quinta-feira, novembro 19, 2020

PGR diz ao STF que é cedo para discussão sobre obrigatoriedade da vacina contra o novo coronavírus


Charge do Cazo (blogdoaftm.com.br)

Rafael Moraes Moura
Estadão

O debate sobre a obrigatoriedade de vacinação contra o novo coronavírus é “prematuro”, informou a Advocacia-Geral da União (AGU) ao Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação da AGU, órgão que defende os interesses do Palácio do Planalto, sem uma vacina disponível neste momento contra o novo coronavírus, uma eventual decisão que determine a compulsoriedade da medida seria “desprovida de respaldo técnico-científico”.

“Uma vez que não há vacina disponível, a atribuição a priori de compulsoriedade geral à vacinação contra o covid-19 refletiria uma decisão desprovida de respaldo técnico-científico, que restringiria indevidamente o âmbito de atuação dos demais Poderes na formulação de uma política pública de vacinação adequada”, alertou a AGU.

OBRIGATORIEDADE –  A manifestação da AGU foi feita no âmbito de uma ação movida pelo PDT, que acionou o Supremo para que Estados e municípios possam determinar a realização compulsória de vacinação no combate ao novo coronavírus. Segundo o partido político, diversos Estados “adiantaram-se à omissão deliberada” do Ministério da Saúde no enfrentamento da pandemia, fazendo com que uma questão nacional se tornasse de “interesse local”. No mês passado, o presidente Jair Bolsonaro disse que a vacina contra o covid “não será obrigatória”.

Em um documento de 39 páginas, a AGU defendeu ao Supremo a rejeição da ação do PDT. Um dos pontos levantados pelo governo federal é que a competência para definir quais vacinas eventualmente serão tornadas obrigatórias é do Ministério da Saúde. O caso está com o ministro Ricardo Lewandowski. Conforme informou o Estadão no mês passado, a tendência do STF é adotar postura favorável à vacinação obrigatória.

ALEGAÇÃO – “A construção de uma casa começa pelo alicerce, não pelo telhado. Portanto, antes de mais nada, é preciso que exista uma vacina. É necessário ter em mente que a discussão sobre compra, distribuição e aplicação de uma vacina – inclusive no que se refere à eventual obrigatoriedade – pressupõe um elemento essencial, qual seja, a prévia existência da própria vacina, obviamente testada por meio dos necessários estudos científicos, comprovada e registrada na origem e na Anvisa, como meios de garantir sua qualidade, efetividade e segurança”, alegou a AGU ao STF.

“Dessa forma, não obstante as inúmeras iniciativas de desenvolvimento de vacinas que se encontram em curso em diferentes países, incluindo o Brasil, uma vez que ainda não existe, no mundo, uma vacina comprovadamente segura e eficaz para enfrentamento da pandemia decorrente do novo coronavírus, qualquer debate acerca de compra, distribuição, aplicação e compulsoriedade se revela de certo modo prematuro”, sustentou o órgão.

FORMATO GRADUAL – Mesmo sem uma vacina segura e eficaz reconhecida pelas autoridades brasileiras, a União tem adotado “diversas medidas que se destinam a assegurar o acesso a futuras vacinas para a covid-19, de modo a garantir a imunização da população brasileira”, observou a AGU. Entre as ações destacadas está a edição de uma medida provisória, assinada por Bolsonaro, que abriu crédito de R$ 1,9 bilhão para produção e aquisição da vacina de Oxford.

De acordo com a AGU, cabe ao Ministério da Saúde desempenhar um papel central na definição de uma estratégia de vacinação em todo o País. “Não obstante a prematuridade do debate no âmbito desta Suprema Corte acerca da compulsoriedade da vacinação contra a covid-19, vale frisar que eventual medida dessa natureza deve considerar fatores contingenciais relativos a essa pandemia, como a disponibilidade de doses de vacinas e a vulnerabilidade do público alvo. A estratégia vacinal pode vir a assumir formato gradual, contemplando inicialmente os segmentos sociais mais afetados, decisão que também depende da avaliação do contexto nacional de enfrentamento da epidemia”, frisou a AGU.

