro

Por Mariana Schreiber, em Brasília

Às vésperas dos atos convocados pelo presidente Jair Bolsonaro para o feriado de 7 de Setembro, grupos de apoiadores no Telegram se tornaram terreno fértil para mensagens falsas ou enganosas que disseminam um clima de tensão.

São vídeos, fotos e textos anunciando possível bloqueios das redes sociais no país, paralisações de caminhoneiros para travar o Brasil e movimentações das Forças Armadas que visariam alguma ação no dia dos protestos.

Essas mensagens dividem os integrantes do grupo: parte dos próprios usuários alertam que as mensagens são falsas, apontando que muitas se tratam de vídeos antigos, de anos atrás, ou que já foram desmentidas por fontes confiáveis.

Outro ponto que gera desentendimento entre os usuários é como os manifestantes devem agir em suas críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Congresso Nacional, Poderes que os bolsonaristas veem como inimigos do presidente.

Parte dos apoiadores de Bolsonaro compartilham mensagens defendendo a cassação dos ministros do STF e o fechamento do Congresso, inclusive propondo ações violentas no dia 7 de setembro, enquanto outros repudiam esses discursos e reforçam que os atos devem ser pacíficos e trazer a bandeira da "liberdade" em contraponto ao que veem como investigações autoritárias no âmbito do Supremo contra aliados do presidente.

O próprio presidente, porém, elevou o tom de suas declarações nos últimos dias, com ameaças golpistas ao Supremo.

Na sexta-feira (03/09), Bolsonaro disse que que os atos de 7 de setembro serão um "ultimato" para dois ministros do STF, em referência a Alexandre de Moraes, que conduz as investigações contra o próprio presidente e seus apoiadores, e a Luís Roberto Barroso, que preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Corte que abriu apuração contra os ataques de Bolsonaro à urna eletrônica.

Já no sábado, em uma motociata no interior de Pernambuco, Bolsonaro falou na possibilidade de uma "ruptura" institucional.

"O STF não pode ser diferente do Poder Executivo ou Legislativo. Se lá tem alguém que ousa continuar agindo fora das quatro linhas da Constituição, aquele Poder tem que chamar aquela pessoa e enquadrá-la, e lembrar-lhe que ele fez um juramento de cumprir a Constituição. Se assim não ocorrer, qualquer um dos três Poderes, a tendência é acontecer uma ruptura", ameaçou.

"Ruptura essa que eu não quero nem desejo. Tenho certeza, nem o povo brasileiro assim o quer. Mas a responsabilidade cabe a cada poder. Apelo a esse Poder que reveja a ação dessa pessoa que está prejudicando o destino do Brasil", discursou ainda.

Vídeos sugerem mobilização militar

A BBC News Brasil acompanhou na última semana grupos de bolsonaristas no Telegram. Ao reproduzir as mensagens compartilhadas, a reportagem manteve eventuais erros de digitação, concordância e pontuação.

Uma dessas comunidades no Telegram é o SUPER GRUPO B-38 OFICIAL, que tem mais de 35 mil membros e se declara em sua descrição como "O MAIOR GRUPO DE APOIO A BOLSONARO NO BRASIL!!!".

Desde a última semana, circulam vídeos de movimentações de tropas do Exército pelo país, acompanhado de comentários sugerindo que haveria alguma preparação das Forças Armadas para o 7 de setembro.

'Durante motociata no interior de Pernambuco, Bolsonaro levantou a hipótese de uma "ruptura" institucional'

Em uma dessas gravações, um homem diz que está em Assis, cidade do interior de São Paulo próximo da divisa com o Paraná, no dia 28 de agosto. Ele registra um acampamento militar na cidade, à beira de uma rodovia.

"Esse ponto que estão estacionadas a tropa do Exército é um local estratégico. Para você fechar praticamente o acesso do Mercosul, do Paraná e também do Mato Grosso, basta fechar esse eixo rodoviário que vocês estão vendo aqui e automaticamente você vai fechar o acesso a São Paulo via (rodovia) Raposa Tavares. Então, a presença das tropas do Exército nesse local sem dúvida tem alguma coisa ligada ao 7 de setembro, porque é anormal, nunca aconteceu isso aqui na região de Assis", diz na gravação.

"Realmente é um momento histórico", arremata.

A BBC News Brasil apurou que na verdade se tratava de uma movimentação da Marinha. Questionada se havia relação com os atos de 7 de setembro, a instituição disse se tratar de um deslocamento de rotina.

