quinta-feira, outubro 07, 2021

Celso de Mello ironiza Bolsonaro, que se ofereceu para depor. “a contragosto”


Celso de Mello, uma unanimidade de hábitos peculiares - Jornal O Globo

Mello diz que “a lei é para todos”, mas ninguém acredita

Márcio Falcão
TV Globo — Brasília

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello afirmou nesta quarta-feira (6) que, a contragosto, o presidente Jair Bolsonaro se rendeu ao entendimento segundo o qual, na condição de investigado, tem de prestar depoimento pessoalmente à Polícia Federal.

Bolsonaro vinha pedindo para prestar esclarecimentos por escrito no inquérito que apura suposta interferência política dele na Polícia Federal — o que foi negado por Celso de Mello no ano passado, antes de o ministro se aposentar (vídeo abaixo). Ao recorrer da decisão, o presidente fez com que o tema fosse para o plenário do STF.

SÓ TESTEMUNHA – Celso de Mello, então relator do inquérito, determinou que — quando figura como investigado — o presidente tem de prestar esclarecimentos de forma presencial. Segundo o ministro, a Constituição só prevê depoimento por escrito se o presidente é testemunha em um inquérito.

Nesta quarta-feira, horas antes de o plenário do STF iniciar o julgamento que determinaria se o depoimento do presidente tem de ser presencial ou pode ser por escrito, a Advocacia-Geral da União (AGU) informou ao Supremo que Bolsonaro aceitou depor pessoalmente.

De acordo com o blog de Ana Flor, a opção de Bolsonaro foi uma estratégia para evitar que, ao julgar o caso, o Supremo criasse jurisprudência em relação ao tema.

MELLO COMEMORA – Em manifestação divulgada na noite desta quarta-feira, Celso de Mello afirmou que Bolsonaro “precisa convencer-se de que também ele é súdito das leis e da autoridade da Constituição”.

“Bolsonaro, a contragosto, rendeu-se à minha posição que, como antigo Relator do caso no Supremo Tribunal Federal, negou-lhe, corretamente, o direito (de todo inexistente) de responder ao seu interrogatório criminal por escrito”, escreveu o ministro Celso de Mello.

SEM PRIVILÉGIOS – De acordo com o ministro, a decisão dele “reflete e exprime a prevalência ético-jurídica da supremacia e da autoridade da Constituição e das leis da República (‘rule of law’) e não o interesse pessoal e particular do chefe de Estado”.

“Nada justifica a outorga de tratamento seletivo que vise a conceder determinados privilégios e favores a certos agentes públicos , atores políticos ou a determinados estamentos sociais, mesmo porque é a igualdade ‘o parágrafo régio’ que deve sempre prevalecer, de modo soberano, no Estado democrático de Direito”, escreveu Celso de Mello.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– E nesse vaivém, os inquéritos e processos contra políticos e personagens da elite vão se eternizando. Neste inquérito, por exemplo, tudo já está mais do que provado, desde que a Justiça conseguiu a gravação da reunião presidencial repleta de palavrões e expressões criativas, como “passar a boiada”. E la nave va, cada vez fellinianamente(C.N.)

Em destaque

STF DECIDE QUE TRIBUNAIS DE CONTAS TERÃO PALAVRA FINAL EM PARTE DOS JULGAMENTOS DE CONTAS DE PREFEITOS

  Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Mantena News (@mantenanews)

Mais visitadas