“As dimensões continentais do Brasil, além de suas profundas disparidades regionais, exigem uma unidade de ação capaz de superar as fragilidades locais, mediante políticas públicas globais que acarretem tratamento igualitário e cientificamente seguro, o que somente pode ser desempenhado pelo ente central, por meio do Ministério da Saúde”, concluiu o órgão.

REVOLTA DA VACINA –  Esta não será a primeira vez que o STF vai decidir sobre os limites da atuação do Estado em questões de saúde coletiva.  Conforme informou o Estadão no último domingo, em 1905, o STF decidiu sobre um caso de morador do Rio na esteira dos protestos violentos que marcaram a Revolta da Vacina. Tanto naquela época, quanto hoje, o Supremo foi chamado para arbitrar conflitos e decidir os limites da atuação do Estado em nome da saúde coletiva.

Na época, o Supremo decidiu proibir a entrada de agentes sanitários na casa de um morador sem o seu consentimento para desinfectar o imóvel contra o mosquito causador da febre amarela.

MP do Rio dedicou mais de 50 páginas para detalhar liderança de Flávio em “organização criminosa”


Flávio Bolsonaro é acusado por peculato e lavagem de dinheiro

Rayssa Motta, Pepita Ortega, Paulo Roberto Netto, Fausto Macedo e Caio Sartori
Estadão

A denúncia oferecida no início no mês pelo Ministério Público do Rio contra o senador Flávio Bolsonaro guarda um capítulo à parte para descrever como o filho mais velho do presidente supostamente liderou a organização criminosa que, segundo os investigadores, foi montada em seu gabinete na Assembleia Legislativa fluminense durante os mandatos como deputado estadual para desviar R$ 6 milhões da contratação de funcionários fantasmas.

São mais de 50 páginas para detalhar os supostos crimes de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro cometidos pelo parlamentar. Segundo a Subprocuradoria-Geral de Justiça de Assuntos Criminais e Direitos Humanos, Flávio é quem nomeava e mantinha os servidores comissionados em troca da devolução de parte de seus vencimentos.

LIDERANÇA – “Em razão de seu cargo político, o então deputado estadual exercia a posse e disponibilidade jurídica de valores oriundos do orçamento do Poder Legislativo Estadual, ainda que indiretamente, na medida em que lhe cabia indicar, manter designados ou exonerar os ocupantes de determinados cargos ou funções, seja em seu próprio Gabinete ou em outros órgãos da Casa Legislativa no qual exercia poder hierárquico ou influência política, inclusive sobre a livre nomeação e exoneração dos funcionários”, diz um trecho da denúncia.

Embora o ex-assessor Fabrício Queiroz, apontado como como ‘braço direito’ de Flávio, um ‘faz tudo’ do senador desde os tempos de Assembleia Legislativa, tenha tentado convencer os investigadores de que os desvios aconteciam sem a anuência do então deputado, para a Procuradoria ficou claro, ao longo dos mais de dois anos de investigação, que o parlamentar comandava o suposto esquema das ‘rachadinhas’.

Em depoimento, Queiroz disse que se valeu da ‘confiança e autonomia’ que tinha no gabinete de Flávio para usar o dinheiro devolvido pelos assessores como o fim de ‘expandir as redes de contato e de colaboradores’ que atuariam como assistentes informais da base eleitoral do então deputado. No entanto, o que a denúncia descreve é o enriquecimento ilícito do ‘filho 01’ de Jair Bolsonaro.

COMPARSAS – “Objetivando transferir para seu patrimônio pessoal e de sua esposa parte das verbas públicas que deveriam ser destinadas ao pagamento desses servidores, o parlamentar associou-se a dezenas de comparsas para praticarem, reiteradamente, o esquema criminoso conhecido como “rachadinha” ou “rachid”, que contava com a atuação do denunciado Fabrício José Carlos de Queiroz como operador financeiro”, afirma o MP do Rio.

