quarta-feira, setembro 08, 2021

Resposta dos dirigentes de partidos é enfim articular o impeachment de Jair Bolsonaro

Publicado em 8 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

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Charge do Nando Motta (Arquivo Google)

Camila Zarur
O Globo

Presidentes nacionais de partidos reagiram aos atos antidemocráticos que foram impulsionados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no feriado de 7 de Setembro. Entre as pautas reivindicadas nos protestos, os manifestantes pediam o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional.

O presidente do PDT, Carlos Lupi, chamou a participação de Bolsonaro nas manifestações de “estratégia para tentar segurar sua base direitosa e raivosa”. Durante a manhã, o mandatário participou do ato em Brasília e, à tarde, foi a São Paulo onde manifestantes farão um protesto na Avenida Paulista.

DISSE LUPI — “É uma estratégia para tentar segurar sua base direitosa e raivosa, em um momento de inflação descontrolada, crise de energia e desemprego recorde. [Ele está] Com a intenção de fugir desta realidade e garantir a seu público mais fiel. Tudo passará por falta de verdades e competência do seu governo “— disse Lupi.

Segundo o pedetista, os partidos devem ser reunir amanhã, dia 8, para decidir uma reação conjunta à postura do presidente e aos atos.

“Agora é hora de unificar os democratas pelo impeachment de Bolsonaro. Não tem mais conversa fiada, ele está jogando pela ruptura da democracia, nós temos que jogar a democracia sobre ele” — afirmou.

PSDB SAIU NA FRENTE – Mais cedo, o presidente do PSDB, Bruno Araújo, convocou uma reunião extraordinária da Executiva do partido para, “diante das gravíssimas declarações do presidente da República, discutir a posição do partido sobre abertura de impeachment e eventuais medidas legais”.

Já o deputado Baleia Rossi, presidente do MDB, usou as redes sociais para pregar por união: “Independência é um substantivo feminino como democracia. Uma só é forte com a outra. Precisamos, mais do que nunca, ressaltar: somos uma nação constituída por poderes independentes e harmônicos. Com serenidade e diálogo, vamos seguir na luta contra qualquer tipo de retrocesso”, escreveu.

Depois, Baleia Rossi subiu o tom: “São inaceitáveis os ataques a qualquer um dos poderes constituídos. Sempre defendo a harmonia e o diálogo. Contudo, não podemos fechar os olhos para quem afronta a Constituição. E ela própria tem os remédios contra tais ataques”.

PSB COBRA RESPOSTA – O presidente do PSB, Carlos Siqueira, instou uma resposta do Congresso Nacional, do STF e da própria sociedade civil:

“É uma manifestação de conteúdo nitidamente antidemocrático que o presidente da República em tempos normais não participaria e tampouco incentivaria. Penso que o presidente deveria estar preocupado na solução dos problemas concretos da população: desemprego altíssimo; inflação praticamente fora de controle; gasolina beirando R$ 7; queda do poder aquisitivo da população” — afirmou Siqueira, que completou:

“Ao contrário, ele se dedica a criar crise institucional e a pregar soluções autoritárias. Isto não é aceitável. Por isso, penso que as instituições, Congresso, STF e a própria sociedade civil precisar reagir com maior intensidade”.

PT E CIDADANIA – A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que o tamanho das manifestações estão “aquém do esforço empreendido e dos dinheiros obscuros utilizados”.

“Até agora os atos de Bolsonaro estão assim. São atos deles, para eles, que demonstram pavor do chefe com inquérito que o envolve no Supremo. A maioria do povo que sofre com a crise foi esquecida por eles e também os ignorou nesse dia”, completou Gleisi Hoffmann, no Twitter.

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, também minimizou o tamanho das manifestações. Ao longo do dia e da noite de ontem, quando os manifestantes invadiram a Esplanada dos Ministérios, o ex-senador pediu o impeachment de Bolsonaro. “Ele [Bolsonaro] demonstra cada vez mais que é um desequilibrado. O presidente da República tem que se dar o mínimo de respeito. Mas não Bolsonaro não conseque compreender o papel de um presidente. Só tem um caminho para garantirmos o futuro do país” — afirmou Freire.

TAMBÉM O DEM – Já o presidente do DEM, ACM Neto, fez questão de protestar contra os pronunciamento disparatados de Bolsonaro e defendeu a democracia:

“Um Brasil independente é um Brasil livre do radicalismo, que valoriza a democracia, e não o ódio. Hoje a nossa luta é por tolerância, comida na mesa dos brasileiros, emprego, respeito às diferenças e por um país mais justo e menos desigual. Essas são lutas diárias, aquelas que realmente importam e fazem a diferença na vida das pessoas”, disse ACM Neto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O presidente Bolsonaro conseguiu um milagre no Sete de Setembro – a união de todos os partidos políticos contra ele. Nem o partido pelo qual se elegeu, o PSL, apoiará um presidente que sonha (?) se tornar ditador. Nas ditaduras, a primeira vítima é a política, mas Bolsonaro não se interessa por isso, Por isso, podemos dizer que o impeachment agora virou realidade. (C.N.)

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