quarta-feira, setembro 15, 2021

Entidades da sociedade civil e personalidades lançam manifesto em defesa da democracia

Ilona Szabó: "Segurança pública é tarefa de todos" - Instituto Igarapé

Ilona Szabó diz que a segurança pública é tarefa de todos

Deu em O Globo

Para marcar o Dia Internacional da Democracia, celebrado nesta quarta-feira, um grupo de 29 organizações da sociedade civil e dezenas de personalidades se uniu para lançar uma campanha em prol da democracia brasileira. Promovida pelo Instituto Igarapé, a iniciativa “O espaço cívico é o nosso espaço” inclui uma agenda com propostas que podem ser utilizadas na defesa da democracia.

Também faz parte da iniciativa um vídeo onde personalidades de destaque falam sobre ataques que sofreram recentemente por conta de sua atuação profissional e posicionamentos políticos.

ERA DE RESTRIÇÕES -Com depoimentos de nomes como Debora Diniz, Felipe Neto, Pedro Hallal, Ricardo Galvão e Zezé Motta, a peça mostra que o ambiente de ataques à democracia inclui tentativas de censura, perseguição, ameaças virtuais e até mesmo físicas.

No texto de apresentação da campanha, a presidente do Instituto Igarapé, Ilona Szabó, afirma que o país atravessa uma situação dramática de restrição das liberdades de expressão, de participação, de associação, do exercício da liberdade de imprensa, de reunião e das atividades acadêmicas.

EXERCÍCIO DIÁRIO – “A defesa da democracia é um exercício diário e rotineiro, em especial em países como o Brasil onde a democracia é jovem e está longe de ser consolidada. O fechamento do espaço cívico representa um ataque direto à democracia, já que se trata da esfera pública onde cidadãs e cidadãos se organizam, debatem e agem para influenciar as políticas públicas e os rumos de nosso país”, diz Szabó no comunicado.

Entre as organizações que participam da campanha estão a 342 Amazônia, Aliança Nacional LGBTI+, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Baixa adesão a atos contra Bolsonaro é “balde de água fria” para a terceira via, dizem analistas

Terceira via para 2022

Charge do Duke (domtotal.com)

Isabella Mayer de Moura
Gazeta do Povo

A baixa adesão popular aos protestos contra o presidente Jair Bolsonaro no domingo (12) demonstrou que, neste momento, a chamada terceira via não está sendo capaz de mobilizar parte expressiva do eleitorado, segundo consultores políticos ouvidos pela Gazeta do Povo. 

Organizados pelo Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua e Livres, os atos pelo impeachment do Bolsonaro ficaram aquém da expectativa de público, mesmo com a participação de políticos de direita, centro e esquerda, inclusive dos presidenciáveis Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB), Eduardo Leite (PSDB) Luiz Henrique Mandetta (DEM), Simone Tebet (MDB) e Alessandro Vieira (Cidadania). 

AS EXPLICAÇÕES – Vários motivos foram citados para explicar a baixa adesão: a divisão da oposição ao governo, explicitada pela ausência do PT nos protestos; a resistência entre eleitores da esquerda em participar de um ato convocado pelo MBL (que organizou manifestações a favor do impeachment de Dilma Rousseff); a resistência de eleitores da direita de ir a um ato em que expoentes da esquerda, como Ciro Gomes, iriam participar; o recuo do presidente Jair Bolsonaro na crise entre Executivo e Supremo Tribunal Federal (STF); e a perda do poder de mobilização do MBL. Também influenciou o curto prazo em que a pauta dos protestos mudou de “Nem Bolsonaro, Nem Lula” para “Fora Bolsonaro”.

Mesmo o mote dos protestos sendo o impeachment de Bolsonaro, os especialistas também expuseram as dificuldades de articulação para uma candidatura alternativa a Bolsonaro e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais do próximo ano.

CHANCE DIMINUTA – “[A baixa adesão aos protestos do dia 12] foi um balde de água fria para a terceira via”, diz Lucas Fernandes, analista da consultoria política BMJ. “A chance de viabilizá-la parece ser muito diminuta, se esse cenário de hegemonia entre Lula e Bolsonaro se mantiver.” 

O principal fator apontado pelos analistas é de que falta um nome que centralize e personifique a terceira via. “As pessoas não vão se sentir motivadas a sair para protestar se não identificarem a que ou a quem estão se juntando”, avalia Jorge Ramos Mizael, CEO da consultoria Metapolítica, explicando que paixões personalistas costumam motivar as pessoas a saírem às ruas para protestar e que também são importantes na hora do voto.

SEM LIDERANÇA – O vice-presidente da Arko Advice, Cristiano Noronha, concorda com esse ponto de vista.  “Grande parte dessa baixa aderência é o fato de não haver uma liderança capaz de unificar o sentimento antigoverno”, diz.

Tanto Noronha como Mizael argumentam que os políticos que não querem ver nem Lula e nem Bolsonaro chegarem ao segundo turno da eleição presidencial de 2022 precisam se articular rapidamente. “Quanto mais tempo sem conversar, mais a polarização vai ganhar força. Eles precisam sentar e rapidamente direcionar todas as forças para um rosto que possa unificar”, afirma Mizael.

Contudo, as chances de que isso realmente venha a acontecer são, por ora, remotas. Conforme lembrou Noronha, os presidenciáveis da terceira via, neste momento, estão trabalhando individualmente. O PSDB, por exemplo, está olhando internamente, para as prévias que vai escolher o seu candidato a presidente (estão na disputa João Doria e Eduardo Leite). Ciro Gomes, por sua vez, está trabalhando para construir sua imagem como candidato. E, neste momento, é difícil imaginar que eles estejam do mesmo lado em uma disputa para o primeiro turno. 

POSSIBILIDADE REMOTA – “Não vamos ter uma candidatura única da terceira via”, conclui Fernandes. “Alguns nomes vão se colocar na disputa e isso dificulta muito a sua viabilidade. Estamos caminhando para um cenário muito parecido com o de 2018”. 

Os organizadores dos atos, porém, entendem que uma avaliação sobre a viabilidade da terceira via ainda é precipitada. “Não vemos as manifestações de ontem como um fim, como uma linha de chegada, e sim como uma linha de largada”, disse Magno Karl, diretor-executivo do Livres. 

Salientando que os protestos de ontem tinham como objetivo reunir pessoas contra “políticas, declarações e atitudes” do presidente Jair Boslonaro, Karl acrescentou que os atos do dia 12 “deram a partida” para “uma construção política que poderá vir a ser uma alternativa” à polarização entre Lula e Bolsonaro. “Até 2022 ainda temos muito tempo para construir alternativas”.

(reportagem enviada por Mário Assis Causanilhas)


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