A evolução patrimonial de Flávio e Fernanda Bolsonaro chamou atenção. Segundo a denúncia, é ‘incalculável’ o valor de dinheiro em espécie repassado pelo ex-assessor Fabrício Queiroz para o pagamento de despesas da família – de mensalidade escolar e salários de funcionários domésticos a planos de saúde. As transações imobiliárias sem lastro nas contas bancárias do casal também acenderam o alerta nos investigadores: foram quatro apartamentos e 12 salas comerciais nas zonas sul e oeste do Rio.

A Procuradoria ainda coloca sob suspeita os gastos com cartões de crédito: entre 2007 e 2009, a média das faturas foi de apenas R$ 195 por mês. “O resultado do fluxo de caixa anual indica que o somatório das receitas lícitas não seria suficiente para cobrir as despesas do casal e suas filhas, resultando em uma injustificável evolução patrimonial a descoberto no período. Diante desse déficit financeiro, conclui-se sem maiores dificuldades que o casal custeou parte das despesas a descoberto utilizando recursos estranhos às suas fontes de renda, oriundos dos desvios de verbas da Alerj intermediados pelo denunciado Fabrício José Carlos de Queiroz, por vezes depositando dinheiro em espécie de origem espúria em suas contas bancárias, por outras realizando pagamentos diretos aos credores, também com dinheiro em espécie, quitando dívidas sem transitar pelo sistema financeiro nacional”, registra a Procuradoria.

SONEGAÇÃO – Os investigadores também descobriram, através do cruzamento de dados obtidos com as quebras de sigilo fiscal e bancário e de consultas no sistema de Justiça, R$ 90 mil supostamente sonegados por Flávio. O dinheiro investido no mercado de ações não teria sido declarado à Receita Federal, mas é reconhecido em uma ação judicial reparatória ajuizada pelo próprio parlamentar, que exigia reembolso.

“De acordo com a sentença proferida pela 36ª Vara Cível do Foro Central da Comarca de São Paulo, o Parlamentar declarou ter investido R$ 90.000,00 (noventa mil reais) na bolsa de valores ao longo de 2007 e 2008 e ter perdido todo o investimento, gerando uma dívida deR$ 15.500,00 (quinze mil e quinhentos reais) com a corretora que, segundo alegado pelo próprio autor, teria sido quitada em dinheiro vivo”, afirma o MP.

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COM A PALAVRA, OS ADVOGADOS RODRIGO ROCA, LUCIANA PIRES E JULIANA BIEREENBACH, QUE DEFENDEM FLÁVIO BOLSONARO

Após a denúncia, os advogados Rodrigo Roca, Luciana Pires e Juliana Bierrenbach, que defendem o senador Flávio Bolsonaro, divulgaram uma nota classificando as imputações do Ministério Público do Rio como ‘crônica macabra e mal engendrada’ e afirmando que ‘todos os defeitos de forma e de fundo’ da denúncia serão pontuados na formalização da defesa.

“A denúncia já era esperada, mas não se sustenta. Dentre vícios processuais e erros de narrativa e matemáticos, a tese acusatória forjada contra o Senador Bolsonaro se mostra inviável, porque desprovida de qualquer indício de prova”, alegou, em nota, a defesa. “Não passa de uma crônica macabra e mal engendrada. Acreditamos que sequer será recebida pelo Órgão Especial. Todos os defeitos de forma e de fundo da denúncia serão pontuados e rebatidos em documento próprio, a ser protocolizado tao logo a defesa seja notificada para tanto.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO PAULO EMÍLIO CATTA PRETA, QUE DEFENDE FABRÍCIO QUEIROZ

Após a denúncia, o advogado Paulo Emílio Catta Preta, que defendeu Fabrício Queiroz, divulgou a seguinte nota:

“A defesa de Fabrício Queiroz tomou conhecimento da notícia do oferecimento de denúncia pelo MPRJ, sem, no entanto, ter tido acesso ao seu conteúdo. Inaugura-se a instância judicial, momento em que será possível exercer o contraditório defensivo, com a impugnação das provas acusatórias e produção de contraprovas que demonstrarão a improcedência das acusações e, logo, a sua inocência”.

