Ameaças de ruptura institucional após atos da militância bolsonarista em Brasília e em São Paulo aumentam tensão no Brasil
atualizado 07/09/2021 8:01

O Brasil que chega a este 7 de setembro oscila em um mar de incertezas. Uma nação tensa pela possibilidade defendida por muitos militantes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de aproveitar os atos de apoio ao chefe do Executivo federal para forçar uma ruptura institucional, com “fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso”. Um país atemorizado pela presença de policiais armados como manifestantes e de eventuais paralisações de caminhoneiros ou de conflitos violentos entre fiéis bolsonaristas e opositores – que também anunciaram manifestações. Um país, pelo lado dos bolsonaristas, esperançoso de que atos de grandes proporções em Brasília e em São Paulo neste feriado da Independência sejam o início do fortalecimento de um governo que vem colhendo derrotas no Judiciário e no Legislativo, nem que seja às custas das instituições democráticas.
Bolsonaristas mais moderados acreditam estar gestando uma “Nova Independência”, onde seria possível mostrar ao sistema que o presidente Bolsonaro tem apoio popular – desmentindo o que dizem as pesquisas de opinião. Integrantes da oposição, por sua vez, temem violência e avaliam, em alguns casos, se tratar de um antecedente de um possível golpe.
A mobilização em Brasília começou bem antes do previsto. Tentando evitar desordem, a Polícia Militar do DF havia fechado a Esplanada dos Ministérios para o trânsito desde a noite de domingo (5/9), mas cedeu à pressão de manifestantes na noite de ontem e abriu a via para uma carreata de caminhões e ônibus que trouxeram milhares de pessoas para a capital.
A combinação era uma volta pela via, mas os veículos estacionaram nas seis faixas e centenas de pedestres começaram a ocupar a região com barracas e sacos de dormir, antecipando o ato. Alguns manifestantes chegaram a arrancar grades da barreira montada em frente ao Congresso, mas foram barrados por PMs e por colegas militantes.
A presença precoce de milhares de pessoas na Esplanada coloca em xeque a estratégia da PM, que seria de revistar todo mundo que entrasse na Esplanada nesta terça e impedir a presença de veículos – e de armas.
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