segunda-feira, março 14, 2011

Insurreição e intervenção militar na Líbia: EUA-OTAN tentaram golpe de Estado?

Escrito por Michel Chossudovsky

12-Mar-2011

Os EUA e a OTAN estão apoiando uma insurreição armada na Líbia Oriental, tendo em vista justificar uma "intervenção humanitária".

Isto não é um movimento de protesto não violento como no Egito e na Tunísia. As condições na Líbia são fundamentalmente diferentes. A insurreição armada na Líbia Oriental é apoiada diretamente por potências estrangeiras. A insurreição em Benghazi imediatamente arvorou a bandeira vermelha, negra e verde com o quarto crescente e a estrela: a bandeira da monarquia do rei Idris, a qual simbolizava o domínio das antigas potências coloniais. (ver Manlio Dinucci, Libya-When historical memory is erased , Global Research 28/02/2011)

Conselheiros militares e forças especiais dos EUA e OTAN já estão no terreno. A operação foi planejada para coincidir com o movimento de protesto em países árabes vizinhos. A opinião pública foi levada a acreditar que o movimento de protesto havia se espalhado espontaneamente da Tunísia e do Egito para a Líbia.

A administração Obama em consulta com os seus aliados está ajudando a rebelião armada, nomeadamente uma tentativa de golpe de Estado.

"A administração Obama está pronta a oferecer qualquer tipo de assistência a líbios que procurem derrubar Muammar Kadafi", secretária de Estado Hillary Clinton (27 de fevereiro).

"Temos estendido a mão a muito diferentes líbios que tentam organizar-se no leste e para que a revolução mova-se também em direção oeste", disse Clinton. "Penso que é demasiado cedo para dizer como vai terminar, mas temos de estar prontos e preparados para oferecer qualquer espécie de assistência que alguém pretenda ter dos Estados Unidos".

Há esforços encaminhados para formar um governo provisório na parte leste do país, onde a rebelião começou em meados do mês. Os EUA, disse Clinton, ameaçam mais medidas contra o governo de Kadafi, mas não disse o que eram ou quando poderiam ser anunciadas. Os EUA deveriam "reconhecer algum governo provisório que eles estejam tentando por de pé..." (McCain)

Lieberman falou em termos semelhantes, urgindo "apoio tangível, uma zona de interdição de voo, reconhecimento do governo revolucionário, de cidadãos, e apoiá-los com assistência humanitária - e eu lhes forneceria armas". (Clinton: US ready to aid to Libyan opposition - Associated, Press , 27/02/2011)

A invasão planejada

Uma intervenção militar é agora contemplada pelas forças dos EUA e OTAN sob um "mandato humanitário".

"Os Estados Unidos estão movendo forças navais e aéreas na região" para "preparar o conjunto completo de opções" na confrontação com a Líbia: o porta-voz do Pentágono, Cor. Dave Lapan, dos Fuzileiros Navais, fez este anúncio em 1º. de março, dizendo que "foi o presidente Obama que pediu aos militares para prepararem-se para tais opções, porque a situação na Líbia está a ficar pior" (Manlio Dinucci, Preparing for "Operation Libya": The Pentagon is "Repositioning" its Naval and Air Forces... , Global Research, 03/03/2011, sublinhado do autor).

O objetivo real da "Operação Líbia" não é estabelecer democracia, mas sim tomar posse das reservas de petróleo líbias, desestabilizar a National Oil Corporation (NOC) e finalmente privatizar a indústria petrolífera do país, nomeadamente transferir o controle e a propriedade da riqueza petrolífera da Líbia para mãos estrangeiras. A National Oil Corporation (NOC) está classificada entre as 100 principais companhias de petróleo (A Energy Intelligence classifica a NOC no 25º lugar entre as 100 principais companhias do mundo – Libyaonline.com ).

A Líbia está entre as maiores economias petrolíferas do mundo com aproximadamente 3,5% das reservas de petróleo globais, mais do que o dobro daquelas dos EUA.

A planejada invasão da Líbia, já em curso, faz parte do conjunto mais vasto da "Batalha pelo petróleo". Cerca de 80% das reservas petrolíferas da Líbia estão localizadas na bacia do Golfo de Sirte da Líbia Oriental.

As concepções estratégicas por trás da "Operação Líbia" recordam empreendimentos militares anteriores dos EUA-OTAN na Iugoslávia e no Iraque.

Na Iugoslávia, forças dos EUA-OTAN desencadearam uma guerra civil. O objetivo era criar divisões políticas e étnicas, as quais finalmente levaram à fragmentação de todo um país. Este objetivo foi alcançado através do financiamento encoberto e do treino de forças paramilitares armadas, primeiro na Bósnia (Bosnian Muslim Army, 1991-95) e a seguir no Kosovo (Kosovo Liberation Army, KLA, 1998-1999). Tanto no Kosovo como na Bósnia a desinformação da mídia (incluindo mentiras rematadas e falsificações) foram utilizadas para apoiar afirmações dos EUA-União Européia de que o governo de Belgrado havia cometido atrocidades, justificando dessa forma uma intervenção militar com razões humanitárias.

Ironicamente, a "Operação Iugoslávia" agora está nos lábios dos feitores da política externa estadunidense: o senador Lieberman comparou a situação na Líbia aos acontecimentos nos Balcãs na década de 1990 quando, disse ele, os EUA "intervieram para travar um genocídio contra os bósnios. E a primeira coisa que fizemos foi proporcionar-lhes as armas para se defenderem. Isso é o que penso que podemos fazer na Líbia" ( Clinton: US ready to aid to Libyan opposition – Associated Press, 27/02/2011).

O cenário estratégico seria pressionar rumo à formação e reconhecimento de um governo interino da província secessionista, tendo em vista finalmente fragmentar o país. Tal opção já está a caminho. A invasão da Líbia já começou.

"Centenas de conselheiros militares estadunidenses, britânicos e franceses chegaram à Cirenaica, a província separatista do Leste. Os conselheiros, incluindo oficiais de inteligência, foram lançados de navios de guerra e navios de mísseis nas cidades costeiras de Benghazi e Tobruk" ( DEBKAfile, US military advisers in Cyrenaica , 25/02/2011).

Forças especiais dos EUA e aliados estão no terreno na Líbia Oriental, proporcionando apoio encoberto aos rebeldes. Isto foi reconhecido quando comandos britânicos das Forças Especiais SAS foram presos na região de Benghazi. Estavam atuando como conselheiros militares para forças de oposição.

"Oito comandos de forças especiais britânicas, numa missão secreta para colocar diplomatas britânicos em contacto com oponentes destacados de Muammar Kadafi na Líbia acabaram humilhados depois de terem apoiado forças rebeldes na Líbia Oriental", informa o Sunday Times de 7 de fevereiro.

"Os homens - armados, mas à paisana - afirmaram que foram verificar as necessidades da oposição e oferecer ajuda" ( Top UK commandos captured by rebel forces in Libya: Report, Indian Express , 06/03/2011).

As forças SAS foram presas quando escoltavam uma "missão diplomática" britânica, que entrou ilegalmente no país (sem dúvida de um navio de guerra britânico) para discussões com líderes da rebelião. O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico reconheceu que "uma pequena equipe diplomática britânica foi enviada à Líbia Oriental para iniciar contatos com a oposição rebelde" (U.K. diplomatic team leaves Libya - World - CBC News , 06/03/2011).

Ironicamente, as reportagens não só confirmam a intervenção militar ocidental (incluindo várias centenas de forças especiais), como também reconhecem que a rebelião se opunha firmemente à presença ilegal de tropas estrangeiras sobre o solo líbio:

"A intervenção da SAS enraiveceu figuras líbias da oposição as quais ordenaram que os soldados fossem trancados numa base militar. Oponentes de Kadafi temem que ele possa utilizar qualquer evidência de interferência militar ocidental para congregar apoio patriótico para o seu regime" ( Reuters , 06/03/2011).

O "diplomata" britânico capturado com soldados das forças especiais era membro da inteligência britânica, um agente do MI6 numa "missão secreta" ( The Sun , 07/03/2011).

Declarações dos EUA e OTAN confirmam que estão sendo fornecidas armas às forças de oposição. Há indicações, embora não prova clara até agora, de que foram entregues armas aos insurgentes antes do desencadeamento da rebelião. Com toda probabilidade, conselheiros militares e de inteligência dos EUA e OTAN também estavam no terreno antes da insurreição. Este foi o padrão aplicado no Kosovo: forças especiais apoiando e treinando o Kosovo Liberation Army (KLA) nos meses que antecederam a campanha de bombardeio de 1999 e a invasão da Iugoslávia.

