Nota da Redação Deste Blog -
COLUNA CLÁSSICA — A VOZ QUE NÃO SE CALA
Por José Montalvão
Há momentos na vida pública em que certas frases ecoam muito além do palco onde foram ditas. O vídeo que circula, no qual um senador insinua punir quem critica o Congresso, expõe uma verdade antiga e sempre atual: quando o poder tenta calar, não é a população que falha — é o próprio poder que esquece sua função essencial. Democracia não é silêncio. Democracia é escuta.
A crítica, por mais dura que seja, é o termômetro da República. É pela voz do povo que as instituições percebem o que dói, o que falta, o que fere. Não existe democracia madura onde opinião vira crime, onde questionamento vira afronta, onde a polícia é chamada para vigiar palavras. O Brasil precisa — e merece — instituições que acolham as angústias da sociedade, e não estruturas que tentem sufocar quem ousa sentir, falar e denunciar.
E aqui, por analogia e com personagens bem diferentes, essa reflexão cai como uma luva em Jeremoabo.
Porque em Jeremoabo, assim como no Brasil, há quem acredite que amordaçar a imprensa e intimidar vozes críticas pode impedir que a população descubra as feridas abertas pelo improbo, pelo abuso, pela injustiça. Há quem se iluda pensando que processos arbitrários, manobras jurídicas e ameaças veladas podem controlar a narrativa, esconder a podridão ou apagar os rastros dos desmandos.
Mas a história — sempre ela — ensina o contrário.
O poder que tenta silenciar revela, na verdade, sua fraqueza. E o cidadão que denuncia, que escreve, que expõe, cumpre uma função nobre: garantir que ninguém coloque cadeado na consciência pública. Representar não é calar. Representar é reconhecer, é acolher, é enfrentar o que machuca a sociedade.
Por isso, em Jeremoabo, assim como no país inteiro, vale reafirmar uma máxima que parece simples, mas que alguns insistem em ignorar:
Direito tem quem direito anda.
E quem anda torto, por mais que tente esconder, um dia tropeça na própria sombra.
A voz do povo — e da imprensa que lhe serve de caixa de ressonância — continua sendo a mais poderosa sentinela da democracia. E essa voz, por mais que tentem calá-la, sempre encontra um jeito de ressurgir.