Madeireiro diz que Bolsonaro deu tiro no pé e declaração pode prejudicar a confiança no Brasil


Roberto Pupo critica as declarações feitas por Bolsonaro

Deu no Painel
(Folha)

A previsão é que os importadores de madeira legal de Europa e EUA poderão questionar se a documentação do Brasil é confiável, segundo o presidente da Associação de Exportadores de Madeira do Estado do Pará, Roberto Pupo. Ele diz que Jair Bolsonaro deu um tiro no pé ao tentar denunciar a suposta contradição dos europeus quando criticam o desmatamento, mas importam madeira brasileira.

“A Polícia Federal está com esse relatório desde 2018, 2019, e agora, quase dois anos depois, eleve vêm falar disso? Foi um gancho que ele [superintendente da PF] conseguiu. E o Bolsonaro, gaiato, pegou e soltou essa bomba. Vai ser um tiro no pé e vai atrapalhar muito o comércio de madeira internacional”, afirma.

Segundo ele, a venda de madeira para o exterior tem um controle rigoroso e corresponde a cerca de 15% das vendas totais. A maior parte fica no mercado doméstico.

DNA DA MADEIRA – Pupo também criticou o DNA do desmatamento apresentado pela PF aos embaixadores europeus em Manaus, ainda que acredite que a Amazônia tenha se transformado em motivo para criticar Bolsonaro.

“Se ele [o superintendente da PF] quisesse fazer alguma coisa séria, ele teria passado os critérios de averiguação de legalidade de madeira para outras superintendências da Amazônia. Ou ele ficou guardando isso para ele? Pará, Mato Grosso nunca adotaram esse critério, por exemplo”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Até parece que há dificuldades para fiscalizar exportação ilegal de madeira. Afinal, não dá para levar as toras dentro da cueca, não é mesmo? (C.N.)

Vacina de Oxford mostra resultado seguro e 'forte resposta imune' em idosos, diz revista


Vacina de Oxford mostra resultado seguro e 'forte resposta imune' em idosos, diz revista
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Em mais um passo importante na corrida por uma vacina contra a Covid-19, a farmacêutica AstraZeneca e a Universidade de Oxford conseguiram segurança e "uma forte resposta imune" em idosos que participaram da fase 2 de testes. A avaliação foi feita em um estudo com 560 participantes, sendo 240 deles com mais de 70 anos, que foi publicado na revista científica The Lancet, nessa quinta-feira (19). Ela é referência na área da saúde.

 

Segundo relatado pelo G1, a fase 2 dos testes de uma vacina é o momento em que se verifica a segurança e a capacidade do imunizantes gerar uma resposta do sistema de defesa. Neste sentido, para o coautor do estudo, Maheshi Ramasamy, o resultado em idosos é empolgante. 

 

"As respostas robustas de anticorpos e células T vistas em pessoas mais velhas em nosso estudo são encorajadoras. Esperamos que isso signifique que nossa vacina ajudará a proteger algumas das pessoas mais vulneráveis da sociedade, mas mais pesquisas serão necessárias antes que possamos ter certeza", avaliou com ponderação.

 

Essa é uma das vacinas em fase de testes no Brasil e a única cujos desenvolvedores já firmaram acordo com o governo federal. Em agosto, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) assinou uma medida provisória para produzir 100 milhões de doses do imunizante, se ele for aprovado pelos órgãos reguladores. No Brasil, a parceria para a produção foi feita com a Fiocruz (saiba mais aqui).

Será que os vereadores de Jeremoabo quando estiveram em Juazeiro esqueceram de entregar a suposta fraude da Cooperativa de R$ 13 milhões?

 

Organizações Sociais de Saúde são alvo de operação da PF na Bahia nesta quinta
Foto: Leitor BN/ WhatsApp

A APMI, Organização Social de Saúde (OSs), é alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (19). Foram expedidos seis mandados de prisão, cinco de preventiva e um de temporária, e outros 16 de busca e apreensão em Salvador, Castro Alves, Guanambi e Juazeiro. O Bahia Notícias apurou que o setor responsável por contratos de OSs da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), em Salvador, também recebeu a visita da PF.

 

De acordo com a corporação, a operação batizada de Metástase, que faz alusão à corrupção como uma espécie de câncer da sociedade, conta com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e visa a desarticular um esquema de fraude em licitações e desvio de recursos públicos destinados à gestão do Hospital Regional de Juazeiro. Na unidade, o contrato é da APMI, mas a gestão é feita pela IBDAH.

