Publicado em 5 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Erasmo (Piracicaba Hoje)
Merval Pereira
O Globo
As afirmações do presidente da República nesta sexta-feira, dando ultimato ao Supremo Tribunal Federal, mostram que, mais uma vez, ele está querendo confusão, o que é um perigo. É preciso dar um basta nisso, ou pelo TSE, STF ou Congresso.
Não se pode ter um presidente que ataca os outros poderes o tempo todo. Fico imaginando o que ele não falará nas manifestações em Brasília e São Paulo, dia sete de setembro, diante de uma multidão pedindo cassação de ministros do STF e até o fechamento do próprio STF.
MANIPULAÇÃO – O presidente não pode manipular o povo contra as instituições democráticas. O que o povo dele quer não é o que almeja a maioria do povo brasileiro. O mercado financeiro e o setor econômico estão claramente desembarcando do governo e com muita razão, porque a economia não consegue sair do lugar e ninguém sabe o que que irá acontecer.
As reformas estão saindo do Congresso totalmente atabalhoadas. O presidente da Câmara, Arthur Lira, está querendo mostrar serviço e aproveita para colocar jabutis nas reformas. As duas reformas – do Imposto de Renda e eleitoral – precisam de muito debate, não podem ser votadas a toque de caixa.
O Congresso tem duas reformas tributárias prontas, já costuradas por acordos, mas o ministro Paulo Guedes não quer perder o protagonismo, e só se desmoraliza. O país está sem rumo.
EM CAMPANHA – Bolsonaro não governa, faz campanha o tempo todo. Continua sendo um deputado do baixo clero, que está na presidência da República por um acaso do destino, e de lá não quer sair. Mas também não quer governar. Nunca tomou a dianteira de um programa nacional de prevenção da Covid, ao contrário, tentou ao máximo desqualificar a crise.
Não apareceu, e ficou com ciúme do ministro da saúde Henrique Mandetta, que falava o tempo todo. Nessa crise energética é a mesma coisa: ele não aparece, não fala, não há um gabinete de crise, não há planejamento, não se sabe o que fazer.
Quinta-feira o vice presidente Hamilton Mourão afirmou que provavelmente haverá necessidade de racionamento. O governo sabe disso e não faz nada.
EXEMPLO NO APAGÃO – Temos o exemplo do sistema montado no apagão do governo FHC, que deveria ter sido adaptado. E ainda hoje, com toda a facilidade de satélites que permitem saber com antecedência se haverá chuva em um ou dois meses, não é possível que o governo não possa se antecipar aos fatos e se organizar.
O PIB do segundo semestre foi fraco e com isso os apoios políticos vão se afastando do presidente. Se chegar ao final do ano sem perspectiva de recuperação, a situação dele vai piorar.
Nada indica que o Brasil irá se recuperar e Bolsonaro não tem a visão de que certamente apagão, inflação e PIB baixo irão prejudicar a sua candidatura. Ele acha que fazer campanha é andar de moto e não controlar a inflação, para melhorar o país.