Tal como os acontecimentos se desdobram, contudo, forças do governo líbio recuperaram controle sobre posições rebeldes. "A grande ofensiva das forças pró-Kadafi lançadas (4 de março) para arrebatar das mãos dos rebeldes o controle das cidades e centros petrolíferos mais importantes da Líbia resultou (5 de março) na recaptura da cidade chave de Zawiya e da maior parte das cidades petrolíferas em torno do Golfo de Sirte. Em Washington e Londres, a conversa da intervenção militar ao lado da oposição líbia foi emudecida pela percepção de que a inteligência de campo de ambos os lados do conflito líbio era demasiado incompleta para servir de base à tomada de decisões" (Debkafile, Qaddafi pushes rebels back. Obama names Libya intel panel , 05/03/2011).

O movimento da oposição está fortemente dividido quanto à questão da intervenção estrangeira. A divisão é entre o movimento das bases por um lado e os "líderes" apoiados pelos EUA da insurreição armada, que são a favor da intervenção militar estrangeira por "razões humanitárias".

A maioria da população líbia, tanto os apoiadores como os oponentes do regime, é fortemente oposta a qualquer forma de intervenção externa.

Desinformação da mídia

Os vastos objetivos estratégicos subjacentes à invasão não são mencionados pelos meios de comunicação. A seguir a uma campanha enganosa da mídia, em que notícias eram literalmente falsificadas sem relação com o que realmente acontecia no terreno, um amplo setor da opinião pública internacional concedeu seu firme apoio à intervenção estrangeira, por razões humanitárias.

A invasão está na prancheta do Pentágono. Está destinada a ser executada independentemente dos desejos do povo da Líbia, incluindo dos oponentes do regime, os quais têm exprimido sua aversão à intervenção militar estrangeira em desrespeito à soberania da nação.

Posicionamento da força naval e aérea

Caso esta intervenção militar seja executada, resultará numa guerra geral, uma blitzkrieg, implicando o bombardeio tanto de alvos militares como civis.

A este respeito, o general James Mattis, comandante do U.S. Central Command (USCENTCOM), declarou que o estabelecimento de uma "zona de interdição de voo" envolveria de fato uma campanha de bombardeio geral, que alvejasse entre outras coisas o sistema de defesa aérea da Líbia.

"Seria uma operação militar – não seria suficiente dizer às pessoas para não voarem com aviões. Teria de ser removida a capacidade de defesa aérea a fim de estabelecer uma zona de interdição de voo, que não haja ilusões quanto a isto". ( U.S. general warns no-fly zone could lead to all-out war in Libya , Mail Online, 05/03/2011).

Uma força naval dos EUA e de aliados foi posicionada ao longo da costa líbia. O Pentágono está movendo seus vasos de guerra para o Mediterrâneo. O porta-aviões USS Enterprise transitou através do Canal de Suez poucos dias após a insurreição (http://www.enterprise.navy.mil/t_new). Os navios anfíbios dos EUA, USS Ponce e USS Kearsarge, também foram posicionados no Mediterrâneo.

Foram despachados 400 fuzileiros navais dos EUA para a ilha grega de Creta "antes do seu posicionamento em navios de guerra ao largo da Líbia" ( Operation Libya": US Marines on Crete for Libyan deployment , Times of Malta, 03/03/2011).

Enquanto isso, a Alemanha, França, Grã-Bretanha, Canadá e Itália estão no processo de posicionar vasos de guerra ao longo da costa líbia.

A Alemanha posicionou três navios de guerra utilizando o pretexto da assistência na evacuação de refugiados sobre a fronteira Líbia-Tunísia. "A França decidiu enviar o Mistral, o seu porta-helicópteros, os quais, segundo o Ministério da Defesa, contribuirão para a evacuação de milhares de egípcios". ( Towards the Coasts of Libya: US, French and British Warships Enter the Mediterranean , Agenzia Giornalistica Italia, 03/03/2011). O Canadá despachou (2 de março) a fragata HMCS Charlettetown.

Entretanto, o 17º. Comando da Força Aérea Americana, chamado US Air Force Africa, baseada na Ramstein Air Force Base, na Alemanha, está promovendo assistência à evacuação de refugiados. As instalações da força aérea dos EUA-OTAN na Grã-Bretanha, Itália, França e Oriente Médio estão de prontidão.

Michel Chossudowsky é membro do Centro de Pesquisas sobre a Globalização e autor de ‘A globalização da pobreza’.

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=23548

Retirado e traduzido por http://resistir.info/ .

Fonte: Correio da Cidadania

Impactos indiretos de Belo Monte serão muito maiores que os diretos

Escrito por Rodolfo Salm
12-Mar-2011

O professor Luiz Pinguelli Rosa publicou na Folha de S. Paulo, no último dia 12 de fevereiro, um artigo defendendo a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Um de seus principais argumentos foi o preço oficial que a sociedade pagaria por sua energia: R$ 68/MWh, em comparação com o das novas termelétricas, de R$ 140/MWh.

Achei curioso o professor acreditar na manutenção dos R$ 68 e por outro lado citar tão genericamente a redução do fluxo no canal principal do rio. "A solução é garantir uma vazão mínima (pelo leito original do rio)", escreve.

De quanto seria essa tal vazão mínima? Ela garantiria a sobrevivência dos peixes e a navegabilidade do rio? É difícil acreditar, principalmente para quem conhece a região e sabe que durante boa parte do ano o Xingu já praticamente não corre. A água para mover as turbinas principais da barragem seria desviada do leito do Xingu por canais gigantescos. Quanto mais água passar pelo leito natural do rio, menos energia será gerada pela água desviada pelos canais. É evidente que o consórcio vai repassar essa conta ao consumidor.

O valor apontado ignora ainda uma série de custos ligados aos serviços ambientais que o rio Xingu preservado presta à sociedade, como a produção de peixes e a preservação da biodiversidade. O professor também observou que a área inundada de Belo Monte (516 km²) praticamente se restringiria àquela ocupada pelo rio em sua variação sazonal, como se isso justificasse o alagamento.

Ele parece desconhecer que estamos tratando de ecossistemas adaptados a um certo nível de alagamento em período curto do ano e que inevitavelmente se degradariam com o alagamento permanente (liberando o nefasto gás metano e fazendo com que as hidrelétricas da Amazônia contribuam tanto ou mais para o efeito estufa do que as termelétricas de potência equivalente, segundo apontam estudos científicos).

De toda forma, os impactos indiretos de Belo Monte seriam muito maiores que os diretos. A imigração prevista de dezenas de milhares de pessoas para a região já começou e já causa desmatamentos em uma escala sem precedentes. Tudo isto tem um custo, não considerado por Pinguelli.

Pensando nacionalmente, sabe-se que as florestas preservadas da bacia do Xingu contribuem em muito para o regime de chuvas do resto do país. É possível estimar economicamente o valor desta chuva, pois a devastação da floresta traria prejuízos financeiros calculáveis para a agricultura e para a indústria, que depende de água para produzir. Sem falar no abastecimento das nossas cidades.

Localmente, podemos enumerar os custos sociais causados pelo aumento da violência resultante do inchaço populacional repentino, pelas doenças causadas pelo enorme volume de água parada em uma região tropical e pela perda do apelo turístico, com o fim das corredeiras e das maravilhosas praias de areia branca.

São custos de Belo Monte que precisam ser considerados, o que não foi feito adequadamente, devido a terríveis pressões políticas, como registraram os próprios técnicos do Ibama, que não aprovaram o projeto. Mas que ainda podem ser evitados se a obra for cancelada. Essa luta está apenas começando.

Rodolfo Salm, PhD em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, é professor da UFPA (Universidade Federal do Pará) em Altamira, e faz parte do Painel de Especialistas para a Avaliação Independente dos Estudos de Impacto Ambiental de Belo Monte.

Artigo originalmente enviado para o jornal Folha de S. Paulo, que não se dispôs a publicar essa resposta de um professor atuante na principal instituição de pesquisa da localidade mais afetada pelo empreendimento da barragem de Belo Monte.

Fonte: Correio da Cidadania

NÓ LÍBIO.

Em 17.12.2010 o vendedor de frutas Mohamed Bouaziz de 26 anos se imolou (ateou fogo no próprio corpo) depois da apreensão de sua barraca, dando início a Revolução dos Jardins que destituiu o presidente da Tunísia Zine El Abidine que mantinha poder ditatorial desde 1987, dando início a uma onda de revoltas populares como efeito cascata no mundo árabe e oriente médio.

Depois da Tunísia se sucederam manifestações populares no Egito, Argélia, Sudão, Iêmen, Marrocos, Mauritânia, Arábia Saudita, Síria, Jordânia, Bahrein, Iraque e Líbia. No Egito embora tenha havido mais de 300 mortos nos choques dos manifestantes com as forças de segurança e entre manifestante pró e contra Mubarak, o presidente renunciou ao cargo passando o poder aos militares sob promessa de uma transição e futuras eleições.