 

Os agentes apuraram que a organização criminosa investigada passou a dominar a gestão de inúmeras unidades da rede estadual de saúde sob gestão indireta. Com fraudes nas licitações públicas, eles usavam diferentes Organizações Sociais de Saúde (OSs), que, na verdade, são controladas pelo mesmo grupo empresarial. Ou seja, eram registradas em nome de "laranjas".

 

De acordo com a apuração da PF, essas OSs passaram a contratar empresas de fachada ligadas ao mesmo grupo investigado, com contratos feitos de forma direcionada e superfaturamento. Através desse esquema, "os recursos públicos destinados à administração hospitalar eram escoados, sem que muitos dos serviços fossem efetivamente prestados ou os produtos fossem fornecidos", diz a corporação.

 

A medida é decorrente de um inquérito instaurado em setembro pelo Ministério Público Federal (MPF) para apurar supostos desvios no Hospital Regional de Juazeiro. Na época, o inquérito teve como base possíveis desvios por parte da empresa que gere a unidade de saúde. Em resposta, a administração do hospital justificou que "supostos 'desvios' referentes ao não cumprimento das metas estipuladas carece de respaldo fático, visto que a execução dos serviços prestados obedece aos parâmentos qualitativos e quantitativos descritos no contrato de gestão" (veja aqui). (Atualizada às 8h48).



Crivella diz que Doria é 'vagabundo' e é homofóbico ao chamá-lo de 'viado'; veja


Crivella diz que Doria é 'vagabundo' e é homofóbico ao chamá-lo de 'viado'; veja
Foto: Bruno Rocha / FotoArena

O prefeito e candidato à reeleição no Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), proferiu uma série de xingamentos contra o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Durante uma reunião com filiados de seu partido, ele disse que o tucano era "vagabundo", entre outros adjetivos.

 

"Eu entrei na Justiça contra esses vagabundos. Tinha dinheiro pra pagar aos funcionários, eles pegaram e pagaram fornecedor, que tinha que pagar dia 10 de dezembro. E faltou dinheiro. Todas essas OSs (inaudível)... Sabe de quem é essa OS de São Paulo? É do Doria. Viado! Vagabundo!", afirmou, aos berros, usando expressões homofóbicas e sendo aplaudido pela plateia. 

 

 

De acordo com o jornal O Globo, os ataques foram feitos em reunião ocorrida nessa quarta-feira (18), depois que uma espectadora criticou as organizações sociais (OSs) que atuam na área da Saúde. Já o vídeo foi compartilhado pelo presidente do Império Serrano, Sandro Avelar, no Facebook. Ele apoia o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (DEM), na disputa em segundo turno contra Crivella.

 

Diante dos xingamentos do vídeo, a publicação fez questão de lembrar que, durante o primeiro turno, o prefeito foi questionado sobre a atuação dos "guardiões do Crivella", grupo de apoiadores que hostilizava jornalistas na porta de hospitais municipais. Ele disse que não costumava xingar.

 

"Peço que encontre uma vez que eu tenha xingado, criticado alguém. Os políticos têm momentos em que perdem a paciência, que se ofendem, que brigam, berram, chamam de ladrão, vagabundo, safado... Eu nunca fiz isso", se defendeu à época, com um discurso diferente do que mostrou ao atacar Doria.

Gleisi critica Obama por afirmar que havia boatos de corrupção envolvendo Lula em 2009

por Diana Lott | Folhapress

Gleisi critica Obama por afirmar que havia boatos de corrupção envolvendo Lula em 2009
Foto: Agência Senado

A presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) e deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) criticou nesta quarta (18) o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama por suas declarações sobre o também ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em um recém-lançado livro de memórias sobre seu tempo na Casa Branca, Obama descreve um encontro com Lula no qual o brasileiro causou boa impressão e afirma que, já naquela época, "circulavam boatos de clientelismo governamental, negócios por baixo do pano e propinas na casa dos bilhões".

