Publicado em 11 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Investigado pelo Supremo, senador ataca Moraes de novo
Augusto Fernandes
Correio Braziliense
Um dos apoiadores mais ferrenhos do presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) não poupou o chefe do Executivo de críticas pela nota publicada na quinta-feira (9/9) em que o mandatário se desculpou pelas ofensas feitas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e pelos ataques contra a Corte durante o feriado da Independência.
Recentemente, Otoni foi alvo de uma operação da Polícia Federal, autorizada por Moraes. A corporação cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do parlamentar e apreendeu aparelhos eletrônicos dele. Otoni teve os sigilos bancário, fiscal e telefônico derrubados.
SUSPEITAS – A decisão do ministro contra o deputado foi devido às suspeitas de que o congressista teria financiado as manifestações do 7 de Setembro.
Durante a sessão plenária da Câmara na quinta-feira (9), Otoni se disse entristecido com o texto publicado por Bolsonaro e reclamou que o presidente virou as costas para os apoiadores. Segundo ele, “infelizmente, os conselheiros do presidente Bolsonaro o tornaram pequeno”. “Leão que não ruge vira gatinho. É nisso que estão tentando transformar o grande leão desta República, Jair Messias Bolsonaro”, ponderou.
“Daniel Silveira está preso. Roberto Jefferson está preso. Zé Trovão está preso. Wellington Macedo está preso. Oswaldo Eustáquio está preso. Não é tempo de paz quando o inimigo não quer paz, quando o adversário só quer guerra. Lamento, presidente, o senhor ficou pequeno”, acrescentou Otoni.
NOTA CONJUNTA – O parlamentar comentou que não é contra a pacificação, mas destacou que gostaria de ver Moraes tomando uma atitude semelhante à de Bolsonaro. “Eu sou contra é a que essa pacificação mais uma vez venha de um lado só. Ora, por que não se mostrou a intenção da nota do governo federal e, concomitantemente, uma nota do STF, uma nota conjunta, pelo bem do país?”, questionou.
O deputado ainda repreendeu Bolsonaro por ele ter convocado o ex-presidente Michel Temer para pedir ajuda em meio à crise com o STF. Moraes foi indicado para ocupar uma vaga no Supremo justamente durante a gestão do emedebista à frente do Palácio do Planalto.
“Esta nota partiu de uma redação feita pelo ex-presidente Michel Temer, responsável pela estadia do déspota Alexandre de Moraes em uma das cadeiras do pleno do STF. Sim, o presidente da República assina a nota do pai do déspota. Sim, o presidente da República permite que a redação seja do pai, daquele que colocou o ditador da toga naquela cadeira”, reclamou.