"O Comando do 8º Distrito Naval informa que a presença dos veículos da Marinha na cidade de Assis-SP refere-se a um deslocamento de rotina, em função de exercícios programados, não havendo nenhuma atividade específica no município", respondeu a Marinha, sem detalhar qual era a previsão de duração dessa atividade e se ela já foi encerrada.

Outros dois vídeos que circulam nas redes bolsonaristas mostram o que seria uma movimentação de tropas para Brasília.

Num desses casos, o link compartilhado no Telegram leva a um vídeo no YouTube do CANAL DITO VALETE BR, que já conta com mais de 160 mil visualizações e tem como título "COMBOIO DO EXÉRCITO BRASILEIRO SENTIDO A BRASILIA PARA O DIA 7 DE SETEMBRO". A postagem é monetizada, ou seja, gera renda ao dono canal.

"Vamos, Bolsonaro, vamos, a classe de bem está com você. Sentido Belo Horizonte, segundo comboio que eu estou passando, segundo comboio do Exército, sentido à Brasília, as manifestações do dia 7. É canhão, é tudo... Prepara, gente, o negócio é feio, é feio e ao mesmo tempo necessário. Precisamos mudar o que está sendo implantado no nosso Brasil. A China comunista está entrando e nós precisamos combater isso com o bem", diz o autor da gravação.

Já no segundo vídeo, um homem diz estar filmando veículos do Exército na DF-003, rodovia que cruza a capital federal, sem especificar qual a data do registro. Embora o vídeo esteja sendo compartilhado nos grupos como algo recente, as imagens parecem antigas porque mostram a vegetação na rodovia bastante verde, bem diferente da paisagem árida que Brasília ganha em agosto e setembro, auge do período de seca.

"Oi, pessoal, Brasília se movimentando. Ó, as tropas nas ruas. Agora vai, hein. Taí, ó, parabéns a todos, intervenção já, gente! Vamos mudar esse país!", diz o autor da gravação.

Diante de vídeos como esses, um usuário pergunta: "Alguém sabe o que vai acontecer pois o exército está se movimentando no Brasil todo?".

"Algumas dessas movimentações são administrativas para as comemorações da semana da Pátria, outras são referentes à manobras planejadas com antecedência. Estão usando isso para dizer que são preparativos para um golpe militar. Mentira", responde outro.

A BBC News Brasil questionou o Exército e o Ministério da Defesa sobre os vídeos que circulam sugerindo movimentações militares para os atos de 7 de setembro, mas não obteve retorno até a publicação dessa reportagem. O texto será atualizado tão logo haja um posicionamento.

É comum a realização de paradas militares em todo o país no feriado da Independência, mas esses desfiles não são realizados desde o ano passado por causa da pandemia de covid-19, que já matou mais de 580 mil pessoas no Brasil.

Segundo anunciado pelo Ministério da Defesa, a previsão para a capital federal nesta terça-feira é apenas a realização de uma cerimônia menor, de hasteamento da bandeira nacional no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, similar a realizada em 2020.

Bolsonaro deve assistir a essa cerimônia e depois participar dos dois maiores atos previstos em seu apoio, de manhã em Brasília e de tarde em São Paulo. A expectativa é que discurse em ambos.

'Bloquearam o WhatsApp, mande para todos o grupos'

São frequentes também as perguntas sobre a possibilidade de redes sociais, em especial o WhatsApp, serem bloqueadas no país, com suposto intuito de dificultar a organização dos atos em apoio ao presidente e a divulgação de imagens dos protestos no dia.

Nesse sentido, viralizou o compartilhamento nos grupos bolsonaristas de um vídeo de 2018, em que uma reportagem do canal Globonews anuncia uma decisão da justiça de São Paulo para bloquear o WhatsApp por 48 horas.

"Bloquearam o Whatsapp pra dificultar comunicação para a manifestação Mande para todos os grupos", diz mais um usuário a postar a gravação antiga, no grupo Ativistas Direita Volver!, que conta com mais de 1.700 membros.

'Vídeo de 2018 da Globonews sobre decisão judicial para bloquear WhatsApp está sendo compartilhado como se fosse atual'

O mesmo vídeo circulou bastante no já citado SUPER GRUPO B-38 OFICIAL, no qual alguns usuários alertaram o conteúdo enganoso. "É NOTÍCIA antiga. Ou a pessoa postou aqui sem verificar os fatos e por engano ou postou com intuito de gerar pânico", reclamou um.