Em entrevista à Folha, Obama disse que "está claro que o Brasil ainda tem problemas profundos com a corrupção sistêmica".

Gleisi saiu em defesa de Lula e afirmou em uma rede social que o americano "tem de explicar a sua participação no golpe e na Lava Jato", referindo-se ao impeachment de Dilma Rousseff (PT). Ela também acusou Obama de acobertar seu vice, Joe Biden (hoje presidente eleito dos EUA), de investigações de corrupção.

Em 2015, Biden pressionou a Ucrânia pela demissão de Viktor Shokin, um procurador que, entre outros casos, investigava a empresa ucraniana Burisma Holdings por corrupção -um dos filhos do então vice, Hunter, fazia parte do conselho de administração da companhia.

Shokin foi alvo de críticas do governo ucraniano e da opinião pública, que o consideraram ineficaz. Seu sucessor, Iuri Lutsenko, não encontrou nenhuma irregularidade envolvendo a Burisma. Em setembro do ano passado, o Departamento Nacional Anticorrupção da Ucrânia afirmou que Hunter nunca havia sido investigado.

Gleisi também afirmou que Obama passou "oito anos fazendo guerras e espionagem a serviço da indústria de armas e do establishment de seu país".

Um dos episódios de maior tensão nas relações entre EUA e Brasil das últimas décadas ocorreu em 2013, durante os governos de Dilma e Obama, quando documentos secretos obtidos pelo jornalista Glenn Greenwald com o ex-técnico da NSA (Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos) Edward Snowden revelaram que Dilma e seus assessores foram espionados por Washington.

A então presidente decidiu cancelar uma visita de Estado aos EUA agendada para poucas semanas após o caso vir à tona.

Ainda no primeiro mandato de Dilma, em 2015, o site WikiLeaks publicou documentos da NSA que revelaram novos grampos. Ao todo, 29 telefones de membros e ex-integrantes do governo foram i

Bahia Notícias

PGE diz que objetivo é garantir 'fiel cumprimento' de operação na sede da Sesab


PGE diz que objetivo é garantir 'fiel cumprimento' de operação na sede da Sesab
Operação no Hospital de Juazeiro | Foto: PF

Diante da operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) na sede da Secretaria de Saúde da Bahia, na manhã desta quinta-feira (19), a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) emitiu uma nota para dizer que tem interesse na apuração dos fatos. No caso da pasta estadual, os agentes focam no setor de contratos das Organizações Sociais de Saúde (OSS's).

 

"A orientação é a de garantir o fiel cumprimento da decisão judicial, considerando que o Estado da Bahia é o maior interessado nos esclarecimentos dos fatos", disse a PGE em nota.

 

O principal foco da operação a Associação de Proteção à Maternidade e Infância de Castro Alves (APMI), organização que detém o contrato do Hospital Regional de Juazeiro. Mas o IBDAH, responsável pela operação do hospital, também é alvo.

 

Supostos desvios investigados em setembro na unidade saúde foram a base para os mandados expedidos hoje (veja aqui). Os agentes cumprem seis mandados de prisão e outros 16 de busca e apreensão em Salvador, Juazeiro, Guanambi e Castro Alves (saiba mais aqui).

Primeiro lote da vacina chinesa Coronavac chega a São Paulo


Primeiro lote da vacina chinesa Coronavac chega a São Paulo
Foto: Reprodução/TV Globo

Chegou a São Paulo na manhã desta quinta-feira (19) o primeiro lote com 120 mil primeiras doses da vacina Coronavac, desenvolvida por uma farmacêutica chinesa contra a Covid-19. 

 

O material foi importado da China e no Brasil será produzido em parceria com o Instituto Butantan.

 

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), acompanhou a chegada dos lotes no local.

 

As 120 mil doses que chegaram nesta quinta fazem parte de um lote de 6 milhões previsto para chegar até o final de dezembro.

 

Há algumas semanas a vacina foi tema de imbróglio entre o Ministério da Saúde, o presidente Jair Bolsonaro e o governador João Dória. 

 

O imunizante ficou no centro da disputa política depois que Bolsonaro esvaziou o plano de aquisição futura da Coronavac. Plano este que havia sido feito pelo próprio ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Na época, Bolsonaro criticou o governador João Doria e disse que a vacina não era confiável por causa de sua origem.

