domingo, maio 04, 2025

Para combater corrupção no governo Lula, é preciso mais democracia, e não menos

Publicado em 3 de maio de 2025 por Tribuna da Internet

BELA, RECATADA E ENVERGONHADA" SOBRE A CHARGE ACIMA RESPONDA: O SIGNIFICADO  DA PALAVRA DEMOCRACIA ESTÁ - brainly.com.br

Charge do Duke (Jornal O Tempo)

Diogo Schelp
Estadão

A campanha presidencial de 2022 teve, no segundo turno, um ex-presidente que ficou 580 dias preso por corrupção e um incumbente que se arvorava de ser o paladino da ética na política, mas fez o que pôde para enterrar a Operação Lava Jato, sem falar nas revelações de funcionários fantasmas em seu gabinete nos tempos de deputado e nos escândalos de rachadinhas e compra de imóveis em dinheiro vivo envolvendo seus filhos políticos.

Apesar dos próprios enroscos, Jair Bolsonaro bem que tentou enfraquecer Lula com a memória dos grandes esquemas de corrupção nos governos petistas.

TEMA DESGASTADO – Não deu certo. Os eleitores demonstraram estar anestesiados para a dor da corrupção, que naquele ano caiu várias posições no ranking das maiores preocupações dos brasileiros. O tema só sobreviveu com força no núcleo duro do bolsonarismo, no qual serviu, como ainda serve, de justificativa para o desejo de ruptura com a ordem democrática.

A corrupção é um mal que só poderia ser extirpado à força — uma ideia sintetizada na frase, falaciosa, de que “na ditadura não era assim”.

Nas últimas semanas, a associação entre Lula e corrupção ganhou novo fôlego. Juscelino Filho, mantido no cargo de ministro das Comunicações durante meses apesar de contundentes suspeitas de corrupção, enfim se viu obrigado a pedir demissão após ser denunciado pela PGR, não sem antes indicar seu sucessor.

FARRA DO INSS – Em seguida, um esquema de fraude bilionária no INSS que se arrasta desde o primeiro mandato de Bolsonaro, estourou no colo do atual governo, derrubando o presidente do órgão e colocando pressão sobre o ministro Carlos Lupi, da Previdência Social.

Por fim, em um rescaldo da Lava Jato, o STF determinou a prisão do ex-presidente Fernando Collor por corrupção e lavagem de dinheiro em um esquema possibilitado anos atrás por ninguém menos que Lula, que deu ao antigo adversário o controle de um naco da Petrobras.

Os arautos da solução autoritária para a corrupção já estão aproveitando o momento para colocar as manguinhas de fora. Exploram o fato de que algumas das qualidades da democracia, como a transparência e a livre circulação de informação, também têm o efeito de revelar fatos que reduzem a confiança nas instituições.

MAIS DEMOCRACIA – No entanto, isso só prova que, para promover a ética na política, é preciso mais democracia, não menos, pois é nesse sistema que se pode ter conhecimento dos maus-feitos e cobrar que gestores públicos prestem contas de seus atos.

Tanto é assim que o Índice de Percepção de Corrupção, medido pela instituição Transparência Internacional, em média, é muito mais baixo nos países democráticos do que em nações com regimes ditatoriais.

Seria uma boa notícia se os brasileiros voltassem a ter consciência da dor da corrupção para poder tratá-la, mas sem cair em tentações autoritárias.

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