Em nome da verdade e da história: o caso da retirada do nome do Coronel João Sá das Escolas Reunidas de Jeremoabo
A recente decisão da Câmara de Vereadores de Jeremoabo de retirar o nome do Coronel João Sá das Escolas Reunidas – tradicional instituição de ensino do município – segue causando indignação e perplexidade entre a população. Para que não pairem dúvidas, é necessário esclarecer alguns pontos, inclusive a importância do nome que foi retirado, sem com isso desmerecer aqueles que poderiam, com toda justiça, serem homenageados em outras instituições.
A finada professora Maria Luzia dos Santos, por exemplo, foi uma educadora digna, respeitada, e cuja trajetória de vida e dedicação ao ensino poderia perfeitamente ser eternizada em muitas outras escolas do município. Em especial, seria uma justa homenagem batizar com seu nome a Escola Estadual localizada no Parque de Exposição, que ainda carece de identidade histórica própria.
O que se contesta, portanto, não é o nome da professora, mas o método nada republicano que foi usado pela Câmara Municipal para cassar, à revelia da vontade do povo, o nome do Coronel João Sá – figura central e incontornável da história política de Jeremoabo.
Estudei na antiga Escola Duque de Caxias, que, posteriormente, por reconhecimento e gratidão, passou a se chamar Escolas Reunidas Coronel João Sá. Não foi uma escolha política, mas uma decisão da comunidade que reconhecia no Coronel não apenas o político mais importante de Jeremoabo, mas um símbolo de progresso, educação e compromisso com o município.
A demonstração de insatisfação popular diante da exclusão desse nome não se limita a discursos ou postagens. É um sentimento generalizado, que se revela em depoimentos emocionados, como este, de um ex-aluno da instituição:
"Não busque água em poço seco, ou seja, pedir ao legislativo municipal que entenda o valor que a Escola Reunidas representa para Jeremoabo e muitos dos seus filhos. Ali estudei por alguns anos, posteriormente, estagiei concluindo o curso de Magistério, mesmo já sendo Técnico em Contabilidade. O que posso dizer é: não se faz história apagando a história da história que se busca escrever... contudo, uma coisa é certa, em nenhum momento o ex-prefeito teve controle sobre o legislativo municipal, logo, quem não pecou por não fazer, pecou por omissão."
Esse depoimento reflete a dor e a indignação de muitos jeremoabenses. Não se apaga a memória de um povo por decreto. A Escola Reunidas Coronel João Sá não era apenas um prédio escolar: era um marco afetivo, político e educacional. E foi isso que tentaram destruir com uma canetada.
A Câmara de Vereadores deveria se retratar. Reconhecer o erro e reabrir o debate com participação popular. A história de Jeremoabo não pode ser moldada por vaidades políticas ou interesses ocultos. Ela pertence ao povo, à memória coletiva, à verdade.
Que se homenageiem os que merecem. Mas que se preserve o que tem valor. E que a justiça histórica seja feita – ainda que tardiamente.