O que a imprensa ocidental que controla as informações no mundo nos informa é que as populações árabes e do oriente - médio reivindicam apenas liberdades com eleições livres nos padrões que vivemos, como se isso fosse tudo, o que não é verdade. O mundo árabe tem cultura própria e arraigada religiosidade e com valores distintos dos nossos.

Antes da 1ª e depois da 2ª Grandes Guerras os países colonialistas (Inglaterra, França Itália, Espanha, Alemanha e alguns outros capitaneados pelos Estados Unidos da América do Norte) criaram países artificiais sem respeitar as peculiaridades locais e o regime tribal de cada nação, fomentando regimes repressivos como forma de garantir o fornecimento de petróleo e preservar seus interesses econômicos. Quando a classe dirigente de uma nação já não atende aos interesses dos países ocidentais cuida-se da forma que mais convier.

Sadan Hussen no Iraque por se colocar como um contraponto do Irã dos Aiatolás recebia dos Estados Unidos aportes de recursos e treinamentos para as forças de segurança, assim como as forças de segurança da Líbia receberam treinamento dos ingleses. Quando Sadan, um tirano, se tornou descartável, duas guerras foram promovidas no Gol Pérsico e Sadan foi alijado do poder e morto. Na Líbia se esperava de Khadafi idêntica conduta de Mubarak e Zine El Abidine, no Egito e na Tunísia, respectivamente, de entregar o poder depois das manifestações e isso não aconteceu e depois da resistência de Khadafi se pensou em se adotar o mesmo procedimento empregado no Iraque e o tempo não permitiu.

O que a imprensa mundial controlada pelo ocidente não diz é que as ditaduras do oriente-médio e países árabes foram implantados pelos países ocidentais que suportaram e suportam os respectivos ditadores enquanto não houver interesses contrariados. As revoltas populares não ocorrem por que o povo repudia o islamismo ou repressão sobre as mulheres ou que eleições livres irão solucionar seus problemas. As revoltas aconteceram pelo excesso concentração das riquezas nacionais em proveito de poucos e em detrimento da maioria com aquiescência aberta e descarada das nações desenvolvidas. O que fomentou e fomenta as revoltas é o desemprego, o estado de miserabilidade das populações, corrupção e a concentração de renda.

Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido e a União Soviética invadiram o Irã de modo a assegurar para si próprios os recursos petrolíferos iranianos. Os Aliados forçaram o a abdicar em favor de seu filho, Mohammad Reza Pahlavi, em quem enxergavam um governante que lhes seria mais favorável. Em 1953, após a nacionalização da Anglo-Iranian Oil Company, um conflito entre o xá e o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh levou à deposição e prisão deste último. O reinado do xá tornou-se progressivamente ditatorial, especialmente no final dos anos 1970. Com apoio americano e britânico, Reza Pahlavi continuou a modernizar o país, mas insistia em esmagar a oposição do clero xiita e dos defensores da democracia (Wikipédia).

Em 1979 o povo iraniano promoveu a chamada Revolução dos Aiatolás derrubando o Xá Reza Pahlavi e instaurando uma república teocrática, o que vale dizer, nas atuais revoltas populares enquanto o povo prega eleições, o que se reivindica na verdade é um novo modelo econômico participativo que lhes assegure conquistas sociais como o pleno emprego, educação e saúde para todos, dignidade e liberdades a evitar os atuais modelos incentivados pelos países desenvolvidos que em nenhum momento se preocuparam com os interesses das populações. Nenhumas dessas revoltas buscam sair do islamismo e nem se afastar dos valores próprios de cada nação.

Na Líbia, que já foi colônia da Itália e onde o regime também é ditatorial, se esperava que depois das manifestações populares Kadafi entregasse o poder como Mubarak e o país implodissem como o Iraque, quando as condições não são idênticas as de outros países sob revoltas populares. Enquanto no Egito o povo ocupou as ruas até a queda de Mubarak, na Líbia que é constituída por tribos, parte dos oficiais do exercito se rebelaram e passaram a ocupar cidades e como resposta se instaurou uma guerra civil com uma oposição dividida, sem comando certo, com vários chefes tribais e com armamentos leves adaptados em camionetas.

Como não houve a intervenção internacional pretendida por saber que a China e Rússia vetariam na ONU, Kadafi melhor equipado lançou sua contra-ofensiva ocupando as cidades de Bin Jawwad, Ras Lanouf, Brega, Gharyan, Sabratha, Al Zawiyah e tudo indica que a tendência é que Benkazi e Tobruk cairão e isso será em questão de tempo, salvo se houver uma intervenção armada internacional ou se criada zona de exclusão aérea que levará a uma guerra civil mais prolongada e sangrenta.

O Nó Líbio é porque Kadafi é o calo no pé dos Estados Unidos da América do Norte que depois de impor um embargo à Líbia, como fez com o Iraque e faz com o Irã e Cuba, os Estados Unidos em abril de 1986 bombardeou vários alvos militares em Trípoli e Bengazi, em que pereceram 130 pessoas. Kadhafi, que perdeu uma filha adotiva quando sua casa foi atingida, manteve-se como chefe político. Outro aspecto é que com dados de 2010 a Líbia tem um IDH elevado de 0,755 e média de vida 74 anos de idade, além de outros indicadores que dão certa sustentação popular a Kadafi.

Com a convulsão na Líbia o prejuízo ficou para as empresas brasileiras. A empreiteira Queiroz Galvão comandada por João Antônio de Queiroz Galvão assinou contrato de US$ 648 milhões com o governo de Muammar Khadafi . Outro de US$ 420 milhões estaria saindo. São obras em energia, transportes e habitação. Para uma população de 6 de milhões de líbios, empresas brasileiras iriam construir 2 milhões de casas.

Todo regime ditatioial seja a forma que for e sob qualquer modalidade não merece apoio, contudo, em se tratando de nações e audeterminação dos povos não cabe a nenhum país dizer como o outro deve se portar ou impor modo de vida, a opção deve ser do povo. O que se vê é a necessidade de se impor uma nova ordem mundial e um novo modelo.

JAPÃO. Terriveis são as imagens do japão transmitidas pela televisão depois do terremoto e do tsunami que se seguiu. De cada um cidadão o que se espera é a solidariedade. Esperamos que as usinas nucleares sob riscos não imponham novas tragédias ao povo japonês. A região atingida é a mais pobre do Japão e a economia repousa na agricultura.

CONTAS. As contas da Mesa da Câmara Municipal de Santa Brígida de 2009 tinham sido rejeitadas pelo TCM-BA o que levou o atual Prefeito colocar carros de som nas ruas da cidade em detrimento de seu desafeto, o então Presidente do Legislativo João Carlos Teixeira. Subscreví um pedido de revisão que foi acolhido pela Corte de Contas e as Contas de João foram aprovadas. Embora a decisão seja do mês passado, faço o registro.

FRASE DA SEMANA. "Eleitor não é gato de sete fôlegos."Machado de Assis

Paulo Afonso, 13 de março de 2011.

Fernando Montalvão.

Titular do Escrit. Montalvão Advogados Associados.

Dilma pode mudar equipe

Com menos de cem dias de governo Dilma Rousseff, a cotação de integrantes do primeiro escalão já chama atenção no meio político em Brasília, com ecos no Palácio do Planalto, e é uma sinalização clara para a primeira reforma ministerial do atual governo. O ajuste no primeiro escalão do governo Dilma pode ocorrer antes mesmo do prazo padrão “de validade”, que é um ano de gestão.

Em apenas dois meses de governo já corre nos bastidores uma avaliação informal da baixa atuação de alguns ministros: ou pela omissão ou por desempenho sofrível em crises pontuais ou mesmo pela ausência completa de desempenho. Mas também há um grupo de ministros que causou impressão acima da esperada na presidente Dilma.

Entre os que estão na coluna palaciana de “débitos” aparecem os ministros da Cultura, Ana de Hollanda, da Educação, Fernando Haddad, do Turismo, Pedro Novaes, dos Esportes, Orlando Silva, e até mesmo o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Já entre os que estão com cotação alta se destacam o chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, que está muito afinado com Dilma, e o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, que já mereceu elogios da presidente pela atuação ágil diante das tragédias ambientais pelo país.

Desde a transição de governo, a primeira equipe já era considerada provisória. Isso porque Dilma teve que ceder aos interesses dos partidos políticos e aceitar várias das indicações feitas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesses exemplos estão os ministros Fernando Haddad, Orlando Silva e Guido Mantega.

