domingo, dezembro 13, 2020

Uso da Abin em caso das “rachadinhas” complicará plano de Bolsonaro de nomear novamente Ramagem para PF


Episódio traz à tona a intimidade entre Ramagem e a família Bolsonaro

Bela Megale
O Globo

Integrantes da Polícia Federal avaliam que a produção de relatórios da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para orientar a defesa de Flávio Bolsonaro no caso Queiroz dificulta muito qualquer movimento de Bolsonaro para nomear novamente Alexandre Ramagem para o comando do órgão.

Ramagem é o atual chefe da Abin e chegou a se reunir com as advogadas do senador no gabinete de Bolsonaro, em agosto, para discutir o caso. Nesta sexta-feira, dia 11, o colunista Guilherme Amado, da Revista Época, revelou que a Abin produziu ao menos dois relatórios para orientar Flávio Bolsonaro e sua defesa sobre como deveriam agir para obter os documentos que permitissem embasar um pedido de anulação do caso das “rachadinhas”.

PROXIMIDADE – Para integrantes da Polícia Federal, o episódio traz à tona novamente a relação íntima entre Ramagem e a família Bolsonaro, motivo que fez a nomeação do delegado ser suspensa pelo Supremo Tribunal Federal em abril. A avaliação de integrantes do órgão é que a atuação da Abin como uma espécie de “assessoria jurídica” do filho de Bolsonaro inviabiliza uma nova nomeação de Ramagem.

Eles acreditam que ele não teria condições de exercer o cargo de chefe do órgão sem despertar a desconfiança de que estaria atuando para atender aos interesses do governo. Para membros da PF, ter um delegado com esse histórico de intimidade com a família Bolsonaro colocaria em xeque a atuação da corporação, que é responsável por investigar o governo e seus aliados.

Há algumas semanas, a troca do comando da PF voltou a ser ventilada nos bastidores do órgão e também do Palácio do Planalto. A ideia era que a substituição do atual diretor-geral da PF, Rolando de Souza, por Ramagem acontecesse após a conclusão do inquérito que envolve o ex-ministro Sergio Moro e Jair Bolsonaro sobre interferência na corporação. Hoje, a avaliação dentro da PF é que não há clima algum para a mudança e que qualquer movimento nesse sentido pode mergulhar a PF em uma nova crise.

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