quarta-feira, maio 11, 2022

Bolsonaro demite ministro, mas Petrobras não muda a inflacionária política de preços

Publicado em 11 de maio de 2022 por Tribuna da Internet

Iotti / Agencia RBS

Charge do Iotti (Gaúcha/Zero Hora)

Idiana Tomazelli e Matheus Teixeira
Folha

O presidente Jair Bolsonaro (PL) nomeou Adolfo Sachsida como novo ministro de Minas e Energia, no lugar de Bento Albuquerque, que foi exonerado a pedido, segundo consta na edição do Diário Oficial da União desta quarta-feira (11).

A troca ocorre dias após a Petrobras anunciar um novo reajuste no preço do diesel. Na última segunda-feira (9), a companhia informou que o preço médio do combustível teria uma alta de 8,87% nas refinarias.

SEMPRE SUBINDO – Com o aumento, o preço médio do combustível nas refinarias passou de R$ 4,51 para R$ 4,91 por litro —o repasse aos consumidores depende de políticas comerciais de distribuidoras e postos de combustíveis. O reajuste era esperado pelo mercado, diante da escalada das cotações internacionais nas últimas semanas, mas desagradou o governo.

Bolsonaro, que pretende buscar a reeleição neste ano, tem criticado a política de preços da Petrobras. Na quinta-feira (5), o presidente afirmou que o lucro de R$ 44,5 bilhões da companhia no primeiro trimestre deste ano é um “estupro” e um “absurdo”.

“Petrobras, estamos em guerra. Petrobras, não aumente mais o preço dos combustíveis. O lucro de vocês é um estupro, é um absurdo. Vocês não podem aumentar mais o preço do combustível”, disse durante sua live, semana passada.

MAIS PRESSÕES – O novo reajuste deflagrou uma nova onda de pressões sobre o governo para o lançamento de medidas para conter o preço dos combustíveis em ano eleitoral.

Nos últimos dias, técnicos do governo voltaram a discutir possíveis soluções, entre elas o uso de dividendos pagos pela Petrobras à União para atenuar a alta dos preços nas bombas, mas não há ainda uma definição.

O governo enfrenta uma série de restrições orçamentárias para conseguir tirar qualquer medida do papel. De um lado, não há espaço dentro do teto de gastos para mais essa despesa, a não ser que haja cortes em outras áreas. De outro, técnicos não veem justificativas para abrir um crédito extraordinário, que permitiria gastos fora do teto.

NOVO MINISTRO – Antes de ser ministro do MME, Sachsida era um dos principais auxiliares do ministro da Economia, Paulo Guedes, e participa das discussões econômicas desde a equipe de transição. Defensor do ajuste fiscal, ele já foi secretário de Política Econômica e, mais recentemente, ocupava a chefia da Assessoria Especial de Estudos Econômicos.

O novo ministro usou as redes sociais para agradecer Bolsonaro “pela confiança”, Paulo Guedes “pelo apoio” e Albuquerque “pelo trabalho em prol do país”.

“Com muito trabalho e dedicação espero estar a altura desse que é o maior desafio profissional de minha carreira. Com a graça de Deus vamos ajudar o Brasil”, escreveu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Não adianta trocar o ministro. O que precisa mudar e a sinistra política de preços adotada no governo Temer. Em abril, a inflação subiu 1,06 % e chegou a 12,13% no acumulado de doze meses. Diante da Petrobras, Bolsonaro mostra não ter pulso, é um presidente “lame duck” (pato manco), como dizem na nossa matriz U.S.A., para ridiculariza o governante desprestigiado que não conseguirá se reeleger. (C.N.)


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