A situação de Haddad ficou desconfortável ainda em janeiro, depois da crise por causa das falhas no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Mesmo afinado com as determinações de Dilma, no auge da crise do MEC, ainda é grande o incômodo no Planalto com as sucessivas falhas.

A situação de Orlando Silva é ainda mais delicada. Dilma queria que o PCdoB tivesse indicado a deputada Luciana Santos (PE) para o Ministério dos Esportes, o que não aconteceu.

Além disso, o Planalto identificou uma articulação de Orlando Silva, com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), para enfraquecer o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, escolhido por Dilma para o comando da Autoridade Pública Olímpica (APO). Para amenizar a crise, a cúpula do PCdoB teve um jantar com Dilma no Palácio da Alvorada há duas semanas.

O titular da Fazenda foi aceito por Dilma por imposição de Lula e ela tem boa relação com ele, mas a presidente vai nomear para o cargo o atual secretário-executivo da pasta, Nelson Barbosa, na primeira oportunidade. No núcleo do governo, chamou a atenção o fato de Dilma ter desautorizado publicamente Mantega, ao falar de improviso pela primeira vez, por ocasião do anúncio do crescimento do PIB de 7,5% em 2010.

Ela explicitou a preocupação do governo com a inflação depois de Mantega ter afirmado que o corte orçamentário não tinha a inflação como alvo direto. Com informações O Globo.

Fonte: Tribuna da Bahia

Nos jornais: Inchaço cria ''Esplanada oculta'' e gasto de R$ 100 milhões

Estado de S. Paulo

Inchaço cria ''Esplanada oculta'' e gasto de R$ 100 milhões por ano para União

Em meio às dificuldades do governo da presidente Dilma Rousseff em passar a faca nas despesas de custeio, Brasília é hoje vitrine de um fenômeno de gastança descontrolada: as dezenas de imóveis alugados fora da Esplanada dos Ministérios para acomodar o inchaço da máquina administrativa. Levantamento do Estado mostra que prédios e salas, só do primeiro escalão do Poder Executivo, pagam pelo menos R$ 9 milhões mensais de aluguel. A chamada "Esplanada oculta" custa, no mínimo, R$ 100 milhões por ano, dinheiro suficiente para construir cerca de 2.700 casas do programa Minha Casa, Minha Vida.

O inchaço ministerial começou no primeiro mandato do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003. Ele recebeu 26 ministérios do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), mas entregou 37 à presidente Dilma - que pretende criar mais dois: o da Micro e Pequena Empresa e o da Infraestrutura Aeronáutica.

Pastas citam novos serviços para defender locações

Os ministérios argumentam que é necessária a locação de prédios para acomodar suas instalações. Procurados pelo Estado, alegaram que houve crescimento das pastas e, consequentemente, falta de espaço para abrigar na Esplanada as novas estruturas criadas nos últimos anos.

"Houve expansão das secretarias do ministério, além da necessidade de estruturar uma unidade para atender às demandas da Lei de Incentivo ao Esporte, como também para acomodar os novos servidores aprovados em concurso publico realizado em 2008", explicou o Ministério do Esporte.

Petrobrás segura preço ''até quando der''

Há um mês e meio acima da barreira dos US$ 100 o barril, a cotação internacional do petróleo passa ao largo dos preços internos dos principais combustíveis vendidos no País: gasolina, diesel e GLP. Na expectativa de uma reversão rápida do conflito no norte da África, a Petrobrás mantém a intenção de não repassar a alta ao preço de refinaria.

"Nossa política aqui não vai mudar. Não há previsão de reajuste de preço, quer seja no diesel, na gasolina ou no GLP", afirmou o diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, em entrevista à Agência Estado.

Dilma, lidando com ''o pós-Lula''

A expressão "pós-Lula", por estranho que pareça, causa desconforto e mesmo irritação a muitos adeptos do lulopetismo. A princípio, não deveria ser assim. Afinal, é um fato inegável que "o cara" não é mais de jure e de facto o presidente da República há exatos dois meses e treze dias. Nesse sentido, a expressão "o pós-Lula" poderia, e deveria, ser entendida apenas como uma forma abreviada, e portanto melhor, de se referir ao "período que se segue ao término dos oito anos da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva". Simples assim. Factual e incontroverso, não?

Não, dizem lulopetistas que respeito. E é importante, a meu ver, tentar entender suas razões. Primeiro, porque veem no uso da expressão "pós-Lula" disfarçada ironia e inconfessáveis propósitos políticos, todos expressando veladas expectativas e obscuros desejos de que o ex-presidente pudesse "sair de cena", privando a sociedade brasileira de sua marcante presença, de seus conselhos, opiniões e lições de vida.

Campanhas ajudam a cobrir déficit

Quando o fazendeiro Henrique Prata assumiu a gestão do Hospital de Câncer de Barretos, em 1989, a instituição atendia cerca de 200 pessoas por dia, tinha 80 funcionários, 1,5 mil m2 de área construída e apenas uma bomba de cobalto para realização de radioterapia. Hoje são 3 mil atendimentos diários, 2,5 mil colaboradores, quase 70 mil m2 de área construída e um acervo de R$ 40 milhões em equipamentos.

Prata atribui a rápida expansão à sua filosofia de oferecer apenas o que há de melhor no tratamento contra o câncer. Todos os anos, ele visita os principais centros de oncologia do mundo para conhecer as novidades. "Se descubro que há algo melhor do que aquilo que temos aqui, paro o que estou fazendo e vou atrás de parceiros para colocar a nova ideia em prática."

Alckmin diz que PSDB seguirá aliado de Kassab

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), minimizou o impacto político da criação do novo partido articulado pelo prefeito paulistano, Gilberto Kassab (DEM). "Do ponto de vista administrativo, nada vai mudar. Vamos continuar todas as parcerias com o prefeitura e o prefeito de São Paulo em benefício da população", disse ontem Alckmin, após missa em memória do 10.º aniversário da morte do governador paulista Mario Covas. "Sob o ponto de vista político, espero que possamos continuar juntos para trabalhar por São Paulo e pelo País", completou.

Kassab anuncia nos próximos dias a criação do PDB (Partido da Democracia Brasileira). Apesar da declaração de Alckmin, a movimentação do prefeito não é bem vista no Palácio dos Bandeirantes. A avaliação é que Kassab montará a nova legenda para colocar em marcha seu projeto de disputar o governo paulista em 2014. O novo partido também criará uma nova força política no Estado, em contraposição à influência do PSDB.

Em 7 Estados, gasto com aluguel soma R$ 314 mi

A despeito de promessas de redução de gastos com aluguéis, os governos de Minas, Bahia, Rio Grande do Sul, Tocantins, Paraná, Mato Grosso e São Paulo declararam despender ao todo pelo menos R$ 314,2 milhões ao ano com locação de imóveis. Consultado, o governo do Piauí nem sequer sabe quantos imóveis tem.

Os números são resultado de levantamento realizado pelo Estado em oito Executivos estaduais. São Paulo, por exemplo, gasta R$ 130 milhões ao ano com 700 imóveis, incluindo os do Judiciário. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) pretende comprar edifícios no centro da capital e transferir secretarias em prédios alugados para reduzir esse tipo de gasto.

Governos querem investir em prédios próprios

Para reduzir o gasto com aluguéis, os Executivos estaduais pretendem transferir seus órgãos para edifícios próprios. O governo de São Paulo tem adotado medidas para levar órgãos do Executivo para o centro da capital, um desejo manifestado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) assim que assumiu o Palácio dos Bandeirantes. Está em estudo a venda de edifícios como o da Secretaria do Planejamento, em área nobre de São Paulo, e sua realocação na região da Rua Boavista, onde já está o gabinete de despachos de Alckmin.

O governo gaúcho tem o mesmo intuito. Antes, porém, precisa concluir o levantamento de dados sobre os imóveis do Estado. A atual secretária de Administração do Rio Grande do Sul, Stela Farias (PT), acredita que o número de imóveis possa chegar a 18 mil, entre vagas em garagens, terrenos, edifícios e salas, inclusive algumas em outros Estados.

''Brasil e EUA têm os mesmos valores''

A visita do presidente americano Barack Obama reforça a dimensão da importância do Brasil no cenário internacional, diz o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon. Em entrevista ao Estado, Shannon exaltou os caças da Boeing, falou em melhorar o comércio bilateral e minimizou os recentes atritos diplomáticos entre os dois países - em questões como o controverso acordo que o Brasil mediou com o Irã de Mahmoud Ahmadinejad, a crise em Honduras e a instalação de bases americanas na Colômbia. "Nossas convergências são mais importantes que nossas divergências", afirmou, em ótimo português, como pediu para fazer a seguinte entrevista.

