segunda-feira, março 14, 2011

NÓ LÍBIO.

Em 17.12.2010 o vendedor de frutas Mohamed Bouaziz de 26 anos se imolou (ateou fogo no próprio corpo) depois da apreensão de sua barraca, dando início a Revolução dos Jardins que destituiu o presidente da Tunísia Zine El Abidine que mantinha poder ditatorial desde 1987, dando início a uma onda de revoltas populares como efeito cascata no mundo árabe e oriente médio.

Depois da Tunísia se sucederam manifestações populares no Egito, Argélia, Sudão, Iêmen, Marrocos, Mauritânia, Arábia Saudita, Síria, Jordânia, Bahrein, Iraque e Líbia. No Egito embora tenha havido mais de 300 mortos nos choques dos manifestantes com as forças de segurança e entre manifestante pró e contra Mubarak, o presidente renunciou ao cargo passando o poder aos militares sob promessa de uma transição e futuras eleições.

O que a imprensa ocidental que controla as informações no mundo nos informa é que as populações árabes e do oriente - médio reivindicam apenas liberdades com eleições livres nos padrões que vivemos, como se isso fosse tudo, o que não é verdade. O mundo árabe tem cultura própria e arraigada religiosidade e com valores distintos dos nossos.

Antes da 1ª e depois da 2ª Grandes Guerras os países colonialistas (Inglaterra, França Itália, Espanha, Alemanha e alguns outros capitaneados pelos Estados Unidos da América do Norte) criaram países artificiais sem respeitar as peculiaridades locais e o regime tribal de cada nação, fomentando regimes repressivos como forma de garantir o fornecimento de petróleo e preservar seus interesses econômicos. Quando a classe dirigente de uma nação já não atende aos interesses dos países ocidentais cuida-se da forma que mais convier.

Sadan Hussen no Iraque por se colocar como um contraponto do Irã dos Aiatolás recebia dos Estados Unidos aportes de recursos e treinamentos para as forças de segurança, assim como as forças de segurança da Líbia receberam treinamento dos ingleses. Quando Sadan, um tirano, se tornou descartável, duas guerras foram promovidas no Gol Pérsico e Sadan foi alijado do poder e morto. Na Líbia se esperava de Khadafi idêntica conduta de Mubarak e Zine El Abidine, no Egito e na Tunísia, respectivamente, de entregar o poder depois das manifestações e isso não aconteceu e depois da resistência de Khadafi se pensou em se adotar o mesmo procedimento empregado no Iraque e o tempo não permitiu.

O que a imprensa mundial controlada pelo ocidente não diz é que as ditaduras do oriente-médio e países árabes foram implantados pelos países ocidentais que suportaram e suportam os respectivos ditadores enquanto não houver interesses contrariados. As revoltas populares não ocorrem por que o povo repudia o islamismo ou repressão sobre as mulheres ou que eleições livres irão solucionar seus problemas. As revoltas aconteceram pelo excesso concentração das riquezas nacionais em proveito de poucos e em detrimento da maioria com aquiescência aberta e descarada das nações desenvolvidas. O que fomentou e fomenta as revoltas é o desemprego, o estado de miserabilidade das populações, corrupção e a concentração de renda.

Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido e a União Soviética invadiram o Irã de modo a assegurar para si próprios os recursos petrolíferos iranianos. Os Aliados forçaram o a abdicar em favor de seu filho, Mohammad Reza Pahlavi, em quem enxergavam um governante que lhes seria mais favorável. Em 1953, após a nacionalização da Anglo-Iranian Oil Company, um conflito entre o xá e o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh levou à deposição e prisão deste último. O reinado do xá tornou-se progressivamente ditatorial, especialmente no final dos anos 1970. Com apoio americano e britânico, Reza Pahlavi continuou a modernizar o país, mas insistia em esmagar a oposição do clero xiita e dos defensores da democracia (Wikipédia).

