Publicado em 14 de maio de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Nani (nanihumor.com)
Guilherme Amado
Metrópoles
O presidente Jair Bolsonaro tem que driblar o jeito Bolsonaro de ser para se manter competitivo para a eleição de outubro. Só que, a contar pelos novos ataques à Justiça Eleitoral na semana passada e pelas investidas de seus apoiadores contra as pesquisas que o mostram bem atrás de Lula, o presidente já começou a deixar a autocontenção para trás.
Num ciclo vicioso, Bolsonaro só tende a perder se não conseguir esconder sua essência beligerante. Por isso, parece estar desistindo do voto e seus ataques de Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal integram uma estratégia contra a realização das eleições.
Caso seja derrotado e precise questionar o resultado eleitoral, o presidente precisa fazer parecer que o Supremo é seu adversário. Neste quadro, Jair Bolsonaro precisa manter aquecida a tensão com o STF daqui até as eleições, para fazer colar a narrativa de que é vítima do tribunal.
###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Uma análise precisa, curta e grossa de Guilherme Amado, um dos destaques na nova geração de jornalistas políticos, que está chegando à casa dos 40 anos, a idade da razão. Parece claro que Bolsonaro, desde que assumiu, escolheu esse caminho, por julgar que as Forças Armadas iriam apoiá-lo numa aventura para repetir 1964. Ele parece não ter entendido o propósito do general Eduardo Villas Bôas, que comandava o Exército no governo Dilma Rousseff e deu grande força ao impeachment. Os militares não queriam o poder, apenas almejavam que poderiam fazer bonito no governo Bolsonaro, mas se enganaram. O presidente tem um parafuso a menos e se mostra incontrolável, ingovernável e inadministrável. E vida que segue, diria o grande João Saldanha, o João sem Medo, como era chamado por Nelson Rodrigues. (C.N.)