terça-feira, maio 10, 2022

Ao recorrer da multa de R$ 405 mil, Silveira alega que Moraes ‘posterga’ o fim do processo

Publicado em 10 de maio de 2022 por Tribuna da Internet

Daniel Silveira diz que lei não o impede de ser candidato a reeleição

Moraes já bloqueou todas as contas bancárias de Silveira

Rayssa Motta
Estadão

O deputado bolsonarista Daniel Silveira (PTB-RJ) entrou nesta segunda-feira, 9, com um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a multa de R$ 405 mil pelo descumprimento de medidas cautelares na ação em que ele foi condenado a oito anos e nove meses de prisão.

A defesa sugere dois caminhos: que o ministro Alexandre de Moraes reconsidere a própria decisão e cancele a multa ou que envie o recurso para análise no plenário do Supremo.

“EFICÁCIA IMEDIATA” – A advogada Mariane Andréia Cardoso, recém-chegada na equipe jurídica do deputado, diz que o decreto editado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para perdoar a pena imposta pelo STF tem “presunção de constitucionalidade” e “eficácia imediata”.

“O que produz o efeito concreto de extinção da punibilidade é a publicação do decreto presidencial, não a mera declaração de seus efeitos pelo poder judiciário, razão pela qual não é autorizada a perpetuação das medidas cautelares ou, pior, seu agravamento ou a aplicação de sanções em razão de seu suposto descumprimento”, diz um trecho do recurso.

O argumento contraria o posicionamento de Moraes, que em mais de uma ocasião afirmou que as medidas cautelares contra Daniel Silveira estão mantidas até o Supremo Tribunal Federal analisar os efeitos do perdão presidencial.

SEM JUSTA CAUSA – A defesa afirma ainda que o ministro “posterga” o desfecho do processo e, com isso, “perpetua a manutenção das medidas cautelares em uma ação penal, no tempo presente, sem objeto, sem interesse de agir e, consequentemente, sem justa causa”.

Além de exigir a anulação da multa, a advogada pede que o STF reconheça que todas as medidas cautelares contra Daniel Silveira perderam a eficácia e que a possibilidade de punir o deputado foi extinta com o decreto presidencial.

O parlamentar foi proibido por Moraes de participar de eventos públicos, de conceder entrevistas sem autorização judicial e de manter contato com outros investigados nos inquéritos das fake news e das milícias digitais, que fecharam o cerco contra apoiadores do governo. Também foi obrigado a voltar a usar tornozeleira eletrônica. Ele foi multado justamente por desrespeitar, em mais de uma ocasião, as restrições que estão em vigor desde fevereiro.

BLOQUEIO DAS CONTAS – Para garantir o pagamento, Moraes mandou bloquear todas as contas bancárias do deputado e autorizou descontos de até 25% na remuneração parlamentar até que a multa seja quitada. E os bancos que operam as contas do deputado já procederam ao bloqueio do dinheiros existente nas contas.

Segundo a defesa, a ordem para confiscar parte do salário “coloca em risco a sobrevivência e a dignidade” do deputado.

 “A sanção pecuniária aplicada é desproporcional e desarrazoada sob qualquer ótica”, critica a advogada.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Com todo respeito aos advogados, a defesa já deveria ter pedido o arquivamento do processo no mesmo dia que o decreto presidencial foi publicado e entrou em vigor. Diante da omissão da defesa, o relator Alexandre de Moraes se sentiu capacitado a dar seguimento às medidas restritivas, como se o decreto não existisse, não estivesse em vigor nem surtisse efeitos. Há algo de podre nesse procedimento do relator, com toda certeza. (C.N.)

Em destaque

STF DECIDE QUE TRIBUNAIS DE CONTAS TERÃO PALAVRA FINAL EM PARTE DOS JULGAMENTOS DE CONTAS DE PREFEITOS

  Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Mantena News (@mantenanews)

Mais visitadas