Publicado em 11 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Amarildo (Arquivo Google)
Alberto Bombig e Matheus Lara
Estadão
A pedido da Coluna do Estadão, a Bites Consultoria analisou as publicações de bolsonaristas nas redes sociais durante as paralisações dos caminhoneiros até logo após a divulgação da carta de recuo de Bolsonaro. Foram cerca de 822 mil publicações – em média 40 mil por hora – e três ondas diferentes foram percebidas.
Na primeira, na noite de quarta, antes da divulgação do áudio em que o presidente pedia o fim da paralisação, a tendência era de apoio irrestrito ao ato. Na manhã de quinta, a direita se mostrava preocupada em justificar o ato e debelar os protestos. Após a nota de Bolsonaro sobre o STF, já aparecia rachada entre apoiar o ato ou manter fidelidade a ele.
DECEPÇÃO – Incentivada por Temer, a carta de Bolsonaro em tom de desculpas a Alexandre de Moraes fez apoiadores do presidente em grupos do WhatsApp se agilizarem em pedir calma.
Essa mesma “decepção” também foi o primeiro sentimento quando do rompimento com o ex-ministro Sérgio Moro, que saiu atirando e acertando no presidente.
Bolsonaristas radicais, como o blogueiro Allan dos Santos e o PTB de Roberto Jefferson, preso por ordem do Supremo, criticaram a nota. “Não se transige à tirania”, disse a sigla, como mostrou a Coluna.
TEMER LAUREADO – Na verdade, é dura a vida de quem tem de lidar com Jair Bolsonaro. Os ministros Ciro Nogueira e Flávia Arruda suaram a camisa depois da terça-feira do 7 de Setembro para convencer o presidente a desarmar o espírito e estender a mão ao Supremo, mas tomaram um “chapéu” do presidente. Fizeram a cama, nas palavras de um palaciano, mas quem deitou nela e ficou com a fama foi Michel Temer, muito à vontade no papel de “pacificador”.
O ex-presidente ainda conservou a imagem de “independente”: na mesma terça fatídica, chancelou, com Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, a dura nota do MDB contra Bolsonaro.
TIROTEIO BRABO – Bolsonaro se entendia com Temer e os “moderados” do Planalto, junto com Arthur Lira, presidente da Câmara, trabalhavam pelo armistício entre Poderes. Ao mesmo tempo, porém, Baleia Rossi (SP), presidente nacional do MDB, castigava o governo e Bolsonaro na GloboNews.
Segundo um conhecedor das tramas do Planalto, o “erro” de Lira e de Nogueira foi figurarem em reportagens da imprensa no papel de “fiadores” da estabilidade e da moderação, capazes de frear Bolsonaro. Esqueceram-se de combinar com o presidente. Bolsonaro fica contrariado com essas declarações e gosta de fazer justamente o contrário.
Por fim, até o pronunciamento de Arthur Lira após o 7 de Setembro foi lido como muito duro por gente importante do Planalto e do Congresso. O discurso de Luiz Fux então…