sexta-feira, maio 08, 2020

nquérito contra Moro já virou uma investigação sobre o presidente Bolsonaro

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Guerra de versões sobre vídeo de reunião do Planalto mostra que ...
Celso de Mello está buscando a verdade com muita obstinação
Carlos Newton
Como todos sabem, o ponto-chave do inquérito/processo contra Sérgio Moro é o vídeo da reunião ministerial do dia 22, que pode confirmar as principais acusações que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública fez contra o presidente Jair Bolsonaro. As requisitar a gravação, na quarta-feira, dia 6, o relator Celso de Mello citou os responsáveis pela manutenção do tape e deu 72 horas para o Planalto entregar o vídeo.
Os intimados foram o chefe da assessoria especial da Presidência, Célio Faria Júnior, o secretário de Comunicação Social, Fábio Wanjngarten, e o ministro Jorge Oliveira, da Secretaria-Geral da Presidência.
“GABINETE DO ÓDIO” –  Quem comanda a maior parte da assessoria. conhecida como “Gabinete do Ódio”, é o vereador Carlos Bolsonaro. Diante da decisão judicial, ele agiu exatamente como seria de se esperar de um elemento de sua índole, e logo ordenou que dessem sumiço ao vídeo  com que o presidente Bolsonaro até ameaçara “desmascarar” Sérgio Moro.
E o esquema de Carluxo seguiu em frente. Primeiro, o Planalto vazou para o site “O Antagonista” que Célio Faria Júnior, responsável pelo vídeo, teria ficado com o cartão de memória e só devolvido nesta terça-feira, sem nenhuma gravação.
Procurado pelo Estadão, o servidor do “Gabinete do Ódio” se assustou e tentou tirar o corpo fora: “Não é da minha competência gravar, manter, ou trabalhar qualquer tipo de mídia na Presidência da República. Essa competência é da Secom (Secretaria Especial de Comunicação)”, disse Faria Júnior. “Se existe ou não o vídeo, quem pode responder é a Secom”, disse.
SILÊNCIO TOTAL – Também assediado pela imprensa, Fábio Wanjngarten, chefe da Secom, foi procurado pelo Estadão, mas não se pronunciou nem respondeu aos questionamentos sobre existência do vídeo e protocolos sobre gravação e armazenamento das reuniões ministeriais.
Somente depois que o Estadão publicou no seu site uma explosiva reportagem é que Faria Júnior enviou uma nova mensagem ao jornal dizendo que a Secom faz “registros curtos e pontuais” com a finalidade de divulgar a agenda presidencial.
“As reuniões realizadas na Presidência da República são eventualmente gravadas pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), com a única finalidade de divulgar as imagens da agenda Presidencial, na sua maioria registros curtos e pontuais”, escreveu Célio, enfatizando “que não compete à Assessoria Especial do Presidente da República o registro de imagens de reuniões, tampouco o arquivo de eventuais registros.”
ERA OUTRA MENTIRA – A informação era ardilosa. Na verdade, acontece exatamente o contrário, A Secom sempre filma toda a reunião. depois extrai pequenos trechos para divulgação ou distribuir aos ministros como subsídios a novos debates.
Como não dava para manter tamanha manipulação, no final da tarde o Planalto jogou a toalha e o chefe da Advocacia-Geral da União, José Levi, pediu ao ministro Celso de Mello que cancele o pedido do vídeo na íntegra, porque estava gravadas declarações “delicadas” sobre política interna e externa.
Na tarde desta quinta-feira, dia 7, a derradeira tentativa, com a AGU pedindo que seja apresentado apenas o trecho da gravação mencionado pelo ex-ministro Moro. Ou seja, o vídeo existe na íntegra.
FALTAM OS DEPOIMENTOS – O arremate serão os depoimentos de três ministros do núcleo duro do Planalto – generais Braga Netto (Casa Civil), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Eduardo Ramos (Secretaria de Governo).
No vídeo da reunião do dia 22, o mais importante é que Augusto Heleno aparece dizendo a Bolsonaro que ele não tem direito de acompanhar os inquéritos da Polícia Federal do Rio de Janeiro.
Moro está confiante de que eles falarão a verdade. É claro que isso acontecerá. No Planalto quem mente é Bolsonaro e o pessoal do “Gabinete do Ódio”. 
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P.S. 1 – Ontem, o Jornal Nacional mostrou uma cena triste, com o general Braga Netto (Casa Civil) corroborando a linha  anterior de defesa que o “Gabinete do Ódio” até já abandonou. Disse ele que as reuniões não são gravadas na íntegra, às vezes sim, às vezes não. Foi deprimente assistir a essa  cena. Espera-se que Heleno, Braga e Ramos não se omitam . Aliás, os três generais sabem que o Brasil sempre espera que cada um cumpra o seu dever, como dizia o almirante Francisco Barroso. (C.N.) 

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