segunda-feira, setembro 13, 2021

Provocar uma falsa greve de caminhoneiros foi a gota d’água que revoltou os militares

Publicado em 13 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Caminhoneiros que apoiam o governo Jair Bolsonaro fazem protesto em frente ao Congresso Nacional. Foto: Cristiano Mariz / Agência O Globo

Caminhões dos “grevistas” eram modernos, de última geração

Carlos Newton

Parece que ainda há quem acredite que Jair Bolsonaro desistiu de dar o grande golpe por causa do ex-presidente Michel Temer. Essa versão serve como Piada do Ano, dá até para imaginar a cena. Na janela da espaçosa biblioteca do Palácio da Alvorada, olhando aquele jardim belíssimo, Bolsonaro de repente teve um “insight”, como se diz atualmente, ou uma “epifania”, como se dizia outrora, e percebeu que tudo o que estava fazendo era errado, não adiantava confrontar o Supremo e o Tribunal Superior Eleitoral, a estratégia era uma equívoco.

Olhou para uma ema que passava ao largo e perguntou em voz alta: “E agora, quem poderá me ajudar?”

Sua mulher Michelle, que estava assistindo ao programa do amigo Sikêra Junior na televisão, respondeu na bucha: “O Chapolin Colorado!”.

“Negativo! Ele anda de uniforme vermelho, deve ser comunista…” – disse Bolsonaro, que então teve a ideia de procurar Michel Temer, por ser o mentor do ministro Alexandre de Moraes, aquele canalha.

Ligou para a assessoria do Planalto e mandou um jatinho buscar o ex-presidente, que acabara de voltar de uma consulta no cirurgião plástico, para conferir aquele retoque no rosto que ficou mesmo espetacular, todo mundo comentou na semana passada.

ACREDITE SE QUISER – Se você ainda acredita nessa versão do Planalto, vai concorrer a uma semana de férias na boleia de algum caminhoneiro bolsonariano, daqueles que não se preocupam com o preço do diesel e podem ficar dias e dias parados nas estradas, tomando cerveja e jogando truco. 

Conforme explicamos neste sábado aqui na Tribuna da Internet, o que na realidade aconteceu é que a greve fake dos caminhoneiros, que ameaçavam parar o país e dar um prejuízo colossal à nação, além do desabastecimento de combustível, gás de cozinha, alimentos e remédios, essa irresponsabilidade completa tramada por Bolsonaro foi considerada inaceitável, inconcebível e inimaginável pelos militares – leia-se: Alto Comando do Exército.

INSIGHT E EPIFANIA – Felizmente, os oficiais-generais é que enfim tiveram um insight e a epifania de constatar que não poderiam permitir que o nome das Forças Armadas continuasse a ser usado para bagunçar o país e instalar o caos.

Se Bolsonaro não tivesse armado a falsa greve dos caminhoneiros, nada teria acontecido. Os militares já sabem que ele é maluco mesmo, iam deixá-lo reclamando da vida, e bola para frente, daqui a pouco haverá nova eleição, tudo volta ao normal. Mas a maluquice desta vez chegou a um ponto que não é mais possível tolerar.

Aqueles caminhões novinhos, que custam cerca de R$ 600 mil e ficaram estacionados na Esplanada durante o protesto, foram a prova final da armação, porque caminhoneiro autônomo não tem dinheiro para comprar veículos de tamanho valor.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Bolsonaro agora sabe que está sob observação. Vai continuar criticando Barroso e pedindo o voto impresso. Até aí, tudo bem. No entanto, se voltar a bagunçar o coreto, é bom saber que o vice Mourão está doido para experimentar o terno novo. (C.N.)


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