"Impossivel, a quantidade de informação enganosa e incompleta nos grupos está sendo agonizante", queixou-se em outro momento mais um integrante.

Lideranças dos caminhoneiros negam ampla paralisação

Também são recorrentes nos grupos bolsonaristas mensagens sugerindo amplo apoio de caminhoneiros aos atos de 7 de setembro e a previsão de paralisações que travarão o país. As principais lideranças da categoria, porém, negam que isso esteja ocorrendo. O próprio Ministério da Infraestrutura também afasta esse cenário.

"O Ministério da Infraestrutura reforça que mantém diálogo contínuo com a categoria do transportador autônomo e não identifica nenhuma mobilização setorial para a data citada", disse a pasta, em nota à BBC News Brasil.

'Mensagens autoritárias contra o STF são frequentes entre apoiadores de Bolsonaro no Telegram'

Para o presidente da Abrava (Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores), Wallace Landim, conhecido como Chorão, não haverá apoio amplo da categoria aos atos porque a pauta das manifestações não refletem os interesses do grupo.

"Existe dentro do segmento tanto pessoal que apoia o presidente quanto o pessoal que é da esquerda ou que não entram nessas pautas (políticas). Eu creio que irá ter caminhoneiros pra apoiar o presidente, mas eu não vejo o movimento de trancar rodovia", afirmou à reportagem.

"Do jeito que estão tentando fazer, eu não concordo, eu acho que está indo contra a democracia do país e eu não participo", disse ainda, em repúdio ao viés autoritário de parte das convocações.

Já a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) afirmou por meio de nota que "sempre apoiará as ações que refletem os interesses coletivos da categoria, com respeito à ordem pública, às instituições, às leis e à sociedade como um todo". Segundo a organização, os atos de terça-feira não se tratam de uma mobilização da categoria.

"Eventual participação de um caminhoneiro na manifestação do dia 07 de setembro representará a vontade individual desse cidadão brasileiro, que decide por si próprio exercer seu direito de livre manifestação e liberdade de expressão", diz o comunicado.

Uma das mensagens compartilhadas nos grupos de Telegram que anunciam a ação da categoria diz que na quarta-feira (08/09) 500 mil pessoas levarão um manifesto à Brasília e que "quatro representantes do povo irão entregar esse documento para o Presidente do Congresso Nacional, o senador Rodrigo Pacheco, pedindo para dissolver o STF e o Congresso Nacional".

Segundo o texto divulgado por meio de um vídeo, "esse documento tem apoio do presidente Bolsonaro e do Exército Brasileiro". A mensagem continua dizendo que Pacheco terá até 72 horas para tomar sua decisão e que "se ele não aceitar será tudo trancado".

"Todos os caminhoneiros sairão dos postos e acostamentos onde estarão estrategicamente e fecharão todas as estradas e rodovias brasileiras e avisarão que não passará ninguém".

Segundo a mensagem, "o cabeça de toda essa mobilização é o advogado e jurista Dr. Ives Gandra Martins".

No entanto, assim como as lideranças os caminhoneiros, Ives Gandra já divulgou uma nota pública em 26 de agosto negando qualquer participação na convocação dos atos de 7 de setembro.

"Tenho respeito e admiração pelos Ministros do Pretório Excelso", diz o comunicado, em referência ao STF.

"Não lidero qualquer espécie de movimento e tenho, em minhas manifestações, sempre pessoais apenas, insistido no diálogo entre os Poderes para reduzir as tensões atuais", disse ainda. 

BBC Brasil

Oposição também vai às ruas: para defender a democracia

 

Grito dos Excluídos deste ano inclui na pauta o repúdio ao atual governo federal e seu contínuo ataque a instituições da República

ainá Andrade
postado em 07/09/2021 06:00
Segundo Lula, o atual presidente estimula o ódio em vez da concórdia -  (crédito: Reprodução/YouTube)
Segundo Lula, o atual presidente estimula o ódio em vez da concórdia - (crédito: Reprodução/YouTube)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participará de atos no dia 7 de setembro. O político afirma também que não estará presente em nenhuma movimentação na data. A justificativa seria a pandemia do novo coronavírus. Por meio de sua assessoria, o ex-presidente afirmou ao Correio que não fez nenhum ato de rua desde o começo de março de 2020 e, em viagem recente ao Nordeste, não realizou eventos fechados pelo mesmo motivo. No entanto, especialistas avaliam que a posição de Lula é uma articulação de bastidor.

