Publicado em 12 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Clayton ( Jornal O Povo/CE)
Roberto Nascimento
Ao observar os comportamentos do presidente Jair Bolsonaro e de seu mais importante ministro, Paulo Guedes, pensei em uma das teses do genial Sigmund Freud, que dizia: “O homem não era a criatura racional, que pensava ser… Nós todos somos caldeirões turbulentos de desejos conflitantes, dos quais mal conseguimos ter completa consciência”.
O próprio Freud era exemplo desses conflito pessoais, como deixou claro sua amante Minna, ao desabafar: “Descobri que Freud era um homem infeliz, e homens infelizes são perigosos”.
DIAS TENEBROSOS – Essas reflexões remetem aos dias tenebrosos que vivemos. Nossos governantes, pelos atos, declarações e discursos, demonstram uma profunda infelicidade, diria até uma frustração permanente…
Conforme a visão freudiana, no mínimo estão presentes em Bolsonaro e Guedes as oscilações de humor que misturam arrogância, desprezo ao carente, soberba e ambição desmedida. Governam para as elites, pouco ligam para os pobres, somente se interessam pelos votos deles, como ficou claro na fixação do primeiro auxílio emergencial, que Guedes fixou em R$ 200, o Congresso elevou para R$ 500 e Bolsonaro fechou em R$ 600, fazendo subir seu índice de aprovação.
Agora, a proposta de Guedes para desoneração da folha salarial é uma de suas múltiplas ações destinadas a implodir o INSS e facilitar a implantação do modelo de capitalização falido do Chile, iniciado no regime bárbaro do general Augusto Pinochet.
PRECONCEITO E RACISMO – Guedes é um desnaturado, que já criticou os pobres por quererem comer demais, acha que eles exigem muito do governo, pretendem viver 100 anos etc. Já reclamou de empregadas domésticas estarem viajando muito para Disney e disse que filho de porteiro não tinha que entrar na faculdade, mostrando a que ponto chega seu desprezo pelos pobres.
Agora, diante do perigo de apagão elétrico e de dificuldades no abastecimento de água para consumo da população, é patética a resposta do governo. O presidente, que não conhece nada de administrar nem de governar, pede para os pobres apagarem um ponto de luz, enquanto Guedes, o ministro com preocupação social zero, diz que a conta vai subir mesmo, e que não adianta ficar chorando.
OUTRA NULIDADE – O almirante Bento Albuquerque, ministro das Minas e Energia, está perdido. Não soube respeitar as previsões de seca e deixou de traçar um plano preventivo que evitasse desperdício de água. Suas únicas preocupações são privatizar a Eletrobrás e vender os ativos da Petrobras. Também é uma peça altamente negativa no governo, que está um pandemônio.
É essa gente que sonha em golpe de estado, para permanecer no governo indefinidamente, desfrutando das regalias do poder. Ainda bem que as Forças Armadas sabem de quem se trata e não concordam em apoiar esses delírios ditatoriais dessas figuras excludentes e antissociais.