Bahia Notícias

quarta-feira, novembro 18, 2020

Obama cita Lula ao dizer que o Brasil ainda tem problemas profundos com corrupção sistêmica


Obama quer Lula no comando do Banco Mundial - Portal da FEM - Federação dos  Sindicatos de Metalúrgicos da CUT/SP

Obama comenta o envolvimento de Lula com a corrupção

Sérgio Dávila
Folha

Dez dias depois de Joe Biden ver seu nome confirmado como o próximo presidente dos EUA, é a vez de seu ex-chefe, Barack Obama, roubar a cena. E nesta terça-feira (17), fez o lançamento mundial de “Uma Terra Prometida” (Companhia das Letras),  e as revelações do primeiro volume de suas memórias na Casa Branca tomaram o mundo.

A Folha enviou nove blocos de perguntas (com 12 questões no total) por escrito ao ex-presidente democrata no dia 5 de novembro. Ele se comprometeu a responder ao menos cinco delas e pediu que todas fossem ancoradas no livro, condições aceitas pelo jornal.

O sr. escreve na apresentação de seu livro que a democracia em seu país parece estar à beira do precipício — uma crise enraizada no embate entre duas visões opostas do que são os EUA e do que deveriam ser. O sr. acha que, com a vitória de seu ex-vice-presidente, o precipício fica mais longe?

Você tem razão: a divisão entre o que a América é e o que deveria ser é um tema importante no livro, mas também existe outro conjunto concorrente de visões para nosso país. Há uma visão mais inclusiva e uma visão mais tribal. As duas interagem constantemente, e assistimos a essa interação acontecendo não apenas nos últimos quatro anos, nem nos oito anos que os antecederam, mas ao longo de nossa história. A pergunta permanece: quem vai vencer essa disputa de ideias?

Tenho fé em que a visão generosa e acolhedora do nosso país sairá por cima. E conservei meu otimismo, mesmo ao longo dos últimos quatro anos. Porque, ao mesmo tempo em que vimos nossos piores impulsos revelados, também testemunhamos o que podemos ser quando mostramos nosso lado melhor, quando americanos saíram às ruas em número sem precedente para protestar contra a separação de famílias, a violência armada, a brutalidade policial e mais.

O sr. descreve com detalhes o processo que o levou a escolher Joe Biden para ser seu vice-presidente. Dezenove anos mais velho que o sr., não parecia um candidato natural a concorrer a sua sucessão em 2016, tanto que não foi — Hillary Clinton foi a escolhida. O sr. antevia então, no momento de sua escolha para vice, que ele um dia viria a ser presidente dos EUA?

Admito: quando comecei minha busca por um vice-presidente, eu não fazia ideia que acabaria por encontrar um irmão. Joe e eu não temos muito em comum, à primeira vista. Temos origens diferentes, somos de gerações distintas. Mas em muito pouco tempo comecei a admirar sua resiliência, sua empatia e seu engajamento em tratar cada pessoa que ele encontra com respeito e dignidade. Joe vive segundo o preceito que seus pais lhe ensinaram: “Ninguém é melhor que você, Joe, mas você não é melhor que ninguém”.

Essa empatia, essa honradez, a crença de que todos têm valor —isso é quem Joe é. E foi por isso que durante oito anos eu quis que ele fosse o último na sala comigo sempre que eu precisava tomar uma decisão importante. Ele me fez um presidente melhor. E sei que ele nos tornará um país melhor.

Numa passagem interessante, o sr. descreve o efeito do envolvimento da ex-primeira-dama Michelle Obama numa escola de ensino médio para meninas em Londres. Segundo estudos de um economista, após as visitas, as meninas melhoraram seu desempenho escolar. O sr. nunca a encorajou a seguir carreira política? Nunca discutiram isso a sério, como uma possibilidade de segundo ato para ela?

Bem, não, porque isso não vai acontecer. Michelle já deixou isso muito claro. Mas não direi que me surpreendi ao ver que um estudo confirma a ideia de que a presença dela inspira as pessoas a realizar seu potencial. Porque convivo com os benefícios disso desde que ela e eu nos conhecemos, mais de três décadas atrás.