Pedro Pitanga, analista de risco político da Dharma Politics, afirma que o ex-presidente tem construído sua imagem político-eleitoral nos bastidores. “Lula é um político experiente e tem tido muita cautela, principalmente com aparições públicas. Parece-me contraproducente uma aparição de Lula antes do que seria o momento ideal para que ele comece suas campanhas públicas”, explica.

Pitanga ainda ressalta que, em um cenário de polarização, o ex-presidente se apresenta como principal antagonista ao presidente Jair Bolsonaro e, os dois juntos evitariam um terceiro nome para a disputa. “Este ponto mostra que um precisa do outro para que nas eleições do ano que vem. Entretanto, a tendência que nós observamos é que Lula permaneça construindo essa narrativa nos bastidores e não de maneira pública”, avalia.

O especialista ainda explica que a experiência de Lula o fez perceber que Bolsonaro, sozinho, tem gerado problemas para sua própria gestão. Segundo Pitanga, a posição de confrontamento de opositores, tomadas pelo atual chefe do Executivo, faz com que o ex-presidente se articule mais discretamente e estimule tanto o apoio político, quanto a conquista de votos.

Para André César, cientista político e sócio da Hold Assessoria, já era esperado que, devido a experiência do ex-presidente, ele não aparecesse nas manifestações desta semana. “Ele está indo muito bem nas pesquisas. Hoje, em tese, ganharia o primeiro turno. Então, ele sabe que não é o momento. O sete de setembro, dadas as condições que estamos vivendo, pode morrer gente. O Lula, um animal político do jeito que é, não vai se opor neste dia”, diz.

César ainda destaca a possibilidade do político aparecer estrategicamente depois. “‘Deixa quieto um pouquinho e depois a gente vê’. Seria um grande erro fazer qualquer posicionamento antes. Não teria porque entrar nessa história agora. Para ele entrar nesse jogo, só depois do feriado”, afirma.

O presidente do Partido dos Trabalhadores de Governador Valadares (MG) , Victor Dell'orto, endossa o ponto do especialista e afirma que não faz sentido esta aparição neste momento, haja visto que tem se posicionado bem nas redes sociais e em agendas pontuais. “O ex-presidente está numa posição confortável nas pesquisas atualmente, com probabilidade de uma vitória ainda no 1° turno. Na minha avaliação, Lula não deve se expôr à toa. Ele tem que se preparar para ganhar as eleições no ano que vem. Nossa base está orientada a ir para as ruas nesse feriado, para marcar posição”, revela.

Grito dos Excluídos

O Grito dos Excluídos é uma tradicional manifestação que ocorre no dia 7 de setembro, e completará 27 anos em 2021. O movimento é realizado por meio de atos em todo o Brasil com o intuito de reunir e reivindicar pautas e pessoas excluídas pelo governo federal. O PT estará nas ruas em apoio ao movimento, para movimentar as bases eleitorais e com críticas a Bolsonaro.

O deputado federal Leonardo Monteiro (PT-MG) reforça a participação do partido e diz que não se calará diante do atual governo. “Mais do que nunca é o momento de lutarmos pelos direitos que estão sendo retirados. Vamos às ruas por milhares de brasileiros com fome e desempregados. Lutaremos contra as privatizações. Nós do PT estaremos firmes com o povo. A base está mobilizada, o povo precisa e quer mudança”, afirmou.

Leonardo Patrick, secretário de Formação Política do PT de Ipatinga (MG), defenderá a democracia nos atos. “Hoje o povo tem sofrido muito com o pior governo desde a redemocratização do Brasil. É natural que os movimentos sociais organizados estejam nas ruas. Essa movimentação não acontecerá só no dia 7 de setembro, mas continuará mobilizando a população para enfrentar o retrocesso social que representa o governo Bolsonaro”, disse.

Marcely Alvarenga, filiada ao partido, militante e ex-candidata a vereadora em Turumirim (MG) afirma que as manifestações pró-governo são sem cabimento, sem lógica e só servirão para ostentar o fanatismo e o ataque à democracia que é o que sabem fazer de melhor. “Nas cidades e nos interiores o povo quer comida na mesa, ir ao supermercado, ao açougue e poder levar alimento para casa, para sua família. O povo quer vacina no braço e a vida como era antes”, critica a opositora que estará junto ao ato no feriado.