Dois anos após assumir a Casa Branca, o que a viagem do presidente Barack Obama ao Brasil representará para os dois países? A visita do presidente Obama mostra grande interesse dos Estados Unidos no Brasil, um reconhecimento do papel do Brasil no mundo como poder emergente. É uma reunião histórica, repleta de simbolismos: Barack Obama, o primeiro presidente americano descendente de pai africano; Dilma, a primeira mulher eleita presidente do Brasil. Os Estados Unidos veem o Brasil como uma grande nação, uma democracia fundamental no sistema internacional, na ONU e em questões como os direitos humanos. O Brasil demonstrou como a democracia e a economia de mercado podem promover justiça social.

''Forças tendem a ficar mais alheias à política''

Um dos mais destacados historiadores brasileiros da atualidade, José Murilo de Carvalho, de 71 anos, observa que o Exército imaginado pelo general Góis Monteiro, um dos homens fortes do governo Vargas, era bem diferente da instituição concebida por Benjamin Constant no início da República. Doutor pela Universidade Stanford (EUA), Carvalho é autor do clássico Os Bestializados. De O Rio de Janeiro e a República Que não Foi e do recente best-seller Pedro II. Ser ou não Ser.

Quais foram os impactos da recriação do Exército durante a ditadura Vargas na vida da instituição e do País nas décadas seguintes? O principal foi a transformação do Exército em poderoso ator político a serviço da construção do Estado. De 1889 até 1930, a instituição era mais foco de oposição e de revoltas do que de ordem. As reformas procuraram reduzir os conflitos internos, fortalecer a hierarquia, enfatizar o profissionalismo, definir um papel para a instituição. O espírito da reforma reflete-se na frase de Góis Monteiro, que, como tenente-coronel, comandou a ação militar de 1930: "É preciso fazer a política do Exército e não política no Exército". Afastar o Exército da política partidária era condição indispensável para que ele pudesse agir em bloco.

Investigados formam Conselho de Ética

Deputados investigados na Justiça e envolvidos em escândalos no Congresso estão entre os primeiros indicados para o Conselho de Ética da Câmara. O colegiado deve ser instalado na quarta-feira e terá como primeiro desafio analisar a conduta da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), flagrada em vídeo recebendo dinheiro do ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal Durval Barbosa, pivô do "mensalão do DEM".

Até ontem, foram indicados 10 dos 30 membros titulares e suplentes do colegiado. Desses, dois tem pendências com a Justiça, um ganhou destaque pela contratação de parentes e outros dois se notabilizaram em casos de colegas absolvidos.

Veterano no conselho, Abelardo Camarinha (PSB-SP) é réu em quatro ações no Supremo Tribunal Federal, além de ser investigado em seis inquéritos. Ele responde a processos por crime ambiental, de responsabilidade, contra a lei de licitações e contra a honra. Na lista dos inquéritos estão acusações por crimes contra a ordem tributária, finanças públicas, de responsabilidade e improbidade administrativa.

Brasil quer discutir com Obama reforma na ONU

A reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas será um dos principais temas a serem tratados pelo governo brasileiro na visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Como dificilmente conseguirá arrancar dos americanos um apoio formal à sua pretensão de se tornar membro permanente do Conselho, o Brasil deve incluir no comunicado final da visita um artigo em defesa de uma visão comum sobre segurança e desenvolvimento.

Na semana passada, em uma entrevista à agência de notícias BBC Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota, disse esperar um maior "engajamento" dos Estados Unidos na reforma do Conselho. E, apesar de não haver indícios disso ainda, espera-se um apoio formal às mudanças.

Centenas de cargos comissionados estão no centro da disputa

A discussão sobre a ocupação de cargos no Incra vai bem além da chefia das 30 superintendências regionais. No conjunto, o presidente do instituto e os superintendentes dispõem de 689 cargos em comissão, isto é, que podem ser ocupados por pessoas da escolha deles - ou de seus partidos. Segundo informações de assessores da entidade, mais da metade dessas cadeiras já está ocupada por servidores de carreira, chamados para postos de chefia. Mesmo assim sobram pelo menos 340 cadeiras, cujos ocupantes podem ser trocados assim que for nomeado o novo presidente e, na sequência, os superintendentes.

Outro fato a ser notado nessa discussão é que o presidente do Incra, embora seja tecnicamente subordinado ao ministro do Desenvolvimento Agrário, possui mais poder de fogo do que ele. A começar pelo número de funcionários sob seu comando: dispõe de 6 mil, enquanto os do ministro beiram a 250.

Ministro acumula dois salários e depois devolve

O ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, acumulou salários no Executivo federal e na Prefeitura de São Paulo por um mês. Cardozo é procurador municipal concursado desde 1982 e está atualmente licenciado da função para exercer o cargo no ministério. Questionada pela reportagem, a assessoria do ministro confirmou o recebimento indevido e disse que o dinheiro referente ao salário da Prefeitura será devolvido.

O valor a ser restituído não foi informado. O Estado apurou que o salário de um procurador municipal que ingressou na mesma época que Cardozo gira em torno de R$ 18 mil. Somado com o salário de ministro - que, em fevereiro, passou a ser de R$ 26.723,13 -, Cardozo teria recebido cerca de R$ 35 mil naquele mês. O total excede o teto do funcionalismo público delimitado pelo salário de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que também é de R$ 26,7 mil.

Para aliados de Kassab, PDB vai atrair 3 mil

Os advogados Alberto Rollo e João Fernando Lopes de Carvalho, responsáveis pela elaboração do estatuto do novo partido que será criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o Partido Democrático Brasileiro (PDB), asseguram que do ponto de vista jurídico está tudo pronto para o lançamento da sigla e que mais de 3 mil políticos de diversas correntes já demonstraram interesse na filiação.

"O PDB deve entrar para a história política como uma espécie de terceira via", diz Rollo. Até que a nova sigla seja formalizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o prefeito deve continuar nos quadros do DEM, que faz sua convenção nacional dia 15 para homologar o novo comando partidário.

O Globo

Com dois meses, ministros em alta e em baixa

Com menos de cem dias de governo Dilma Rousseff, a cotação de integrantes do primeiro escalão já chama atenção no meio político em Brasília, com ecos no Palácio do Planalto, e é uma sinalização clara para a primeira reforma ministerial do atual governo.

O ajuste no primeiro escalão do governo Dilma pode ocorrer antes mesmo do prazo padrão "de validade", que é um ano de gestão. Em apenas dois meses de governo já corre nos bastidores uma avaliação informal da baixa atuação de alguns ministros: ou pela omissão ou por desempenho sofrível em crises pontuais ou mesmo pela ausência completa de desempenho.

O difícil consenso

Para se ter uma ideia de como será difícil chegar-se a um consenso em torno da reforma política, tomemos as opiniões de três deputados federais representantes do Rio de Janeiro: Miro Teixeira, do PDT, Chico Alencar, do PSOL, e Alfredo Sirkis, do PV. Cada um deles tem ideias próprias sobre qual o melhor sistema eleitoral, por exemplo.

Miro Teixeira só tem uma questão fechada: não admite que o sistema eleitoral tire do cidadão o direito de escolher seu representante diretamente na urna.

Com isso, renega o voto em lista fechada, no qual o partido elabora sua lista, e o eleitor vota apenas na legenda. Os primeiros da lista serão os eleitos, de acordo com o número de cadeiras que cada partido conquistar nas urnas.

Visita de Obama é teste para diplomacia brasileira

O governo brasileiro espera que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declare em sua primeira visita ao Brasil apoio à candidatura do país a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Por isso, o encontro entre os presidentes Obama e Dilma Rousseff, previsto para o próximo sábado, em Brasília, é tido como simbólico pela diplomacia e, ao mesmo tempo, considerado o grande teste de Dilma junto à mídia internacional.

Sem o aval de Obama, afago já feito à Índia recentemente, a visita poderá se transformar em uma derrota da política externa brasileira, segundo um experiente diplomata. Reservadamente, a avaliação interna é a seguinte: Obama deu declarações positivas em torno das candidaturas da Índia e do Japão.

Lei Maria da Penha já protege 70 mil mulheres

Prestes a completar cinco anos de vida, a Lei Maria da Penha contabiliza resultados alentadores para brasileiras vítimas de violência doméstica. Desde agosto de 2006, quando a lei entrou em vigor, pelo menos 70.574 mulheres conseguiram, na Justiça, medidas de proteção para sair da situação de risco.

Na maioria das vezes, a medida proíbe a reaproximação do agressor. Houve pelo menos 76.743 sentenças definitivas em processos por agressão a mulheres. Não se sabe quantas são condenações, mas são maioria.

