
Dia do Trabalhador com gosto amargo para militantes do PT em Jeremoabo
Neste 1º de maio, Dia do Trabalhador, em vez de celebrar conquistas, parte da militância petista de Jeremoabo reflete com amargura sobre o que considera traições políticas e perseguições internas protagonizadas pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Recebi, sob anonimato, uma mensagem de um filiado ao Partido dos Trabalhadores que expressa profundo descontentamento com os rumos do partido no município e na Bahia. Segundo ele, a gota d'água foi o episódio recente envolvendo a aproximação entre membros do diretório municipal do PT em Jeremoabo e o presidente da CERB, Jaime Vieira Lima, que se lança como pré-candidato a deputado federal.
A visita, que incluiu Das Dores (presidenta do diretório municipal), Marcelo (presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais) e Paulo Antônio (secretário de organização), resultou em registros fotográficos formais e amigáveis, como de costume. Contudo, as imagens, ao circularem nas redes sociais, tornaram-se munição para fofocas e ataques orquestrados por figuras como o ex-prefeito Deri do Paloma e seu aliado Edisio, dois nomes ligados ao bolsonarismo local.
Pior do que a intriga foi a reação do próprio governador. Em vez de dialogar, Jerônimo supostamente retaliou os militantes de Jeremoabo — inclusive exonerando a companheira Maria do PT, que exercia função na nova escola municipal, sob a justificativa não declarada de represália. A mensagem recebida é clara: apoiar quem não está na cartilha do governador tem custo.
A indignação cresce porque Jerônimo, eleito com apoio da esquerda e da militância de base, tem se alinhado a figuras que até pouco tempo atrás representavam o oposto do projeto petista: os bolsonaristas. Deri do Paloma e o deputado federal Mário Júnior, por exemplo, são tidos por muitos como representantes de um grupo político acusado de práticas corruptas, ainda assim, parecem gozar da simpatia e proteção do governador.
O que mais fere os militantes é ver os próprios companheiros sendo perseguidos, enquanto adversários históricos são acolhidos no núcleo do poder. E mais ainda: ver dirigentes que resistiram bravamente ao bolsonarismo serem alvos de retaliação por parte de um governo que deveria representá-los.
O PT da Bahia precisa urgentemente se reencontrar com suas raízes. As bases, como a de Jeremoabo, estão sendo desprezadas em nome de acordos questionáveis. O Dia do Trabalhador deveria ser uma data para celebrar os avanços construídos com luta e resistência popular. Mas em 2025, para muitos em Jeremoabo, é um dia de frustração.
A luta continua — mas cada vez mais longe do Palácio de Ondina.
O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal dedemontalvao.