https://www.correiobraziliense.com.br/

Um país à beira de um ataque de nervos: o que esperar deste 7 de setembro

Ameaças de ruptura institucional após atos da militância bolsonarista em Brasília e em São Paulo aumentam tensão no Brasil

atualizado 07/09/2021 8:01

Igo Estrela/ Metrópoles

O Brasil que chega a este 7 de setembro oscila em um mar de incertezas. Uma nação tensa pela possibilidade defendida por muitos militantes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de aproveitar os atos de apoio ao chefe do Executivo federal para forçar uma ruptura institucional, com “fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso”. Um país atemorizado pela presença de policiais armados como manifestantes e de eventuais paralisações de caminhoneiros ou de conflitos violentos entre fiéis bolsonaristas e opositores – que também anunciaram manifestações. Um país, pelo lado dos bolsonaristas, esperançoso de que atos de grandes proporções em Brasília e em São Paulo neste feriado da Independência sejam o início do fortalecimento de um governo que vem colhendo derrotas no Judiciário e no Legislativo, nem que seja às custas das instituições democráticas.

Bolsonaristas mais moderados acreditam estar gestando uma “Nova Independência”, onde seria possível mostrar ao sistema que o presidente Bolsonaro tem apoio popular – desmentindo o que dizem as pesquisas de opinião. Integrantes da oposição, por sua vez, temem violência e avaliam, em alguns casos, se tratar de um antecedente de um possível golpe.

A mobilização em Brasília começou bem antes do previsto. Tentando evitar desordem, a Polícia Militar do DF havia fechado a Esplanada dos Ministérios para o trânsito desde a noite de domingo (5/9), mas cedeu à pressão de manifestantes na noite de ontem e abriu a via para uma carreata de caminhões e ônibus que trouxeram milhares de pessoas para a capital.

A combinação era uma volta pela via, mas os veículos estacionaram nas seis faixas e centenas de pedestres começaram a ocupar a região com barracas e sacos de dormir, antecipando o ato. Alguns manifestantes chegaram a arrancar grades da barreira montada em frente ao Congresso, mas foram barrados por PMs e por colegas militantes.

A presença precoce de milhares de pessoas na Esplanada coloca em xeque a estratégia da PM, que seria de revistar todo mundo que entrasse na Esplanada nesta terça e impedir a presença de veículos – e de armas.

https://www.metropoles.com/brasil/um-pais-a-beira-de-um-ataque-de-nervos-o-que-esperar-deste-7-de-setembro

Polícia Federal prende professor ligado aos atos de 7 de setembro em Santa Catarina

Polícia Federal prende professor ligado aos atos de 7 de setembro em Santa Catarina
Foto: Reprodução / Amino Apps

A Polícia Federal (PF) prendeu, na noite deste domingo (5) em Otacílio Costa-SC, o professor de educação física Márcio Giovani Niquelatti, acusado de convocar a população à prática de atos criminosos e violentos, incluindo ameaças a um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), de acordo com informações do portal G1 e da CNN Brasil.

 

A ação da PF foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, atendendo a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito do inquérito das fake news. O professor foi encaminhado para o presídio de Lages-SC, onde ficará à disposição da Justiça. 

 

Niquelatti estaria ligado à organização dos atos bolsonaristas marcados para o dia 7 de setembro em Santa Catarina. Ele participou de uma transmissão online na última sexta-feira (3), quando, segundo a denúncia, teria praticado os crimes. A decisão também determina a retirada dos vídeos da internet.

 

A PF segue nas ruas, na realização de buscas. Um mandado de prisão foi expedido por Moraes contra Marco Antônio Pereira Gomes, blogueiro mais conhecido como “Zé Trovão”, de Joinville-SC. Ele ainda não foi encontrado.

Bahia Notícias

Bolsonaristas invadem Esplanada com gritos contra STF

 

Bolsonaristas invadem Esplanada com gritos contra STF
Foto: Leitor

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro furaram o bloqueio da Polícia Militar do Distrito Federal e ingressaram na Esplanada dos Ministérios na noite desta segunda-feira (6).
 

O trânsito na região estava fechado para carros desde a noite de domingo (5), mas após pressão dos manifestantes a PM liberou o bloqueio, permitindo que carros descessem em direção ao prédio do STF (Supremo Tribunal Federal).
 

"Os veículos seriam autorizados a entrar à 0h, mas alguns manifestantes tentaram forçar uma entrada com veículos num dos pontos de bloqueio. A situação foi contornada", informou a PM, em nota.
 

Em vídeos publicados nas redes sociais, é possível ouvir um homem gritando: "Acabamos de invadir, a polícia não deu conta de segurar o povo". Ele ainda completa: "E nós vamos invadir o STF amanhã".
 