Em 1979 o povo iraniano promoveu a chamada Revolução dos Aiatolás derrubando o Xá Reza Pahlavi e instaurando uma república teocrática, o que vale dizer, nas atuais revoltas populares enquanto o povo prega eleições, o que se reivindica na verdade é um novo modelo econômico participativo que lhes assegure conquistas sociais como o pleno emprego, educação e saúde para todos, dignidade e liberdades a evitar os atuais modelos incentivados pelos países desenvolvidos que em nenhum momento se preocuparam com os interesses das populações. Nenhumas dessas revoltas buscam sair do islamismo e nem se afastar dos valores próprios de cada nação.

Na Líbia, que já foi colônia da Itália e onde o regime também é ditatorial, se esperava que depois das manifestações populares Kadafi entregasse o poder como Mubarak e o país implodissem como o Iraque, quando as condições não são idênticas as de outros países sob revoltas populares. Enquanto no Egito o povo ocupou as ruas até a queda de Mubarak, na Líbia que é constituída por tribos, parte dos oficiais do exercito se rebelaram e passaram a ocupar cidades e como resposta se instaurou uma guerra civil com uma oposição dividida, sem comando certo, com vários chefes tribais e com armamentos leves adaptados em camionetas.

Como não houve a intervenção internacional pretendida por saber que a China e Rússia vetariam na ONU, Kadafi melhor equipado lançou sua contra-ofensiva ocupando as cidades de Bin Jawwad, Ras Lanouf, Brega, Gharyan, Sabratha, Al Zawiyah e tudo indica que a tendência é que Benkazi e Tobruk cairão e isso será em questão de tempo, salvo se houver uma intervenção armada internacional ou se criada zona de exclusão aérea que levará a uma guerra civil mais prolongada e sangrenta.

O Nó Líbio é porque Kadafi é o calo no pé dos Estados Unidos da América do Norte que depois de impor um embargo à Líbia, como fez com o Iraque e faz com o Irã e Cuba, os Estados Unidos em abril de 1986 bombardeou vários alvos militares em Trípoli e Bengazi, em que pereceram 130 pessoas. Kadhafi, que perdeu uma filha adotiva quando sua casa foi atingida, manteve-se como chefe político. Outro aspecto é que com dados de 2010 a Líbia tem um IDH elevado de 0,755 e média de vida 74 anos de idade, além de outros indicadores que dão certa sustentação popular a Kadafi.

Com a convulsão na Líbia o prejuízo ficou para as empresas brasileiras. A empreiteira Queiroz Galvão comandada por João Antônio de Queiroz Galvão assinou contrato de US$ 648 milhões com o governo de Muammar Khadafi . Outro de US$ 420 milhões estaria saindo. São obras em energia, transportes e habitação. Para uma população de 6 de milhões de líbios, empresas brasileiras iriam construir 2 milhões de casas.

Todo regime ditatioial seja a forma que for e sob qualquer modalidade não merece apoio, contudo, em se tratando de nações e audeterminação dos povos não cabe a nenhum país dizer como o outro deve se portar ou impor modo de vida, a opção deve ser do povo. O que se vê é a necessidade de se impor uma nova ordem mundial e um novo modelo.

JAPÃO. Terriveis são as imagens do japão transmitidas pela televisão depois do terremoto e do tsunami que se seguiu. De cada um cidadão o que se espera é a solidariedade. Esperamos que as usinas nucleares sob riscos não imponham novas tragédias ao povo japonês. A região atingida é a mais pobre do Japão e a economia repousa na agricultura.

CONTAS. As contas da Mesa da Câmara Municipal de Santa Brígida de 2009 tinham sido rejeitadas pelo TCM-BA o que levou o atual Prefeito colocar carros de som nas ruas da cidade em detrimento de seu desafeto, o então Presidente do Legislativo João Carlos Teixeira. Subscreví um pedido de revisão que foi acolhido pela Corte de Contas e as Contas de João foram aprovadas. Embora a decisão seja do mês passado, faço o registro.

FRASE DA SEMANA. "Eleitor não é gato de sete fôlegos."Machado de Assis

Paulo Afonso, 13 de março de 2011.

Fernando Montalvão.

Titular do Escrit. Montalvão Advogados Associados.

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