quinta-feira, setembro 16, 2021

Campos Neto critica aumento da gasolina, Silva Luna defende reajustes, mas esquece queda do consumo

Publicado em 16 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Arionauro (arionaurocartuns.com.br)

Pedro do Coutto

Na tarde de terça-feira, num evento realizado pelo BTG Pactual, o presidente do Bacen, Roberto Campos Neto criticou o que classificou como rapidez nos reajustes praticados nos preços da gasolina e do óleo diesel pela Petrobras, acentuando que em outros países a distância entre o valor de mercado e o preço de venda é mais longo do que aquele praticado pela estatal brasileira. Foi, sem dúvida, uma crítica direta feita por Roberto Campos Neto à política do general Silva e Luna, que aliás substituiu Castello Branco na Presidência da Petrobras pela colocação em prática da mesma política de reajuste de preços que ele, Silva e Luna, pratica hoje.

Silva e Luna respondeu indiretamente às críticas diretas de Roberto Campos Neto, acentuando que a Petrobras não pode ser lançada em aventura. Praticamente referindo-se aos interesses financeiros da empresa que se refletem também nos interesses dos acionistas. Entretanto, na minha opinião, Silva e Luna esquece o reflexo do consumo, cuja retração vai influenciar também na rentabilidade da empresa em face do consumo interno da gasolina, do diesel e do gás de cozinha.

REPETIDAS FALHAS  – Este ano, a gasolina já aumentou 31%, o óleo diesel 28%, o gás de cozinha 21%. Algum reflexo esse processo tem que apresentar, uma vez que os salários encontram-se absolutamente congelados, o que significa perda de seu valor de consumo já que não existe como substituir ou repor as perdas salariais que têm caracterizado a política do governo Jair Bolsonaro traçada pelo ministro Paulo Guedes, cujas falhas se repetem sem cessar.  Reportagem de Gabriel Shinohara, Fernanda Trisotto e Melissa Duarte, O Globo, focaliza expressamente a contradição entre Roberto Campos Neto, de um lado, e Silva e Luna, de outro. Na Folha de S. Paulo, com o mesmo destaque, a reportagem é de Larissa Garcia.

O impasse entre os preços, os salários e os níveis de consumo estão conduzindo a um desfecho social extremamente preocupante porque tendo que pagar mais caro pelos combustíveis e pela energia elétrica, o que podem os consumidores fazer ? Nada, a não ser consumir menos e se alimentar menos ainda, sobretudo porque no setor de supermercados não há financiamento direto aos consumidores que diante da falta de dinheiro só podem correr, e mesmo assim a curto prazo, ao giro dos cartões de crédito cujos juros, como se sabe, são estratosféricos.

A energia, principalmente a elétrica, é de consumo diário e obrigatório. Não há outra maneira, a menos que os consumidores desliguem as luzes e os aparelhos de televisão. Agora mesmo, na edição de ontem da Folha de SP, está publicada uma matéria revelando que, segundo a Consultoria PSR Energy, o preço da energia vai subir menos em 2022 do que está subindo em 2021. Pode subir menos, mas vai subir, Enquanto isso, os salários descem, tomando-se por base a relatividade entre eles e as taxas de inflação.

CUSTO DE VIDA – Desligar a luz, as telas da TV e dos computadores passa a ser uma das últimas possibilidades das famílias conseguirem se manter à tona e, mesmo assim, por tempo determinado e a um curto prazo, pois os índices de custo de vida não vão retroagir. Pelo contrário, já se encontram em 9,6% no período de julho de 2020 a julho de 2021.  A tendência, portanto, já está desenhada no horizonte sombrio com que se deparam os grupos sociais que vivem do trabalho.

Roberto Campos Netto disse também, reportagem de Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo, que o Comitê de Política Monetária elevará a Selic no ponto que for preciso, consequência do fato claro de que o mercado financeiro não está absorvendo os papéis do Tesouro em face da Selic, hoje na faixa de 5,2% ao ano, encontrar-se muito distante de uma inflação que chegou praticamente o dobro dessa escala.

CRESCIMENTO DO PIB – Adriana Fernandes acentua que o Banco Itaú elaborou um estudo prevendo o crescimento do Produto Interno Bruto na escala de 0,5%, enquanto a MB Associados estima a evolução em apenas 0,4%. Se tais projeções se referirem a um período de 12 meses, como é normal, o Produto Interno Bruto terá recuado concretamente. Simplesmente porque ficará abaixo do índice demográfico brasileiro que oscila entre 0,7% a 1% ao ano.

Com isso, verifica-se-á o recuo da renda per capita, pois ela é o resultado da divisão do montante do PIB pelo número de habitantes do país. Isso de um lado. De outro, é preciso esclarecer que a projeção do Itaú de 0,5% incide sobre o total em números absolutos. Porque uma coisa é calcular meio por cento sobre um PIB de R $ 6,6 trilhões. Outra coisa, é projetar meio por cento sobre um montante menor que R$ 6,6 trilhões. Ou seja, se o Produto não cresceu em 2020, não se pode dizer que ele crescerá meio por cento em 2021. Esse meio ponto percentual deve ser aplicado sobre o resultado do recuo verificado no período anterior.

CPI DO SENADO – Essa terça-feira significou um desastre terrível do governo Jair Bolsonaro. Os depoimentos de Marcos Tolentino e Marconny Albernaz na CPI presidida pelo senador Omar Aziz foram um absurdo completo. Como é possível que duas pessoas deste nível tenham se envolvido em articulações para que a compra de vacinas, principalmente as da Índia, fossem efetivadas, inclusive com antecipação de US$ 45 milhões  através de uma empresa e de uma garantia de um banco que na realidade não existia.

Além disso,  Marcos Tolentino possui quatro CPFs negativados e continua a movimentar contas bancárias com dois CPFs, o que é absolutamente proibido por lei. O governo Jair Bolsonaro realmente não conseguiu traçar um rumo mínimo nem para a sua própria administração.

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