Após romperem o bloqueio, caminhões e centenas de manifestantes avançaram até a frente do Palácio do Itamaraty, parando em um bloqueio a poucos metros do Congresso Nacional.
 

As forças de segurança montaram um cordão de isolamento, com cerca de 30 policiais, enquanto na retaguarda havia unidades da tropa de choque.
 

Motoristas de caminhões buzinam e aceleram, sem sair do lugar, para estimular os manifestantes a seguirem adiante. A todo momento, há gritos de "libera, libera" em direção aos policiais. Muitos manifestantes consomem bebidas alcoólicas.
 

Um princípio de confusão teve início entre os próprios manifestantes, que queriam retirar um líder caminhoneiro que estava mais exaltado e estimulava romper o bloqueio.
 

Os gramados da Esplanada ficaram cheios de carros e caminhões estacionados. Alguns manifestantes montaram barracas bem próximas ao Congresso.
 

Os presentes mesclavam ofensas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, com o hino nacional e da Independência. Também havia faixas com os dizeres "supremo é o povo" e críticas a personalidades políticas, como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), até então poupado pelos bolsonaristas.
 

O ministro da CGU (Controladoria-Geral da União), Wagner Rosário, publicou um tuíte exaltando a invasão dos manifestantes na Esplanada.
 

"Lindo ver Brasília ser tomada por pessoas de bem. Pessoas ordeiras, que só querem viver num país mais justo, mais livre e mais democrático. Tá bonito de ver!!! Viva o 07 de setembro!!", escreveu.
 

Uma fonte da Secretaria de Segurança Pública do DF disse à reportagem que o episódio está sendo tratado pelo governo local como invasão de dois bloqueios na Esplanada dos Ministérios. De acordo com o relato, não houve nenhuma negociação com a PM.
 

O esquema de segurança divulgado pelo Governo do Distrito Federal previa a revista de manifestantes, para coibir armas brancas ou de fogo, e o fechamento do trânsito na Esplanada a partir da 0h desta terça-feira (7).
 

No entanto, na noite de domingo, a Secretaria de Segurança Pública resolveu antecipar o fechamento.
 

"Em razão da presença expressiva do número de manifestantes na Esplanada dos Ministérios e para garantir a segurança e melhor mobilidade, o trânsito de veículos estará restrito a partir da noite deste domingo (5) na região. A decisão foi tomada após avaliação da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP/DF) e das forças de segurança", disse a pasta, em nota.

Bahia Notícias

Manifestantes entram em confronto com a PM durante a madrugada em Brasília; assista


Manifestantes entram em confronto com a PM durante a madrugada em Brasília; assista
Foto: Reprodução / Twitter / @metropoles

Manifestantes apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) entraram em confronto com a Polícia Militar, em Brasília, na madrugada desta terça-feira (7). As informações são do Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.

 

O grupo tentava passar bloqueio da PM para que caminhoneiros tivessem acesso à Esplanada dos Ministérios. Para conter os ânimos, policiais usaram spray de pimenta e os manifestantes responderam com rojões.

 

Após a situação ser controlada, os apoiadores de Bolsonaro tentaram negociar a liberação da via. Após pedidos para que eles se afastassem, a PM voltou a usar spray de pimenta. Revoltada, uma mulher acusou os policiais de serem “comunistas”.

 

A grande fake news! Bolsonaro diz que o povo está com ele, mas 2/3 são contra

Publicado em 6 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Golpe e contragolpe | A Gazeta

Charge do Amarildo (Arquivo Google)

Eliane Cantanhêde
Estadão

No sábado, uma semana atrás, o presidente da Câmara, Arthur Lira, surpreendeu seus aliados no pequeno e pobre município de Lagoa da Canoa, em seu Estado, Alagoas, ao ligar para o presidente Jair Bolsonaro pelo celular, ser atendido e abrir a conversa pelo viva voz: “Olha aqui, é o nosso presidente!” Foi uma festa.

É assim que Bolsonaro governa, ou melhor, não governa. Faz campanha e marketing, num desbragado populismo, a la Hugo Chávez, que corrói as instituições, cria um clima de guerra – inclusive entre Câmara e Senado – e vai transformar o 7 de Setembro numa grande fake news, de defesa do nada e ataque à democracia, às instituições e à realidade.

APOIO DO POVO – Há os que, como Lira, se movem por interesses pessoais, políticos e eleitorais. Outros são os crentes, que tapam olhos, bocas, ouvidos – e narizes – para não enxergar e não entender o que está bem na sua cara. Caem em qualquer lorota e atacam quem tenta trazer luz e racionalidade ao País.