Brasileiro já destina 22% da renda para saldar dívidas

A fartura de crédito que marcou o governo Lula - e ajudou na ascensão da classe C - começa a exibir seu lado nada glamouroso. O comprometimento da renda do brasileiro com o pagamento de dívidas aumentou 6,9 pontos percentuais (46,6%) entre 2003 e 2010, segundo cálculos da LCA Consultores com base em dados do Banco Central (BC).

De acordo com o BC, em janeiro de 2003, o brasileiro precisava destinar 14,6% do seu ganho familiar mensal para a quitação de débitos. Oito anos depois, em dezembro de 2010, esse percentual havia passado para 21,4%.

Folha de S. Paulo

Metade dos armamentos do país está indisponível

Um levantamento reservado com uma detalhada radiografia das Forças Armadas brasileiras mostra o sucateamento do equipamento militar do país. Explicita também as conhecidas distorções na distribuição de tropas no território nacional, confrontando o discurso oficial de que a Amazônia é uma prioridade.

O estudo ao qual a Folha teve acesso é produzido pelo Ministério da Defesa e atualizado todo mês. Ele mostra que metade dos principais armamentos do país, como blindados, aviões e navios, está indisponível para uso.

O levantamento é usado provisoriamente pelo governo, enquanto não é elaborado o chamado "Livro Branco", que trará, segundo decreto assinado neste ano, todo esse diagnóstico.

Despreparo militar marca história do país

Despreparo crônico em tempo de paz e, portanto, no começo de conflitos, é uma constante na história militar luso-brasileira. Por que seria diferente em pleno século 21?

No passado, houve tempo para as Forças Armadas "pegarem no tranco" e terminarem bem-sucedidas em combate. Mas em um mundo de comunicações rápidas, de mísseis balísticos, de guerra eletrônica, essa tradicional demora na prontidão é uma receita perfeita para o fracasso.

Janio Freitas - Contra as verdades

A nota do Ministério da Defesa sobre a má recepção militar à futura Comissão da Verdade não é verdadeira. O que "está superado" desde 2010 não é o documento feito no comando do Exército com restrições ao propósito da Comissão, como induz a nota do ministério, e portanto do não assinado ministro Nelson Jobim. Superada foi a intenção dos comandos de tornar o documento oficialmente público, contra a opinião de Jobim. O que não impediu seu recente vazamento, sem que caísse do céu, para "O Globo".

A Comissão da Verdade - projeto encaminhado ao Congresso pelo governo Lula -, ainda que tenha finalidade apenas histórica e não questione a anistia, é considerada revanchista pelos comandos militares. Foi em represália a esse projeto que o patrono designado para a turma de aspirantes de 2010, no Exército, é o general Médici, patrono também do período ditatorial em que se deram os piores e mais numerosos crimes da repressão militar.

Senado faz sessão especial para homenagear 90 anos da Folha

O Senado faz amanhã, às 11h, uma sessão especial para comemorar os 90 anos da Folha, completados em 19 de fevereiro. A sessão é aberta ao público e deve ser comandada pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), também colunista da Folha.

Foram convidados ministros de Estado, dos tribunais superiores (STF, STJ, TSE e STM), representantes de Assembleias Legislativas, das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), bem como os 513 deputados federais e os 81 senadores.

Tensão entre Dilma e centrais leva PSDB a tentar aproximação

Enquanto a presidente Dilma Rousseff mantém uma relação turbulenta com as centrais sindicais no início de seu governo, dois dos principais líderes do PSDB aproveitam o momento para se aproximar do sindicalismo.

O governador Geraldo Alckmin, após colocar um sindicalista à frente da Secretaria do Trabalho de São Paulo (Davi Zaia, do PPS), iniciou conversas com centrais que representam categorias importantes no Estado.

Presidente da Assembleia protegeu bens

O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Barros Munhoz (PSDB), é acusado pelo Ministério Público de transferir a seus filhos uma empresa rural, dona de uma valiosa fazenda, para evitar que ela seja usada para o pagamento de condenações judiciais.

A acusação faz parte da denúncia apresentada à Justiça que aponta o deputado estadual como participante de um esquema que teria desviado R$ 3,1 milhões da Prefeitura de Itapira, revelado pela Folha na sexta-feira.

Deputado diz que objetivo foi preservar interesse dos filhos

A assessoria do deputado Barros Munhoz (PSDB) afirmou que ele repassou a propriedade da Italinda Agropecuária aos filhos para antecipar em vida a repartição de seus bens entre seus herdeiros e para evitar a exposição do seu patrimônio a processos ligados ao exercício de cargos públicos.

De acordo com a assessoria, em defesa apresentada à Justiça o deputado disse que se casou duas vezes em comunhão total de bens, tendo dois filhos na primeira união e uma filha na segunda.

Na defesa, Munhoz explicou que, se não fizesse a transferência, sua eventual morte favoreceria a filha do segundo casamento na hora da partilha de bens.

Redução da pobreza pode ocorrer só em estatística

Prioridade da presidente Dilma, a eliminação da pobreza extrema pode ocorrer só estatisticamente se os beneficiários dos programas sociais não tiverem acesso a trabalho, educação, saúde e previdência social.

A avaliação é de Evilásio Salvador, professor do programa de pós-graduação em política social da Universidade de Brasília. Salvador defende a tese de que o sistema tributário faz com que os pobres paguem mais pelos programas sociais direcionados a eles próprios, o que limita seus efeitos na diminuição da desigualdade. Ao assumir, Dilma anunciou a criação de plano de erradicação da pobreza, mas a meta e a abrangência ainda não foram definidas. Leia a seguir trechos da entrevista de Salvador.

A Bolsa-Copom plantou uma jabuticabeira

O andar de cima nacional precisa pensar na vida. A revista americana "Forbes" divulgou sua lista de bilionários e nela há 30 brasileiros e brasileiras com mais de US$ 1 bilhão. O legendário banqueiro paulista Gastão Vidigal ensinava que instituições financeiras não lidam com produtos, pois "produto é coisa que se pode embrulhar", como pregos e sabonetes.

Aplicando-se esse critério à lista da "Forbes", resulta que no Brasil há 13 bilionários na turma dos produtos (Eike Batista, Jorge Paulo Lemann e Ermírio de Moraes, por exemplo), e outros 15 cujo patrimônio derivou principalmente da atividade bancária (Safra, Villela e Moreira Salles).

Aluno inspira promotor a apurar desaparecimentos na ditadura

Rodrigo Ayres não participou da luta contra a ditadura militar (1964-1985) nem teve parentes vítimas do regime. Mas, aos 24 anos, conseguiu convencer um promotor a instaurar procedimento para investigar desaparecimentos forçados no período.

Ao escrever a monografia "Dos Porões à Corte Interamericana de Direitos Humanos: Desafios da Anistia", para o curso de Direito da PUC-Rio, Ayres inspirou o promotor militar Otávio Bravo a instaurar o procedimento para investigar pessoas que desapareceram com a participação de militares ou em unidades das Forças Armadas.

Dilma vai conter concessão de benefício fiscal em porto

O governo Dilma decidiu tentar proibir ou limitar, por meio da reforma tributária, que Estados concedam isenção e créditos de ICMS na importação de produtos por meio de seus portos.

Adotada por Estados como Santa Catarina, Paraná, Goiás e Pernambuco, entre outros, a medida acaba prejudicando produtos nacionais na concorrência com os importados, beneficiados com a redução da alíquota de ICMS em alguns casos de 18% para 3%.

Na maioria dos Estados, importações têm benefício

Estudo da CNI (Confederação Nacional da Indústria) aponta que 22 das 27 unidades da Federação concedem algum tipo de benefício fiscal para empresas locais na importação por portos e por aeroportos.

A entidade já entrou com ação de inconstitucionalidade no STF (Supremo Tribunal Federal) contra quatro delas -Santa Catarina, Paraná, Goiás e Pernambuco. Analisa ainda entrar contra o Ceará e o Espírito Santo.

Reforma política para ampliar a democracia

A Câmara acaba de instalar uma comissão especial para tratar da reforma política. A iniciativa coincide com um momento em que cresce a consciência da necessidade de um revigoramento de nosso sistema político e eleitoral.

O Brasil tem uma democracia representativa de massas, mas o sistema pode ser aperfeiçoado, com medidas que reduzam os custos das campanhas e deem sentido programático às disputas.

A crescente preponderância do poder econômico nos processos eleitorais tem provocado profundas distorções nas instituições legislativas e executivas. Amplos setores da sociedade são alijados das disputas eleitorais, em função dos altos custos das campanhas. Tal fato é facilmente observável nas disputas por cargos executivos em todos os níveis e, principalmente, nas eleições proporcionais.

Fonte: Congressoemfoco

Partidos ou coligações?