Como mostra o livro, não há dúvida de que Michelle não apenas me fez um presidente melhor, mas também uma pessoa melhor. Não há ninguém mais brilhante que ela, ninguém mais divertido, ninguém mais sábio. Há uma razão por que tantas pessoas gravitam em direção a Michelle. (E há uma razão por que, não importa quantas vezes ela diga não, as pessoas não param de perguntar se ela vai se candidatar a um cargo político algum dia!)

O sr. narra uma visita a uma das favelas no Rio de Janeiro e conjectura sobre o efeito que pode ter tido nos meninos e meninas negras que o observavam de suas casas num país de racismo profundamente enraizado, ainda que com frequência negado. Não muitos anos depois, o movimento Black Lives Matter explodiu nos EUA, com reflexos no mundo inteiro, inclusive no Brasil. O sr. anteviu que a tensão racial desaguaria num movimento desse tipo? Teria feito algo diferente nesta questão durante seu mandato?

O racismo está entre nós desde muito antes mesmo de sermos um país, e nunca tive qualquer ilusão de que minha Presidência pudesse de alguma maneira tornar nosso país pós-racista. Eu esperava que ela pudesse inspirar crianças, quer fossem crianças das favelas na periferia do Rio ou crianças do South Side de Chicago, mas também sabia que elas precisavam de mais do que apenas inspiração. Elas precisam de escolas e habitação de boa qualidade, ar e água limpos, empregos quando se formam, e mais.

E, embora tenhamos feito progresso em muitos desses pontos, também é fato que, se você analisar a luta pela justiça ao longo de nossa história, ela tende a avançar dois passos e então retroceder um, algo que vivenciamos mais uma vez nos últimos anos.

Sinto orgulho enorme do engajamento dos joves com a desobediência civil. Porque, ao longo de nossa história, o protesto pacífico e o ativismo resoluto têm sido a única maneira de fazer o sistema político prestar atenção às comunidades marginalizadas. E espero que elas usem esta oportunidade, com os olhos do mundo voltados a elas, para traduzir seu ativismo em leis e política públicas que precisamos para construir um país mais inclusivo.

O sr. descreve seu encontro com o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, dizendo que a visita dele ao Salão Oval causou boa impressão. Depois, ao falar dos Brics numa reunião do G20 em Londres, o sr. o elogia e a seus programas sociais, mas escreve: “Constava também que tinha os escrúpulos de um chefão de Tammany Hall [uma organização política nova-iorquina da virada do século 18 para 19 associada a corrupção e abuso do poder], e circulavam boatos de clientelismo governamental, negócios por baixo do pano e propinas na casa dos bilhões”. Qual Lula sobreviveu em sua memória? Aquele que o sr. um dia disse “Ele é o cara!” ou o “chefão”?

Minhas interações com Lula aconteceram na maioria anos antes de seus problemas com a Justiça, de modo que minhas recordações dele são moldadas pelo tempo em que ele era uma presença dominante na política brasileira e uma figura influente no palco mundial. O que ficou claro para mim era que ele e Dilma simbolizavam algo importante para muitos brasileiros —a ideia de que eles estavam representados nos mais altos níveis do governo e que o governo seguia políticas que beneficiavam as massas maiores de pessoas. Não há como negar o dom que Lula possuía de se conectar com as pessoas e o progresso que foi feito nesse período para tirar pessoas da pobreza.

Mas, como escrevi, sempre havia rumores girando em torno dele sobre clientelismo, e está claro que o Brasil ainda tem problemas profundos com a corrupção sistêmica.

Minha esperança é que o trauma político recente possa levar a um tipo diferente de política e que uma nova geração de brasileiros possa liderar nesse caminho.

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O OUTRO LADO DA MOEDA R$ 1.007.574.000.000,00 em juros da dívida

O Outro Lado da Moeda Por Gilberto Menezes Côrtes gilberto.cortes@jb.com.br   Publicado em 30/01/2026 às 16:26 Alterado em 30/01/2026 às 17:...

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