O fato é que Jair Bolsonaro, que há pouco esfumaçou a Praça dos Três Poderes com tanques obsoletos e sem graça, tirou da população a festa e a alegria de saudar a Pátria, curtir o desfile militar e as manobras da Força Aérea para se concentrar numa única coisa: ele próprio.

Está prevista uma presença recorde em Brasília, Rio, São Paulo e várias capitais. Essa gigante massa de manobra será usada por Bolsonaro para mais uma fake news: a de que “o povo” está com ele. Segundo todas as pesquisas, porém, ele tem menos de um terço da população. Os outros dois terços observam, indiferentes ou perplexos, ou se desesperam, temendo que o presidente vá das palavras aos atos contra instituições, eleições e a democracia.

“QUEBRO E ARREBENTO” – Tipos como Roberto Jefferson, Sérgio Reis, Ottoni de Paula, Daniel Silveira, Wellington Macedo, Zé Trovão e aquela outra que sumiu, depois de se fantasiar de Ku Klux Klan diante do Supremo, fazem da violência e do “quebro e arrebento” a sua bandeira. Esse é o seu lado, leitor?

Outros usam instrumentos da democracia como armas letais. A deputada Bia Kicis ameaça (sim, é uma ameaça) com um projeto para acabar com o TSE, a Justiça Eleitoral, que tem tantos serviços prestados. O deputado, ex-líder do governo e ex-major Vitor Hugo lança um projeto para tirar o comando dos governadores sobre as PMs e transferi-lo para Bolsonaro, transformando as polícias em milícias bolsonaristas, novamente a la Chávez.

E há os que transitam entre o incompreensível, o patético e a insanidade, como o negro Sérgio Camargo, da Fundação Palmares, que, anteontem, levou ao delírio uma tal conferência conservadora (o Foro de São Paulo da extrema direita) ao chamar os movimentos negros de “afromimizentos, negrada vitimista, pretos com coleiras”. A escravidão, para ele, foi o maior barato.

SALLES E ARAÚJO – Misturam-se a essa gente os ex-ministros Ricardo Salles, da destruição da Amazônia, e Ernesto Araújo, da implosão da política externa, além de Onyx Lorenzoni, que pula de ministério em ministério em nome de Deus, da família e da moral. Como o Taleban.

Arthur Lira faz o jogo e outros fazem gol contra, como Pedro Guimarães, da CEF, que transformou um traque numa bomba: um texto anódino da Fiesp e da Febraban, que seria nada, acabou fazendo emergir a resistência entre empresários, banqueiros, executivos e agronegócio. Instabilidade afeta desenvolvimento, investimentos e o futuro.

O mais triste é um presidente que não governa, não tem programa, erra tudo na pandemia, não dá a mínima para a crise hídrica e só destrói, sem construir, mas consegue surrupiar a bandeira nacional, o verde e amarelo e a racionalidade de tantos inocentes úteis para atacar o Supremo, pilar da democracia, e endeusar a ele próprio, líder da desordem, do caos, da violência, da enganação.

Senado agiu acertadamente, ao enfiar os jabutis trabalhistas na toca de Lorenzoni e Guedes

Publicado em 7 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Acordo de Onyx Lorenzoni com Procuradoria deve elevar multa por caixa dois  - 15/08/2020 - Poder - Folha

Onyx Lorenzoni tentou manipular os senadores e se deu mal

Vicente Limongi Netto

Como de hábito, ardiloso, entedioso e tendencioso, o ministro Onyx Lorenzoni (Correio Braziliense- 4/9) afirmou que “o senado não compreendeu a Medida Provisória”, que trata de programas trabalhistas, e derrotou a iniciativa do governo. O arrogante titular da pasta do Trabalho e Previdência disse que viu o resultado com “tristeza e indignação”.

Porém, nessa linha, o editorial do “Estadão”(3/9) faz duras críticas à MP: “A derrubada do monstrengo em que se tornou a MP 1.045, pelo Senado, sem dúvida, representa mais uma derrota para o governo do presidente Jair Bolsonaro. Mostra que a articulação politica do presidente ainda está muito distante de algo minimamente coeso e organizado.

Acentua o editorial: “Também ilustra muito bem a crise de confiança mútua que se instalou entre as duas Casas Legislativas”. O editorial admite que a proposta tinha bons propósitos. Porém, membros do próprio governo federal, como os ministros Paulo Guedes e Onyx Lorenzoni,  começaram a inserir seus “jabutis” no texto original.

