sábado, maio 16, 2020

Sem comprovação, Damares alardeia indicação científica da cloroquina e diz que “dá certo”


Damares tenta convencer que discurso de Bolsonaro é verdadeiro
Deu na Folha
Durante visita à cidade de Floriano (PI), nesta semana, onde foi buscar um protocolo de atendimento a pacientes de coronavírus, a ministra Damares Alves (Direitos Humanos) defendeu o uso do remédio que divide a classe médica.
“Não tem comprovação científica? Como não tem? São milhares de páginas escritas por cientistas no mundo inteiro que o remédio dá certo, que a combinação de remédios… O que mais querem? Que um anjo desça do céu para dizer que o remédio dá certo?”, disse a ministra.
ELOGIO – Damares visitou a cidade a pedido de Jair Bolsonaro, que advoga pela aplicação do remédio para doentes da Covid-19. A ministra, por sua vez, elogiou o protocolo piauiense e disse que havia ficado “impactada” com os resultados observados.
Vinte pacientes foram tratados nos últimos 15 dias usando a hidroxicloroquina na primeira fase da doença, quando aparecem os sintomas.
FAKE – O coordenador do Hospital Regional Nunes, Justino Moreira, no entanto, afirmou ao Painel que é “fake” atribuir o êxito do tratamento à cloroquina e enfatizou a relevância de corticoides e anticoagulantes na fase dois da doença, quando o paciente é internado. 
“Antes, a gente usava só a cloroquina na segunda fase [de internação], não adiantava, não. A pessoa evoluía mal e morria. Possivelmente, não é a cloroquina a responsável pelo resultado. Na fase grave, ela é insignificante, mas talvez na fase precoce ajude o organismo a se defender”, afirma Moreira.
PARTE DO PROTOCOLO – “O tratamento é efetivo, porque o paciente melhora rápido. Mas não é a cloroquina que está resolvendo o problema, isso é fake. Na verdade pegaram uma parte do protocolo e disseram que é a cloroquina, mas não é”, diz o médico. O hospital tem recebido pacientes do MA e do PA.
A ministra, que não tem formação médica, disse que foi à cidade porque é direito dos pacientes saber que existe esse protocolo e de escolher. E que, além disso, o primeiro direito é o direito à vida.

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