Publicado em 11 de maio de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Solda (Solda Cáustico)
Paulo Cappelli e Gustavo Zucchi
Metrópoles
Novo partido de Geraldo Alckmin, vice na chapa de Lula à Presidência, o PSB quer que o programa de governo a ser apresentado pelo PT seja “amplo” e passe longe de alguns temas que desagradam ao eleitor conservador, como a legalização do aborto e a regulação da mídia.
A avaliação da cúpula do PSB é que, após conversar com os partidos do arco de aliança, Lula entendeu que deve fazer gestos ao eleitor conservador — e não só ao progressista. Prosseguir na defesa dessas duas bandeiras, disse um importante dirigente pessebista, seria “suicídio político”.
TOM MAIS AMENO – Um reflexo de que o ex-presidente teria mudado de postura seria o tom mais ameno adotado pelo petista já no discurso de sábado, durante o lançamento da candidatura ao Planalto.
O PSB escalou o ex-deputado federal Domingos Leonelli, filiado à legenda desde 1997, para ser o interlocutor da legenda junto a Aloizio Mercadante, que está à frente da formulação do programa de governo do PT.
A caminhada rumo ao centro nos discursos de Lula é aguardada também pela ala do MDB simpática ao petista. Para esses emedebistas, isso ajudaria na eventual consolidação de uma aliança com o PT.
ORÇAMENTO SECRETO – O deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) sugeriu ao ex-presidente Lula uma mudança para reduzir o poder do Centrão e do presidente da Câmara sobre o chamado “orçamento secreto“. A proposta é para que as indicações dos parlamentares beneficiados e a ordem de prioridade de pagamento das emendas de relator sejam chanceladas por todas as bancadas partidárias.
O deputado goiano propõe que a divisão dessas emendas, identificadas no Orçamento da União pela sigla RP9, seja ratificada por cada bancada com apoio da maioria absoluta dos deputados de cada legenda.
Hoje, pelas regras em vigor, essas emendas são distribuídas por decisão discricionária do relator do Orçamento da União e do presidente da Câmara, que costumam usá-las em troca de apoio em votações.
DIVISÃO EQUÂNIME – Para Elias Vaz, a mudança “visa equalizar a execução das emendas de relator, promovendo uma divisão equânime entre as diversas correntes políticas existentes no Congresso Nacional”.
“Com a alteração proposta, haverá uma maior descentralização de recursos, hoje concentrados nas mãos de um único parlamentar, permitindo uma maior democratização na execução dos recursos orçamentários ao aplicá-los em políticas públicas que se aproximem da real necessidade da população aqui representada por seus parlamentares”, argumenta o pessebista.
A avaliação no PSB é de que a mudança proposta pelo parlamentar goiano tem mais chance de ser aprovada do que simplesmente acabar de vez com as emendas de relator, como desejam alguns aliados de Lula.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A avaliação da cúpula do PSB é de que o maior inimigo da campanha é o próprio Lula, por causa das declarações escalafobéticas que faz, sem refletir nos efeitos junto aos eleitores em geral. A lição é simples – não adianta querer agradar a quem já apoia, é preciso atrair justamente quem ainda não apoia. Mas o difícil é fazer Lula entender isso. (C.N.)