PERPLEXIDADES – Os seres humanos e suas múltiplas perplexidades. De alegrias que encantam corações, tornando a vida mais fácil, diante dos problemas e obstáculos, e barbaridades que embrutecem o espírito. Dois exemplos: palmas para os dignos e valorosos atletas paraolímpicos, que trouxeram 71 medalhas de Tóquio, orgulhando o Brasil e os brasileiros.

Repúdio aos políticos que deslustram a atividade pública. Semeiam ordinarices, insultos, desaforos, ameaças e pantomimas intoleráveis.

PROJETOS LUNÁTICOS – A tal deputada bolsonanta Bia Kicis, que pregava a volta das urnas impressas, agora pretende acabar com o Tribunal Superior Eleitoral e a Justiça Eleitoral. E o deputado Vitor Hugo, também bolsonarauta, é autor de projeto para tirar dos governadores o comando das Policias Militares que passariam a ser comandados por Bolsonaro e milicianos. 

Os vencedores atletas paraolimpicos merecem ser recebido com aplausos e flores. Já os nefastos Bia Kicis e Vitor Hugo, fantoches de Bolsonaro, precisam, urgente, passar bom tempo em manicômio, até obterem recuperação total.

O DONO DA BOLA – Depois de driblada no aeroporto pelos argentinos, a atrapalhada e desnorteada Anvisa resolveu entrar em campo uniformizada de dona da verdade. O presidente da entidade, vice-almirante Antônio Barra Torres, literalmente barrou o jogo. Assumiu o timão e o papelão. Deleitou-se com seus 15 minutos de fama. Mais do que merecia.

 Os  autofalantes do estádio do Corinthians anunciaram as substituições, diante da perplexidade geral: saem Messi e Neymar, entra o perna-de-pau, Antônio Barra Torres, um brasileiro raro, que odeia futebol.


Bolsonaristas mantêm 9 contas bancárias para financiar atos antidemocráticos, diz o UOL

Publicado em 7 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

POR QUE A POLÍCIA FEDERAL DEVE SER INDEPENDENTE - NOVO

Polícia Federal está investigando os financiadores dos atos

Deu no Sputnik

Procuradoria-Geral da República e Polícia Federal acompanham o financiamento das manifestações no 7 de setembro. As contas servem para contratar ônibus, comprar faixas e alugar helicópteros. Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mantêm pelo menos nove contas bancárias para financiar atos antidemocráticos no feriado de 7 de setembro, informa o portal UOL neste domingo (5).

Os apoiadores do presidente dizem que as manifestações são democráticas e que não visam a um golpe de Estado, mas Bolsonaro recentemente vem fazendo diversas ameaças à realização das eleições de 2022, com ataques aos outros Poderes, dizendo que é preciso “enquadrar” ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e fazer uma “ruptura”.

VALORES ARRECADADOS – Integrantes da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) informaram que acompanham o financiamento dos atos e que os valores arrecadados não foram revelados pela maioria dos organizadores.

As contas usadas para financiar os atos servem para contratar ônibus e banheiros químicos, comprar faixas, cartazes, pagar alimentação e energia e até helicópteros estão sendo alugados.

No Supremo existe um inquérito que investiga justamente os financiadores dos protestos antidemocráticos organizadospelo presidente Bolsonaro e seu “Gabinete do Ódio”.

ZÉ TROVÃO AINDA SOLTO – O grupo de Zé Trovão, o caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, que convoca a população para os atos e pede o “impeachment” dos 11 ministros do STF, disse à mídia que espera ter 500 mil pessoas em Brasília e um milhão em São Paulo.

Zé Trovão é alvo de uma ordem de prisão após convocar “atos violentos de protesto” para o 7 de setembro, mas no sábado (4) publicou vídeo em suas redes sociais afirmando que estará na Avenida Paulista, em São Paulo, durante a manifestação programada para o feriado.

A ordem de prisão contra o caminhoneiro foi expedida na sexta-feira (3) no âmbito do inquérito aberto para investigar a organização de manifestações violentas no feriado. A mesma investigação resultou na prisão do blogueiro bolsonarista Wellington Macedo de Souza.

Em destaque

UPB defende São João com responsabilidade fiscal e combate à cartelização de cachês

  UPB defende São João com responsabilidade fiscal e combate à cartelização de cachês Por  Redação 31/01/2026 às 09:51 Foto: Divulgação O pr...

Mais visitadas