"Quero crer que está faltando elementar bom senso ao STF nessa questão. Os ministros do Supremo parecem querer reinventar a roda"


Uma das questões políticas mais importantes das próximas semanas provavelmente será o desfecho da "queda de braço" entre a Câmara dos Deputados e o Supremo Tribunal Federal sobre a regra em vigor no país para a substituição dos deputados federais pelos seus suplentes. A Câmara historicamente tem empossado os suplentes imediatos das coligações pelas quais os deputados foram eleitos, independentemente de sua filiação partidária. Já os ministros do STF majoritariamente entendem que os suplentes devam necessariamente pertencer aos mesmos partidos dos deputados que estejam saindo de exercício.

O tema ainda não ganhou as manchetes dos jornais. Mas, como sempre, o Congresso em Foco saiu na frente e já indicou o tamanho do problema. Dos 46 suplentes que já entraram em exercício na atual legislatura, apenas 24 teriam esse direito garantido caso a regra de suplência fosse alterada de acordo com as preferências do STF. Nesse ritmo, a mudança legal pode alterar a identidade de mais de 100 suplentes até o final de 2014. Portanto, não se trata de uma questão trivial.

Além disso, vale observar que, caso prevaleça a atual interpretação do TSE, a mesma nova regra de suplência teria que ser adotada pelas Assembléias Legislativas dos 27 estados da federação e também pelas Câmaras de Vereadores de cerca de 5.600 municípios brasileiros. Até hoje, todas essas casas legislativas têm utilizado a regra consagrada pela Câmara dos Deputados. Salvo engano, é o que determina explicitamente a própria legislação eleitoral.

A menos que os ministros do STF mudem de idéia, o cenário mais provável é que o Judiciário prevaleça sobre o Legislativo. A única possibilidade de que o Legislativo prevaleça seria a aprovação de uma PEC no Congresso que conferisse "status" constitucional à tradicional regra de suplência baseada nas coligações. Algo similar já aconteceu anos atrás quando apenas a aprovação de uma PEC impediu o Judiciário de continuar legislando sobre a chamada verticalização das coligações eleitorais.

Não tenho condições de argumentar em termos jurídicos a favor de uma ou de outra interpretação. E, pessoalmente, devo dizer que sempre fui um crítico da possibilidade de os partidos políticos realizarem coligações nas eleições proporcionais.Mas quero crer que está faltando elementar bom senso ao STF nessa questão. Os ministros do Supremo parecem querer reinventar a roda.

Se, para todos os efeitos práticos, as coligações funcionam como partidos nas eleições para deputados federais, deputados estaduais e vereadores, nada mais justo que continue sendo assim sempre que houver necessidade de substituir um titular por um suplente. Em outras palavras, trata-se de democraticamente respeitar o voto do eleitor. Se o nosso voto foi bom o bastante para determinar quantos e quais parlamentares foram eleitos por cada partido ou coligação, por que ele não seria também bom o bastante para servir de critério de desempate no momento pós-eleitoral?

Além da questão normativa, há ainda importantes implicações empíricas. Levantamentos independentes mostram haver pelo menos 29 deputados federais que não possuem suplentes de seus próprios partidos - apenas de suas coligações. O que fazer nesses casos? Realizar desnecessárias e custosas eleições suplementares? É óbvio que, se os partidos soubessem já na data da eleição que os suplentes deveriam necessariamente pertencer às mesmas siglas dos titulares, eles jamais deixariam de lançar candidatos em número suficiente para preencher as eventuais suplências.

Toda essa bizantina discussão beira as raias do absurdo. E mostra como é grave alterar as regras do jogo depois que o jogo já foi iniciado. Mas, nos anos recentes, infelizmente passamos a seguir a filosofia do "por que simplificar, se podemos complicar". Durma-se com um barulho desses.

* Consultor político e doutor em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Publicou o livro “Partidos políticos no Brasil: 1945-2000” (Jorge Zahar Editor, 2000) e co-organizou a coletânea “Partidos e coligações eleitorais no Brasil” (Unesp/Fundação Konrad Adenauer, 2005).


Outros textos do colunista Rogério Schmitt*

Fonte: Congressoemfoco

Quem manda é ela

C arlos Chagas

Está para ser divulgada esta semana a primeira pesquisa ampla e sistematizada a respeito do governo Dilma Rousseff. Surpresa, propriamente, não haverá, até porque a opinião publicada, expressa nos editoriais dos jornalões, acopla-se à opinião pública detectada nas diversas categorias sociais e regiões do país. Ignoram-se os percentuais mas a aprovação nacional dos primeiros dois meses parece inconteste.

Alguns céticos já concluem estar alguma coisa errada quando se registra a unanimidade, ou quase. Preferem ficar com Nelson Rodrigues, para quem toda unanimidade era burra.

Não há como deixar de anotar, porém, que a presidente tem o apoio da sociedade, mesmo obrigada a cortar gastos públicos e a conceder ínfimo reajuste ao salário mínimo. Seu estilo de gerentona, bem diferente dos oito anos do Lula, parece estar agradando as elites sem desagradar as massas. Claro que ela surfa no sucesso do antecessor e faz diligentemente o dever de casa.

Ao primeiro sinal de catástrofe, mandou-se para a serra fluminense, assim como puxou as orelhas de alguns ministros, preservando-se ao mesmo tempo da exposição explícita a que se dedicava seu mestre. Desenvolve outro tipo de comportamento, mais rígido e menos ostensivo.

Prefere, vale repetir, a postura austera da madre superiora do convento, ainda que se esforce por apresentar-se amena e sorridente nas audiências que concede e nas viagens que empreende. Mas enfrentou com dureza as tentativas de envolvimento e as exigências de políticos ávidos de auferir benesses, tanto quanto enquadrou as lideranças sindicais empenhadas em obter vantagens até justas para seus liderados.

Em suma, é muito cedo para conclusões, mesmo preliminares, mas uma característica emerge dessas semanas iniciais do novo governo: quem manda é ela, sem qualquer dúvida, evidência que agrada a população. Com a ressalva de que não é tempo para celebrações, muito pelo contrário.

OBAMA E O PRÉ-SAL�

Segredo não é o fato de que tanto os Estados Unidos quanto a China vem carreando há meses dezenas de milhões de dólares para os cofres da Petrobrás, com base no compromisso de receberem como pagamento vastas parcelas do petróleo ainda escondido nas profundezas do litoral brasileiro. São contratos a prazo futuro, que não nos farão perder a soberania dessa imensa riqueza posta à nossa disposição pela natureza.

O problema é que extrair petróleo nas camadas inferiores custa muito caro. A Petrobrás dispõe da tecnologia necessária para a operação mas anos ainda vão decorrer até que ela se torne rentável.

Nessa hora é que a presença de Barack Obama no Brasil se torna mais do que oportuna. Ele vem disposto a estimular grande aumento da produção de etanol para exportação ao seu país, mas poderá sensibilizar-se para uma parceria ainda maior na exploração do petróleo do pré-sal. Por certo que exigirá compensações, e muitas. Por coincidência, está prevista para abril a ida da presidente Dilma Rousseff à China. Dá para entender…

A VACA

Faz muito a expressão “nem que a vaca tussa” vem sendo utilizada para definir propostas irrealizáveis. Há no Congresso, porém, quem se anime a anunciar que a vaca está próxima desse milagre da natureza, no caso da reforma política. Reúnem-se esta semana as comissões especiais da Câmara e do Senado designadas para elaborar sugestões a respeito. Começarão por uma espécie de consolidação dos mais de 50 projetos já apresentados nas duas casas, hoje dormindo nas gavetas de comissões técnicas variadas.

As tendências entre deputados e senadores são conflitantes, os objetivos de PT e PMDB batem de frente e fica difícil imaginar o consenso, mas sendo o Brasil o país das impossibilidades possíveis, como dizia Gilberto Freire, quem sabe a vaca nos fará alguma surpresa?

TUCANOS EM REVOADA

São mínimas as possibilidades de os tucanos se acomodarem no ninho. Estão e continuarão em revoada sem rumo por motivo com data marcada: outubro de 2014, quando da próxima sucessão presidencial. José Serra, candidatando-se ou não ao trampolim que seria a prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin e Aécio Neves são pretendentes irremovíveis a subir a rampa do palácio do Planalto, tanto faz se tiverem de enfrentar Dilma ou o Lula.

O governador de São Paulo dispõe de estrutura sólida, além da alternativa de poder concorrer outra vez ao cargo que exerce. O ex-governador de Minas estará no meio de seu mandato de senador e o candidato derrotado no último outubro pode argumentar com o raciocínio de que o Lula perdeu três disputas, ganhando na quarta e na quinta, ao tempo em que ele só perdeu duas.

No PSDB, há quem sustente a necessidade da antecipação da escolha do candidato, claro que não este ano, mas no próximo, de modo a reordenar suas esquadrilhas destroçadas num único plano de vôo.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Por que o governo do PT insiste em provocar as Forças Armadas e prestigiar os réus do mensalão? O que está ganhando com isso? Nada vezes nada.

Carlos Newton

Por que mexer com as Forças Armadas, a essa altura do campeonato, quando o país é governado por uma ex-guerrilheira e está tudo bem, em condições ideais de temperatura e pressão? Por que essa ânsia de demonstrar que no Brasil de hoje quem manda é o governo do PT, e os outros poderes são meros coadjuvantes, embora independentes entre si?

Na verdade, os poderes (o que inclui também o poder militar, que jamais deve ser menosprezado) precisam ser harmônicos e se respeitar. Não pode haver confrontos entre eles. Isso é tão óbvio que nem precisaria estar sendo escrito ou lembrado. Mas é que os ânimos estão esquentando, desnecessariamente, em função da falta de habilidade e da prepotência de determinados atores da cena política, que se sentem na condição de protagonistas.

Primeiro, no governo Lula, em dezembro de 2009 foi lançado o desastrado Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH). Algumas propostas do programa, formado por 27 projetos de lei, geraram fortes reações, como a que defendia a descriminalização do aborto, a que proibia a utilização de símbolos religiosos em locais públicos e a que dificultava a desocupação de terras invadidas.

Logo no mês seguinte, janeiro de 2010, os comandantes das Forças Armadas, descontentes com a possibilidade de militares serem investigados e punidos por crimes cometidos durante a ditadura, chegaram a ameaçar uma renúncia coletiva. O ministro da Defesa, Nelson Jobim também teria cogitado deixar o cargo se o projeto não fosse alterado.

Armou-se a confusão e o então secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, anunciou que poderia renunciar ao cargo, devido às críticas ao programa, concebido em sua pasta. Vannuchi discordava da possibilidade de militantes da esquerda armada durante a ditadura militar também serem investigados, como exigiam o ministro Nelson Jobim e as Forças Armadas.

Em fevereiro, novo capítulo: o general de quatro estrelas Maynard Marques de Santa Rosa foi exonrado da chefia do Departamento Geral de Pessoal, depois de rter criticado o projeto, por meio de uma carta que circulou na internet. O pedido de exoneração foi feito pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. E a pressão nos bastidores acabou fazendo Lula voltar atrás e desistir do Plano.

Mas em maio de 2010, Lula mudou de ideia novamente, mas enviou ao Congresso apenas a parte do Plano Nacional de Direitos Humanos que cria a Comissão da Verdade, para “promover o esclarecimento circunstanciado dos casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres e sua autoria, ainda que ocorridos no exterior”.

Na época, Dilma Rousseff já era candidata, mais uma vez houve forte reação nas Forças Armadas, somente agora revelada na imprensa. O governo Lula então decidiu não pressionar pela aprovação do projeto, vieram as eleições, tudo aparentemente serenou.

Mas logo no início do governo Dilma Rousseff, ao assumir no dia 3 de janeiro a Secretaria Nacional de Direitos Humanos substituindo Vannuchi, a ministra Maria do Rosário prometeu avançar no processo de reconhecimento das violações contra os direitos humanos no período do regime militar. Durante discurso na cerimônia de posse, ela pediu que o Congresso aprovasse logo a criação da Comissão da Verdade sobre os mortos e desaparecidos durante a ditadura. E começou tudo de novo.

Agora, surgiu um documento dos três comandantes militares, endereçado ao ministro da Defesa, com críticas severas à possibilidade de criação da Comissão da Verdade, para apurar exclusivamente os crimes dos militares, sem investigar o fato de determinados participantes da luta armada também terem cometidos muitos crimes, inclusive fazendo vítimas civis.

A presidente Dilma Rousseff não gostou da reação dos militares e convocou a palácio o ministro da Defesa. Ele então explicou que se tratava de coisas do passado, porque o documento teria sido redigido no ano passado, ainda no governo Lula. Mas acontece que o jornal O Globo, que trouxe a público o documento, garante que está datado de fevereiro deste ano.

Em meio a essa crise, surge a nomeação do ex-presidente do PT José Genoino para o cargo de assessor especial do ministro da Defesa, como uma compensação pelo fato de o parlamentar por não ter se elegido no ano passado. Os militares também não gostaram de engolir essa nomeação, que criou uma espécie de estranho no ninho deles.

Como se sabe, em 1970 Genoino participou da preparação e combate na guerrilha do Araguaia, que tinha como um de seus principais líderes o comunista Maurício Grabois. E Genoino foi um dos primeiros guerrilheiros que “caíram” na luta contra os militares, como se dizia no jargão dos clandestinos.

Segundo o deputado radical Jair Bolsanaro, que é porta-voz da linha dura dos militares, Genoino diz que foi torturado, mas na verdade nem precisou, porque logo ao ser preso ele teria delatado os companheiros. Para provar essa tese, em 2005 Bolsanaro levou à Câmara o coronel Lício Augusto Ribeiro Maciel, que participou da prisão de Genoino em 1970. Houve uma grande confusão na CPI do Mensalão, quando Genoino, um dos principais acusados, ia prestar depoimento, e o coronel estava presente. Genoino protestou e o coronel foi expulso da sala da CPI.

Uma agravante é que todos sabem que Genoino é um dos réus do Mensalão no Supremo. Ele foi apontado na denúncia do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, como um dos cabeças do esquema. Seu irmão, o hoje deputado federal José Guimarães (PT-CE) ficou famoso na época, porque um de seus assessores foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas com 100 mil dólares na cueca e mais 200 mil reais numa maleta.

Com esse currículo, Genoíno é agora nomeado assessor direto do ministro Nelson Jobim. Por que esta nomeação? Não podem nem alegar que Genoino não tenha condições financeiras de se manter, já que ele completou 30 anos como deputado federal e faz juz a mais de 20 mil reais de aposentadoria na Câmara Federal. Será que abriu mão?

A exemplo do que já ocorrera com a indicação do mensaleiro João Paulo Cunha para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, a nomeação de José Genoino no Ministério da Defesa também significa uma afronta à cidadania e uma humilhação aos homens de bem. Demonstra cabalmente que um dos principais réus do mensalão, apesar de processado no Supremo, goza de total confiança do ministro da Defesa, que por sinal é ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, vejam que ironia.

Por que o governo do PT está agindo assim, abrindo áreas de atrito com as Forças Armadas e com os cidadãos em geral, sem a menor necessidade? Por que essa volúpia do PT em prestigiar os réus do mensalão, incessando José Dirceu, que hoje é quem manda no partido, e reabilitando figuras como Delubio Soares e Silvinho Pereira? E justamente agora, quando o Supremo ordena a quebra do sigilo fiscal de todos os 38 réus do processo do mensalão.

O ministro Joaquim Barbosa, relator do processo no STF, semana passada, determinou o envio de ofício à Receita Federal pedindo cópia da última declaração do Imposto de Renda dos denunciados. Barbosa acolheu solicitação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que requisitou a quebra do sigilo para que o Supremo já calcule possíveis multas, em caso de condenação dos acusados.

Diante dessa situação, sob qualquer ponto de vista que se analise essa estratégia do PT e do próprio governo Dilma Rousseff, a conclusão é uma só: trata-se de uma política errada e infantil. E perigosa, não há dúvida. Porque não leva a nada e arrisca tudo.

Imaginem, por exemplo, se as Forças Armadas vão permitir uma Comissão da Verdade que investigue as torturas e atrocidades cometidas pelos militares, mas jogue no buraco negro do esquecimento os crimes cometidos pelos guerrilheiros que enfrentavam a ditadura, como o caso do atentado a bomba em São Paulo, ocorrido em 1968 e que feriu gravemente um morador das proximidades, que teve uma perna amputada.

Segundo o jornalista Elio Gaspari, participou dessa ação terrorista a então jovem Dilma Rousseff. E o pior, o líder do atentado recebe hoje uma Bolsa-ditadura muito mais elevada do que a pensão paga ao inocente morador que foi mutilado. Além disso, a gravidade dessa ação terrorista foi um dos motivos alegados pelo regime militar para o retrocesso do Ato Institucional nº 5, no final de 1968.

E dá para entender a situação atual? Ah, Francelino Pereira, que país é esse? Quando você perguntou isso, na época em que era um dos parlamentares que serviam à ditadura, todo mundo levou na brincadeira. Mas na verdade é preciso perguntar sempre: Que país é esse?

AMANHÃ: A posição de José Dirceu,�
o “dono” do PT. Ao invés de ajudar Dilma Rousseff
a governar, Dirceu só está atrapalhando. E muito.

Fonte: Tribuna da Imprensa

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